domingo, 19 de janeiro de 2020

Augusto Cezar Laymé


"Registro mortuario

Falleceu hontem o bom cidadão Augusto Cezar Laymé, conhecido e antigo cobrador da companhia Asseio Publico e que foi outr'ora piloto da armada.

(...)

Falleceu em Pelotas o cidadão portuguez José Antonio Ferreira, solteiro, de 60 annos de idade.

(...)"


Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 29 de Outubro de 1892, pág. 02, col. 03

Antonio Regazzoni


"Registro mortuario

Falleceram em Jaguarão: Antonio Regazzoni, telegraphista; Zeferino de Assumpção, cadete do 2o. regimento de cavallaria; d. Jacintha Santiago, antiga moradora d'aquella cidade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 23 de Fevereiro de 1892, pág. 01, col. 03

sábado, 18 de janeiro de 2020

Exposição de Pedro Weingärtner na Escola Normal de Belas Artes


"Pedro Weingärtner

Ha dias noticiámos a exposição que ia fazer de 12 telas, em uma das salas da Escola Normal de Bellas-Artes, o nosso illustre patricio Pedro Weingärtner.

Com effeito, realisou-se essa exposição, segundo vemos na mesma folha que nos transmittira a anterior noticia, O Paiz, que assim se pronuncia a proposito d'esses importantes trabalhos do talentoso pintor rio grandense:

'Entre os 12 quadros expostos, ha 5 retratos, sendo 3 ao ar livre, trabalho difficilimo e bem acabado.

Esse genero talvez não encontre apreciadores; no emtanto deve agradar muito o de n. 8, retrato do sr. Ramiro Barcellos no interior de sua sala de trabalho, assim como o do menino Octavio de Oliveira, que fórma um quadrinho muito gracioso.

O artista em questão apresenta quatro paysagens que representam quatro contrastes - Ave-Maria, bello effeito de luz occidental após um dia quente, com o campo que começa a ser invadido pela sombra e apenas animado por um grupo de duas mulheres que terminam o trabalho e se preparam para partir; Novo Hamburgo, trecho pittoresco das colonias de S. Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e Copacabana,  marinha dos nossos arrabaldes, animada por mãe e filha que na praia esperam a volta do ente caro, e Mormasso, paysagem que não nos ficou bem retida na memoria.

Onde, no emtanto, o artista revela o seu grande talento e produz quadros brasileiros, estudando costumes nossos com a sua fina observação, desenhando largamente o que é minuciosamente estudado, escolhido com criterio, agrupado com arte e gosto, e illuminado sem as exaggerações de quem só visa fazer effeito pelo material da arte, e côr, e sim pelo estudo, onde bem se póde avaliar o seu merecimento de pintor que saiu victorioso de justas honrosas, em paizes extrangeiros, é nos quadros - Lavandeira, Por linhas tortas e Baile na roça.

Como quadro de genero e como estudo de costumes nossos, essas tres telas têm valor consideravel.

A Lavandeira  é um quadro fluminense commum, que o vemos todos os dias, mas que só agora foi aproveitado.

A lavandeira é uma preta, á sombra de trepadeiras cujas folhas, bem desenhadas, formam o emmaranhado confuso de cipós.

O quadro é pintado ao ar livre em pleno sol, de modo que todos os objectos ali dispostos, roupas, regador, tinas, bacia e vaso de vegetação - têm muito vigor de desenho e colorido.

Por linhas tortas é uma scena graciosa que se passa em uma loja da roça, nas colonias do Rio Grande do Sul.

Os armarios contém de tudo, desde calças e camisas de chita até vidros de remedios.

Ha muita observação no estudo da loja.

Ao balcão, pelo lado de dentro, está uma velha de typo allemão, dona da casa; pelo lado de fóra um agente commercial, ou antes um caixeiro viajante, negocia com a velha apresentando, por amostras, uma meada de linha, não perdendo no emtanto occasião de conversar com a filha, sentada ao seu lado, em attitude de quem costura.

Atirados ao chão, estão os alforges com as amostras que entretêm uma creança deitada a percorrer o livro de fazendas.

O terceiro quadro tem cerca de quarenta figuras - Um baile na roça, de dia.

É uma festa annual do Rio Grande.

Ali estão reunidos os diversos typos que se encontram n'aquelles lugares: o caixeiro viajante, de bombachas e ponche, sempre attendido pelas moças com grande raiva dos rapazes da localidade.

N'esse bonito estudo ha grande diversidade não só nos typos, roupas e grupos, como nas attitudes.

Senhoras e cavalheiros da cidade, simples espectadores, creanças a brincar pelo chão, moças que desapertam os pés entalados em botinas novas, a banda de musica na sala visinha, os curiosos na rua e o cachorro malhado acompanhando o dono na sala de dança - formam os elementos do quadro cheio de vida e contentamento.

Ao tecto, entre flores, está uma garrafa de tradição allemã...

Uma outra deve ser escondida para ser procurada no anno vindouro.

Aquelle que tiver a felicidade de achal-a, é acclamado rei da festa e paga as despezas, depois de ornamentado com fitas e flores'.

✤✤✤✤✤

Alguns d'esses trabalhos, de costumes coloniaes rio-grandenses, não são desconhecidos do nosso publico, que teve ensejo de vel-os com admiração no bazar do sr. Rosa, á rua dos Andradas.

E, si nos não falha a memoria, o applaudido artista rio-grandense pretendeu vender de preferencia esses importantes quadros em sua terra natal, onde não encontrou comprador..."


Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 21 de Outubro de 1892, pág. 01, col. 05

José Gomes Pereira Vianna


"Fallecimento

Falleceu em um dos ultimos dias o septuagenario José Gomes Pereira Vianna, antigo morador d'esta capital.

O finado era natural de Portugal, proprietario, e fôra em tempos estabelecido com marcenaria n'esta cidade.

Á sua familia apresentamos os nossos pezames."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 08 de Maio de 1891, pág. 01, col. 03

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Delfina da Silva


"Registro mortuario

Falleceu hontem n'esta capital e foi hoje sepultada a exma. sra. d. Delfina da Silva, de 60 annos de idade, solteira, cunhada do nosso co-religionario Bernardino de Almeida Gomes.

Apresentamos os nossos pezames á familia da morta.

(...)"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 20 de Outubro de 1892, pág. 02, col. 03

Rebelião em Fernando de Noronha


"De Fernando de Noronha escreveram ao Diario de Pernambuco:

Em 29 de julho, ás 9 1/2 horas da noite, um grupo de sentenciados, considerados incorrigiveis e intrigados com todas, assassinou o galé perpetuo (escravo) Josias, que era tido aqui por um dos mais terriveis.

O exm. sr. director providenciou como o caso exigia, sem que comtudo pudesse verificar qual o responsavel pelo assassinato.

A 19 de agosto, o mesmo grupo, não satisfeito ainda d'aquelle acto de barbarismo, pelo qual já havia soffrido castigo aconselhado em taes emergencias, assassinou igualmente aos sentenciados Miguel Barbosa e Joaquim Muniz Falcão, conhecido por Munbebo, e praticou muitos outros ferimentos.

Esses tres delictos com todas as suas circumstancias aggravantes, deram causa a haver aqui um certo panico, tanto mais se dizia que outros crimes seriam commettidos. Resultou d'isto conservarem-se os animos em geral sempre em apprehensões atterradoras."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 28 de Setembro de 1885, pág. 02, col. 02

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Sobrenome Ferrugem


"ANTIGUALHAS

ORIGEM DOS NOMES DE ALGUMAS FAMILIAS CONHECIDAS

(...)

- Havia em Porto Alegre um honrado negociante, cujo unico defeito era usar de um diccionario seu proprio, que apezar de inedito era perfeitamente imitado pelo Cara-Larga de Rio Pardo, que na casa em que morava mandára preparar um gabinete com o tétano pintado a oleo para servir de estercorio a seu filho.

Era casado em uma das antigas e principaes familias oriundas de Viamão, em que se contam hoje viscondes e barões, pois era genro do capitão Vianna, pessoa notavel daquelles tempos.

Chamava-se Custodio Gonsalves Lopes, mas para o differençarem de Custodio José Teixeira, de Custodio Pancas, do Custodinho, e do velho Custodio (da roça), ou mesmo sem seer para o differençarem, era conhecido por Custodio Ferrugem. É certo que nunca como tal se assignou, porém seus filhos todos tomaram este cognome. Eis pois a origem do nome de uma familia que é hoje muito conhecida entre nós, e cujas ramificações tem produzido excellentes fructos litterarios bastante apreciados nas nossas escolas."

Fonte: ANNUARIO DA PROVINCIA DO RIO GRANDE DO SUL PARA O ANNO DE 1886. Porto Alegre, Gundlach & Cia., 1885, pág. 155.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...