quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O macaco no cafezal

 



Lê-se na Revista de Horticultura:

A Gazeta Rio Clarense diz existir na fazenda do Dr. Domingos Jaguaribe um colono por nome Franco, possuidor de um macaco por elle amestrado e empregado na colheita do café, e lembra a conveniencia de empregar-se nesse serviço os innumeros quadrumanos que vagam nas nossas florestas... A idéa nem é má nem é nova porquanto já antigamente foram elles empregados em serviços identicos pelos egypcios.

Fonte: O CRUZEIRO (Rio de Janeiro/RJ), 01 de Janeiro de 1878, pág. 02, col. 02

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Linoco Soares

 



Lê-se na Reforma do Jaguarão:

Eis um nome celebre nos nossos annaes criminaes. Lino Soares, vulgarmente chamado Linoco, é filho do Arroio Grande, em cujo districto tem casa, mulher e filhos. Ainda muito moço aprendeu a degollar seus semelhantes, e, assim industriado dentro de pouco tempo commetteu porção de assassinatos.

Foi processado, e já ha muito tempo que está pronunciado.

Homisiou-se no Estado Oriental, depois de ter matado um dos soldados da escolta que o perseguiu antes de emigrar.

Até ha bem pouco tempo conservou-se pelo Estado Oriental, e se alguma vez passou á este lado, o fez muito furtivamente, e ás escapadellas.

Logo porém que o Dr. Sertorio, actual presidente da provincia, houve por bem mudar as autoridades policiaes do termo, nomeando para esses cargos Bernardo Vargas, veiu para este lado o assassino Lino Soares, e ahi vive tranquillo em casa, mostrando-se por toda a parte, sem receio de perseguição, e já na mesma senda fatal de crimes horrorosos.

Ainda no dia 9 do corrente estando uma moça lavando umas vasilhas de tirar leite, em uma cacimba na costa do Arroio Grande, foi accommettida por Lino Soares, que bastante a maltratou no criminoso intento de forçal-a, o que felizmente não conseguiu por ter a desventurada moça escapado das garras do seu algoz, refugiando-se na casa, que estava perto.

É filha de Bernardo Pereira das Neves, o qual n'essa manhã tinha sahido de casa, deixando sua familia sosinha, sem a companhia de homem algum.

É este mais um crime horroroso com que Lino Soares augmentou o seu negro cathalogo. E desgraçadamente uma féra d'estas anda livremente entre nós, sem que o delegado de policia, o carniceiro Bernardo Vargas, e o subdelegado do Arroio Grande, nem se quer apparentem perseguil-o.

Se fosse um designado liberal já ha muito tempo estaria amarrado e estaqueado. Porém Lino Soares é irmão do tenente coronel Adeodato José de Farias, um dos coripheus mais energumenos d'esta situação e assim fica tudo explicado.

Não tardará muito que esse assassino victime mais algum pae de familia, estamos certos que nem assim sahirá da sua indolencia a policia.

O tenente coronel Adeodato tem muito valimento, e não consentirá que sou irmão seja preso.

Vamo-nos dirigir ao presidente da provincia pedindo providencias, porque cá na terra Bernardices fará a polícia.

Fonte: A REFORM A: ORGÃO DEMOCRATICO (Rio de Janeiro/RJ), 08 de Março de 1870, pág. 03, col. 02


sábado, 29 de janeiro de 2022

A peregrinação negreira no Rio Grande do Norte



 A peregrinação negreira no Rio Grande do Norte

Por toda a parte os mesmos. Eis o que se lê no supplemento da "Liberdade", de 30 de Dezembro de 1887, jornal que se publica na cidade do Natal:

"Onze infelizes que aqui aportaram no dia 23, sem que nada os denunciasse como escravos, sem que contra elles pesasse a mais leve suspeita de autoria ou complicidade em algum crime, foram deshumana e vilmente arrastados á policia por um empregado da mesma, que já recebeu paga dessa acção negra e perversa; onde quer que este infeliz apparecia o povo, que sabe ser altivo e nobre, quando se sente ferido em seus instinctos de brio e pundonor, apupava-o, apostrophando-o de "capitão de campo".

Activou-se uma correspondencia telegraphica desta para a policia de Pernambuco, em busca de possuidores para a pobre gente, que a todo custo se queria restituir ao tronco e ao azorrague das senzallas.

A denegação de habeas corpus foi uma nodoa para os brios deste povo, a quem já hoje ninguem póde negar a honra de ser dos mais decididos proselytos da abolição.

Intentou-se de novo o recurso perante o Tribunal da Relação. Isto parece que exarcebou a perversidade da resistencia escravista. Já a policia tem o premio da sua benemerita e philantropica diligencia.

Recolhidos a cadeia publica, ainda hoje curtem as tenebrosas agrurar do carcere todas aquellas miserandas victimas, entre as quaes se conta, para requinte de crueldade, uma innocentinha de dous annos.

Uma petição de habeas corpus enderaçada ao juiz de direito e indeferida por este que obstinadamente se recusará a ouvir os detentos, mandando que permanecessem todos em custodia.

Na informação pedida pelo juiz ao chefe de policia, este, já havia certificado não se lhe ter apresentado ninguem reclamando taes individuos como escravos, que certificara igualmente nada constar na repartição que fizesse suspeitar serem elles criminosos, fez uma carga inutil e perfida áquelles infelizes, lembrando que talvez se tivessem elles evadido do poder de seus senhores, havendo commettido algum roubo ou outro crime.

Fonte: GAZETA NACIONAL: ORGÃO REPUBLICANO (Rio de Janeiro/RJ), 13 de Janeiro de 1888, pág. 02, col. 01

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Prisão de um "capoeira"

 



Foi preso ha dias, por suspeito de ser capoeira, um escravo do Sr. Dr. Carlos de Azevedo.

É notavel a nossa policia - prende frequentemente a individuos inermes por suspeitas diversas, e deixa á redea solta os ladrões e assassinos.

O escravo a que nos referimos é cocheiro, e todos sabem d'isso; tem uma occupação que não lhe dá tempo ao exercicio da arte porque foi preso.

Demais achamos arbitrario que se façam prisões por suspeitas de capoeiragem, quando não ha razão plausivel para assim proceder.

Cumpre que cesse tal systema.

Fonte: O FLUMINENSE (Rio de Janeiro/RJ), 01 de Janeiro de 1880, pág. 01, col. 03-04

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

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