Neste sábado, 09 de Dezembro, a partir das 16 horas, na Casa de Cultura Jornalista Hipólito José da Costa, na Praça João Gomes, centro de Capão do Leão, ocorrerá o terceiro colóquio do projeto "Canteiro Cultural" do Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão. Na ocasião, o evento tratará sobre a "Pedreira do Estado", a cargo do geógrafo Jairo Umberto Pereira Costa. A entrada é franca!
História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
domingo, 3 de dezembro de 2017
João Baptista Gomes
"Fallecimentos - Falleceu, na estação do Capão do Leão, o sr. João Baptista Gomes, conceituado e velho funcionário da V.F. do Estado do Rio Grande do Sul.
Falece aos 47 annos e deixa viuva e 11 filhos menores.
A sua morte foi grandemente sentida."
Fonte: A FEDERAÇÃO, 02 de abril de 1935, p. 4, c.4
Obs.: João Baptista Gomes nomeia a principal praça do município de Capão do Leão - tradicional ponto de encontros e eventos da comunidade.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
A procedência dos imigrantes italianos do Rio Grande do Sul
"Com a unificação política da Itália, em 1870, consumava-se a última esperança de um povo que, depois de inúmeras e prolongadas lutas, viu malogrados os seus anseios. A reformulação processara-se apenas no âmbito político-administrativo. No tocante à economia interna e à estruturação social, os esquemas permaneceram idênticos aos que vigoravam antes da unificação.
As regiões montanhosas do norte da Itália muito pouco ofereciam ao trabalho de seus habitantes. As terras mais fecundas eram propriedade de latifundiários.
Realizados os primeiros contatos oficiais que estabeleciam entre Itália e Brasil uma política de emigração-imigração, não hesitaram os pobres agricultores de áridas terras - e, quando assim não fosse, servidores de uma minoria abastada - em deixar o país de origem na busca de uma nova pátria, onde transplantariam o seu mundo, a sua força, realizando, assim, a sua reabilitação humana e social. Vinham de longe e iniciavam aqui a trajetória dos heróis anônimos.
Oriundos de Províncias diversas, portadores de iguais princípios, alimentavam-se da mesma fé ante a perspectiva de um novo horizonte.
Corria o anto de 1875, quando a Região Nordeste do Rio Grande do Sul recebeu o primeiro contingente de imigrantes vindos de Milão e de Bérgamo. Eram poucos, então, os recém-chegados; mas, ainda nesse ano e em outros subsequentes, a Itália viu partir das Regiões do Vêneto, da Lombardia, do Friuli-Venécia Júlia, Trentino-Alto, Adige, Piemonte, Emília-Romanha, Toscana, Ligúria, Campânia (Nápoles), Calábria e Sicília, grande número de emigrantes que aqui ocuparam, de modo particular, áreas da Região Nordeste, Litorânea e Depressão Central do Rio Grande do Sul.
Essas correntes emigratórias prolongaram-se até nossos dias, embora o maior fluxo se tenha registrado nos últimos decênios do século passado e primeiros deste (nota nossa: século XX).
No que se refere à proveniência dos imigrantes, o problema pode ser abordado dentro de duas perspectivas:
1o.) Tomando-se em conta a divisão político-administrativa do norte da Itália, fins do século XIX, e considerando-se as regiões limítrofes da Itália com o Império Austro-Húngaro, regiões estas que refletiam as consequências das guerras da unificação e se encontravam em situação de instabilidade e insegurança político-econômica, pode-se estabelecer a seguinte origem para os imigrantes:
a) territórios do ex-Reino da Lombardia, hoje constituindo a Região da Lombardia;
b) antigos domínios da República de Veneza, hoje representados pelas Regiões do Vêneto, Friuli-Venécia Júlia e Trentino-Alto Adige (esta última ainda sob o domínio austríaco na época dos grandes movimentos emigratórios para o Brasil);
c) áreas limítrofes às Regiões anteriores, de modo especial, Províncias das Regiões do Piemonte, Emília-Romanha, Toscana e Ligúria.
2o.) Considerando-se, por outro lado, a delimitação areal do fenômeno emigratório no norte da Itália, somente sob o aspecto geográfico, determinam-se dois pólos de relevância:
a) o Vêneto, centro polarizador do maior fluxo emigratório com destino ao Rio Grande do Sul, tendo, sob sua área de influência, carreado elemento humano do Friuli-Venécia Júlia, do Trentino-Alto Adige e do norte da Emília-Romanha;
b) a Lombardia que, com suas correntes emigratórias, influenciou áreas limítrofes do Piemonte, Ligúria, noroeste da Emília-Romanha e, através das duas últimas, a área norte da Toscana.
Após a Primeira Guerra Mundial e, de modo marcante, nos anos subsequentes à Segunda, assistiu-se a um novo fluxo de emigração no sul da Itália: Campânia (Nápoles), Calábria e Sicília. Esses imigrantes, porém, estabeleceram-se nos centros urbanos do Rio Grande do Sul.
Retomando o problema emigratório do norte da Itália para o Rio Grande do Sul, nos fins do século XIX e inícios do século XX, pode-se, segundo critério geográfico, estabelecer ara os imigrantes os índices quantitativos, conforme as Províncias de origem.
Do Vêneto provieram - em maior número - imigrantes das Províncias montanhosas ou em parte montanhosas (Vicenza, Beluno e Treviso), seguindo-se as demais: Pádua, Verona, Veneza e Rovigo.
Em números percentuais aproximativos, o elemento humano vêneto que povoou partes do Rio Grande do Sul pode ser representado como segue: vicentinos, 32%; beluneses, 30%; trevisanos, 24%; paduanos, 8%; veroneses, 4%; venezianos, 1,5%; rovigotos, 0,5%.
Da Lombardia, as Províncias de montanha fizeram-se presentes só em parte (Bérgamo e Bréscia); as da planície do rio Pó contribuíram com o maior contingente (Cremona, Mântua e Milão), excetuando-se Pavia.
Para a Região Lombarda, os índices de emigração para o Rio Grande do Sul são representados na seguinte ordem: cremoneses, 30%; bergamascos, 27%; mantuanos, 20%; milaneses, 14%; brescianos, 6%; outras Províncias (Pavia, Como, Varese e Sôndrio), 3%.
Os imigrantes vindos do Trentino-Alto Adige (Tirol), e aqui chegados com passaporte austríaco, eram, em sua maioria, da Província de Trento (98%); os demais - 2% - vieram da Província de Bolzano.
Trieste e Gorízia - do Friuli-Venécia Júlia - contribuíram com índice relativamente baixo (4,5%) sobre o total dos emigrantes da Região que se estabeleceram no Rio Grande do Sul, os restantes 95,5% eram friulanos.
Considerando a imigração italiana em todo o Rio Grande do Sul, verifica-se uma incidência de vêneto-lombardos, complementados por um número não insignificante, de trentinos e friulanos. Através de um levantamento dos emigrantes em âmbito regional, uma percentagem aproximada fornece o seguinte quadro de proveniência: vênetos, 54%; lombardos, 33%; trentinos, 7%; friulanos, 4,5%. Os demais - piemonteses, toscanos, emiliano-romanheses e lígures - representam 1,5% do total.
Hoje, decorrido um século a contar os primeiros italianos vindos ao nordeste do Rio Grande do Sul, verifica-se que se encontram os seus descendentes representados em todo o território do Estado, não mais em comunidades isoladas, mas integrados no processo histórico da vida e desenvolvimento da nova pátria."
Fonte: FROSA, Vitalina & MIORANZA, Ciro. Proveniência. In: EDEL LTDA. Centenário da Imigração Italiana/Centenario Della Imigrazione Italiana. Porto Alegre/RS: Edel Ltda., 1975, p. 34-35.
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Frigorífico Extremo Sul
"No dia 28 de julho de 1975, fundava-se em Pelotas mais uma empresa comercial, com significativo peso na economia de Pelotas.
Com o passar dos anos, com uma orientação empresarial das mais modernas e agressivas em termos de marketing, era natural que ela crescesse e fosse abocanhando fatias significativas do mercado.
Estamos falando do Frigorífico Extremo Sul, que sob orientação de seu fundador e presidente Sr. Lauro Ribeiro, assessorado pelos seus diretores Dr. Érico da Silva Ribeiro, Alencar de Mello Proença e Agostinho Elbio da Silveira souberam dinamizar a empresa a tal ponto que na edição da Revista Visão de 1979 figurou entre as maiores empresas do Brasil recebendo inclusive um diploma por ocupar destacada posição.
O Frigorífico Extremo Sul é uma empresa genuinamente gaúcha e uma das pioneiras na pesquisa, produção e lançamento de carne texturizada.
Com um número de funcionários de 370 e abates diários de 450 animais, testemunha-se o porte e sua contribuição para a economia da região.
Atualmente o frigorífico exporta carne congelada para países como França, Holanda, Suíça, Alemanha, Itália, Inglaterra, Beirute, Hong Kong, Jordânia, Espanha, Afeganistão e muitos outros.
Como se vê, o Frigorífico Extremo Sul é de importância vital para a economia de Pelotas, do estado e do Brasil."
Fonte: ETURPEL. Enfoke: guia turístico de Pelotas. Pelotas/RS: Eturpel/Editora Aimará, 1980, p. 39.
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Barão do Jarau
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| Charqueada do Barão de Jarau |
Por Fernando Osório
"JOAQUIM JOSÉ DE ASSUMPÇÃO - Pelotense, filho do Comendador Joaquim José de Assumpção e D. Maria Augusta de Assumpção. Dotado de um espírito ativo, inteligentíssimo, laborioso e honrado.
Possuindo a maior fortuna do Rio Grande do Sul, deixou seu nome ligado a todos os estabelecimentos pios, notadamente à Santa Casa de Misericórdia, cuja capela se construiu em sua provedoria, e às mais prósperas emprêsas de melhoramentos de sua terra, tornando-se assim um benemérito e como tal querido e respeitado. Foi o primeiro presidente da Associação Comercial de Pelotas, instalada a 7 de setembro de 1873, cargo em que se conservou durante alguns anos; presidente da Companhia de Gás, da Companhia de Seguros Pelotense, etc.
Principiou sua carreira, ainda muito moço, como industrial; e a charqueada modêlo que fundou em Pelotas, deu-lhe os fundamentos da fortuna que legou a seus filhos, Dr. Joaquim Augusto de Assumpção e D. Ernestina de Assumpção Osorio, viúva do Dr. Fernando Luis Osorio.
No Império militou nas fileiras do Partido Conservador e, proclamada a República, bastante patriota e retirado embora da atividade política, teve sempre as maiores simpatias para o Govêrno do Rio Grande e para o novo regime. Cavalheiro de esmerada educação e de caráter elevado, conquistou o respeito da sociedade pelotense. 'O País', do Rio de Janeiro, registrando o seu sentido falecimento, recordou que o Barão de Jarau foi o banqueiro do Govêrno da ex-Província do Rio Grande, e mais tarde, após a República, teve ocasião de prestar muitos bons serviços ao Estado. Era um extremo modesto e honrado, qualidades que o recomendavam à estima e respeito de todos. Finou-se a 12 de abril de 1898 na idade de 68 anos legando avultada soma aos pobres e ao seu entêrro concorreu grande parte da população de Pelotas."
terça-feira, 28 de novembro de 2017
Barão de Itapitocahy
Por Fernando Osório
"Dr. Miguel Rodrigues Barcellos - O povo de Pelotas deu a esse benemérito conterrâneo o nome de Pai dos Pobres. Filho do Comendador Boaventura Rodrigues Barcellos e de D. Silvana Eulalia de Azevedo Barcellos, nasceu em 1827.
Em 1848 formou-se em Medicina na Faculdade do Rio de Janeiro, vindo em seguida para a cidade de Pelotas, onde sempre viveu. Aqui exerceu o cargo de médico da Santa Casa de Misericórdia, desde a fundação desse pio estabelecimento até a sua morte. O que foi o Dr. Miguel Barcellos como médico é difícil dizer: de um desprendimento e de uma caridade fora do comum, atendendo com igual solicitude ao rico e ao pobre, tornou-se em pouco tempo querido de todos.
Membro de uma família que ocupou saliente papel na política da Província, o Dr. Barcellos envolveu-se também nas lutas partidárias, sendo, pelo seu grande prestígio e extraordinária popularidade, uma das maiores influências do Partido Conservador, que por vezes lhe confiou cargos de eleição.
Os lutuosos acontecimentos de 6 de agosto de 1878, em Pelotas, por ocasião de se proceder a uma eleição, produziram a maior excitação de ânimos, sendo o Dr. Barcellos, como chefe do Partido Conservador, acusado pelos seus adversários de mandante do atentado. Preso e submetido a processo, foi despronunciado por falta de provas. A sua volta do paço da Câmara Municipal, onde estivera detido, para a sua casa foi uma verdadeira marcha triunfal, havendo a cidade de Pelotas raras vezes assistido tão imponente e entusiástica manifestação.
Foi depois nomeado Vice-Presidente da Província, cargo que exerceu de 20 de setembro de 1885 a 8 de maio de 1886. O governo imperial galardoou os seus serviços, dando-lhe o título de Barão de Itapitocahy, por decreto de 17 de setembro de 1888. Era Cavaleiro da Águia Vermelha, da Alemanha; da Coroa, da Itália; Comendador da Ordem de Cristo e da de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, de Portugal. Possuía diversas medalhas e um sem número de diplomas de sociedades de caridade, abolicionistas e outras.
Faleceu em 13 de fevereiro de 1896. Pelotas perpetuou-lhe a fama, no bronze de uma herma, inaugurada à Praça da República, em 24 de maio de 1914, produzindo, nesse ato, entre aclamações do povo, eloquente oração um orador de raça, o eminente médico pelotense Dr. Balbino Mascarenhas."
domingo, 26 de novembro de 2017
Histórias Curiosas LXI
Cidadezinha gaúcha no Vale do Rio Pardo, muito tranquila, pouco menos de 10 mil habitantes, foi o cenário de um curiosa história que chegou até nós por meio de um colaborador do blog. Aliás, um acontecido que prova a velha máxima de que "quem vê cara, não vê coração". Ou quem sabe,um registro do infeliz estado de coisas no País, em que a segurança pública provoca um sentimento de temor e desconfiança cada vez mais presente na população. Vamos ao relato.
Logo pela manhã, na rua principal da cidade, estaciona um carro preto e desce do veículo um sujeito com barba grisalha, um pouco gordo, calçando jeans e vestindo camisa de botão. Completamente desconhecido na cidade, o homem se dirige a um bar ali perto e pede a informação de uma rua. Muitos clientes do comércio olham o sujeito de alto a baixo, tentando compreender quem era e o que fazia, afinal era um estranho na comunidade. Logo depois que o sujeito saiu com a informação, alguns que ali estavam trocam palavras entre si, salientando a atitude aparentemente suspeita do forasteiro. Perguntam-se, ainda, se o sujeito estava de passagem ou procurava algo. O vendeiro apenas informa que o homem de barba grisalha indagou como chegar a uma rua que ficava a três quarteirões dali, o que foi lhe informado sem problema.
Mais adiante, numa pequena agência do Sicredi, o homem de barba grisalha é visto novamente dirigindo-se a um dos caixas eletrônicos do banco. Uma pequena fila de aposentados que estava li também nota o desconhecido, mas não toma nenhum julgamento prévio, apenas uma natural curiosidade. Mais gente percebe os movimentos do sujeito pela cidade. Uns comentam com os outros e logo o tal homem já é o assunto principal das rodas de conversa.
Já é meio-dia e na rádio comunitária local, momento em que costumeiramente vai ar um programa de variedades com noticiário, o locutor aborda a presença do desconhecido na cidade, sem ser direto, mas lembrando das recentes ocasiões de assaltos a banco na região e nas cidades do Rio Grande do Sul. O locutor ainda apimenta os boatos dramaticamente, indagando no programa onde andava a Brigada Militar que pouco se via nas ruas do município. O fato é que a tal rádio era a principal fonte de informação da cidadezinha. Muitos ouviram sobre o assunto e não deram importância, mas tantos outros ficaram desconfiados e saíram a replicá-lo. Rapidamente, a história sobre o forasteiro se multiplica. No início da tarde, a diretora da principal escola pública da cidade já considera seriamente liberar as crianças mais cedo das aulas, temendo o tal homem. Mães em pânico já ouvem conversas mais afoitas que afirmam que o sujeito é pedófilo ou estuprador. Dois vereadores da cidade procuram o prefeito e pedem providências. Na igrejinha do lugar, o clube de senhoras interrompe os trabalhos filantrópicos e são "resgatadas" pelos maridos apressadamente. Mais boataria. A tarde se esvai.
Cinco horas da tarde e uma comissão de políticos e moradores vai até o acanhado posto da Brigada Militar pedindo averiguações e providências. Os relatos são comoventes. Alguns ainda acrescentam que o tal homem se parece com um bandido que participava de assaltos a banco na região. Como? Nem eles mesmos sabiam dizer, mas que assim afirmavam, afirmavam com veemência.
Dois brigadianos saem em busca do sujeito na única viatura do posto. Após muitas perguntas, descobrem que o homem estava morando há poucos dias numa ruazinha sem saída, próximo a um dos limites da cidade. Chegam no local e o mistério é resolvido.
O homem tinha se mudado realmente há poucos dias para a cidade. Estava finalizando a adaptação ao novo local, com coisas ainda a resolver e com a família ainda por chegar. Tudo muito claro e límpido, inclusive com sua identidade confirmada pelos brigadianos. Não passava tudo de uma grande confusão.
A propósito, o tal homem tinha vindo para a cidade em razão do trabalho, por isso não era conhecido de ninguém. Ah... uma última coisa: era o novo delegado da Polícia Civil do município!
Já é meio-dia e na rádio comunitária local, momento em que costumeiramente vai ar um programa de variedades com noticiário, o locutor aborda a presença do desconhecido na cidade, sem ser direto, mas lembrando das recentes ocasiões de assaltos a banco na região e nas cidades do Rio Grande do Sul. O locutor ainda apimenta os boatos dramaticamente, indagando no programa onde andava a Brigada Militar que pouco se via nas ruas do município. O fato é que a tal rádio era a principal fonte de informação da cidadezinha. Muitos ouviram sobre o assunto e não deram importância, mas tantos outros ficaram desconfiados e saíram a replicá-lo. Rapidamente, a história sobre o forasteiro se multiplica. No início da tarde, a diretora da principal escola pública da cidade já considera seriamente liberar as crianças mais cedo das aulas, temendo o tal homem. Mães em pânico já ouvem conversas mais afoitas que afirmam que o sujeito é pedófilo ou estuprador. Dois vereadores da cidade procuram o prefeito e pedem providências. Na igrejinha do lugar, o clube de senhoras interrompe os trabalhos filantrópicos e são "resgatadas" pelos maridos apressadamente. Mais boataria. A tarde se esvai.
Cinco horas da tarde e uma comissão de políticos e moradores vai até o acanhado posto da Brigada Militar pedindo averiguações e providências. Os relatos são comoventes. Alguns ainda acrescentam que o tal homem se parece com um bandido que participava de assaltos a banco na região. Como? Nem eles mesmos sabiam dizer, mas que assim afirmavam, afirmavam com veemência.
Dois brigadianos saem em busca do sujeito na única viatura do posto. Após muitas perguntas, descobrem que o homem estava morando há poucos dias numa ruazinha sem saída, próximo a um dos limites da cidade. Chegam no local e o mistério é resolvido.
O homem tinha se mudado realmente há poucos dias para a cidade. Estava finalizando a adaptação ao novo local, com coisas ainda a resolver e com a família ainda por chegar. Tudo muito claro e límpido, inclusive com sua identidade confirmada pelos brigadianos. Não passava tudo de uma grande confusão.
A propósito, o tal homem tinha vindo para a cidade em razão do trabalho, por isso não era conhecido de ninguém. Ah... uma última coisa: era o novo delegado da Polícia Civil do município!
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