sábado, 20 de outubro de 2018

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 85 - Topônimos alemães na Polônia


Muitos sobrenomes de origem alemã são toponímicos (isto é, indicam a procedência de um lugar) que estão vinculados à área do antigo Império Alemão (1871-1919). Pois bem, o Império Alemão ou II Reich (de acordo com a historiografia germânica) abarcava territórios que hoje correspondem a vários países da Europa Central e Oriental (além da própria República Federal da Alemanha, hodiernamente), dentre eles a Polônia. Este fato é  importante, pois tanto a Pomerânia, quanto a Prússia Oriental (também um bom pedaço da Prússia Ocidental) - duas importantes províncias do Reich - estavam majoritariamente, em termos territoriais, na terra polonesa da atualidade. Segue uma lista de antigos nomes alemães para lugares na época do Império Alemão e seus correspondentes atuais na Polônia.

2101. Gaylowken (entre 1938 e 1945 Gailau), condado de Lyck, Prússia Oriental - Gajlówka, localidade no município de Wydminy, Vármia-Masúria.
2102. Gaynen, condado de Sensburg, Prússia Oriental - Gajne, localidade no município rural de Piecki, Vármia-Masúria.
2103. Gdingen (entre 1939 e 1945 Gotenhafen), Prússia Ocidental - Gdynia, cidade portuária na Pomerânia.
2104. Gebersdorf, condado de Greifenberg, Pomerânia - Sosnowo, aldeia no município de Banie, Pomerânia Ocidental.
2105. Gedde, condado de Greifenberg, Pomerânia - Goscimierz, assentamento no município de Karnice, Pomerânia Ocidental.
2106. Gedwangen, condado de Neidenburg, Prússia Oriental - Jedwabno, vila e município na Vármia-Masúria.
2107. Gehlweiden, condado de Goldap, Prússia Oriental - Galwiecie, aldeia no município de Goldap, Vármia-Masúria.
2108. Gehsen, condado de Johannisburg, Prússia Oriental - Jeze, aldeia no município de Pisz, Vármia-Masúria.
2109. Geiglitz, condado de Regenwalde, Pomerânia - Iglice, vila rural no município de Resko, Pomerânia Ocidental.
2110. Geilenfelde, condado de Friedeberg, Brandemburgo - Gilów (local incerto).
2111. Gelguhnen, comunidade de Reussen, condado de Allenstein, Prússia Oriental - Jelgun, assentamento florestal e aldeia extinta desde 1930 que estava localizada no município de Stawiguda, Vármia-Masúria.
2112. Gellen ou Göllen, condado de Königsberg/Neumark, Brandemburgo - Jelenin, município na Pomerânia Ocidental.
2113. Gellenau, condado de Glatz, Baixa Silésia - Jeleniów, comunidade no município de Lewin Klodzki, Baixa Silésia.
2114. Gembalken, condado de Angerburg, Prússia Oriental - Gebalka, localidade no município de Pozezdrze, Vármia-Masúria.
2115. Gembalken, condado de Lötzen, Prússia Oriental - Gebalki, comunidade no município rural de Wydminy, Vármia-Masúria.
2116. Gennin, condado de Landsberg, Brandemburgo - Jenin, vila no município de Bogdaniec, voivodia da Lubúsquia.
2117. Gentken, condado de Johannisburg, Prússia Oriental - Gietkie, aldeia no município de Biala Piska, Vármia-Masúria.
2118. Georgenau, condado de Angerburg, Prússia Oriental - Jerzykowo, localidade no município de Wegorzewo, Vármia-Masúria.
2119. Georgenberg (Alta Silésia) - Miasteczko Slaskie, cidade na Silésia.
2120. Georgendorf, condado de Goldberg, Baixa Silésia - Jurczyce, aldeia no município de Swierzawa, Baixa Silésia.
2121. Georgenthal, condado de Sensburg, Prússia - Urwitalt, comunidade no município de Mikolajki, Vármia-Masúria.
2122. Georgenwerk, condado de Oppeln, Alta Silésia - Bukowo, vila no município de Murów, voivodia de Opole.
2123. Geppersdorf, condado de Falkenberg, Alta Silésia - Rzedziwojowice, aldeia no município de Niemodlin, voivodia de Opole.
2124. Geppersdorf, condado de Leobschütz, Alta Silésia - Lenarcice, aldeia no município de Glubczyce, voivodia de Opole.
2125. Gerbin, condado de Schlawe, Pomerânia - Garbno, vila no município de Polanów, Pomerânia Ocidental.
2126. Gerdshagen, condado de Regenwalde, Pomerânia - Gardno, vila no município de Wegorzyno, Pomerânia Ocidental.
2127. Gerehlischken (entre 1938 e 1945 Gerwalde), condado de Goldap, Prússia Oriental - Gieraliszki, localidade no município de Goldap, Vármia-Masúria.
2128. Gerhardshöhe, condado de Lauenburg, Pomerânia - Karwica, aldeia no município de Cewice, Pomerânia.
2129. Gersdorf, condado de Dramburg, Pomerânia - Gawroniec, vila no município de Polczyn-Zdrój, Pomerânia Ocidental.
2130. Gervin, condado de Kolberg-Körlin, Pomerânia - Gorawino, vila no município de Ryman, Pomerânia Ocidental.
2131. Gerzlow, condado de Soldin, Brandemburgo - Jaroslawsko, vila rural no município de Pelczyce, Pomerânia Ocidental.
2132. Gesorke (entre 1938 e 1945 Kleinwasser), condado de Stolp, Pomerânia - Jeziorka, aldeia no município de Damnica, Pomerânia.
2133. Geyersdorf, condado de Fraustadt, Baixa Silésia - Debowa Leka, vila no município de Wschowa, voivodia da Lubúsquia.
2134. Gienow, condado de Regenwalde, Pomerânia - Gawina (local indeterminado).
2135. Gieraltowitz (entre 1936 e 1945 Gerolsdorf), condado de Cosel, Alta Silésia - Gieraltowice, cidadela no município de Reinschdorf, voivodia de Opole.
2136. Giersdorf, condado de Grottkau, Silésia - Galazczyce, vila no município de Grodków, voivodia de Opole.
2137. Giesen, condado de Dramburg, Brandemburgo/Pomerânia - Gizyno, vila rural no município de Kalisz Pomorski, Pomerânia Ocidental.
2138. Giesen, condado de Landsberg, Brandemburgo - Jeze, aldeia no município de Bogdaniec, voivodia da Lubúsquia.
2139. Giesen, condado de Lyck, Prússia Oriental - Gize, aldeia no município de Elk, Vármia-Masúria.
2140. Giesen, condado de Oletzko/Treuburg, Prússia Oriental - Gize, aldeia no município de Swietajno, Vármia-Masúria.
2141. Giesenbrügge, condado de Soldin, Brandemburgo - Gizyn, aldeia no município de Nowogródek Pomorski, Pomerânia Ocidental.
2142. Giesenthal, condado de Pyritz, Pomerânia - Gizyn, aldeia no município de Pyrzyce, Pomerânia Ocidental.
2143. Giesewen (entre 1938 e 1945 Giesenau), condado de Sensburg, Prússia Oriental - Gizewo, aldeia no município de Sorkwity, Vármia-Masúria.
2144. Gieskow, condado de Cammin, Pomerânia - Gizkowo, aldeia no município de Kamien Pomorski, Pomerânia Ocidental.
2145. Gieskow, condado de Köslin, Pomerânia - Giezkowo, aldeia no município de Swieszyno, Pomerânia Ocidental.
2146. Giesmannsdorf, condado de Jauer, Silésia - Gostków, aldeia no município de Stare Bogaczowice, Baixa Silésia.
2147. Giesmannsdorf-Friedenthal (entre 1939 e 1945 Grossgiesmannsdorf), condado de Neisse, Silésia - Góswinowice, aldeia no município de Nysa, voivodia de Opole.
2148. Giessmanndorf, condado de Sprottau, Silésia - Gosciszowice, aldeia extinta que existiu no território da cidade de Przemków, Baixa Silésia.
2149. Giessmannsdorf, condado de Bunzlau, Silésia - Gosciszów, aldeia no município de Nowogrodziec, Baixa Silésia.
2150. Giessmannsdorf, condado de Görlitz, Silésia - Nadrzecze, parte da aldeia e assentamento de Ininka, no município de Goleniów, Pomerânia Ocidental.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Visconde de Cairu


"Nome por que ficou conhecido na História do Brasil José da Silva Lisboa, jurisconsulto, economista e político (1756-1835). Formado em Direito e Filosofia pela Universidade de Coimbra, posteriormente ali lecionou Hebraico e Grego. Retornando ao Brasil ocupou na Bahia a cátedra de Filosofia Moral, e, depois, a de Grego. Introdutor do Liberalismo Econômico no Brasil, publicou em Lisboa a primeira obra escrita em português sobre Economia Política: Princípios de Direito Mercantil (1801). Em 1808 acompanhou a Família Real quando da transferência desta para o Brasil e acompanhou o príncipe-regente (depois D. João VI) na viagem para o Rio de Janeiro: por sua influência D. João assinou a Carta Régia de 28-01-1808, pela qual decretava a abertura dos portos brasileiros às nações amigas. Integrante da Constituinte de 1823, em 1826 foi escolhido pelo imperador para representar a Bahia no primeiro senado do Império."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.



quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A Imigração Basca no Uruguay


"A imigração basca para o Uruguai teve o seu início no século XVIII, e foi no seu período colonial (1724-1811) que este país recebeu os primeiros imigrantes bascos que ali chegaram em função de ordens reais. Foi neste período que se deu a chegada do 'Viscaíno' Bruno Maurício de Zabala, governador do Rio da Prata que em 1726 fundaria Montevidéo.

A partir de 1825, inicia-se o período basco-francês, que teve seu apogeu entre os anos de 1830 e 1842. Segundo um censo realizado pelo chefe de polícia de Montevidéo, André Lamas, entre 1835 e 1842 a capital uruguaia contava com a presença de 17.000 franceses, a maioria bascos.

Entre os anos de 1842 e 1876 se deu o período basco-espanhol, que vai coincidir com as guerras carlistas na Espanha. Estes bascos-espanhóis imigraram para o Uruguai fugindo da miséria e do serviço militar obrigatório.

Entre os anos de 1836 e 1839, temos o período que os autores Martha M. Rossi e Juan C. Luruziaga classificaram como 'La emigración forçada'. Em função da guerra civil espanhola, centenas de bascos abandonaram a Espanha por motivos políticos e econômicos: 'asumieron el exílio como una protesta y a la vez como la iniciación de la lucha desde afuera para recuperar los derechos perdidos'.

O Uruguai recebeu um maior contingente de imigrantes bascos no decorrer do século XIX, este é pois, o motivo de expormos mais detalhadamente as causas que motivaram a imigração neste século.

Ao apontarmos os fatores que motivaram essa imigração numa perspectiva mais ampla, podemos mencionar a situação sócio-econômica da Europa, provocada pela revolução industrial, que mobilizou milhares de pessoas que saíram do continente em busca de melhores condições de vida.

Durante o século XIX foi comum entre alguns países americanos o favorecimento da chegada de imigrantes europeus. Com este objetivo, alguns países americanos elaboraram legislações que favoreciam a imigração, e foram enviados à Europa agentes, muitas vezes pagos pelos governos, com a finalidade de conseguir povoadores europeus que preenchessem os enormes vazios humanos dos novos estados americanos.

Segundo José M. Azcona Pastor 'se perseguia un unico pero importante fin com a llegada de imigrantes: 'la modernización económica. Legisladores, governantes, escritores y ensayistas buscaban europeos'. A imigração era sinônimo de colonização e progresso, tanto para a Argentina como para o Uruguay."

Fonte: SILVA, Marianela Tafernaberry da. Bascos no Uruguay: considerações sobre imigração e identidade. Monografia, Licenciatura Plena em História, Instituto de Ciências Humanas/UFPel, 1995, pág. 10-12.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Imigração Russa no Rio Grande do Sul


"Campina das Missões é um município na Região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul e que faz parte da microrregião da Grande Santa Rosa, distante quinhentos e quarenta quilômetros de Porto Alegre e aproximadamente trinta quilômetros do Rio Uruguai, divisa com a Província de Misiones - Argentina. Possui duzentos e vinte e sete vírgula nove quilômetros quadrados de área, com a população atual em torno de sete mil e quinhentos habitantes. É uma região de agricultura minifundiária. Tem na atividade agropecuária a base da economia, com predominância no binômio trigo e soja, além de milho, feijão e um significativo incremento à diversificação de culturas de subsistência e hortifrutigranjeiros. Na pecuária destaca-se a criação de suínos e gado leiteiro. De acordo com o Censo de 1997 do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - a produção leiteira gira em torno de trinta mil, trezentos e cinquenta litros por dia.

Devido a estrutura física e topográfica, a colônia situada entre os rios Comandaí e Tumurupará (Pessegueiro) foi denominada inicialmente de Campo Pequeno (Palianka), por ter na época uma clareira, um lugar de vegetação rasteira, que mais tarde originou o nome de Campina e onde foram construídas as primeiras casas (dachas). Mais tarde foi acrescida a expressão 'das Missões', pelo fato de inicialmente pertencer à Colônia Guarani, quinto distrito de Santo Ângelo, capital das Missões Jesuíticas. Em 1920, Campina foi elevada ao nono distrito de Santa Rosa, sendo que em 09 de outubro de 1963, foi criado o município de Campina das Missões, pelo decreto do então Governador Ildo Meneghetti, abrigando a maior colônia russa do Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente cerca de vinte por cento da população do município é de imigrantes ou descendentes de russos, razão pela qual daremos maior ênfase, por ser o maior núcleo do Estado a exemplo de Guarani das Missões que possui a maior colônia polonesa do Rio Grande do Sul.

(...)

A chegada dos imigrantes russos ao Brasil e ao Rio Grande do Sul se deu em três etapas distintas:

A primeira, no início do século, foi denominada 'febre brasileira', quando imigraram lavradores. Experientes cultivadores de trigo, centeio, cevada, girassol e outras culturas, foram os primeiros a implantar a diversificação para subsistência da propriedade e a cultivar hortifrutigranjeiros. Outro fator que influenciou foi o clima mais quente e a grande quantidade de terras disponíveis. Segundo dados do IBGE cerca de dezenove mil quinhentos e vinte e cinco russos entraram legalmente no Estado até 1912.

A segunda, ocorreu por razões políticas, ocasionada pela grande revolução russa (bolchevique) de 1917. Desta leva, a maioria voltou-se para atividades industriais, empresariais, de especialidades técnicas e no exercício de profissões liberais, principalmente nas áreas de medicina, engenharia, agronomia, artes, educação e pesquisa. Se instalaram, na grande maioria, em São Paulo.

A última, se constituiu no maior movimento migratório russo. Após a Segunda Guerra Mundial, aconteceu o êxodo dos refugiados de guerra, quando algumas regiões ficaram sob o domínio de outros países.

A predominância era de imigrantes do meio urbano e de militares com as famílias. É difícil precisar o número exato de imigrantes que para cá vieram, pois ao chegarem foram registrados como austríacos, alemães ou poloneses, de acordo com os passaportes fornecidos pelos governos de ocupação de suas regiões de origem, gerando até alterações de nomes e sobrenomes como adiante abordaremos."

Fonte: ZABOLOTSKY, Jacinto Anatólio. A imigração russa no Rio Grande do Sul: Os Longos Caminhos da Esperança. Coli Gráfica e Editora Ltda., 2000, pág. 13; 15-16.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

O início de uma colônia alemã


"O processo de construção dos ranchos aconteceu em paralelo com o desenvolvimento das atividades agrícolas. Logo que possível, os agricultores tratavam de adquirir uma vaca para o fornecimento do leite, uma junta de bois para arar a terra, algumas galinhas e assim por diante. Isto implicava na demarcação de um potreiro para pastagem do gado e na construção de abrigos para os animais, especialmente para garantir sua segurança. Como, por tradição herdada de sua terra de origem, os colonos alemães criavam uma variedade bastante grande de animais, é claro que pretendiam reproduzir no Brasil o seu modo de vida tradicional. Na medida em que iam ampliando as terras para cultivo, deixavam as terras mais exploradas para a plantação do pasto, fixando um local específico para os animais, ao contrário da Alemanha, onde anualmente mudavam de local. Por outro lado, junto à casa iam surgindo construções menos requintadas, que serviam de abrigo dos animais e ao pleno desenvolvimento das atividades agrícolas, como o abrigo das carroças e apetrechos da agricultura, à guarda dos cereais e produtos agrícolas. Vagarosamente, por influência dos nativos ou dos que já estavam há mais tempo aqui, os imigrantes foram aprendendo a lidar com as culturas tropicais como o milho, a mandioca (e a produção da farinha e do polvilho), os diversos tipos de batata e a cana de açúcar que aprenderam a transformar em melado (Muss), açúcar mascavo, rapadura e até mesmo em cachaça. Para tanto, acabaram por adotar a moenda e o panelão para cozinhar o caldo. Isto, obviamente, implicava na construção de novas edificações ou telheiros dentre os quais uma das mais importantes era o forno de pão.

Normalmente construía-se um prédio para cada função, resultando daí um número relativamente grande de edificações que eram ordenadas em torno de um pátio que os alemães chamavam de Hof, palavra que também significava o conjunto de todas as edificações da propriedade e, até mesmo, a propriedade como um todo. Por vezes, algumas funções podiam ser associadas sob um mesmo teto como o abrigo para a carroça, o depósito de milho e o estábulo ou o chiqueiro. Nestes casos, a estrutura mais frequente é a do Hallenhaus dos saxões, com um espaço central aberto para os veículos, um lado para a baia dos animais e o outro para depósito da colheita.

Numa sociedade onde a carência material era a condição comum, não é de imaginar que todos se empenhassem ao mesmo tempo em construir todas estas benfeitorias. Construções que exigiam uma certa sofisticação como a moenda, eram eventualmente construídas em parceria e utilizadas comunitariamente. Através de compromissos de ajuda mútua, serviços e instalações devem ter sido utilizados sob forma de empréstimos eventuais ou temporários. 

Desta forma, cada sítio colonial foi crescendo e tomando formas mais complexas. Dentre as diversas construções, uma das últimas era a moradia definitiva."

Fonte: WEIMER, Günter. Arquitetura enxaimel em Santa Catarina. Porto Alegre/RS: L&PM Editores, 1994, pág. 50-52.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Os primórdios da colonização italiana no Rio Grande do Sul


"Ao chegarem à colônia, durante um ou pouco anos, as famílias ficavam instaladas na sede, em um grande barracão de mais ou menos 20 ou 30 metros quadrados. As primeiras instalações foram cobertas com madeiras rachadas, palhas, ramagens e samambaias. A estrutura da construção e da cobertura era erguida com troncos de coqueiros ou xaxim. Tramas de taquara ou cipó, com ou sem barro, formavam as taipas das paredes.

A permanência nesse local deveria ser curta para dar lugar a outros imigrantes. Entretanto, as dificuldades, que iam do acesso à necessidade de demarcação dos lotes, levaram os colonos a permanecerem meses mal-acomodados, mal-alimentados e mal-assistidos nesses barracões. Os recém-chegados emprestavam sua força de trabalho para a dura tarefa de abrir e construir os caminhos que os levariam ao tão sonhado pedaço de terra. Esse trabalho era remunerado.

Ao chegar ao lote rural, abriam clareiras, cortavam madeiras e retiravam pedras de basalto nas zonas mais altas e pedras de arenito, mais raras que as primeiras, nas áreas mais baixas, para poder plantar as roças de milho e trigo. Enquanto esperavam o tempo de colher, com os materiais retirados, iniciavam provisoriamente a construção de suas vivendas.

O acesso a um ponto de abastecimento de água foi um condicionante decisivo na escolha e organização do lote colonial. Os lavradores não aceitavam assentar-se quando não existisse água na propriedade. Se, por um lado, os agrimensores do governo não adequaram o traçado reticulado à topografia acidentada do planalto rio-grandense, a necessidade de água nos lotes rompeu com a trama concebida por esses técnicos. Mesmo assim, alguns lotes estavam desprovidos de água. O Código de Posturas Municipais de Caxias e região, de 1893, obrigava o proprietário do lote rural em que havia fonte natural a consentir que seu vizinho em cujas terras não existisse água potável dela se servisse.

O preço dos terrenos variava conforme a qualidade do precioso líquido. Os colonos valorizavam mais os regatos que as fontes. Quanto a estas, apreciavam as que nasciam em terrenos de cristal de rocha. Usualmente, entre as pedras, abriam nichos dos mais diversos tamanhos para armazenar a água, que se mantinha em temperaturas agradáveis para o consumo humano.

Em último caso, na ausência das fontes, os poços abasteciam-nos de água potável. Com grandes dificuldades, cavavam até encontrar o veio. Levantavam uma alvenaria de pedras ou tijolos, aproximadamente um metro acima do chão, e a fechavam com um tampo de madeira, com um abertura no centro. Em algumas propriedades, utilizaram canalizações de taquara, fazendo até mesmo a condução da água através de toscas canaletas de madeira. Em outros lotes, onde as moradias estavam acima das fontes, costumavam amarrar cordas e, mais tarde, fios de arame para descer os baldes até a água.

Com a topografia acidentada e uma média de 25 hectares, o lote rural foi quase sempre ocupado da mesma maneira. Diferentemente do que acontecia nas casas dos povoados na península itálica, onde, comumente todas as funções estavam reunidas em um só prédio, no Rio Grande, nas construções coloniais italianas, cada atividade quase correspondia a sua própria edificação.

No lugar de mais fácil acesso - a circulação perto da estrada, distante uns 200 m dos seus vizinhos lindeiros - , levantavam no mínimo três edificações, correspondentes à casa, à cozinha e ao galpão.

Mais afastado da casa e da cozinha, construíam o galpão de utilidade variada, depósito de implementos agrícolas, pequena oficina e abrigo dos animais.

O restante do lote, dependendo de suas peculiaridades, era organizado com áreas de plantio, horta, pomar, chiqueiro e uma parte de reserva de mato nativo. Inicialmente produzidos para o consumo doméstico, os vinhos, em seguida, tornaram-se um dos principais produtos de comercialização. Daí o aumento dos parreirais, que passaram a ocupar muitos dos hectares de diversas propriedades.

A horta cercada, ficava, perto de casa. As sempre presentes árvores frutíferas podiam estar definidas em uma área, ou espalhadas pela propriedade.

As demais culturas situavam-se na zona posterior do terreno. As benfeitorias existentes no lote diziam respeito aos espaços destinados aos animais, como galinheiros, chiqueiros e potreiros; construídos com muros de pedras irregulares, inicialmente eram limitados por arbustos de espinhos e galhos entrelaçados.

As propriedades podiam contar com coelheiras, pombais, apiários, pesqueiros, oficinas, alambiques, saleiros - cochos para sal dos animais, que, às vezes recebiam coberturas de duas águas - e variados depósitos, para armazenar cereais, lenhas e forragens. Colocados nos mais diversos lugares, a propriedade podia contar com o rebolo, para afiar as ferramentas de corte; a moenda, para fabricar o açúcar mascavo, e, por influência luso-brasileira, o monjolo, para quebrar o milho."

Fonte: GUTIERREZ, Ester. Arquitetura e assentamento ítalo-gaúchos 1875-1914. Passo Fundo: UPF, 2000, pág. 43-47.

domingo, 14 de outubro de 2018

Os Índios do Rio Grande do Sul na época colonial


"Neste estudo apresentam-se as classificações e localizações dos indígenas do Estado do Rio Grande do Sul. No início da colonização, conforme historiadores, apresentavam-se os grupos Guenoas (assim nomeados pelos jesuítas) e Minuanos (portugueses e espanhóis) como dois grupos separados.

Classificação do PADRE CARLOS TESCHAUER (1918) apud RAMIREZ (1976, p. 326):

CARIJÓ - Radicada no litoral norte e se estendendo até a Lagoa dos Patos;

CÁAGUA - Abrangendo a população pré-colombiana das matas interioranas;

CAINGANGUE - Situada no chamado Planalto Campestre e no Nordeste;

GUANANÁ ou IBIRAJARA - Ocupando a Província de Ibiaçá;

TAPE - Bacia do Taquari e do Jacuí;

GUARANI - Entre os rios Uruguai, Ijuí e Ibicuí;

ARACHANE - Margem esquerda do Rio Jacuí e estuário do Guaíba;

MINUANO - Lagoa Mirim, no sul do Estado;

GUENOA - Ao sul do Rio Ibicuí;

CHARRUA - Sudoeste e sul do Estado e República Oriental do Uruguai.

O grupo indígena Coroados é também conhecido como Caingangue e atualmente denominado de Kaingang.

O mapa etnográfico de Carlos Teschauer (2002, p. 216) apresenta o Grupo Charrua de maneira equivocada no entorno da Lagoa Mirim, não sendo respaldado pelas informações históricas. Os Charruas habitavam originalmente a região dos rios Paraná e Uruguai, na proximidade do Rio da Prata.

Classificação de AURÉLIO PORTO, apud RAMIREZ (1976, p. 326):

PROVÍNCIA D IBIAÇÁ - Ao norte e nordeste do Estado, são exemplares étnicos representativos os Caaguaras, os Caamoguaras e os Ibianguaras.

PROVÍNCIA DO TAPE - Ao oeste e centro do estado, constituída por esse grupo guaranítico.

PROVÍNCIA DO URUGUAI - Ao oeste e sul do Estado, abrangendo os ramos dos Mbaya, ou Guaicuru do Sul, da formulação de Rodolfo Schüller, Jaró, Mboane, Guenoa, Charrua e Minuano."

Fonte: PEREIRA, Claudio Corrêa. Minuanos/Guenoas: os cerritos da bacia da Lagoa Mirim e as origens de uma nação pampiana. Porto Alegre: Fundação Cultural Gaúcha - MTG, 2008, pág. 100-101.


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