sábado, 26 de março de 2022

Massacre nas Minas de Canaperú



 - Uma folha de Bagé dá minuciosos pormenores do cobarde e horroroso assassinato de 14 subditos brazileiros, assassinados no Estado Oriental por ordem de uma auctoridade militar d'aquella republica.

Diz a alludida folha:

"O coronel encarregado do recrutamento no departamento de Taquarembó, acompanhado de força armada, pois andavam n'este serviço, dirigiu-se ás Minas de Canaperú, recrutou para o serviço 14 individuos, entre estes cinco brazileiros, provavelmente alli empregados.

Sem attender a menor reclamação, poz-se em marcha o heróe, satisfeito com a colheita, indo fazer acampamento ainda cedo, como é costume, em uma casa vizinha, onde, para maior segurança, mandou encerrar em um galpão os recrutados.

Sendo avisado ou suspeitando de que os presos projectavam evadir-se, mandou carregar armas, e fez chamada nominal de cinco, os quaes, ao sahirem, receberam uma descarga, cahindo quatro atravessados pelas balas, e um, que ficou incolume, foi incontinente morto a garrote (pequeno páo) sendo o primeiro a espancal-o um joven official d'essa força de... bandidos!

Não satisfeitos com tanta cobardia e para cumulo de malvadez, entenderam que deviam exterminar os poucos infelizes que restavam, mandando o commandante, já enfurecido, invadir pela força o galpão, e matar a garrotaços os nove existentes!!!

Um menino, que tambem havia sido recrutado no trajecto das Minas á pousada, que se achava em companhia das desventuradas victimas, á voz da mata, movido pelo natural instincto de conservação, escondeu-se por entre os arreios e foi mudo espectador d'essa repugnante hecatombe, e tal foi a impressão moral que lhe produziu tão medonho quadro, tanto horror encarava elle, que o pobre menino, quando foram dar com elle, estava louco!..."

Ainda sobre este assumpto adianta o mesmo jornal:

"Informam-nos ainda o seguinte relativamente aos assassinatos de brazileiros no Estado-Oriental, de que já demos noticia.

O numeo de recrutas attingia a 60, sendo os 14 assassinados todos brazileiros!

Dizem-se tambem que o heroe commandante da força, que ordenou esses barbaros assassinatos, foi um coronel Santos, irmão do actual ministro da guerra d'aquella republica.

E até onde póde chegar a audacia e malvadez de uma auctoridade ignorante e inconsciente do lugar que occupa!"

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 05 de Junho de 1881, pág. 02, col. 03-04

sexta-feira, 25 de março de 2022

Método curioso para curar picadas de cobra

 



Lemos n'um periodico estrangeiro:

"O Sr. Houles referiu ha pouco na Sociedade de Hygiene de Pariz que, quando os negros das Antilhas são mordidos pela cobra cascavel e a coral, que parece a mais terrivel de todas, bebem mais que depressa, e immediatamente se é possivel, um litro de whiskey, e caham promptamente n'um elevado gráu de embriaguez, mas quando ella acaba, o veneno está já eliminado, e a saude volta.

Este facto foi narrado ao auctor por um seu amigo que o verificou por muitas vezes.

Os negros têm tal confiança n'este remedio, que não dão a menor importancia á picada que nós temos como rapidamente mortal.

Qual é a acção do alcool n'estes casos? O auctor não trata de explical-a. Faz me uma outra pergunta, se no caso de picadas anatomicas o alcool não obraria de uma maneira analoga? A este respeito diz que, ha cerca de dezoito mezes um interno dos hospitaes, fazendo a autopsia de um diphterico, picou-se: é facil comprehender quaes foram os sustos que se apoderaram d'elle, que se considerava como um condemnado. Elle tambem, não se sabe por que razão, bebeu alcool em alta dóse e não sentiu algum dos accidentes que acompanham as picadas mesmo as mais benignas.

D'esta approximação não se poderia dar uma verdadeira explicação? O auctor não o sabe, mas julga-se com dever de chamar a attenção dos collegas sobre tal assumpto.

Este facto não é senão uma confirmação de mais do methodo antagonista inculcado pela toxicologia italiana na cura das feridas envenenadas.

Aviso ás pessoas que são mordidas pelas cobras."

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 20 de Abril de 1881, pág. 02, col. 01-02

quarta-feira, 23 de março de 2022

Exportação de charque em Pelotas no biênio 1879-1880

 



Pelo porto de Pelotas, provincia do Rio Grande do Sul durante o anno de 1879-1880 a exportação de - charque - foi de 23.981.859 kilogrammas, embarcados em 130 navios. Esta exportação foi dividida do modo seguinte: 

Pernambuco..... 11.875.385

Bahia..... 10.298.525

Rio de Janeiro..... 1.389.470

Pará..... 418.470

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 19 de Janeiro de 1881, pág. 01, col. 03

terça-feira, 22 de março de 2022

Motim popular contra o presidente da província do Rio Grande do Sul

 



O Echo do Sul em seu numero de 17, publicou um boletim e o seguinte telegramma, passado na noite de 15:

"Hontem á noite motim popular.

O povo, em numero de dez mil pessoas, na praça de Palacio, pediu a destituição do presidente da província, Dr. Henrique d'Avila.

A policia fez fogo sobre o povo.

A tropa de linha com armas descançadas.

O presidente não estava em palacio.

O povo oppõe-se á remoção do 12o. batalhão de infantaria para o Rio Pardo.

Houve muitos ferimentos de bala.

Se o presidente não é demittido, receiam-se grandes e lamentaveis acontecimentos.

Os animos estão exaltadissimos."

(...)

- De Porto Alegre escreveram o seguinte a proposito do motim popular alli havido:

"Perto de mil pessoas approximaram-se do edificio da Reforma e ahi ergueram uma vaia immensa, indescriptivel, com acompanhamento de foguetes e fogos da China.

Fechadas as portas, principiaram a cahir pedras sobre as vidraças, até que veiu a policia e que foi repellida por duas vezes com pedras e fundos de garrafa.

Demorou-se o povo perto de uma hora em frente ao estabelecimento d'aquella folha, até que, vindo outra vez a policia, foi novamente repellida até á rua da Ladeira e ahi uns gritavam: a palacio! e outros - ao Gusmão!

Mais de duzentas pessoas seguiram então em direcção a casa do Sr. Amaya Gusmão e quebraram-lhe as vidraças pretendendo arrombar-lhe as portas.

Avalie-se por iso a indignação de que estava o povo possuido.

Se não fossem os esforços empregados por algumas pessoas, a multidão, no estado de exacerbação em que se achava, teria arrombado as portas o então Deus sabe o que teria acontecido.

O 12o. batalhão, composto em sua totalidade de officiaes conservadores, recebeu hontem ordem para retirar-se para Rio Pardo no praso de 24 horas, e isto como castigo a ter-se pronunciado, particularmente, a favor do povo, recusando espingardeal-o."

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 23 de Junho de 1880, pág. 02, col. 01

domingo, 20 de março de 2022

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