domingo, 14 de fevereiro de 2021

Linchamentos na América do fim do século XIX



"O LYNCHAMENTO

Uma pequena estatistica sobre o lynchamento nos Estados-Unidos, de 1885:

N'esse anno foram lynchados, 148 individuos, em 1886 foram despachados 196. Em 1892 o balanço sóbe a 235, em 1893 a 240 e no anno seguinte os carrascos voluntarios fizeram 166 execuções.

Nove decimos dos assassinados são homens de côr.

O anno passado um pardo foi lynchado por ter escripto um bilhete amoroso a uma senhora branca.

Uma mulher foi morta a pedradas por não ter querido comparecer como testemunha perante um juiz.

O que é mais curioso é que os lynchadores nunca são processados.

Em Clarendon, no mez de abril do anno passado, um pastor negro foi accusado de ter empurrado a mulher de um lavrador.

O pobre ministro foi enforcado a uma arvore e crivado de balas pelos lynchadores.

O pardo pastor morreu do mesmo modo.

O 'São Francisco Chronicle' noticiando esses crimes atrozes, termina assim:

'Pois que?!... Quando os proprios indios selvagens já não dançam em torno de um holocausto humano, ha cidadãos americanos que commettam crueldades horriveis em criminosos e em innocentes!'

A mesma folha dá tambem a noticia de que quatro indios haviam sido amarrados a um moirão, e que depois de untarem-lhes os corpos com petroleo, deitaram-lhes fogo.

O grupo de lynchadores que fazia roda áquella fogueira, dava gritos de alegria.

Uma hora depois do crime ficou verificado que os pobres selvagens eram innocentes do attentado que lhes imputavam os seus algozes."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 22 de Setembro de 1899, pág. 01, col. 02

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Entrudo em Pelotas em 1860



"Entrudo. - Consta-nos que para os dias de entrudo se está organisando um bando de mascaras que executará uma graciosa dança em casas particulares.

Approvamos essa idéa que arrancará a nossa cidade durante os dias de carnaval á sua habitual monotonia."

Fonte: O BRADO DO SUL (Pelotas/RS), 15 de Fevereiro de 1860, pág. 01, col. 01

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

A Lenda da Igreja da Aldeia dos Anjos



"Pelos anos de 1848 a 1850, a igreja de 'Aldeia dos Anjos', hoje Gravataí e então modesto arranchamento de guaranis encontrava-se em constante perigo de ruir, em consequência do afastamento dos Jesuítas e da revolução farroupilha. Em vista disso, o povo resolveu retirar todos os santos e alfaias, cabendo a guarda dos mesmos a diversas pessoas gradas enquanto durasse a reconstrução do templo. Esta foi feita, embora com delongas e a Igreja, reconstruída, é a mesma ainda existente em Gravataí.

Foi a recondução das velhas imagens. Ao findar a cerimônia, alguém deu por falta de uma imagem, a de São Jerônimo, talhada em cedro. Ninguém sabendo explicar a ocorrência, foi aventada e unanimemente aceita a ideia de roubo.

Passados alguns anos, certa noite de um inverno rigoroso, desabou sôbre a povoação uma tempestade violenta, de grandes descargas elétricas. Um raio caiu na igreja, pela cruz, fendeu a fachada até uma das janelas, produzindo sérios estragos no telhado. Uma índia velha, impressionada com o fato, saiu pelas ruas gritando 'Castigo do céu! Castigo do céu! Roubaram o nosso São Jerônimo e enquanto não nos trouxerem de volta o santo roubado a nossa vila sofrerá o castigo do céu!'

Esses gritos da bugra calaram no espírito público e fixaram a lenda de que enquanto a imagem de São Jerônimo não voltasse à igreja da 'Aldeia dos Anjos', Deus não olharia para ela.

A verdade, porém, é que a imagem fora levada para a recém criada Capela de São Jerônimo entre a demolição e a restauração da igreja, com prévia aquiescência do Vigário de Viamão, a cuja jurisdição pertencia, na época, a 'Aldeia dos Anjos'."

Fonte: O PIONEIRO (Caxias do Sul/RS), 05 de Outubro de 1957, 1o. Caderno, pág. 07

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Índio Condá



"Vitorino Condá nasceu nos campos de Guarapava, em 1805, e morreu em sua aldeia nas margens do Rio Chapecó, nos campos de Palmas, em 1870, com 65 anos de idade. Foi cacique da tribo Kaingang, um importante líder indígena, que se notabilizou durante o processo de ocupação das terras indígenas do Oeste catarinense por fazendeiros e autoridades imperiais, principalmente a partir de meados do Século XIX.

A ocupação do território Kaingang causou muita tensão e conflito na região. A frente pastoril de ocupação, apoiada pelas autoridades imperiais, praticava uma verdadeira política de extermínio contra os indígenas, mas ao mesmo tempo procurava aliciar os que eram dóceis e estavam dispostos a colaborar com o processo de ocupação. Assim, a referida ocupação dividiu o povo indígena entre os favoráveis e os contrários a uma aliança com os brancos, que manipulavam as divisões internas dos indígenas para consolidarem a tomada do território. Condá tinha uma grande ascendência sobre os demais caciques e os diversos grupos Kaingang e, como tal, se transformou numa peça-chave do processo de conquista do Oeste, nos Campos de Palmas.

Na realidade, os povos indígenas não tinham muitas alternativas. Podiam fugir de suas terras, abandonando tudo o que era seu, resistir, serem escravizados ou simplesmente eliminados, ou ainda aceitar a ocupação e integrar-se na nova situação, aldeando-se em vilas como queriam os invasores. Na luta de resistência, eram comuns os sequestros tanto de índios como de fazendeiros. Conta-se que, em 1843, Condá foi instado pelo comandante da Polícia em Palmas a ajudar no resgate do tropeiro capitão José de Sá Soutto-Maior das mãos de indígenas que habitavam as proximidades.

Foi nesse contexto de invasão, conflito e extermínio que se destacou o papel do cacique Condá. Como superar o dilema do seu povo de resistir e ser eliminado ou fazer acordo com os invasores e tentar sobreviver? Condá operou nesta trama bastante complexa. Ele atuava mais como peça de uma grande engrenagem, movida por interesses muito poderosos. As múltiplas facetas do papel de Vitorino Condá só são compreensíveis se for levada em conta a correlação de forças entre governantes, povoadores locais e os próprios indígenas. As relações de poder eram muito desiguais e os interesses recíprocos bastante diversos. Os povos indígenas eram o elo mais fraco numa guerra para manter suas terras e salvar suas vidas. Ao governo interessava fortalecer a ocupação de um território de fronteira em disputa com a Argentina e Condá era uma peça chave de permanência brasileira nos Campos de Palmas. Já aos brancos invasores interessava a apropriação das terras indígenas, valendo-se ao mesmo tempo do conhecimento do território e da experiência dos caciques para 'pacificar' índios e fazê-los aceitar a ocupação e a convivência com os invasores.

É nesse contexto que se pode compreender a posição ambígua, controversa e até contraditória de Condá, que oscilava entre a colaboração e a hostilidade, dependendo da situação, muitas vezes até lutando contra seus próprios companheiros indígenas, conforme o jogo de interesses que permeavam as posições de cada parte. O próprio Condá às vezes era tratado pelas autoridades policiais da região como assassino e assaltante e outras vezes como pacificador e colaborador. Segundo algumas versões, Condá teria aceitado a ocupação, colaborando no aldeamento dos indígenas durante o processo de ocupação de suas terras. Para Santos, não resta dúvida que Condá havia aceitado a convivência pacífica com os fazendeiros em Guarapuava. Seu papel colaboracionista ficará marcado no apoio à penetração brasileira nos Campos de Palmas e, em seguida, de Nonoai, no Rio Grande do Sul. No entanto, segundo outras versões, a colaboração de Condá teria sido apenas uma estratégia de sobrevivência, face ao poderio do invasor. Como afirma Mota, a colaboração com os brancos não significava que os índios fossem totalmente submissos e confiáveis.

Enfim, para avaliar o papel do cacique Condá, é preciso levar em conta esse contexto complicado em que estava inserido e a trama de interesses em que fora envolvido pelas autoridades e pelos colonizadores. As atitudes de Condá em geral eram bem-vistas por parte do governo."

Fonte: RADIN, José Carlos. Dicionário histórico-social do Oeste catarinense [livro eletrônico]. Chapecó: Ed. Universidade Federal Fronteira Sul, 2018.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Moradores de Pelotas em 1890


 Distante de ser um recenseamento completo dos moradores de Pelotas no período, nosso esforço foi o de, através de consulta aos jornais da época disponíveis na web, listar o quanto fosse possível de nomes relacionados à cidade, bem como inserindo as informações adjuntas que encontramos. Todavia, na maior parte dos casos, encontramos somente os nomes. De forma geral, quando usamos a denominação "morador" queremos dizer literalmente isso: apenas constatamos que o indivíduo citado viveu em Pelotas, mas não encontramos mais dados sobre sua ocupação, nacionalidade ou outros. A propósito, quando listamos "Fulano de Tal & Fulana de Tal", justamente com o uso do "&" queremos dizer que os indivíduos são casados. Esperamos contribuir de alguma forma para pesquisas genealógicas e historiográficas, mesmo que de modo muito modesto. Obs.: respeitamos a grafia encontrada na época.


Periódicos consultados para este período: A Federação (Porto Alegre/RS); Almanak Litterario e Estatistico do Rio Grande do Sul (Porto Alegre/RS); Gazeta de Noticias (Rio de Janeiro/RJ);

1890

Agostinho Perarchy, morador.

Albano de Oliveira Vieira e Cunha, conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, até Fevereiro de 1890.

Alberto Ferreira Rodrigues, 1o. secretário da União Republicana de Pelotas.

Alberto Roberto Rosa, dono de um comércio de exportação.

Albino Gonçalves Borges Filho, diretor da União Republicana de Pelotas.

Alcides de Mendonça Lima, juiz de órfãos.

Alexandre Cassiano do Nascimento, orador da União Republicana de Pelotas.

Alfredo Gastal, 2o. suplente do subdelegado do 4o. distrito do termo de Pelotas, a partir de Abril de 1890.

Alvaro José Gonçalves Chaves, membro do Partido Republicano; advogado.

Annibal José dos Santos, conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, até Fevereiro de 1890.

Antero Brochado Rodrigues Soares, secretário da Commissão Republicana das vilas de Boqueirão e São Lourenço.

Antonia Cardoso Duarte, moradora.

Antonio Affonso Monteiro, português, comerciante.

Antonio Baptista Pereira, conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, a partir de Fevereiro de 1890.

Antonio Chaves Barcellos, morador.

Antonio de Paula Couto e Cunha, conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, até Fevereiro de 1890.

Antonio Ferreira Ramos, co-proprietário da firma Antonio Ferreira Gomes & Cia. (comércio de fazendas).

Antonio Francisco Ribeiro, 1o. suplente do subdelegado do 4o. distrito do termo de Pelotas, até Abril de 1890.

Antonio Illieu, morador.

Antonio J. Ferreira de Campos, morador.

Antonio Joaquim Dias, jornalista.

Antonio Joaquim R. Maia, morador.

Antonio Manoel de Azevedo Caminha, corretor e vendedor de tropas na Tablada; presidente da União Republicana de Pelotas.

Arthur Toscano, redator do jornal Correio Mercantil.

Augusto Cezar Bandeira, telegrafista.

Barão de Itapitocay, proprietário.

Barão de Santa Thecla, proprietário.

Barão de Santos Abreu, proprietário.

Barão de São Luiz, proprietário.

Benito Maurell, vice-cônsul da Espanha.

Benito Maurell Y Lamas, vice-cônsul do Uruguay.

Benito Porto, morador.

Bento Albino da Costa, vice-cônsul da Bolívia.

Bento Mathias Nunes, 20 anos, negro, preso.

Bernardino de Souza Gonçalves, morador.

Bernardo Taveira Junior, escritor e poeta.

Boaventura da Costa Torres, agente da Associação de Seguro Mútuo contra fogo, do Rio de Janeiro.

Candida Abreu, moradora.

Carlos Alberto de Azevedo, 3o. suplente do subdelegado do 4o. distrito do termo de Pelotas, a partir de Abril de 1890.

Carlos Bandeira Renault, co-proprietário do jornal O Radical; conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, a partir de Fevereiro de 1890.

Carlos Echenique, diretor de contas da União Republicana de Pelotas.

Carlos Ritter, presidente da Commissão Republicana das vilas de Boqueirão e São Lourenço.

Christovão da Silva Maia, tesoureiro da União Republicana de Pelotas.

Damaso Pinto de Araujo Corrêa, morador; pai de Alfredo Pinto Araujo Corrêa, Antonio Pinto Araujo Corrêa e Alberto Pinto Araujo Corrêa, todos residentes em Porto Alegre.

Diogo Simões Gaspar Filho, diretor de contas da União Republicana de Pelotas.

Dionysio Martins, morador.

Domingos Alves Requião, médico, lotado no lazareto da cidade.

Domingos da Silva Pinto, farmacêutico, estabelecido à Rua Sete de Setembro número 42, fabricante do Peitoral de Angico.

E. Acton, vice-cônsul da Itália.

Edmundo Berchon des Essarts, diretor da União Republicana de Pelotas.

Edmundo Gastal, diretor da União Republicana de Pelotas.

Eduardo Pieren & Anna Pretz Pieren, alemães, colonos no Monte Bonito.

Eduwiges Xavier, 20 anos, moradora.

Eleutherio Sebastião de Medeiros, morador.

Fernando Villaça, noticiarista do jornal Nacional.

Francisco de Paula Baptista, conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, a partir de Fevereiro de 1890.

Francisco de Paula Faria, escriturário da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, a partir de Fevereiro de 1890.

Francisco de Paula Gonçalves Moreira, vice-presidente da União Republicana de Pelotas.

Francisco de Paula Pires, co-proprietário do jornal O Radical.

Francisco de Salles Lopes, morador.

Francisco Esteves Pinto, carcereiro da cadeia pública, até Abril de 1890.

Francisco Luiz do Couto, preso.

Francisco Miranda, encarregado da parte comercial do jornal Nacional.

Francisco Nunes de Sousa, presidente da Associação Comercial.

Francisco Rodrigues Pessoa de Mello, juiz de direito da comarca de Pelotas.

Francisco Sattamini, comerciante.

Francisco Vieira Braga, proprietário de prédios no centro da cidade.

Gustavo Brenner, 3o. suplente do subdelegado do 4o. distrito do termo de Pelotas, até Abril de 1890.

Gustavo Konow, sub-agente da cerveja Marca-Porco em Pelotas.

Hermenegilda Francisca dos Santos, 112 anos, proprietária na Serra dos Tapes, no lugar denominado Cascata da Hermenegilda.

Horacio Pereira da Silva, preso.

Ignacio Teixeira Machado, morador.

Israel Xavier, morador.

João Antonio Morales, 4o. suplente do subdelegado do 4o. distrito do termo de Pelotas, até Abril de 1890.

João Augusto de Freitas, conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, até Fevereiro de 1890.

João Aveiro, morador.

João Bernardo Pereira, guarda-livros.

João Cândido da Fontoura, conferente-mór da Mesa de Rendas de Pelotas.

João Chaves Campello, médico.

João Ferreira Netto, morador.

João Gattwald, co-proprietário da firma Rech & Cia. (comércio de ferragens e tintas).

João Jacintho de Mendonça, promotor público da comarca de Pelotas, a apartir de Abril de 1890.

João Pedro Caminha, secretário da Associação Comercial.

João Pinto Bandeira, músico.

João Ramos das Neves, ourives.

João Rodrigues Ribas, capitão da Guarda Nacional.

Joaquim de Sá Araujo Sobrinho, 2o. suplente do subdelegado do 4o. distrito do termo de Pelotas, até Abril de 1890.

Joaquim Evangelista de Negreiros Sayão Lobato, conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, a partir de Fevereiro de 1890.

Joaquim Ferreira Ramos, co-proprietário da firma Antonio Ferreira Gomes & Cia. (comércio de fazendas).

Joaquim Gomes de Almeida, ex-comandante da Guarda da Mesa Geral.

Joaquim Teixeira da Costa Leite, morador.

José Alvares de Souza Soares, farmacêutico, fabricante do Peitoral de Cambará.

José Barbosa de Vasconcellos, 78 anos, tenente-coronel da Guarda Nacional, veterano da Revolução Farroupilha e da Guerra do Paraguay, pai de 15 filhos.

José Barbosa Gonçalves, diretor da União Republicana de Pelotas.

José Benicio de Souza Bastos, preso.

José Cypriano Nunes Vieira, delegado de higiene.

José Fernandes dos Santos, dono de um comércio de molhados por atacado, em sociedade com Manoel da Silva Monteiro na firma Fernandes dos Santos & Cia.

José Fernandes Granja, dono da firma José Fernandes Granja & Cia. (comércio de comissões).

José Francisco Agrifoglio, diretor de contas da União Republicana de Pelotas.

José Gonçalves Chaves, membro do Partido Republicano.

José Hyppolito Oliveira Martins, morador.

José Joaquim Faria, morador.

José Kirchoff, alemão, 35 anos, pai de quatro filhos, três do sexo masculino e um inato, morador na Barbuda, peão de fazenda, casado com Ernesta, 26 anos, alemã.

José Padró, espanhol, dono de uma casa de pasto.

José Pedro da Silva & Alzira America de Abreu, moradores; ela filha de Jacintho José de Abreu.

José Pinto de Madureira, agente da linha lacustre Pelotas-Porto Alegre.

José Raphael Machado & Hortencia Augé Machado, ele, empreiteiro de obras.

José Soares da Silva, vice-presidente da Commissão Republicana das vilas de Boqueirão e São Lourenço.

José Thomaz de Oliveira, soldado reformado da polícia.

Julia Cezar Bezerra Cavalcanti, 18 anos, poetisa; filha de João Nepomuceno Bezerra Cavalcanti.

Julio Soeiro, co-proprietário do jornal O Radical.

Leon Broquá, relojoeiro.

Leonel Salcedo Garcia, 21 anos, morador.

Leopoldo Jouclá, vice-cônsul da França.

Lourenço Henrique Crespo, proprietário de terras nas proximidades do Arroio da Tapera, na Serra dos Tapes.

Lourenço Lahorgue, presidente do Congresso Operario de Pelotas.

Lucio Cincinato Soveral, juiz municipal interino.

Luiz Carlos Bernhardt, diretor da União Republicana de Pelotas.

Luiz da Fontoura Barcellos, escriturário da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, até Fevereiro de 1890.

Luiza Cavalcanti Guimarães, moradora.

M. Bromberg, co-proprietário da firma Rech & Cia. (comércio de ferragens e tintas).

Manoel da Silva Monteiro, dono de um comércio de molhados por atacado, em sociedade com José Fernandes dos Santos na firma Fernandes dos Santos & Cia.

Manoel Gonçalves dos Santos, tesoureiro da Commissão Republicana das vilas de Boqueirão e São Lourenço.

Manoel Henrique Corrêa, 47 anos, & Maria Angelica Corrêa, 37 anos, pais de cinco crianças.

Manoel Marques Ferreira Coelho, morador.

Manoel Raphael Vieira da Cunha, dono de iates.

Marcello Moréau, co-proprietário da firma P. Gamio & Cia. Successores (comércio de couros curtidos e fabrico de selins).

Marcollino José de Souza Sobrinho, conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, até Fevereiro de 1890.

Maria da Luz, moradora.

Maria José Rodrigues Barcellos, moradora.

Mathias Guimarães, noticiarista do jornal Gazeta da Manhã.

Miguel da Silva Mello, preso.

Nicanor dos Santos Abreu, membro da Commissão Republicana das vilas de Boqueirão e São Lourenço.

Nicoláo V. Chaves Barcellos, morador.

Nilo A. Pereira, morador.

Pedro Antonio de Toledo, 1o. suplente do subdelegado do 4o. distrito do termo de Pelotas, a partir de Abril de 1890.

Pedro de Albuquerque Gama, professor da 3a. cadeira do sexo masculino de Pelotas.

Pedro Luiz da Rocha Osorio, morador.

Pedro Soares, telegrafista.

Pedro Urdaniz, co-proprietário da firma P. Gamio & Cia. Successores (comércio de couros curtidos e fabrico de selins).

Randolpho Klaes, conferente da Mesa de Rendas do Estado em Pelotas, a partir de Fevereiro de 1890.

Rocha Junior, médico oftalmologista e o otorrinolaringologista estabelecido com consultório à Rua Félix da Cunha número 129.

Sebastião Planella, 2o. secretário da União Republicana de Pelotas.

Thomaz Teixeira Brasil, diretor da União Republicana de Pelotas.

Tito Chaves Barcellos, morador.

Urbano Wenceslau Gomes de Carvalho, major, delegado de polícia.

Ursula Gonçalves Ferreira, professora pública.

Vicente Teixeira de Souza, morador.

Victor Varella, agente da estação telegráfica.

Visconde da Graça, proprietário.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

A entrevista do Major Azevedo Junior



"Major Azevedo Junior

ENTREVISTA

Sabendo que tinha chegado de Jaguarão, no vapor Mirim, o distincto militar sr. major Antonio José dos Santos e Azevedo Junior, que conseguiu fugir do acampamento federal em Aceguá, procurámos realisar com elle um intervieux, o que teve lugar hontem, ao meio dia.

Principiámos por perguntar-lhe como, quando e porque foi preso. Respondeu-nos:

- Eu estava em Alegrete, juntamente com meu filho segundo cadete e segundo sargento Arthur Alves de Azevedo, quando ali chegou Pina com 600 homens e prendeu-nos, mandando-nos conduzir para a camara municipal.

Perguntei-lhe porque motivo nos prendia e elle respondeu-me que eu era official do exercito e, portanto, suspeito.

Sabia que eu era major do 11o. regimento de cavallaria.

Logo depois fui removido, com meu filho, para a guarda d'aquella força.

Após reuniu-se Pina a Prestes Guimarães e teve lugar o combate no lugar denominado Jararaca, que assistimos de princípio a fim, na frente das fileiras e completamente desarmados.

A minha faca prateada e o meu relogio de ouro, bem como toda a nossa bagagem, haviam-nos sido saqueados logo que fomos prisioneiros.

- O que nos diz, perguntamos-lhes nós, do procedimento das forças federalistas durante o tempo que estiveram na cidade e no município do Alegrete?

- Como em toda a parte a devastação foi completa: saqueava-se e inutilisava-se indistinctamente, tanto de republicanos como de federaes.

- E não havia, tornamos nós, protestos, por parte da população da cidade?

- Não: a cegueira ali é tal e tanta que a maioria da população applaudia as barbaridades que eram comettidas a seus olhos.

Mesmo depois de entrarem n'aquella cidade as forças legaes, garantindo a ordem e fazendo respeitar a vida e a propriedade dos cidadãos, ainda assim, parece incrível, as sympathias eram pela causa dos federaes!...

Esta é, infelizmente, a verdade.

Depois fui preso, constrangido a acompanhar aquella gente, tive occasião de observar coisas extraordinárias:

Chegavam as forças a uma estancia pertencente a um cidadão seu co-religionario, cujos filhos e parentes n'ellas se achavam empulhando armas.

Estes apressavam-se em dizer quem eram, bem como quaes os donos da propriedade; tudo era em vão: tinha princípio desde logo a obra sinistra da devastação!

Isto se dava com os proprios federaes: faça-se idéa o que se não daria com os republicanos.

- Depois d'essa prisão, perguntamos nós ao sr. major Azevedo: Que rumo levaram as forças que vos conduziam?...

- Seguiram para S. João Baptista do Quarahy, arrebanhando tudo quanto encontravam e podessem conduzir.

Ahi apanhámos grandes inverneiras, desencadeadas tempestades: até que teve lugar o combate de Inhanduhy, onde os federaes tiveram grande numero de baixas, devidas à artilharia republicana.

D'ahi começaram as deserções em massa, o desanimo lavrou em todo o exercito federal.

Sempre que os federaes se approximavam da linha, chefes importantes com toda a sua gente desertavam.

O coronel Salgado. em vista de semelhante facto, tratava de animar a sua gente, fazendo enthusiasticos discursos, annunciando victorias no Rio e n'outras localidades.

Os soldados, porém, ouviam aquellas palavras como prenuncio de proximo revéz, e não tardava que as balas do exercito legal começassem a fazer horriveis estrados nas fileiras federaes.

- Diga-nos uma cousa, major: depois que [apagado] força em que com o vosso filho estaveis prisioneiros, a vossa sorte não melhorou?

- Certamente: elle não achou justa a nossa prisão e desde essa epocha passei, eu e meu filho, a sermos cuidados pelo 9o. corpo do tenente-coronel Timotheo Paim, meu parente e amigo, que, relativamente, amenisou-nos a sorte.

A Timotheo Paim devemos a vida: por duas vezes estivemos sentenciados á morte, o que se não effectuou devido áquelle chefe.

Vem a proposito relatar um facto digno de nota:

Quando o exercito federal errava, desastradamente pelo municipio de Palmas, levando comsigo a morte e o pavor, acampou proximo a uma estancia: o chefe d'aquella propriedade, temendo a perversidade d'aquella gente, havia-se ausentado, ficando n'ella sua esposa e filhas.

Officiaes e soldados do exercito federal dirigiram-se áquella mansão, arrombando as portas a machado.

Paim, que conhecia sobejamente aquella gente dirigiu-se á estancia e lá chegou justamente quando as portas do predio caiam por terra e as pobres moças de joelhos, imploravam compaixão.

Desembainhada a sua espada o coronel Timotheo fez aquella horda de vandalos deixar em paz as desprotegidas donzellas.

Mas... a retaguarda, onde não havia um Paim, passava a razoura em tudo e nada respeitava.

Em muitas estancias os pianos e mais trastes de importancia foram destruidos a machado, não se ouvindo as supplicas reiteradas das suas donas que de joelhos pediam que a destruição não fosse completa.

- E em Quarahy, perguntámos nós, o que fizeram os federaes?

- Levaram a passar para o Estado Oriental mais de 30,000 cavallos, eguas, mulas e burros que arrebanharam por todos os municipios onde passaram.

- O que nos diz, perguntámos-lhes, da batalha do Inhanduhy?

- Que si as forças fossem iguaes e nós os republicanos tivessemos pelo menos mais cavallaria, a revolução teria se findado com aquella batalha.

Entretanto foi no Inhanduhy que se accentuou o desanimo nas fileiras federaes, pronunciando-se o noticiado estrangulamento.

Desde esse revez começaram as deserções em massa: no Upamaroty e na Restinga já os rebeldes tinham sido desfalcados não só pelas baixas e apresionamento, como pelas deserções diarias de chefes e corpos inteiros.

O panico era geral: houve dias em que a perseguição do general Telles era tal que não havia tempo nem de assar-se no burralho um pedaço de carne, unico alimento que restava ao exercito fugitivo.

Sal, fumo e herva - nem por misericordia: houve dias em que os soldados chegaram a lançar nas cuias ramos de carqueja e despejar sobre elles agua fervendo.

Era um miseria medonha!

Os pobres soldados, inconscientes, morriam duros de frio nos acampamentos, tendo apenas um pedaço de pellego cubrindo-lhes as partes sexuaes...

E estes infelizes não sabiam qual a causa de sua miseria, dos seus soffrimentos!

Simples authomatos...

Do Upamoroty viemos sempre tocados pela vanguarda do general Telles até ás grotas do Asseguá.

A força rebelde, durante a fuga, foi deixando para traz tudo quanto era obstaculo á sua marcha rapida: gado, cavallos, carroças com ambulancias e munições - tudo foi desprezado: tal era o panico de que a mesma vinha possuida.

- Bem, dissemos nós; depois de tantos fracassos chegaram, finalmente, ás grotas do Asseguá.

O que se passou ali, não nos poderá dizer o sr. major?

- Certamente; tratou-se da deposição de Joca Silva, por inepto e imprestavel: esta deposição era ha muito latente, como muitas outras que explodiram em pleno acampamento: por exemplo;

Um bello dia estivemos vendo que por simples e mera questão de um cavallo o exercito federal se exterminava completamente.

É o caso que a questão se agitou entre Cabeda e Pina e foi solvida a rebenque, a vista do coronel Salgado.

O exercito se dividiu - uma parte estava do lado de Cabeda e outra de Pina.

Devido á intervenção do anjo da paz, as armas, que já estavam apontadas, descançaram.

- Esclareça-nos, major: como pôde realisar a sua fuga e de seu filho?

- Muito natural e simplesmente: aproveitámos a confusão que reinara por occasião do desarmamento das forças de Salgado, Tavares e Prestes Guimarães, ante o coronel oriental João Aguiar.

Levámos comnosco um vaqueano que nos guiou na perigosa passagem de um banhado de doze quadras de extensão.

No dia 8 chegámos a Mello n'um estado completamente miseravel: quasi nús.

Fomos ali acolhidos pelo sr. consul brazileiro com o maior carinho e recebemos do sr. Pedreira toda a protecção.

Recebemos roupa e todos os recursos.

Depois soubemos que todos esses auxilios eram-nos proporcionados pelo patriotico governo do Rio Grande do Sul.

O sr. Pedreira, querendo conservar um testemunho dos nossos infortunios, pediu-nos para sermos retratados nos trages em que chegamos á villa de Mello, onde fomos tratados com o maior carinho pelas auctoridades do paiz.

Dahi, sob a protecção das auctoridades orientaes, dirigimo-nos a Jaguarão e d'aquella a esta cidade.

- E o sr. major, perguntámos, julga finda a revolução?

- Si o governo do paiz tomar as necessarias precauções, a revolução pode-se considerar desde já exterminada.

O plano dos revoltosos é continuar a guerra de recursos, logo que a estação invernosa se finde.

Urge que o governo arregimente forças de cavallaria, bem armadas, durante o inverno, afim de exterminar o grupo de Gomercindo Saraiva que se internou no Estado.

- Sim, lhe respondemos: o senador Pinheiro Machado, com a sua columna das tres armas, acha-se em perseguição d'esse caudilho.

O governo da União terá a sufficiente energia para reclamar do governo oriental contra a escandalosa protecção que tem dispensado aos caudilhos revolucionarios.

[apagado] e da liberdade, não nos defenderemos de joelhos, como disse o grande Emilio Castellar.

É justo e preciso que o governo oriental se capacite de que, assim como nós temos sido justos e leaes para com elle, em circumstancias identicas - assim tambem lhe cumpre guardar a mesma lealdade.

- Sim, nos respondeu o sr. major Azevedo: é preciso todo o cuidado com as diligencias e vias ferreas: a zona do norte está devastada e o federalismo concentra suas esperanças nas regiões não exploradas.

Muito e bem armada cavallaria - eis o meio de suffocar as esperanças do federalismo.

✤✤✤✤✤

Assim terminámos o nosso interview.

(Do Rio Grande do Sul)."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 24 de Junho de 1893, pág. 02, col. 02 à 04


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