História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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sexta-feira, 26 de agosto de 2022
Ex-escravizado africano em Pelotas em 1906
quinta-feira, 25 de agosto de 2022
A estrutura de um exército medieval
Gregos, romanos, persas e mongóis tiveram suas próprias estruturas de comando militares, mas na Europa Ocidental elas desapareceram no início da Idade Média, quando os grandes exércitos organizados cederam lugar a grupos de cavaleiros informais e pouco disciplinados (salvo nas ordens religiosas militares), organizados com base na vassalagem feudal e complementados por mercenários e conscritos plebeus, que complementavam a cavalaria com tropas de arqueiros e lanceiros.
Na Baixa Idade Média, as forças de um rei medieval eram comandadas por um condestável-mor (high constable em inglês), chefe de cavalaria e dos condestáveis locais (comandantes de castelos e fortalezas) e era auxiliados por um marechal de campo (field marshall), chefe de logística e organizados dos acampamentos.
As tropas de campo eram formadas por senhores feudais, que eram obrigados a servir militarmente o rei por um período limitado (geralmente 40 dias) por ano. Cada senhor feudal de importância ("senhor de pendão e caldeira", como se dizia em Portugal) era o capitão (captain) de sua companhia (grupo de cavaleiros e soldados que acampavam e comiam juntos) e tinha como subordinados diretos um ou mais lugares-tenentes (lieutenants), que o representavam e serviam como auxiliares diretos ou comandavam seções da companhia, chamadas lanças, cada uma com um líder ou "cavaleiro abandeirado", seguido por quatro a dez cavaleiros, apoiados por escudeiros, pagens, besteiros, arqueiros e cutileiros. Além disso, podia ter como subordinado um alferes ou porta-bandeira (ensign) para comandar a infantaria, formada por lanceiros.
Os oficiais escolhiam por sua conta, entre artesãos plebeus, especialistas de vários tipos, e recrutavam, geralmente entre camponeses, os praças, assim chamados em português por guarnecerem as praças de guerra (castelos e fortalezas), ou "praças de pré" por receberem "prés", ou seja, pagamentos adiantados por uma temporada de até três meses (do francês prêt, "empréstimo" ou, neste caso, "adiantamento").
Praças de pré (privates) eram organizados em pequenos grupos chamados "esquadras", cada um sob o comando de um cabo de esquadra (caporal), assistido por veteranos chamados anspeçadas (lancepesade ou lance, do italiano lancia spezzate, "lança partida", por terem quebrado lanças em sua carreira). Depois de anos de experiência, um cabo de esquadra podia se tornar um sargento (sergeant), servidor direto de um oficial no recrutamento de pessoal, operações e logística, possivelmente possuindo seu próprio cavalo e armadura, embora de qualidade inferior à dos oficiais cavaleiros.
Fonte: COSTA, Antonio Luiz M.C. Títulos de Nobreza e Hierarquias: um guia sobre as graduações sociais na história. São Paulo: Draco, 2014, págs. 235-236.
quarta-feira, 24 de agosto de 2022
Pautametal
Um dos novos e criativos grupos musicais surgidos em Caxias nos últimos anos, o Pautametal, apresenta-se ao público caxiense e turistas amanhã, às 18h30min, no auditório dos pavilhões da Festa da Uva. A apresentação faz parte da programação cultural da Festa da Uva, que destaca para amanhã, também, o espetáculo de dança "Raça Brasil", pela Academia Be Bop.
Formado por Édson Neves (vocal, flauta e percussão), Paulo Bossa (bandolim, guitarra e vocal), Fernando Brancher (bateria e percussão), Antônio Corrêa (violão, vocal) e Mauro Oliveira (baixo), o Pautametal é conseqüência direta da realização das Baladas da Composição da Escola Cristóvão de Mendoza.
Três integrantes do grupo fizeram sua primeira exibição pública na Balada de 78, formando então o Cavalo Doido. Com esse grupo, Bossa, Brancher, Corrêa e mais César Benitez conquistaram dois segundos lugares, em 78 e 79.
Após a saída de Benitez, os três ganham um novo companheiro: Édson Neves. Explica Bossa: "O grupo precisava de um vocal, para que o resto do pessoal pudesse se dedicar aos instrumentos". Com nova formação (além de Neves, entra também Mauro Oliveira) era necessário, também, uma nova denominação. Daí, surgiu o Pautametal, nome inspirado na adaptação de versos do poeta Cassiano Ricardo, escolhido de uma lista de 50 nomes. Pautametal traduzia com maior exatidão a proposta dos cinco jovens, "Cavalo Doido era muito Neil Young, que fazia uma música muito diferente da nossa", diz Edson Neves.
A preocupação básica do Pautametal é buscar uma coisa nova. "A gente faz uma música muito lírica, que às vezes tem inspiração renascentista, às vezes puxa para o rock clássico. Não dá muito para definir", acrescenta Bossa.
Uma provável síntese de todos os gêneros que gostam e ouvem os integrantes, a música do Pautametal tem pelo menos quatro influências mais perceptíveis, segundo os próprios: "No plano internacional, é Gênesis e Yes e, no nacional, Milton Nascimento e Beto Guedes".
Apresentação
A exibição do Pautametal amanhã, na Festa da Uva, incluirá 11 músicas do grupo caxiense. Quatro delas são inéditas e as restantes já foram apresentadas anteriormente, nos inúmeros shows beneficentes de que participou.
Esta será a primeira apresentação a nível profissional do grupo. Até aqui, foram somente espetáculos beneficentes. "Todo mundo leva dinheiro, menos nós, que acabávamos tendo que desembolsar algum para pagar as despesas", afirma Edson.
Mas os problemas, ao que parece, não terminaram ainda, apesar do Pautametal ter adquirido um certo "status" entre os grupos musicais caxienses, chegando até a apresentar-se no Auditório da Assembléia Legislativa ao lado de conjuntos como o Saracura e Inconsciente Coletivo (o show, claro, também tinha caráter beneficente).
E esses problemas dizem respeito novamente à remuneração dos músicos que, afinal, pretendem levar a adiante um trabalho sério e profissional. Acontece que, até agora, os integrantes do Pautametal não tiveram a confirmação de que vão receber o cachê previamente combinado com a comissão cultural da Festa da Uva (30 mil cruzeiros).
Enquanto paira no ar a incerteza, crescem as preocupações, pois até mesmo a aparelhagem prometida, em acerto verbal, será por conta do grupo. "Estamos correndo atrás de equipamento de som. Até mesmo os microfones que arrumaram são em número insuficiente. "No final das contas" - diz Édson - "a gente acaba desanimando, é muita promessa e pouca agilidade. Parece assim que a gente vai tocar por um favor".
De qualquer maneira - como sempre acontece nessas ocasiões - até a hora do espetáculo tudo deverá estar ajeitado. E então Paulo, Fernando, Édson, Antônio e Mauro poderão mostrar suas músicas, arduamente ensaiadas diariamente há um mês.
A apresentação vai abrir com um instrumental, que está se tornando característica do grupo: "Pautametal I", segue com "Nascente", "Catedral", "Canção Que Veio de uma Estrela", "Delírio", "Sentarnardy", "Crepúsculo do Antigo Mundo", "Sentinela da Vida" e "Maria Olhos Negros".
Fonte: O PIONEIRO (Caxias do Sul/RS), 07 de Março de 1981, pág. 19
terça-feira, 23 de agosto de 2022
Origens da lenda Negrinho do Pastoreio
No tempo em que "os campos ainda eram abertos e não havia entre eles nem divisas e nem cercas", nasceu a única lenda "genuinamente rio-grandense" - a história de um menino escravo sacrificado por ter perdido uma tropilha de cavalos de seu patrão.
Açoitado até a morte, o negrinho foi colocado sobre um formigueiro no campo. "A tradição do Negrinho do Pastoreio é nascida no estrume da escravidão", atesta Augusto Meyer, que identificou a versão mais antiga da lenda, de autoria de Javier Freyre e publicada no almanaque El Pasatiempo, de Montevidéu, em 1890.
O causo já havia sido mencionado numa novela de Apolinário Porto Alegre, mas foi o uruguaio Javier Freyre que, além de publicar pela primeira vez uma versão completa, acrescentou detalhes sobre o surgimento da lenda, com base num fato real, ocorrido "allá por los años 1784", na propriedade de "um rico estancieiro português", em terras da Banda Oriental ("en el departamento de Paisandu", precisa o autor). Mais tarde, o mesmo Apolinário Porto Alegre publicou uma versão inteira com o título Crioulinho do Pastoreio. O mesmo fizeram o historiador Alfredo Varela (em 1897), o folclorista Cezimbra Jaques e o escritor Simões Lopes Neto, que compôs a versão mais conhecida em 1906, afirmando tê-la recolhido de uma negra velha na região de Pelotas.
Há pequenas variantes em cada versão: Apolinário menciona a "sinhá moça", filha do estancieiro, "meiga criatura" que defendia o negrinho. Simões Lopes coloca o filho "raivoso e mau" que enxota a tropilha e precipita o castigo. Os elementos básicos - o latifundiário, o gado, o cavalo, o escravo, o Pampa - estão em todas as versões. Um século depois, o Negrinho do Pastoreio já estava consagrado pela tradição oral, simbolizando o regime pastoril na sua formação e já impregnado de religiosidade, atribuindo-se ao negrinho a capacidade de ajudar pessoas com objetos perdidos, desde que lhe oferecessem um toco de vela.
Fonte: COSTA, Elmar Bones da (editor). História ilustrada do Rio Grande do Sul. Porto Alegre/RS: Zero Hora/CEEE/Governo do Estado do Rio Grande do Sul, 1998, pág. 96.
segunda-feira, 22 de agosto de 2022
A ocupação da Faculdade de Agronomia em abril de 1964
Outra ação marcante da repressão à comunidade acadêmica pelotense foi o cerco ao campus da Faculdade de Agronomia, situado no Capão do Leão, durante as primeiras semanas de abril de 1964.
O campus foi invadido e ocupado pelas Forças Armadas, sendo o principal alvo o Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuária do Sul - IPEAS. Foram feitas revistas nas casas dos moradores do bairro e detidos diversos pesquisadores do instituto, alguns dos quais foram mantidos presos. As principais finalidades seriam a repressão ao PTB e a desarticulação de Grupos dos 11. Conta sobre essa ação o morador Sr. Ari Costa:
O quartel entrou lá e começou a levar o pessoal, tudo que era eles levavam e traziam pra dentro do quartel, preso. Tinham um jipão que ia lá, levaram preso o Paulo Tolosan que era diretor, botaram um interventor do quartel [...]. E aí começaram a trazer aqueles que eram, que faziam reuniões; Traziam a varrer, tudo. Desde o agrônomo até o trabalhador do campo [...], o que trouxeram de gente pra cá não foi fácil [...], foi muita gente [...]. Às vezes levavam mais de um [...], não sei se alguém denunciava, eu sei que quando eles iam, iam certinho [...], buscavam no serviço, dentro de casa, onde estivesse. E levavam preso para o quartel [...].
Havia também uma preocupação em controlar a zona rural do município. Segundo o professor aposentado da UFPel e UCPel, José Luis Marasco Cavalheiro Leite, a igreja católica no Rio Grande do Sul. sob o comando de Dom Vicente Scherer, tinha uma grande preocupação com a influência que os comunistas exerciam na zona rural. Não só comunistas, mas também alguns segmentos trabalhistas ligados a Leonel Brizola, como os que tentaram criar os chamados Grupos dos 11. Para neutralizar essa influência, foi criada a Frente Agrária Gaúcha (FAG).
Fonte: ENGELKE, Cristiano & SAINZ, Nilton (orgs.). Sombras no extremo sul: luzes sobre o passado ditatorial no sul gaúcho. Rio Grande/RS: Ed. da FURG, 2020, págs. 64-65.
domingo, 21 de agosto de 2022
A Família Quadros da Capela da Buena
Centenarios. - Na capella da Buena, termo da cidade de Pelotas, deu-se um singular exemplo de longevidade, no Sr. Ignacio Antonio de Quadros, morto a 13 de outubro com 118 annos de idade, e ainda assim depois de longa enfermidade.
Ha dous annos, em 16 de dezembro de 1862, fallecera-lhe a esposa, já então com 116 annos; de maneira que erão ambos da mesmissima idade.
Esse casal vividor, e estimavel pelo seu caracter e procedimento, deixou uma prole de 362 filhos, netos, bisnetos e tataranetos.
Pois já é descendencia!
Fonte: O DESPERTADOR (Desterro[Florianópolis]/SC), 23 de Dezembro de 1864, pág. 01, col. 03





