quarta-feira, 19 de junho de 2019

Exposição Museu da Destruição Nacional


Está acontecendo neste mês de junho de 2019, em três pontos diferentes do centro da cidade de Pelotas uma interessante exposição e mostra interativa que tem como título "Museu da Destruição Nacional". A iniciativa é do Curso de Bacharelado em Museologia da Universidade Federal de Pelotas e tem quatro mostras localizadas nos lugares a seguir: a "Cabine dos Patrimônios" no interior do Mercado Central; duas exposições no Hall da Prefeitura Municipal (Sala Frederico Trebbi); e o "Visor de Mundo" na "meia-lua" da Praça Coronel Pedro Osório (defronte ao Teatro Sete de Abril).

A proposta visa discutir a partir do recente incêndio do Museu Nacional a questão do patrimônio e identidade cultural. Vale a pena a visita! A entrada é franca.

As experiências sensoriais na "Cabine dos Patrimônios" e no "Visor de Mundo" são muito enriquecedoras. Na exposição do Hall da Prefeitura também é possível interagir e deixar sua mensagem.


















Salteadores & Bandoleiros no Rio Grande do Sul em 1871


"Ladrões.

As quadrilhas de ladrões que ha mais de dous mezes infestão o districto de Capivary, roubando o gado, assaltando as casas e tentando contra a vida do cidadão e animadas pela impunidade de todos os seus crimes, redobrão de ousadia, e engrossão todos os dias o grupo com novos sequases.

Ao principio composta esta malóca de 12 salteadores, já se acha, hoje elevada ao numero de 22, os quaes depois de terem andado a roubar e estragar tudo o que encontravão nas immediações da estancia do Curral-Alto, consta-nos que ha 4 dias investirão contra esta mesma estancia, não só roubando gado e o mais que encontrarão á mão, como levando o arrojo á assaltarem mesmo a casa, onde morava o respeitavel cidadão o Sr. João Ferreira Pinto, um dos seus proprietarios e irmão do nosso distincto amigo o Exm. Sr. Barão do Cahy. As autoridades fazem por cumprir o seu dever, não lhes falta vontade de punir tão atrevidos ladrões, não têm porém força policial á sua disposição, nem se tem curado de fornecel-a, e assim ficão á mercê, os cidadãos, de seus proprios recursos.

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Mais ladrões.

A serie de attentados contra a vida e a propriedade do cidadão ainda não está esgotada. Elles multiplicão-se e reproduzem-se por toda a parte. Já não é só no Cerrito do Ouro, ou no Capivary, ou no Curral Alto que elles apparecem fazendo as suas correrias. Na Vaccaria, theatro antigo de suas façanhas, estão hoje como nunca estiverão. Achão-se organisados, com uma força regular, prompta a bater-se com quem se lembre de os perseguir. Não contão com a perseguição da autoridade local que vive desajudada pela que aqui na capital lhe podia obter força, e eil-os zombando da ordam e tranquilidade publica.

Esta provincia precisa de um chefe de policia que tenha acção e energia para prover a segurança da vida e propriedade á que tem direito o cidadão, e não de chefes que vivão de expedientes da secretaria. Eis o que vimos referido em uma carta dirigida á um amigo nosso:

<<... como sei que tem intimas relações de amisade com o Dr. Brusque, chefe de policia, me parece que lhe transmittindo as noticias que lhe vou dar, elle de certo acreditará e alguma cousa providenciará em favor d'este infeliz lugar, onde presentemente me acho exposto á soffrer algum desacato, e talvez a perder a vida, porque já se não escolhem as victimas. No dia 3 de Março proximo passado, quando eu atravessava o lugar denominado S. Joaquim, recolhendo-me á casa, cahião em uma coxilha, longe de minha estrada legoa e meia, em occasião de umas carreiras, dous moços filhos de um homem de nome Theodoro de tal Chaves, feridos pelo tenente Luiz Telesphoro Teixeira, que por seu turno cahiu morto pelo dito velho Theodoro, em desagravo de seus filhos.>>

<<De proposito passarei por alto factos subsequentes que se derão por occasião de instaurar-se o processo ao velho Theodoro. Dias depois nas visinhanças de um lugar chamado - Taimbezinho - na Vaccaria, em uma casa de negocio de um moço allemão, genro de outro allemão de nome Christianno Hoffman, entrou um réo de policia, natural e morador em Cima da Serra, no lugar denominado - Cédro - conhecido pelo nome de Anginho, e ali, depois de beber, attacou o dono da casa á espada, cutilando-o impunentemente, e depois sahio. Este negociante recorreo á autoridade da Vaccaria, fez auto de corpo de delicto, deu sua queixa, gastou noventa e tanto mil réis, e depois teve de desistir de fazer parte, porque o réo não foi pegado, e elle queixoso bem sabe qual a sorte que o espera. Dias depois um fazendeiro de idade avançada de nome Estanisláo Rodrigues de Campos, morador no Capão-Grande, longe da freguezia da Vaccaria 3 1/2 legoas, tendo vencido uma demanda sobre campos de sua propriedade com uns poucos de irmãos de nome Lisbôa, aos quaes fôra intimado o despejo dos lugares que individamente tinhão invadido, foi acordado alta noite ao clarão do incendio de sua casa, e no acto de sahir, como era natural, para livrar-se e salvar o que ainda pudesse, soffreo uma descarga de que cahio morto.

<<Á mesma hora era incendiada a casa em que residia, pouco distante, mas no mesmo campo, um filho do dito Estanisláo, de nome Marcolino, que não morreu por não estar em casa.

Pelo mesmo tempo era attacado á noute em sua casa, um casal de velhos, moradores nas pontas do arroyo Santa Rita, districto da Lagôa Vermelha, cujos nomes ignora, pedindo-se-lhes o dinheiro que havia; e como só apparecesse uns 40 ou 50 bolivianos, foi o velho cruelmente ferido, e consta-me que ainda existe: Estes quatro factos são acontecidos todos no mez de Março.

<<Além d'estes factos que mencionei e que provão de mais a nenhuma segurança que aqui ha pelo desrespeito á autoridade, que além de ignorar os seus deveres, nenhuma força tem em que se apoie, sendo ella mesma a que mais receio tem de intervir nas occasiões, accresse a existencia de uma espantosa reunião de malvados, ladrões e assassinos conhecidos que se achão agrupados á 6, 8 e 10 conforme a occasião nas immediações do lugar denominado - Costa - entre a serra das Antas e a de Pelotas, e ao alcance das estancias Carauno e Ausentes, onde fazem suas correrias á luz do dia e de onde se supprem de gado e de cavalhada, sem que seus proprietarios possão oppor-se. Esta reunião de malvados que actualmente infesta este lugar é composta de homens conhecidos no atroz assassinato de João Ramos e sua familia; alguns que ainda não forão presos e outros que farão inocentados no jury de Santo Antonio, e de outros que escaparão á ultima perseguição que lhes fez aqui um alferes de policia, genro do Dr. Moraes por occasião do incendio da casa de Ignacio Velho e tambem de alguns fugados d'essa cidade depois de serem presos pelo tenente-coronel Moraes em Novembro do anno proximo passado quando aqui esteve.

Um soldado de policia da collectoria que atravessou em serviço para a Agencia dos Auzentes e Santa Victoria no dia 10 ou 11 de Março foi rodeado por essa quadrilha, e depois de bem perguntado, deixarão-n'o seguir. No dia 18 ou 20 do mesmo mez, outro moço com um companheiro ao atravessar da estancia de Athanagildo Telles para os Auzentes os encontrou em numero de 8 ou 10 apeados em uma taberna isolada que ha no - Capão Bonito - ponto escolhido para a sua reunião por ser indispensavel passar-se ali tendo de ir de Santa Victoria para os Auzentes e vice-versa. Esta taberna do Capão Bonito só é frequentada por essa quadrilha. Nenhum viandante, por mais corajoso que seja, terá a lembrança de tocar n'aquella casa. Quando aqui andou o alferes de que acima fallei, tinha-se ha pouco queimado aquella taberna, mas como o ponto é necessario foi de novo edificada e está habitada por gente da quadrilha...>>

Veja o Sr. conselheiro presidente que se tem tanto empenhado em moralizar a administração publica que tão desmantelada encontrou a sua chegada, se attende para estes factos faz com que a autoridade competente desperte do lethargo em que jaz, e faz com que as garantias de vida e propriedade que dá a lei aos cidadãos, deixa de ser uma ficção."

Fonte: O CONSTITUCIONAL (RS), 20 de Abril de 1871, pág. 03, col. 01-02

terça-feira, 18 de junho de 2019

A colonização polonesa em Dom Feliciano


"Após a Proclamação da República, em 1889, o Governo Brasileiro, precisando de novos braços que substituíssem os escravos para continuar a garantir o equilíbrio econômico, fez campanha para vinda de agricultores europeus. Comprometera-se a custear as despesas com a travessia e doar terras aos que quiserem vir ao Brasil.

Antes porém, dessa publicidade, vieram algumas famílias por conta própria. Chegando ao Rio de Janeiro, rumaram para Porto Alegre, de onde viajando de lancha até São Jerônimo, desceram até a Sede da Colônia de São Feliciano.

Em 1890, assumiu a direção da colonização o Dr. Alfredo da Silveira e a partir daí toda a extensão destas terras cobertas com densas florestas foram destinadas à Imigração Polonesa.

As primeiras famílias encaminhadas para São Feliciano, custeadas pelo Governo, vieram nos navios Planeta, Estrela, Mayrink e Arlinda, nos anos de 1890 e 1891. Eram em sua totalidade católicos, sendo 1554 originários da Polônia, 1923 originários do território polonês sob a dominação da Rússia e 93 alemães.

Sem medirem as consequências que os aguardavam no futuro, apressaram-se a abandonar sua terra natal na esperança de conseguirem um padrão de vida mais humano, cansados que eram de serem explorados. No entanto, eram elementos sadios, trabalhadores, religiosos, satisfazendo plenamente as exigências das leis governamentais brasileiras. Foi assim que o Departamento de Terras e Colonização, sediado em Porto Alegre. não titubeou em encaminhá-lo para cá.

Iniciaram a sua longa jornada: uns a pé, uns em carroções puxados por juntas de bois e outros conduzindo burros carregados de balaios, foram abrindo picadões até chegarem ao coração da Colônia de São Feliciano.

Não conseguindo-se documentação exata, há dúvidas para saber por onde chegaram até aqui. Há duas proposições: primeira - subiram o Rio Jacuí até São Jerônimo descendo para a Colônia; segunda - viriam costeando a Lagoa dos Patos até o Porto de Vianez na desembocadura do Rio Camaquã, por onde poderiam subir em barcos durante as cheias, margeando o Arroio Sutil chegariam à Sede da Colônia.

Cada família recebeu um lote colonial de vinte e cinco hectares de terra, cujo título de propriedade lhes seria fornecido após o pagamento em prestações a longo prazo, de acordo com a quota estabelecida em lei. Além disso foi fornecida para cada família a quantia de cinquenta mil réis, para que, no decorrer de três meses, pudessem construir suas residências. As mesmas foram construídas de madeira. As sementes de cereais foram gratuitamente fornecidas para o primeiro ano de plantio. Tiveram que aceitar as condições e com desassombrosa coragem enfrentar as intempéries, a mata virgem, derrubar gigantescas árvores, abrir clareiras, construir suas moradias, enfim: começar vida nova na pátria adotiva.

Nesta época era Chefe da Comissão de Terras e Colonização o Sr. Alfredo de Araújo Borges, responsável por três núcleos de colonização: São Feliciano, Mariana Pimentel e Barão do Triunfo. Este em nada facilitava a vida dos colonizadores.

Iniciaram o povoado fixando-se à margem direita do Arroio Sutil, ou mais precisamente, à margem direita do Arroio Forqueta, afluente do Sutil, onde iniciaram a formação das chamadas 'Linhas', surgindo as seguintes: Evaristo Teixeira, Lopo Neto, Júlio de Castilhos, Amaral Ferrador, Correa Neto, Laurentino Freire, Perdiz, Assis Brasil, Carlos Ferreira, Felipe Noronha, Euzébio Dorneles, Pederneiras, Dr. Bozano, Anápio Silveira, Dr. Flores, Apolinário e Tomás Flores onde, desde o início, por conta própria, os poloneses se organizaram e em cada Linha formaram uma comunidade, construindo sociedades que serviam como escola e capela.

Assim, a caminhada inicial desses desbravadores poloneses foi árdua e heróica, pois embrenhavam-se nas matas para dela arrancar o sustento para suas famílias. A situação deles era de extrema pobreza. Os frutos de seu suor foram abençoados pois as primeiras colheitas de cereais foram fartas, mas infelizmente, na hora da exportação não tinham estradas bem compradores para os produtos que também não tinham preços. Todos esses fatores prejudicaram em muito o desenvolvimento da colonização.

Entre os imigrantes poloneses agricultores havia alguns profissionais como pedreiros, carpinteiros, ferreiros, artistas e outros. Eram os que auxiliavam no início fazendo ferramentas, construindo moradias.

Um problema aflitivo que, pensando hoje, não sabemos como a nossa geração assumiria: não possuindo o que comer, nem mesmo o pão, pois de onde tirariam a farinha? Os cereais que conseguiam eram moídos em moinhos de pedra movidos manualmente. A farinha era transformada em bolos que após eram assados em pedras aquecidas pelo fogo. Tempos depois iniciaram a construção de moinhos movidos a água, mas estes estavam, as vezes, muito distantes. Na falta de animais para transportar os cereais para serem moídos, precisavam carregá-los nas costas. Tudo era lento, demorado, feito manualmente. Devemos lembrar-nos sempre daqueles tempos a não lamentar-se tanto.

O comércio era raro. Os colonos trocavam seus produtos por sal, açúcar, café, pano para vestuário e outros. Começaram a criação de animais domésticos: até isto precisavam defender dos animais selvagens.

Os imigrantes, ao virem para o Rio Grande do Sul, estavam desacompanhados de sacerdotes. Logo ao chegarem, reclamaram ao Bispo de Porto Alegre, D. Claudio José Gonçalves Ponce de Leão, um sacerdote que lhes desse assistência espiritual. Foi erguida uma capela provisória, de madeira, localizada na zona baixa, perto do Arroio Forqueta. O primeiro padre, Martiniano Madrzejewski, franciscano, chegou aqui a 15 de novembro de 1891, fazendo batizados e abençoando casamentos. Voltou para a Europa em 25 de junho de 1892. O êxito da colonização deve-se, em grande parte, à atuação pastoral do clero e, logicamente, a grande fé dos poloneses em Deus e na força de seus braços.

Em 1908, a Sede contava com 153 pessoas e trinta casas das quais oito eram de comércio, um moinho, uma ferraria, uma olaria, uma escola, uma estação telegráfica, uma agência dos correios e um posto pluviométrico."

Fonte: TWORKOWSKI, Irene & RAKOWSKI, Zeno. Dom Feliciano. Dom Feliciano/RS: edição independente, 1985, pág. 12-14.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

A Política Gaúcha no Segundo Reinado


"Assinalei que, entre o fim da Revolução Farroupilha (1845) e o final da Guerra do Paraguai (1870), a história do Rio Grande do Sul manteve o seu caráter predominantemente militar, só que coincidindo, dessa vez, com a história militar do Brasil. Ou seja: foi sobretudo a história da participação rio-grandense, vinculada à participação do Império brasileiro, nos conflitos platinos.

Em boa medida, porém, já a partir de 1860 o militarismo dividiu espaço com o jogo político; e durante esse jogo sobressaíram, novamente, as peculiaridades regionais.

Nos quinze anos imediatos à Revolução, houve uma espécie de prostação política, em parte porque as hostilidades ainda estavam muito vivas, na memória de todos os rio-grandenses; em parte porque a discussão pública podia trazer de volta, à memória dos brasileiros, a identificação da Província com republicanismo e separatismo, o que era prudente evitar; em parte porque a Guerra de Oribe e Rosas impusera ao Rio Grande do Sul novos sacrifícios humanos e novas dificuldades de ordem econômica - e, diante da necessidade de recuperação, o confronto político só poderia resultar, de fato, em graves prejuízos. (Inclusive no âmbito, digamos, intelectual, há um exemplo dessa restrição: Domingos José de Almeida, considerado 'o cérebro' da Revolução Farroupilha, nesse período chegou a anunciar, na imprensa, que publicaria uma história da Revolução, mas logo desistiu do empreendimento, atendendo a sugestões de amigos).

Predominou, por tudo isso, até findar a década de 1850, o espírito de conciliação, de acomodação, de concórdia. Para unir liberais e conservadores (em substituição ao Partido Conservador e ao Partido Liberal) surgiu a chamada Liga, em 1852, logo após o conflito no Prata; em seguida - e no mesmo ano - a Contra-Liga, origem do Partido Liberal Progressista, mas que de fato apenas uniu os dissidentes da Liga, sem a marca de uma definição ideológica, conservadora ou liberal.

Em 1860, organizou-se o Partido Liberal Histórico, graças à iniciativa de Félix da Cunha e ao apoio de personalidades como o general Osório e o conselheiro Gaspar Martins (que seriam os dois chefes do partido após a morte de Félix da Cunha, em 1865). A essa agremiação se filiaram alguns membros do Partido Liberal Progressista, enquanto outros, que nele permaneceram, depois passaram à militância do Partido Conservador, reorganizado em 1868. Foi em 1863 que o Partido Liberal Histórico apresentou o seu programa, verdadeiramente reformista, já que incluía, entre outros princípios, a abolição da vitaliciedade do Senado, a eleição direta, o serviço militar obrigatório e a defesa do federalismo - o mais legítimo anseio da epopeia dos Farrapos.

Reorganizado o Partido Conservador, em 1868, e depois de finda a Guerra do Paraguai, em 1870, passou a ser incontestável, no Rio Grande do Sul, a supremacia do Partido Liberal Histórico - agora simplesmente Partido Liberal. Seu grande reduto eleitoral, desde a fundação, era o 2o. distrito, composto por quase todos os municípios da região sul da Província, além de Cruz Alta e Passo Fundo. No 1o. distrito, quase todo composto por municípios da região norte, a maioria dos deputados que se elegiam (provinciais e gerais) eram 'progressistas' e, agora, conservadores. (Gaspar Martins, num discurso de 1866, acusava os progressistas de caluniarem 'vergonhosamente aos representantes do 2o. distrito: a uns dizem que temos a pretensão de mudar a capital da Província para Pelotas, a outros declaram que vamos empregar todos os rendimentos da Província no 2o. distrito; ao governo finalmente dizem que neste tempo de guerra nacional, vamos suscitar questões odiosas e incitar à rebelião').

Passaram a vigorar, então, as peculiaridades regionais: enquanto que nas outras províncias revezavam-se, nas assembleias, maiorias conservadoras e liberais - a exemplo da Câmara dos Deputados, a exemplo de todos os gabinetes do Segundo Reinado -, no Rio Grande do Sul as maiorias eram sempre liberais; e se acaso o presidente da Província fosse do Partido Conservador (uma vez que era nomeado pelo governo geral), teria que enfrentar a forte oposição da bancada liberal na Assembleia rio-grandense.

Mas, embora se mantivesse majoritário, no legislativo, até o final do Império, o Partido Liberal enfrentou uma cisão, que é importante mencionar, a partir de fevereiro de 1879. Nesse momento os seus dois líderes, Manuel Luís Osório e Gaspar Silveira Martins, eram ministros do Império, no gabinete Sinimbu (de 5 de janeiro), ocupando respectivamente as pastas da Guerra e da Fazenda. Discutia-se, na Câmara, a reforma eleitoral, quando Gaspar Martins manifestou-se publicamente pela extensão dos direitos políticos aos estrangeiros e acatólicos - com a intenção (parcial, é claro) de ampliar, no Rio Grande do Sul, a aceitação dos liberais no 1o. distrito, que, como vimos, era composto pelos municípios da região norte da Província, por sua vez habitada por um grande número de acatólicos (os protestantes alemães) e de estrangeiros (os recém-chegados imigrantes italianos), até então sem direito de voto.

Osório, acompanhando a maioria dos ministérios, declarou-se contrário a essa medida, mas apenas temporariamente, considerando que o governo recém enfrentara a chamada Questão Religiosa e não era oportuno inaugurar, agora, uma nova frente de combate coma Igreja Católica.

Silveira Martins renunciou ao ministério e passou a insultar, publicamente, o general Osório. O herói da Guerra do Paraguai em nenhum momento se defendeu, confidenciando aos amigos que, para isso, 'seria obrigado a condenar o Martins, a quem sempre considerei como filho e a quem dei posição'; ou então argumentando: ' - Eu, que levei toda a vida a dizer que o Martins era um semideus, como irei agora dizer que ele é um diabo?'.

Osório, desgostoso com o rumo dos acontecimentos, morreu em 4 de outubro de 1879, aos 71 anos de idade. Foi defendido brilhantemente, oito meses depois, pelo filho primogênito, deputado geral Fernando Luís Osório, na sessão de 11 de junho de 1880 da Câmara dos Deputados.

Nessa ocasião já havia surgido a chamada Dissidência Liberal, liderada por Fernando Osório e pelo médico Luiz da Silva Flores Filho. No âmbito nacional, essa facção teve um êxito imediato, conseguindo a substituição do presidente da Província, Felisberto Pereira da Silva, gasparista, por Carlos Thompson Flores, osorista.

Mas a reforma eleitoral, incorporando a ideia de Gaspar Martins, seria aprovada, através da lei Saraiva, em 1881 - num momento em que já estavam superados os conflitos com a Igreja. Igualmente superados, então, os motivos que haviam gerado a dissidência liberal, ela acabou perdendo força, restabelecendo-se, em quase toda a sua plenitude, no Rio Grande do Sul, a liderança de Gaspar Martins.

Só mais adiante, no decorrer da República, esse episódio de 1879, como bomba de efeito retardado, vai produzir a sua grande consequência: o alinhamento político permanente de importantes municípios da metade sul - como Pelotas e Jaguarão - com o Partido Republicano Rio-Grandense, de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, e não com o Partido Federalista, de Gaspar Martins, ou a Aliança Libertadora, de Joaquim Francisco de Assis Brasil. Não com os maragatos ou os libertadores, como se poderia esperar de quase todas as cidades do 2o. distrito: com os pica-paus e, depois, com os chimangos.

(...)

Em julho de 1889, Gaspar foi nomeado presidente da Província; quatro meses depois, dirigia-se à Corte quando foi surpreendido, na cidade de Desterro (atual Florianópolis), com a notícia da proclamação da República. Em seguida, com a notícia, ainda mais surpreendente, do seu próprio desterro, do seu próprio desterro: era o único brasileiro que o governo republicano mandava para o exílio, à exceção óbvia da Família Imperial e do Visconde de Ouro Preto, primeiro-ministro do último gabinete.

Por quê? Simplesmente porque era inimigo pessoal - fidagal, como se dizia - do marechal Deodoro da Fonseca, que no dia 15 de novembro de 1889 resolvera se erguer do seu leito de enfermo; tropeçando nas orientações de monarquistas e republicanos, havia derrubado o Império."

Fonte: MAGALHÃES, Mario Osorio. História do Rio Grande do Sul (1626-1930). Pelotas/RS: Armazém Literário, 2002, pág. 68-73.


domingo, 16 de junho de 2019

Projeto História Viva "1a. Roda de Conversa" sobre os movimentos de emancipação do Capão do Leão


Neste sábado, 15 de Junho, durante a tarde, o Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão promoveu em sua sede social, à Avenida Narciso Silva, no centro do município, o evento "História Viva - 1a. Roda de Conversa" que teve como temática principal os movimentos de emancipação de 1963 e 1981-1982. Contando com a presença de cerca de 40 pessoas, o evento reuniu diversas personalidades que participaram da Emancipação de 1982 e relembrou os fatos relacionados à malograda tentativa de emancipação de 1963. A roda de conversa contou com a coordenação do jornalista e também emancipacionista Gérson Baldassari e o evento foi aberto pelo presidente do IHGCL, Jairo Costa, que cumprimentou a todos e destacou a importância do projeto. Estavam também presentes a vice-prefeita Gilciane Baldassari, o vereador Glei Rodales, o ex-vereador Francisco Adilson Reus Henrique, o ex-secretário de Agricultura Gilnei Vasconcelos, a ex-primeira dama Neythes Madruga, viúva do primeiro prefeito leonense Elberto Madruga, professores, políticos, membros da comunidades, entre outros. Muito produtivo e interessante! O evento foi gravado em áudio e vídeo e deverá estar disponível nos próximos dias no YouTube.
















Sobrenomes Japoneses - Parte 07 - Sobrenomes Ainus


Os ainus ou ainos são um grupo indígena étnico do Japão. Estão distribuídos nas regiões setentrionais de Hokkaido e Tohoku, no Japão, e nas Ilhas Curilas, Sacalina e Península de Kamchatka, na Federação Russa.

1. Anchikar - noite.

2. Kamui - deus.

3. Morueran, Muroran - pequeno declive.

4. Naiporo - ponte sobre o rio.

5. Nitai - floresta.

6. Nupurpet - rio lamacento.

7. Nupuri - montanha.

8. Petkotan - vila do rio.

9. Ponkotan - cidade pequena.

10. Rusut - final da estrada.

11. Satporopet, Sapporo - rio grande e seco.

12. Shikot - grande vale.

13. Toya - costa da lagoa.

14. Upash - neve.

Sobrenomes Japoneses - Parte 06 - sobrenomes de Okinawa


Okinawa é a prefeitura mais meridional do Japão, englobando 169 ilhas, desde Kyushu até Taiwan. Um detalhe especial é que, em boa parte destas ilhas, o japonês não é o idioma predominante, porém as línguas okinawana e kunigami - aliás, embora aparentadas, com muitas diferenças para o japonês.

1. Agaribaru - campo oriental.

2. Agarie - baía oriental.

3. Agarihama - praia oriental.

4. Agarijo, Agarijou - portão oriental.

5. Agarikawa - rio oriental.

6. Agarinaka - relacionamento com o Oriente.

7. Ahane - início das ondas.

8. Aiba - parte do jardim.

9. Amano - campo celestial.

10. Amase - corredeiras chuvosas.

11. Ameku - céu eterno.

12. Amuro - sala da paz.

13. Aragushiku - castelo da paz e da bondade.

14. Aragusuku - castelo verdadeiro.

15. Arakachi - cerca nova.

16. Azuma - leste.

17. Erabu - seleção.

18. Fija - alegria igual.

19. Fukubaru - campo da boa fortuna.

20. Gahara - campo pessoal.

21. Ganiku - aquele que é como o ancião, o antigo, o antepassado.

22. Geruma - a celebração permanece.

23. Gibu - força cerimonial.

24. Guiku - proteção receptora.

25. Gushi - ferramentas para conseguir o que deseja.

26. Gushiki - fabricante de ferramentas.

27. Gushikuma, Gusukuma - entre os castelos.

28. Hae - vento do sul.

29. Haebaru - campo ventoso do sul.

30. Hanagushiku - castelo das ondas.

31. Hanagusuku - castelo da flor.

32. Higaonna - distribuidor de favores que vem do Leste.

33. Hisagai - eterno marisco.

34. Ikegushiku, Ikegusuku - castelo do lado de fora.

35. Kanagushiku, Kanagusuku - castelo dourado.

36. Munan - próxima centena.

37. Naagushiku, Naagusuku - castelo imperial.

38. Shimabuku - ilha bolsa, atol (?).

39. Tamagushiku, Tamagusuku - joiás (?), castelo.

40. Teera - agradável planície.

41. Ufugushiku, Ufugusuku - grande castelo.

42. Wiibaru - acima das planícies.
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