domingo, 22 de setembro de 2019

Os larápios em Dom Pedrito


"Negocios de D. Pedrito

D'esta localidade escrevem a um dos nossos co-religionarios do Precursor de São Gabriel:

<<A falta de um regular policiamento na cidade, talvez devido ao pequeno numero de praças de que se compõe a nossa secção policial, vai trazendo sérios prejuízos á propriedade do cidadão. Não temos garantia para nossa propriedade nem para nossa vida, e entretanto somos cada vez mais sobrecarregados de impostos!

<<De junho d'este anno para cá, tenho sido victima constante de roubos, não se respeitando sequer os compartimentos fechados a chave, de uns contrafeitos que tenho no páteo de minha casa.

<<Já cinco vezes arrombaram-me portas, arrancando para isso até portaladas, e roubaram-me diversos generos e gallinhas, estas em numero maior de quarenta, nas cinco vezes que os larapios, ou larapio, se dignaram visitar-me.

<<Ainda hontem arrombaram-me uma porta e roubaram-me dez a doze gallinhas. Peço, pois, que v. chame pelas columnas do seu conceituado jornal a attenção das nossas autoriadades para este estado de cousas, offerendo a quem descobrir o ladrão uma boa gratificação, que lhe será paga por mim.>>

- De toda a parte chegam d'estas noticias, e as autoridades superiores da provincia, quando muito, pedem informações..."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 10 de Dezembro de 1884, pág. 01, col. 03

sábado, 21 de setembro de 2019

A Campanha Gaúcha


Excelente vídeo sobre a Campanha Gaúcha, tratando sobre o seu relevo característico, o bioma Pampa e sua biodiversidade, as atividades econômicas presentes e o problema da degradação. Disponível no interessante e recomendado canal Terra Negra no YouTube.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Colônia Santa Isabel em 1885


"SANTA IZABEL

Fundada em 1847 com 163 allemães recebeu por vezes levas de immigrantes da mesma nacionalidade, e ao ser emancipada por aviso de 19 de Junho de 1856, contava 1.375 almas.

Elevada á freguezia pela lei provincial de 20 de Novembro de 1859, conta actualmente 3.000 almas que se classificam approximadamente:

Allemães..... 600
Brazileiros..... 2.000
Diversas nacionalidades..... 400
(incluidos entre os brazileiros os nascidos de estrangeiros na colonia)

A lingua allemã é a mais usada no estabelecimento.

Possue a colonia duas povoações, Santa Izabel e Campinho, providas de escolas publicas. Na primeira existe capella do rito catholico e na segunda templo protestante.

A povoação de Campinho communica para a colonia Santa Leopoldina por estrada de 12 kilometros. Possue a colonia estradas das melhores da provincia. Effectua-se a exportação pelo porto da Vcitoria, do qual dista a colonia 42 kilometros, achando-se em communicação regular para o Rio de Janeiro pelos vapores da companhia Espirito Santo e Caravellas, e, para a Europa, pela navegação directa que começa a desenvolver-se no referido porto.

A colonia mede a área de 25.311 hectares divididos em 56 lotes, gozando os colonos de notavel bem-estar e até de riqueza. A exportação annual de café regula por 900.000 kilogrammas. Circundam a colonia excellentes terras devolutas, que se estendem desde as linhas coloniaes até os mananciaes do rio Jacú. O sólo agricola é de composição mais ou menos analoga aos melhores da colonia do Rio Novo."

Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 009, fev./mar. 1885, pág. 06, col. 01-02

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

São Borja às escuras


"S. BORJA

26 de outubro:

- O Echo de Missões occupa-se com o serviço da illuminação publica, que é mal feito.

Eis um topico da sua noticia:

<<Não póde ser peior o serviço da illuminação publica, custeado pela camara municipal d'esta villa e feito administrativamente. Na maior parte dos lampeões, só se vê uma mecha carbonisada e ardendo com uma chamma rubra, que nenhuma luz derrama, a ponto de que, a dez passos de distancia dos taes lampeões, a escuridão é tal, que não se divulga nem se quer o vulto de um homem.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 19 de Novembro de 1884, pág. 01, col. 05

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Colônia Azambuja em 1885


"AZAMBUJA

Esta colonia está situada no municipio de Nossa Senhora da Piedade de Tubarão, nas proximidades da estrada de ferro de Thereza Christina, da qual dista 9.990 metros pouco mais ou menos, á margem do rio Pedras Grandes confluente do Tubarão e do Urussanga, que desagua no oceano. Foi fundada em 1877 e emancipada em 1881.

Sua população excede de 2.000 almas, predominando a nacionalidade italiana.

Cortada por excellente estradas a ex-colonia tem para mercado de seus productos a villa de Tubarão da qual dista 40 kilometros. A sua producção consta especialmente de farinha de mandioca e cereaes, que exporta em abundancia, bem como de trigo, vinha e cana de assucar, cuja cultura tem tido o maior desenvolvimento, existindo 4 alambiques para o fabrico de aguardente.

Nos seus arredores existem terras devolutas onde póde com vantagem ser estabelecido numero consideravel de immigrantes."


Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 008, jan. 1885, pág. 02, col. 02-03, pág. 03, col. 01-02

terça-feira, 17 de setembro de 2019

O suplício do escravo Domingos



"Por notavel coincidencia, ao mesmo tempo que recebiamos de um prestimoso collaborador o artigo estampado em nossa primeira pagina sobre o 25 de março, dia escolhido para redimir os ultimos escravos no Ceará, tambem nos vinha ás mãos a carta de um distincto amigo narrando o seguinte hediondo caso:

A duas legoas, mais ou menos, da villa de S. Jeronymo, na fazenda do sr. Demetrio Pereira do Lago, foi barbara e deshumanamente torturado, o escravo Domingos, de propriedade d'esse mesmo sr. Demetrio.

O crime revestio-se das circumstancias que seguem:

A desgraçada victima foi amarrada em tronco especial e ahi sujeita a centenares de açoites.

Depois, em estado inanime, quando já estavam as carnes saltando em pedaços, pois tinha nas costas rombos enormes, ainda foi, por meio de correntes, ligada á um montão de ossos podres cobertos de vermes, que logo se puzeram em communicação com as immensas chagas que sangravam no corpo d'essa miseravel creatura.

Ainda assim os algozes, não satisfeitos com tudo isso, a tiraram d'esse leito infernal para collocarem-n'a novamente no tronco, até que ahi, sem comer nem beber, a morte viesse finalisar semelhante martyrologio.

Porém os proprios parceiros de Domingos, apezar de toda timidez, não se supportaram á vista de tão horrorosas scenas e o soltaram, favorecendo-lhe a fuga.

Esse infeliz dirigio-se para esta capital afim de apresentar-se ás autoridades.

Consta-nos mais que seu senhor tambem para aqui veio, e o amigo que escreveu-nos diz estar elle confiado em valiosos amigos d'esta cidade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS),  27 de Março de 1884, pág. 02, col. 01
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