quarta-feira, 6 de maio de 2020

Charqueada "A Meridional"


"A Meridional

De São Jeronymo, nos escreve um amigo:

'Tivemos occasião de visitar, a semana passada, o importante estabelecimento A Meridional, para preparação de charque e de outras industrias de carne, o qual se acha sob a activa e intelligente direcção do illustre senador da Republica dr. Ramiro Barcellos, que é tambem um dos seus principaes proprietarios.

Situa-se á margem direita do Jacuhy, no lugar denominado Charqueadas, (1o. districto de São Jeronymo), n'um local esplendido, lindissimo, possuindo todas as condições necessarias para o seu trabalho, já pela commodidade do porto para a exportação, como pelo ponto para a conducção dos gados.

De todos os estabelecimentos congeneres no Estado deve ser este o mais importante, tanto pela sua posição como pelas machinas e apparelhos modernos e aperfeiçoados que possue.

No porto acha-se construido um forte trapiche, plano do dr. Ramiro, de pilares de pedra com cimento em fórma de triangulos, de maneira a bem resistirem ao embate das madeiras, que, em tempo de cheias, descem abundantes pela correnteza do rio.

D'este trapiche segue um pequeno caminho de ferro, sobre o qual gira o carro que conduz a rez desnucada até o lugar em que deve ser sangrada, esquartejada, etc.

O edificio ou galpão principal, que traz o distico A Meridional e que se extende para os fundos, mede 43 metros de comprimento sobre 29 de largura. N'elle se acha assentada uma excellente machina a vapor, de primeira ordem, fornecida pela casa de Alexandre Shanks, de Londres.

Este motor faz o movimento geral da transmissão; esta dá movimento a uma serra-fita, ao dynamo electrico, a um torno e á bomba, de dois cylindros, que aspira agua do Jacuhy e despeja-a n'um reservatorio elevado, saindo d'ahi a distribuição de agua para todo o estabelecimento. Ao lado d'este reservatorio, entranhado no chão, se acha uma grande caldeira, para a economia ou conservação de vapor.

Em breve dará mais a transmissão movimento ás peças da saboaria, que trabalhará tambem sob pressão; a um grande apparelho para a evaporação dos caldos e que trabalhará no ar; ao picador de carne, para o extracto da mesma e que em pouco tempo ficará installado, e a mais alguns apparelhos que se hão de montar ainda.

O picador, que dispõe de tres tachos de cobre de fundo duplo, poderá picar por dia a carne de 300 rezes. Esta machina foi fornecida pela já bastante pela já bastante conhecida casa de J. Etchbest, de Montevidéo.

No outro galpão, o que fica lateral ao principal, se acha assentada a grande caldeira, que pôde fornecer força de vapor, equivalente a 100 cavallos. Ahi tambem funccionam a graixeira e as officinas de mechanico, ferreiro, funileiro e tanoeiro.

A graixeira, além de duas grandes tinas para extrair o azeite de mocotó, possúe dous toneis (caldeiras) monstros, para, sob pressão, beneficiar os ossos. Este trabalho é feito com grande economia de tempo e produz muito mais do que por outro qualquer modo.

Dos toneis passa a graixa, em estado de liquido, por um encanamento de ferro branco, para um grande reservatorio subterraneo, com a capacidade de 25.000 litros, depois do que passa a ser refinada.

Todo o estabelecimento é illuminado por meio de electricidade.

O apparelho electrico, de 75 ampères, dá 1330 voltas por minuto e distribue luz a 25 lampadas Edison.

De fevereiro até hoje têm sido abatidas cerca de 10 mil cabeças.

A matança começa ordinariamente á 1 hora da madrugada, principiando o trabalho de charqueadas ás 3 em ponto.

Este serviço é feito por vinte e tantos orientaes, profissionaes contractados em Montevidéo e que trabalham com grande perícia e destreza admiravel.

Como se vê, é este um estabelecimento importante e de valor incalculavel para o municipio de S. Jeronymo.

O dr. Ramiro paga sem regatear e com satisfação, - o que não acontece com a companhia das minas de carvão, que é mais rica, - a parte que lhe toca em impostos, concorrendo assim com quantia não pequena para os cofres municipaes; no seu estabelecimento a classe pobre e laboriosa do município encontra sempre trabalho e por consequencia os meios para a sua subsistencia.

O dr. Ramiro Barcellos, que se achava ausente quando lá estivemos, dirige em geral todo o trabalho das charqueadas, conforme nos informaram."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 19 de Maio de 1893, pág. 01, col. 04

Sobrenome Mouzinho


"MOUZINHO - Sobrenome português. Significado: clérigo da Capela Real, capelão, menino do coro, sacristão."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 01 de Outubro de 1993, pág. 02

Sobrenome Gonçaves


"GONÇALVES - Patronímico do nome Gonçalvo, uma das formas medievais do mais conhecido e moderno Gonçalo. Origina-se do nome visigótico 'Gundissalvo' que significa 'álamo de guerra'. Interpreta-se também 'salvo na guerra', mas para um melhor entendimento, algo como 'invulnerável na guerra'.

Os Gonçalves aparecem cedo na história de Portugal e são muito comuns na do Brasil. No Rio Grande do Sul, destaca-se Bento Gonçalves da Silva, presidente da República Rio-Grandense."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 21 de Maio de 1992, pág. 02

Sobrenome Castelhano


"CASTELHANO - Sobrenome que indica a procedência do seu portador, portanto, aquele que procede do antigo reino ibérico de Castela. Também nomeia uma antiga moeda no valor de 25 reales, uma variedade de figo preto de Algarve e um tipo de tomate carnudo. O sobrenome é atestado em Portugal desde o século XIV.

Personalidade: Dom Francisco Castelhano, músico português do século XVI, famoso, sendo que suas composições foram cantadas na Capela Real de Felipe II da Espanha."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 07 de Junho de 1991, pág. 03

Ernesto Alves de Oliveira


"Registro mortuario

Após demorada agonia, e com a exhalação do ultimo suspiro, cessou hoje de padecer o dr. Ernesto Alves de Oliveira, um dos mais eminentes evangelisadores da Republica no Rio Grande do Sul.

Dotado de inestimaveis recursos de attracção, o valoroso rio-grandense, nos tempos inolvidaveis da propaganda, exerceu influencia decisiva no seio das massas populares, orando ou escrevendo, sempre impetuosamente imaginoso e arrebatador.

A morte veiu colhel-o em plena mocidade, aos 29 annos, no momento em que a Patria precisava tanto d'elle para ajudar a reconstruil-a, como precisou para dignifical-a collaborando na implantação da Republica.

Na sua columna de honra, centenares de vezes sulcada adamantinamente pela penna radiosa do intemerato luctador. A Federação presta no presente numero as primeiras homenagens que deve ao morto querido.

- Ernesto Alves finou-se ás 11 horas do dia.

O seu cadaver sairá amanhã, ás 11 horas, da casa n. 135, da rua do Arvoredo, afim de ser encommendado meia hora depois, na Cathedral."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Agosto de 1891, pág. 01, col. 02

terça-feira, 5 de maio de 2020

A Batalha do Inhanduí


"Batalha do Inhanduhy
DETALHES

Do Movimento, de S. Borja, reproduzimos, em seguida, alguns detalhes que foram fornecidos por carta á pessoa ali residente, ácerca da memoravel batalha travada sobre a margem de Inhanduhy...

Ás 9 horas, mais ou menos, da manhã, as avançadas da divisão do general Lima, commandadas pelo valente coronel Salvador Pinheiro - descobriram o inimigo, que logo as atacou.

N'aquelle momento tinha-se operado a juncção das forças federalistas de Tavares, Gomercindo e Salgado, formando um total de cinco mil e tantos homens, o que as tornava mui superiores, em numero, ás forças republicanas.

Depois de algum tempo de tiroteio entre as avançadas, o general Lima fez approximarem-se as suas forças, e as dispôz para combate.

Os inimigos formaram em semicirculo, o que lhes permittia atacarem a divisão republicana pela frente e flancos, e ahi generalisou-se o fogo.

O ataque foi rude, encarniçado, sangrento.

Durava já uma hora, mais ou menos, o fogo, sustentado pela denodada divisão do norte, quando approximou-se e interveiu na acção a divisão do general Hyppolito.

Os inimigos, derrotados em nossos flancos, carregaram sobre o centro, pretendendo, provavelmente, subdividir as nossas forças.

Achava-se ali o valoroso 30o. de infantaria, que, pondo joelho em terra, formou quadrado.

Tres esquadrões de cavallaria inimiga carregaram, á disparada, sobre o valente corpo, mas foram exterminados, desappareceram quasi completamente, com duas descargas que lhes fez aquella infantaria.

Ao anoitecer, o inimigo, derrotado, retirava-se, tendo soffrido perdas enormes. No campo da acção deixaram 500 mortos approximadamente; mas, grande numero de feridos e até mortos foram carregados em carretas, que, muito antes de terminar a batalha, marcharam, sem se saber para onde. (Provavelmente para o Estado Oriental, que não está muito distante do campo da acção).

As nossas forças, geralmente, portaram-se como heróes; alguns officiaes e praças praticaram actos não já de coragem, mas de verdadeira temeridade.

Alguns corpos da força inimiga tambem brigaram valentemente.

Quem, porém, está geralmente apontado como o primeiro entre aquelles heróes, é o nosso amigo general Lima.

A elle, talvez, se deve a victoria.

Desde o primeiro momento, o velho cabo de guerra percebeu que ia luctar com um inimigo mui superior em numero; mas isso não o desanimou; ao contrario, foi mais um estimulo á sua coragem.

Passeando á frente das forças, attendendo ora a um, ora a outro ponto, - calmamente, naturalmente, como si tratasse apenas de uma revista de forças, elle dava suas ordens sem se immutar com o troar da artilharia e fuzilaria, tranquillo, firme, inalteravel.

As nossas forças queimaram, approximadamente, duzentos mil cartuchos.

A columna commandada por Salgado, passou pelo Alegrete, em direcção á Caverá.

Na ponte de Inhanduhy ficára o dr. Eduardo Lima, com um piquete, tratando de desmanchar a mesma para difficultar a passagem ás nossas forças; mas não o conseguiu, pois foi batido e corrido pela avançada do coronel Salvador Pinheiro.

Até o Caverá, as nossas forças encontraram pelo caminho grande numero de mortos, dos inimigos, alguns enterrados, provavelmente dos feridos que iam conduzindo.

As nossas forças tem pegado muitos piquetes dos federalistas.

A posição d'elles, actualmente, é a mais critica possivel.

MAIS PORMENORES DO COMBATE

As seguintes noticias foram extraídas do Commercio, de Uruguayana:

Carta de um amigo, o sr. capitão Horacio á sua exma. familia, diz:

'Saimos hontem (3) da estancia do coronel Palma, pela manhã; depois de termos marchado uma meia legua, soube-se que o inimigo estava perto. Então, tudo preparou-se para o combate.

O senador Pinheiro Machado mandou nos dar bôa cavalhada, depois do que marchamos.

Tinhamos caminhado como um quarto de legua, quando nossa vanguarda, que era feita pelo senador Pinheiro Machado, engajou-se em fogo: tocámos a trote largo.

Passámos o arroio e no topo da coxilha vimos o inimigo que nos esperava.

Começou então a batalha á uma e meia hora.

O inimigo, bem armado, extendeu-nos uma linha de atiradores, que calculámos em tres mil homens.

A direita d'elle se apoiava no arroio (Inhanduhy), fazia um circulo pela nossa frente e vinha apoiar sua esquerda no mesmo arroio.

Comprehende-se que estavamos n'um circulo de fogo pela direita, pela esquerda e pela frente: só tinhamos a retaguarda para sair.

As linhas começaram a trabalhar e a artilharia a jogar. Não havia interrupção de um momento que fosse.

As balas caíam como chuva, pois o inimigo, bem armado á Comblain, as balas alcançavam-nos facilmente.

O 4o. regimento occupou o flanco esquerdo, em frente á direita d'elle.

O general mandou avançar os clavineiros do 4o., para fazer frente a uma grande linha d'elles, que vinha avançando.

Eu com o esquadrão de lanceiros formava a retaguarda d'aquelles.

As balas assoviavam por entre nós, que era um horror.

N'esta occasião foi ferido gravemente no peito esquerdo o furriel Trinfão, que morreu logo.

Em seguida uma bala matou o cavallo do soldado Martins Rodrigues; logo após, ou na mesma occasião, feriu o cavallo do Congo.

O inimigo vinha avançando e já trazendo os nossos clavineiros pela frente a galope.

Eu tive de retirar-me tambem com o esquadrão, trazendo na garupa de outro o soldado Martins, e isto já a galope.

Meu esquadrão vinha quasi debandando e eu já vendo a cousa mal; mas pude a uma certa distancia mandar fazer meia volta, e ahi então, junto com os clavineiros, fizemos o inimigo voltar e o alcançámos junto a uma sanga que tinha um aramado já destruido.

Deu-se ahi um encontro, brilhando o terceiro esquadrão, que fez-lhe oito mortos.

Os soldados estavam tão enthusiasmados, que houve alguns que praticaram barbaridades, adiantando-se mais do que deviam, correndo o risco de serem cortados. Entre estes contam-se os cabos Manoel Santos, Salvador, Boaventura, Onofre e o sargento Octacilio.

O commandante mostrou-se bravo e corajoso, sempre na frente e de espada em punho.

O cadete Rolim, com o estandarte, fez mais do que lhe cumpria, pois adiantou-se na frente, gritando aos camaradad que o seguissem.

O Hymalaia e o Ribeiro andaram muito bem.

Além dos feridos do esquadrão, houve mais: o clarim José Baptista; o Evaristo Bento, ferido na perna; um soldado do 1o. esquadrão, ferido na mão; o sargento Walter, o cabo Giloca, Taurino e outros dois mais.

Dos outros corpos foram mortos e feridos:

Coronel Corrêa, do 11o., levemente no braço.

Do 18o. foi morto o brigada e ferido no pé o major Feliciano.

Dos Defensores foi morto um e feridos outros, entre estes, levemente, o pharmaceutico Torres.

Do 30o. batalhão foi morto o alferes quartel-mestre; da divisão de Pinheiro Machado, o dr. Moraes; do 6o. batalhão, o brigada.

Os mais conhecidos estão sãos até o presente.

A batalha durou até o escurecer.

O inimigo atirou-se com garras afiadas, mas os nossos responderam com admiravel valor.

As guerrilhas continuaram fazendo fogo até ás 10 horas da noite.

Hoje o inimigo desappareceu, deixando até estas horas (11), umas guerrilhas com fogo muito fraco.

Consta que as perdas d'elles são muitas, pois levam 5 carretas com feridos.

Parece que elles dirigem-se para Sant'Anna."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 24 de Maio de 1893, pág. 01, col. 04-05

Sobrenome Mota


"MOTA ou MOTTA - Sobrenome português. É nome de lugar. No Portugal medieval, mota era o conjunto de muros, torres, fossas ou cavas que defendiam ou aformoseavam uma casa de campo, castelo ou solar. Portanto, o sobrenome surgiu para denominar um habitante desta área.

O primeiro deste sobrenome foi Fernão Mendes de Gundar, filho de Mem de Gundar, capitão do tempo de Dom Henrique (século XII).

Variante: MOUTA. Forma variante diminutiva: MOUTINHO."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 24 de Setembro de 1993, pág. 02
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