domingo, 29 de dezembro de 2019

Justiça de Fafe


"Justiça de Fafe

É do Argos, de Santa Victoria do Palmar, a seguinte noticia:

<<Ha cerca de oito mezes jaz encarcerado um menino, filho do sr. Antonio João de Oliveira Cardoso, que, com um revólver de sala, ferio levemente em uma perna uma meretriz de máos costumes e desordeira.

<<O ferimento foi tal, que no dia seguinte ao conflicto a alludida filha de Venus percorria, em passeio, as ruas da villa.

<<Pois bem:

<<O promotor publico Julio Joaquim da Rocha, que não perde occasião de fingir de puritano, pedio para esse inditoso menino a pena de galés-perpetuas!

<<No emtanto:

<<Ha dias o subdito italino Antonio Rota desfechou um tiro de espingarda sobre seu compatriota Eugenio Repenino, produzindo diversos ferimentos, e é o mesmo promotor publico que, ingenuamente, aguarda o resultado do inquerito para determinar se houve tentativa de morte!...

<<Oh! santa ingenuidade!...

<<Se o orgão da justiça publica enxergou tentativa de morte no primeiro caso, por que razão não a encontra no segundo, muito mais grave e positivo?...

<<Moralidade:

<<Diz-se que Antonio Rota offerece certa quantia, afim de accomodar-se a coisa, ao passo que o sr. Antonio J. de O. Cardoso vê-se na defficiencia de recursos para ser util á justiça publica.

<<Aguardamos o desfecho do inquerito para consignarmos o facto ás autoridades superiores.

<<Por hoje ficamos aqui.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 27 de Junho de 1885, pág. 01, col. 04

sábado, 28 de dezembro de 2019

Primitivos colonos de Novo Hamburgo - Parte 05


Observação: relação incompleta de colonos alemães estabelecidos antes de 1850 nas picadas Costa da Serra e Estância Velha (denominada genericamente em crônicas setecentistas de "Campo Ocidental"), na região de Lomba Grande (parte das terras da Feitoria Velha, chamada anteriormente Sendente).

Segue a lista com o nome do colono e família (quando houver) e o ano da chegada no Rio dos Sinos (São Leopoldo). 

201. Pedro Kaastrup, sem indicação precisa de ano.

202. Pedro Küchler, sem indicação precisa de ano.

203. Jacob Kronhard, sem indicação precisa de ano.

204. Bernardo Kochenburger, sem indicação precisa de ano.

205. Frederico Kellermann, sem indicação precisa de ano.

206. João Kelsch, sem indicação precisa de ano.

207. Pedro Lorenz, esposa e 2 filhos, chegou em 1825.

208. Felippe Lenz, esposa e 4 filhos, sem indicação precisa de ano.

209. Jacob Lampert, esposa e 7 filhos, sem indicação precisa de ano.

210. Pedro Lamb, esposa e 5 filhos, sem indicação precisa de ano.

211. Pedro Ludwig Junior, esposa e 4 filhos, chegou em 1828.

212. Pedro Ludwig Senior, esposa e 6 filhos, chegou em 1828.

213. João Lorscheiter, chegou em 1829.

214. Miguel Ledur, esposa e 3 filhos, sem indicação precisa de ano.

215. Jacob Linck, esposa e 5 filhos, sem indicação precisa de ano.

216. Ambrosio Lehn, sem indicação precisa de ano.

217. Leyser, chegou em 1845.

218. Lichtler, chegou após 1829.

219. Lindner, chegou após 1829.

220. Jorge Carlos Lohmann, chegou após 1829.

221. André Meyer, chegou em 1824.

222. Liborio Mentz, esposa e 3 filhos, sem indicação precisa de ano.

223. Nicolau Meyer, sem indicação precisa de ano.

224. Henrique Jacob Mentz e 6 filhos, sem indicação precisa de ano.

225. João Meyer, chegou em 1825.

226. Guilherme Maurer, sem indicação precisa de ano.

227. Guilherme Matte, sem indicação precisa de ano.

228. João Moog, sem indicação precisa de ano.

229. Michel, chegou após 1829.

230. Ludwig Mies, chegou após 1829.

231. João Momberger, chegou após 1829.

232. Gaspar Metzger, chegou após 1829.

233. Carlos Merkel, chegou após 1829.

234. Pedro Molter, chegou após 1829.

235. Francisco Jacob Nadler, esposa e 4 filhos, chegou em 1825.

236. João Ott, chegou em 1829.

237. João Frederico Otto, sem indicação precisa de ano.

238. Henrique Pehls, esposa e 4 filhos, chegou em 1824.

239. Jorge Petry, esposa e 3 filhos, sem indicação precisa de ano.

240. Luiz Petry, esposa e 3 filhos, chegou em 1826.

241. Carlos Pochetzky, chegou após 1826.

242. Henrique Pazssinger, chegou após 1826.

243. João Conrado Presser, chegou após 1826.

244. Pedro Prass, chegou após 1826.

245. Conrado Ritzel, esposa e 4 filhos, chegou em 1825.

246. Carlos Frederico Richter, esposa e 3 filhos, sem indicação precisa de ano.

247. Frederico Reichmann, sem indicação precisa de ano.

248. Nicolau Rech, chegou em 1829.

249. Matias Rambo, esposa e 3 filhos, sem indicação precisa de ano.

250. João Adão Reis, sem indicação precisa de ano.

Fonte adaptada: PETRY, Leopoldo. Nôvo Hamburgo: florescente município do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo: Editora Rotermund & Cia., 4a. edição, 1963, pág. 33-34.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Sobrenome Pinto


"Póde parecer que o apelido Pinto significasse origináriamente côr (de rosto, de cabelo, de olhos); cfr. galinha pinta (Entre-Douro e Minho), isto é, à letra: pintada; a um frango, quando nasce, chama-se também pinto, pelo mesmo motivo da côr. O étimo está no latim pictus, que recebeu um n analógico, e se tornou *pinctus (assim como havia tinctus de tingo, também, em vez de pictus, se criou *pinctus de pingo). Há assim vários apelidos (alcunhas) provenientes de côres, por exemplo: Branco, Côrado, Preto, Ruço, Ruivo, em hespanhol há Pintado, em italiano há Pitto. Na antiguiade até houve um povo (Caledonia) que, por se tatuar, recebeu o epíteto de Picti 'os Pintados'.

Mais o mais provável é que a alcunha que produziu o apelido português de Pinto se originasse metafóricamente no reino animal. Pois que no trato familiar apodamos de franganito e franganote ou frangalhote um rapazinho, e no Algarve se chama frangôlha (ou franganita) a uma rapariguinha dos seus doze ou treze anos, não admira que outrora se aplicasse pinto com significação análoga, e daí nascesse o vulgar apelido de que estou agora falando. Abundam apelidos tirados de nomes de aves, domésticas, ou não: Corvo, Falcão, Gaio, Gavião, Pardal, Pato, Perdigão, Pita, Pombo, Rôla, para só citar alguns. Todos êles foram de comêço alcunhas, como alcunhas são hoje Franganito, Pintassilgo, etc.; na mesma ordem de ideas se chama na língua quotidiana marreco a um corcunda ou corcovado, e pavão a um indivíduo vaidoso. Outros apelidos zoológicos nascidos de alcunhas e apodos, são: Carneiro, Coelho, Gato, Lampreia, Lebre, Lobo, Raposo, Sardinha.

O apelido de Pinto tem entre nós documentação já antiga: Pintus (fórma porém duvidosa), em 1087, nos Dipl. et Chartae, pág. 403; Stephanus Pinto, Dominicus Pinto, nas Inquisitiones (séc. XIII), pág. 637, 645, 458; João Garcia o Pinto nos Nobiliários (séc. XIII ou XIII-XIV). O mais curioso é que nesta última colecção aparece Estevão Anes Pantalhopardo (=Pintalho Pardo), ou só Estevão Anes Pintalho, ou Estevão Anes Pintalhaparda (Pintalha Parda), com a variante Pintalapedra (provávelmente por má leitura), pág. 174, 183, 296, 355, indivíduo que nas Inquisit. (séc. XIII) se chama alatinadamente Fernandus Stephanis Pintalio, pág. 322. Estes apelidos, se por causa do Pardo fazem pensar na côr, por causa do Pintalho, palavra onde entra o sufixo depreciativo -alho, que aparece em bodalho (A. Minho), frangalhote (já cit.) = frang-alh-ote, porcalho (Viterbo, Elucid., fazem pensar na metáfora, e confirmam por isso a minha segunda hipótese. Pintalho Pardo quer dizer 'pintainho de côr parda'; se deve preferir se o feminino Pintalha Parda, êste provirá de alcunha da mãe. Um filho do citado Estevão Anes Pintalapera ou Pintalhaparda chamava-se Fernão Esteves Pintalho, nos Nobiliários, pág. 183.

Falando de D. João Garcia, o Pinto (séc. XIII), diz a Sra. D. Carolina Michäelis que êle foi assim chamado por causa da sua jovialidade, e atribue à palavra Pinto o mesmo sentido de 'frango'. Na Nobiliarchia diz Vilasboas, pág. 316, falando dos Pintos; 'Procedem de D. João Garcia de Souza, neto do Conde D. Mendo que foi o primeiro que teve a alcunha de Pinto'. No séc. XVII-XVIII houve um poeta gracioso, Tomás Pinto Brandão, que, jogando do seu primeiro apelido, publicou um livro de versos com o título de Pinto renascido, empennado e desempennado (1732), o que mostra que já também êle estava convencido da metáfora onomástica.

Se na linguagem corrente acontece que uma palavra nobre decai na sua significação, e adquire sentido humilde, por exemplo escudeiro, acontece às avessas, que uma de estirpe modesta, recebe no processo do tempo significação elevada, como é o caso com Pinto."

Fonte: LEITE DE VASCONCELLOS, J. Opusculos, volume III. Coimbra/Portugal: Imprensa da Universidade, 1931, pág. 30-32.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Incidente com o cônsul norte-americano


"Na cidade do Rio Grande

CONFLICTOS E FERIMENTOS NO POLYTHEAMA - O JORNAL MARUI - PRISÃO DO CONSUL AMERICANO

Em a noite de 12 do corrente, na cidade do Rio Grande, antes de começar o espectaculo da companhia Furtado Coelho, que trabalha no Polytheama (representação do Mestre de forjas), o consul dos Estados Unidos ali residente, sr. Bekford Mackey, desfechou o revólver contra Tadio Amorim, proprietario do semanario caricato Marui.

O facto tem despertado vivo interesse entre a população rio-grandense, e admira-nos que o telegrapho não o tivesse communicado a esta capital.

✤✤✤✤✤✤✤✤

Os jornaes que temos á vista narram differentemente o occorrido, mas todos mostram-se sympathicos á causa do sr. Mackey, que é considerado e goza de todo o conceito entre a sociedade em que vive.

O Marui insultava constantemente áquelle representante de uma grande nação amiga, levando a injuria e a calumnia ao ponto de envolver até a familia, ausente, de quem vive em terra hospitaleira.

No dia da lamentavel occorrencia, o sr. Mackey vio-se tôrpemente atacado.

Á noite, foi ao Polytheama.

Estava sentado no salão quando entrou Thadio Amorim, que, segundo um collega do Rio Grande, dirigio provocações ao sr. Mackey.

Acto continuo, este aggredio-o, fazendo uso de uma fraca bengala.

Thadio repellio, tambem armado de bengala.

Então, o consul americano tirou do revólver e aturdidamente desfechou-o a queima-roupa sobre o homem que tanto o provocava.

Duas balas empregaram-se, e uma outra foi ferir em uma mão o sr. Porphyrio Alves da Silva.

Thadio tentou igualmente desfechar o seu revólver, mas foi contido por grande numero de pessoas.

Imagine-se quantas desgraças poderiam ter occorrido, na sala de um theatro litteralmente cheio.

Felizmente, além do desastre de que foi victima o cidadão Porphyrio, as muitas pessoas presentes não soffreram senão um grande susto.

✤✤✤✤✤✤✤✤

A policia que estava no Polytheama deu voz de prisão ao sr. Mackey, mas o sr. Luiz Fraeb, consul do imperio germanico, conduzio-o de braço.

Mackey compareceu immediatamente á presença da autoridade policial e entregou-se á prisão, sendo recolhido ao quartel do 17o. batalhão de infantaria.

Thadio, apezar de ferido, perseguio-o na rua, tentando assassinal-o.

Consta que o dr. juiz municipal do termo requereu a prisão d'esse individuo.

✤✤✤✤✤✤✤✤

O corpo consular, os representantes da imprensa, funccionarios publicos e grande numero de pessoas respeitaveis da localidade têm visitado o representante dos Estados-Unidos.

O dr. João de Miranda Sobrinho offereceu-lhe espontaneamente os seus serviços de advogado.

✤✤✤✤✤✤✤✤

Narramos os factos, rapidamente, conforme nol-os transmittem os dignos collegas da imprensa do Rio Grande.

Não os presenciámos, não conhecemos a folha de Thadio nem os seus habitos."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de Abril de 1885, pág. 01, col. 03

"RIO GRANDE

9 de Junho:

- Pelo tribunal do jury foi unanimente absolvido o cidadão Beckford Mackay, consul dos Estados-Unidos, ali residente, submettido a processo por haver tomado publicamente um desforço pessoal contra Thadio Amorim, pelas tôrpes aggressões que este lhe dirigio em um pasquim impresso.

Foi seu defensor o dr. Miranda Ribeiro.

Toda a imprensa dirige felicitações ao honrado funccionario estrangeiro - um moço de 23 annos - e toda a população exultou com o resultado do julgamento.

O cidadão Mackay recebeu as mais honrosas demonstrações de subito apreço e á noite foi alvo de uma enthusiastica manifestação.

Poucos dias demorou-se o sr. Mackay no Rio Grande depois do julgamento do jury, pois seguio para seu paiz natal no gozo de uma licença.

(...)"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Junho de 1885, pág. 01, col. 05


quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

A fada de Natal de Strasburg


Um conto folclórico recolhido pelo escritor Frances Jenkins Olcott
Certa vez, há muito tempo, vivia perto da antiga cidade de Strasburg, no rio Reno, um conde jovem e bonito, cujo nome era Otto. Com o passar dos anos, ele permaneceu solteira, e nunca lançou um olhar para as donzelas justas do país; por esse motivo, as pessoas começaram a chamá-lo de "coração de pedra".
Por acaso, o conde Otto, em uma véspera de Natal, ordenou que uma grande caçada fosse realizada na floresta ao redor de seu castelo. Ele, seus convidados e seus muitos retentores seguiram em frente, e a perseguição se tornou cada vez mais emocionante. Ele atravessava matas e sobre trilhos sem trilhas da floresta, até que finalmente o conde Otto se viu separado de seus companheiros.
Ele seguiu sozinho até chegar a uma fonte de água límpida e borbulhante, conhecida pelas pessoas ao redor como o “Poço das Fadas”. Aqui o Conde Otto desmontou. Ele se inclinou sobre a primavera e começou a lavar as mãos na maré brilhante, mas, para sua surpresa, descobriu que, embora o tempo estivesse frio e gelado, a água estava quente e deliciosamente acariciada. Ele sentiu um brilho de alegria passar por suas veias e, ao aprofundar as mãos, imaginou que a mão direita era agarrada por outra, macia e pequena, que deslizava suavemente de seu dedo o anel de ouro que sempre usava. E eis! quando ele estendeu a mão, o anel de ouro se foi.
Cheio de admiração com este evento misterioso, o conde montou em seu cavalo e retornou ao seu castelo, resolvendo em sua mente que no dia seguinte ele teria o Poço de Fadas esvaziado por seus servos. Ele se retirou para seu quarto e como ele estava em seu sofá, tentou dormir; mas a estranheza da aventura o manteve inquieto e acordado.
De repente, ouviu o ruído rouco dos cães de guarda no pátio e depois o rangido da ponte levadiça, como se estivesse sendo abaixada. Então chegou ao ouvido o tamborilar de muitos pés pequenos na escada de pedra e, em seguida, ouviu indistintamente o som de passos leves na câmara ao lado do seu.
O conde Otto saltou de seu sofá e, ao fazê-lo, soou uma música deliciosa, e a porta de sua câmara foi aberta. Apressando-se para a sala ao lado, ele se viu no meio de inúmeros seres das Fadas, vestidos com roupas gays e brilhantes. Eles não lhe deram atenção, mas começaram a dançar, a rir e a cantar ao som de música misteriosa.
No centro do apartamento, havia uma esplêndida árvore de Natal, a primeira já vista naquele país. Em vez de brinquedos e velas, penduravam em seus galhos iluminados estrelas de diamante, colares de pérolas, pulseiras de ouro enfeitadas com jóias coloridas, pérolas de rubis e safiras, cintos de seda bordados com pérolas orientais e punhais montados em ouro e adornados com as jóias mais raras. A árvore inteira balançava, brilhava e brilhava no brilho de suas muitas luzes.
O conde Otto ficou sem fala, olhando para toda essa maravilha, quando de repente as fadas pararam de dançar e recuaram, para dar espaço a uma dama de beleza deslumbrante que veio devagar em sua direção.
Ela usava nas tranças negras um diadema de ouro cravejado de jóias. Seus cabelos caíam sobre uma túnica de cetim rosado e veludo cremoso. Ela estendeu duas mãos pequenas e brancas para o conde e se dirigiu a ele em tons doces e atraentes:

“Caro conde Otto”, disse ela, “eu volto para sua visita de Natal. Eu sou Ernestine, a Rainha das Fadas. Trago-lhe algo que você perdeu no Poço das Fadas.
E, enquanto falava, tirou do peito um caixão de ouro, cravejado de diamantes, e o colocou nas mãos dele. Ele abriu ansiosamente e encontrou dentro de seu anel de ouro perdido.
Levado pela maravilha de tudo, e vencido por um impulso irresistível, o conde pressionou a fada Ernestine em seu coração, enquanto ela, segurando-o pela mão, o atraía para os labirintos mágicos da dança. A música misteriosa flutuou pela sala, e o resto da companhia de fadas circulou e girou em torno da rainha das fadas e do conde Otto, e depois se dissolveu gradualmente em uma névoa de muitas cores, deixando o conde e sua bela convidada em paz.
Então, o jovem, esquecendo toda a frieza anterior em relação às donzelas do país, caiu de joelhos diante da fada e implorou que ela se tornasse sua noiva. Por fim, ela consentiu com a condição de que ele nunca pronunciasse a palavra "morte" em sua presença.
No dia seguinte, o casamento do conde Otto e Ernestine, rainha das fadas, foi celebrado com grande pompa e magnificência, e os dois continuaram a viver felizes por muitos anos.

Agora aconteceu uma vez, que o conde e sua esposa Fada caçariam na floresta ao redor do castelo. Os cavalos estavam selados e com freio, e de pé na porta, a companhia esperou, e o conde percorreu o salão com grande impaciência; mas ainda assim a fada Ernestine ficou muito tempo em seu quarto. Por fim, ela apareceu na porta do corredor, e o conde se dirigiu a ela com raiva.
"Você nos deixou esperando tanto tempo", ele exclamou, "que você seria um bom mensageiro para pedir a morte!"

Mal ele falou a palavra proibida e fatal, quando a Fada, proferindo um grito selvagem, desapareceu de sua vista. Em vão, o Conde Otto, tomado de tristeza e remorso, vasculhou o castelo e o Poço das Fadas, nenhum vestígio de sua bela esposa perdida, mas a marca de sua delicada mão colocada no arco de pedra acima do portão do castelo.
Os anos se passaram e a fada Ernestine não voltou. A contagem continuou a lamentar. Toda véspera de Natal, ele montava uma árvore iluminada na sala onde conhecera a Fada, esperando em vão que ela voltasse para ele. O tempo passou e a contagem morreu. O castelo caiu em ruínas. Mas até hoje pode ser visto acima do portão maciço, profundamente afundado no arco de pedra, a impressão de uma mão pequena e delicada.
E assim, dizem as boas pessoas de Strasburg, foi a origem da Árvore de Natal.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Christmas Cracker - uma tradição do Natal do Reino Unido


Christmas cracker é um elemento tradicional da ceia de Natal do Reino Unido e dos países de colonização inglesa - dentre eles, notadamente Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, mas também se encontra o costume na ilha vizinha da Irlanda, tanto no Ulster quanto no Eire - que consiste num tubo de papelão segmentado, embrulhado em um papel brilhante e decorado. No meio encontra-se um doce, mas também há os Christmas cracker que trazem brinquedos ou uma outra prenda qualquer. 

O "ritual" principal de abertura do Christmas cracker necessita duas pessoas, sendo que cada uma delas segura um dos lados e puxa com força. Ao abrir o Christmas cracker, uma delas será "premiada" e a outra ficará apenas com a parte vazia da embalagem. No movimento de abertura do Christmas cracker é emitido um estalo na fricção (graças à presença de fulminato de prata).

Uma pintura do artista norte-americano Norman Rockwell retratando a abertura do Christmas cracker, 1919.

A tradição do Christmas cracker tem uma origem precisa: sua invenção se deve ao padeiro e confeiteiro inglês Tom Smith (1823-1869). Para poder reverter a baixa na venda de doces e produtos de sua confeitaria, ele teve a ideia de inserir pequenas mensagens de amor nos invólucros de seus bombons, isso em 1847. Dois anos depois, ele substituiu os bombons por itens como brinquedos, bijuterias ou pequenos chapeuzinhos de papel. Por fim, em 1860, ele adicionou o estalido. Seus filhos deram continuidade à ideia do pai (constituíam uma família de confeiteiros industriais) e já na década de 1890 os Christmas Cracker estavam muito popularizados nas Ilhas Britânicas, bem como sendo exportados para os Estados Unidos, a Europa continental e o Japão.

Fontes da matéria:
http://projectbritain.com/holidays.html
https://www.historic-uk.com/
https://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page
https://www.whychristmas.com/


Feliz Natal 2019


Um Feliz Natal a todos os amigos, seguidores e visitantes do blog!

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