terça-feira, 31 de outubro de 2017

Charque à moda de Canguçu


Charque à moda de Canguçu

Ingredientes

600 gramas de mandioca cozida
1 gema
100 ml de creme de leite
2 colheres (sopa) de manteiga
1 pitada de sal
1,5 kg de charque
2 folhas de louro
2 colheres (sopa) de páprica
1 cebola grande picada
1 pimentão verde
2 dentes de alho
1 colher (sopa) de coentro picado
2 colheres (sopa) de salsinha picada
100 gramas de bacon

Modo de preparar

Corte o charque em pedaços e retire o sal. Cozinhe, na pressão, por 40 minutos. Desfie. Doure o bacon picadinho em um pouco de azeite e acrescente a cebola, o alho e o pimentão. Salpique com a páprica. Refogue em fogo baixo e acrescente o charque desfiado. Tempere com 2 cubos de caldo de carne, as folhas de louro e o coentro. Prepare o purê de mandioca, acrescentando os ingredientes restantes. Leve ao fogo, por 2 minutos, misturando bem. Arrume o purê em uma travessa e distribua a carne sobre ele. Sirva com fatias de banana.

Fonte: SILVA, Édson. Das charqueadas aos fogões: culinária à base de charque. Pelotas/RS: Ed. Universitária UFPel, 2009, p. 38-39.



domingo, 29 de outubro de 2017

Canteiro Cultural do IHGCL - Colóquio de Novembro de 2017


No próximo dia 11 de Novembro, sábado, a partir das 16 horas, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão, Avenida Narciso Silva 2131, centro do município, ocorrerá o segundo colóquio do projeto "Canteiro Cultural" da instituição. Na ocasião, o evento estará sendo conduzido pelo professor Carlos Eugênio Costa da Silva que tratará sobre o tema "Ciclo Literário Leonense". A entrada é franca!



sexta-feira, 27 de outubro de 2017

João Chaves Campello


Por Fernando Osório

"Pelotense de coração, esse querido e abnegado médico, liberal militante e ardoroso, nasceu a 12 de março de 1838, no município de Herval, vindo para a nossa cidade com a idade de 5 anos. Aos 24 formou-se, após brilhante curso, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Regressando a Pelotas, casou-se aqui com a Exma. Sra. D. Maria Crespo Campello. 

Em 1870 seguiu para Paris onde cursou a Escola de Medicina e frequentou diversos hospitais, especializando-se em cirurgia geral. Voltando a Pelotas, filiou-se ao Partido Liberal, conquistando a chefia do mesmo. Como médico, acompanhou o Gal. Osório, ferido, ao Rio de Janeiro.

Foi durante três quatriênios presidente da Câmara, sendo o iniciador do calçamento da cidade, em meio a grande oposição. Foi deputado provincial e, em 1878, eleito Vice-Presidente da Província, assumiu a 10 de fevereiro de 1878 a Presidência do Rio Grande do Sul. Nesse caráter, doou à Biblioteca Pública (da qual foi aclamado Sócio Benemérito) e Câmara Municipal os terrenos em que atualmente estão situadas. 

Figurou na chapa de senadores do Império e na de deputados gerais. Por muitos anos desempenhou a função de venerável da Maçonaria. Foi o 1o. presidente da 'Escola Elyseu Maciel', em Pelotas. Como presidente do 'Asilo de Órfãs' contratou para o mesmo as beneméritas Irmãs de Caridade que, ainda hoje, são as abelhas da caridade nesse estabelecimento.

Faleceu no Rio de Janeiro a 21 de abril de 1894, quando se preparava para entrar em concurso, na seção de cirurgia geral da Faculdade de Medicina. Era membro titular do Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro (1o. de outubro de 1861) e membro correspondente da Societé de Médecine-Pratique de Paris (20 de maio, 1870)."

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A população brasileira no século XIX


Fonte: ABREU, Marcelo de Paiva & LAGO, Luiz Aranha Correa do. A economia brasileira no Império, 1822-1889. Rio de Janeiro: Depto. de Economia/PUC-Rio, 2001, p. 2-

"Na independência, em 1822, o Brasil tinha provavelmente uma população entre 4,5 e 4,8 milhões e cerca de um terço era escrava (...). Em 1850, a população brasileira era de cerca de 7,5 milhões, com os escravos respondendo ainda por cerca de 30% do total (...). O censo de 1872 revelaria 10,1 milhões de habitantes, com a população escrava excedendo 1,5 milhão. O recenseamento de 1890 situou a população brasileira em 14,3 milhões. Três anos antes, em 1886/87, às vésperas da abolição da escravidão, ainda existiam pouco mais de 700 mil escravos.

Informações reconhecidamente deficientes, referentes a 1819, mostram o Nordeste como a região mais populosa, com cerca de 47% da população total, seguida da região cafeeira ou sudeste com cerca de 40%. O Sul teria pouco mais de 5%, o Norte talvez 4% e o Centro-Oeste 3%. Em 1872, dados censitários mostram o Nordeste com os quase mesmos 46,6%, as quatro províncias cafeeiras e a 'Corte' com 40,7%, o Sul com 7,3% e o Norte e o Centro-Oeste com respectivamente 3,3% e 2,2% da população total. Em 1890, consolidou-se a perda relativa do Nordeste para 41,9%, participação já excedida pela da região cafeeira com 42,6%. Destacou-se no período o salto da população do Sul para 10%, enquanto as participações do Norte e do Centro-Oeste se mantiveram praticamente inalteradas.

Enquanto por volta da independência o número de escravos era aproximadamente o mesmo no Nordeste e na região cafeeira, o total de escravos nesta última já era 75% mais elevado do que no Nordeste em 1872, e cerca de 133% mais elevado em 1886-87. Os dados da matrícula de escravos, 'atualizados' de forma muitas vezes precária para 1886-87, mostram ainda no Nordeste cerca de 28,4% do total, enquanto a região cafeeira somava 65,6% e o Sul 2,4%.

Em 1821, um levantamento estatístico detalhado revelou população total de 112.695 habitantes na 'Corte', ou seja, na cidade do Rio de Janeiro. Salvador possivelmente tinha cerca de 70 mil habitantes e Recife de 25 a 30 mil. De acordo com o censo de 1872 apenas três cidades tinham mais de 100 mil habitantes. o Rio continuava sendo o maior centro urbano com 275 mil habitantes. Salvador era ainda a segunda maior cidade, com 129 mil habitantes, seguida de Recife com 117 mil. A percentagem de analfabetos era de 84,3% ao Brasil como um todo. Em 1890, a cidade do Rio de Janeiro tinha 523 mil habitantes, Salvador, 174 mil, e Recife, 112 mil. São Paulo surgia como a quarta maior cidade do país com 65 mil habitantes. O índice de analfabetismo do país como um todo permanecia em torno de 85%."



sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Castelo da Madorna


"Era uma vez um casal que não tinha filhos e muito os desejava ter. Foi uma grande alegria quando a mulher disse que esperava criança. O pai preparou enxoval e nasceram dois meninos bonitos e robustos que eram de encantar. Nesse mesmo dia, na estribaria, a égua teve dois poldrinhos, uma cachorra dois cachorrinhos, e brotaram dois pés de laranja no jardim. Os meninos eram gêmeos e tinham a mesma cara. Cresceram juntos e amigos inseparáveis. Cada um possuía um cavalo, um cão e uma laranjeira.

Já rapazes, pediram ao pai que lhes desse licença de correr mundo para tentar a fortuna. O velho os deixou partir e os dois moços seguiram jornada. Andaram algum tempo juntos e numa encruzilhada separaram-se. O mais velho foi parar a uma cidade onde uma serpente comia todos os dias uma moça. Naquela ocasião a própria filha do rei fôra sorteada e seguira numa carruagem até perto das grutas onde vivia a serpente. O rapaz correu até lá e encontrou a moça de chorar. Vendo o rapaz pediu-lhe que se fôsse embora para não ser devorado pela serpente.

- Nada disso, menina - respondeu o moço - vim para matar a serpente e não arredo pé antes de fazer o que desejo. Tome estas três laranjas e esprema o sumo nesta malga. Quando a serpente estiver caída para um lado e eu para o outro, dê-me de beber, e solte êste cão que deixo amarrado aqui.

A serpente apareceu e dirigiu-se ao rapaz que a enfrentou, dando-lhe com a espada; o cavalo espalhava coices. O cão gania de impaciência, querendo lutar também, mas estava amarrado. Lutaram imenso e a serpente caiu para um lado e o cavaleiro para o outro. A princesa foi para êle com a malga com o sumo das três laranjas e êle bebeu. Depois a moça libertou o cão que precipitou-se para a serpente, mordendo-a valentemente. O rapaz tornou a cavalgar sua sela e acabou de matar a serpente. Pôs a princesa na garupa e voltou à cidade, sendo recebido com festas explêndidas. Casou com a moça e viveu muito feliz.

Uma tarde estava êle na varanda do palácio quando avistou ao longe a tôrre de um castelo vervelho. - Que castelo é aquêle que se avista?

A mulher respondeu:
- É o Castelo da Madorna,
Quem vai lá, não torna!...

- Pois eu vou e voltarei! - disse o rapaz. 

No outro dia despediu-se da mulher e foi galopando para o Castelo da Madorna. Só lá chegou dias depois. Era um castelo alto e forte e parecia sem vivalma. O rapaz gritou, o cavalo relinchou, o cão ladrou e apareceu uma velha muito velhinha e trôpega, arrimada a um bordão. Mandou que entrasse, deixando o cavalo e o cão amarrados pela banda de fora.

- Não tenho com que amarrar os animais.

- Amarre-os com esses dois fios do meu cabelo - disse a velha puxando-os da cabeça. O rapaz, admirado, amarrou-os com os fios de cabelo, e entrou para o pátio onde a velha lhe serviu uma boa refeição. Depois perguntou se êle tinha força e se queria apostar uma bôlsa de ouro como seria jogado ao chão por ela. O rapaz riu muito e aceitou a aposta. Vieram-se às mãos e logo o moço conheceu que a velha era encantada, tendo mais fôrça que dez homens novos. Vendo que ia sucumbir, gritou pelo cavalo:
- Acode, meu cavalão!

- Engrossa, meu cabelão - resmungou a velha, e o fio de cabelo se tornou numa grossa corrente de ferro, subjugando o cavalo que ficou a atirar coices para todos os lados. Lá para depois, grita o rapaz, já sendo vencido:
- Acode, meu cachorrão!

- Engrossa, meu cabelão! - grunhiu a velha, e o cão ficou preso a uma corrente de ferro. O rapaz ficou vencido e a velha, carregou-o ao ombro, sacudindo-o dentro de um alçapão, roubando-lhe quanto levava.

O irmão, que estava noutro reino, teve um pressentimento e veio para o reinado onde o mais velho casara, embora sem saber do que se passara. Chegou e procurou o palácio, vendo que os soldados o cumprimentavam e os criados o foram conduzindo até a princesa, que o recebeu com abraços e beijos de alegria. O rapaz logo pensou que o tomavam pelo irmão e que estava no rumo de saber seu destino. Ceou e foi dormir com a princesa, tirando a espada e pondo-a nua entre ambos, como se fôsse por promessa. A princesa perguntou que modos eram aquêles, mas o rapaz disse ser um compromisso que tomara por três dias.

Na outra tarde, na varanda, vendo as tôrres vervelhas do castelo, perguntou o rapaz quem lá morava.
- É o Castelo da Madorna,
Quem vai lá, não torna!...
... já não to disse da outra vez?
Não foste lá? Que viste no castelo?

O moço deu uma resposta vaga e assentou seguir viagem para encontrar o irmão que lá devia estar. E foi, com sua espada, o cavalo e o cão.

A velha recebeu-o e fez o mesmo pedido. O moço desconfiou de um cabelo segurar um cavalo robusto e um grande cão. Em vez de amarrar os animais, meteu o cabelo pela coleira do cão e pela rédea do cavalo, fingindo dar nós. Ceou bem e a velha convidou-o para uma luta. Logo que o rapaz conheceu tratar-se de uma feiticeira, gritou ao cavalo:
- Acode, meu cavalão!

- Engrossa, meu cabelão! gritou a velha; mas a corrente que se formou no fio de cabelo não estava presa a parte alguma e veio ao chão. O cavalo partiu correndo e largou uma chuva de coices na velha que resistia.
- Acode, meu cachorrão!

- Engrossa, meu cabelão! - berrou a feiticeira. O cão veio aos saltos e ferrou a bruxa na garganta, e os três juntos a mataram. Quando ela deu o último suspiro, ouviu-se uma vendaval furioso, abrindo as portas e janelas do castelo, e saíram homens e mulheres sem fim, livres da prisão em que viviam. Entre êles vinha o irmão do rapaz que muito o abraçou. E o mais velho quis saber de como o outro soubera de seu paradeiro. O moço contou tudo, dizendo que a princesa o havia tomado por seu marido. Ouvindo essas palavras, o irmão puxou pela espada e atirou um golpe ao irmão, julgando-o traidor de sua honra. Mas os dois cães e os dois cavalos se puseram entre êles, separando-os. O mais moço contou como passara a noite. O outro, arrependido, pediu perdão e voltaram para a cidade onde viveram juntos, mandando buscar os velhos pais, na mais completa ventura."

Fonte: CASCUDO, Luís da Câmara. Os melhores contos populares de Portugal. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1979, p. 89-93.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Georges Karivalis


Fonte: DE LEÓN, Zênia. Guardiões da Memória - Crônicas das Relíquias Históricas. Pelotas/RS: Signus Comunicação, 2008, p. 174-179.

"Mas fui buscar esta história. Uma história de muita coragem e de muito empenho pela sobrevivência. Foi uma neta do grego Georges Karivalis quem me contou que ele veio da Grécia como fugitivo político. Engenheiro, de natureza corajosa, embrenhou-se no sul do Brasil ainda jovem, indo trabalhar no Capão do Leão. Veio residir em Pelotas achando de atuar como embarcadiço, quer dizer, marinheiro no transporte de cargas, em barcos menores, de rios e canais de que Pelotas é tão rica desse manancial.

Era pelos arroios que o transporte se fazia preferido e por esta razão se instalaram bem ali as fábricas Leal Santos, Ceval e Naoli, (conservas e óleo) cujas ruínas assustam pela grandiosidade do que foram no passado, com seus paredões semi-destruídos, altos como se quisessem morrer em pé como as árvores morrem, mas que sucumbem sucateados pelos oportunistas que subtraem tijolos e moirões. Os arcos das aberturas se foram logo do fechamento das indústrias.

Aqui o Grego casou com dona Emma Verneesheimer, uma alemã voluntariosa que pegava firme no trabalho junto ao marido. De tanto ver os juncais das ribeiras e, sabendo de seu aproveitamento para a construção de telhados e para enrestiar cebolas, decidiu-se a entrar no negócio. Para o aproveitamento era necessário amassar o junco, que se fazia em bancadas a golpes de engenhocas rústicas de madeira. Foi então que lembrou o trabalho no Capão do Leão no lidar com a pedra. E veio a ideia de fazer um amassilho, um socador de junco para aquele vegetal agreste que melhor aproveitamento teria se amassado. Da engenharia estudada na Grécia vieram-lhes ideias, cálculos e modelos. Desenhou, traçou o maquinário matematicamente num caderno - pedra e grossos caibros de madeira, hastes de ferro e cravos, embraçadeiras, roldanas... fazia parte do projeto que pôs logo em prática mandando vir de caminhões as pedras já recortadas.

A produção prosperou. Comprou um barco, aumentou o galpão, contratou empregados. Dona Emma trabalhando junto. Vizinhança e parentes passaram a empregados. Havia união e trabalho. Chegavam embarcações abarrotadas de junco, vinham caminhões e carroças com cargas altas do material que deveria passar pelo amassilho.

Aos domingos a família recebia visitas e o amassilho servia de cenário para as fotos. 

(...)

A fábrica de conservas Ceval, em pleno apogeu, erguia-se no início da rua Barão de Santa Tecla, nas cabeceiras da bela ponte do Ramal que foi inconsequentemente demolida depois do aterramento do arroio Santa Bárbara. O trem passava sobre a ponte e zorras passavam por baixo, beirando o arroio, a serviço das fábricas próximas. Movimento intenso de barcos no arroio também fazia vida na região que sucumbiu pela força da crise pela qual atravessava o país. Só quem ficou para contar esta história foi o amassilho que ainda subsiste de teimoso a contemplar as sombras de um passado senão exuberante, de tantas perspectivas, mas glorioso pela reflexão que oferece aos que pretendem ainda ter força para erguer a nossa economia.

Caminhões abarrotados de junco amassado deixavam a empresa com nova carga para um bom lucro a pagar empregados e o sustento da família do Grego. Um negócio que durou até a década de 70. Os filhos se educaram, seguiram outros rumos profissionais, os pais morreram, os negócios pararam e a cebola foi sendo vendida como por unidade ou a quilo, e ninguém mais quis saber do sovador de juncos. Ele está lá como um troféu. Alguém teve a ideia de levantá-lo sobre a base de pedra como quem ergue um tributo ao trabalho e ao desempenho numa época de primitivos costumes, mas de eternos preceitos de bem viver servindo com desprendimento, pois assim estaria cumprindo desígnios impostos aos homens. Hás trabalhar para poder viver participando da vida coletiva com teu suor e tua luta, por um mundo melhor."

domingo, 15 de outubro de 2017

Festas e tradições alemãs no Rio Grande do Sul


"A presença germânica no Rio Grande do Sul deixou traços indeléveis também nas Festas e Tradições.

Se fossemos analisar a simbiose entre as culturas portuguesa e alemã, notaríamos que a presença do elemento germânico é considerável. De uma parte, nas danças gaúchas há elemento alemão; de outra parte, no alemão falado na colônia há um grande número de palavras portuguesas germanizadas e o típico churrasco e o gostoso chimarrão estão presentes em qualquer casa alemã.

Mas quanto às tradições - o tempora! o mores! - as coisas mudaram e muitos dos encantos de nossos avoengos desapareceram definitivamente. Só as retinas mais velhas guardam as belezas do Kerb de 3 dias; do Königschiessen (Tiro ao Rei); do Kränzchen (Reunião Dançante).

Reflexos da 2a. Guerra Mundial e a vida moderna cada vez mais trepidante com a industrialização alteraram profundamente esses costumes.

Os Kerbs constituíam o maior acontecimento festivo da localidade e do ano. O fato de ser a época em que as moças ganhavam vestidos novos prova isso, pois um ou dois vestidos novos eram elementos absolutamente indispensáveis. Parentes, amigos e conhecidos, residentes em vilas ou cidades vizinhas, ou mesmo no fundo de uma picada, vinham passar dois ou três dias de festas, com destaque especial para as danças. Arroz, massa, chucrute, carne de porco, carne de rês, galinhas recheadas, saladas diversas e... cerveja faziam o prazer de milhares de pessoas.

O Tiro ao Rei era um domingo cheio de emoções. Toda a vila se reunia na Sociedade de Atiradores. Grupos de conversa, política municipal, jogos de cartas, bolão, negócios e uma reunião dançante enchiam o tempo, enquanto os atiradores demonstravam suas qualidades.

O Baile do Rei era a segunda parte desse bonito costume. O tiro é hoje pouco praticado e recebeu muitos ingredientes da vida moderna. 

O canto por sua vez, destaca-se entre as tradições alemãs e foi o início de muitas sociedades recreativas, fundadas por grupos de cantores. Ainda hoje existem tais sociedades como o Orfeu de São Leopoldo, a Aliança de Novo Hamburgo, o 5 de Maio de Taquara e outras mais.

Também a prática de ginástica (Frisch, Fromm, Froelich, Frei) fez aparecer muitas 'Sociedade Ginástica' (Turnverein) havendo ainda hoje grande número delas em todo o Estado: São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estrela, Santa Cruz do Sul, Ijuí, Porto Alegre.

Os Kränzchen são grupos de 6 a 10 senhoras ou senhoritas que se reúnem semanalmente, em rodízio, sem formalidade, para o cultivo da amizade. Fazem trabalhos manuais e não falta o café com cucas e doces.

O Bolão é conhecido em qualquer cidade de origem alemã. No interior, do fundo das picadas, os colonos vêm a cavalo uma noite por semana para a noitada do bolão. Nas cidades há muitas sociedades onde jogam dois grupos ao mesmo tempo. Os torneios são disputados com muito entusiasmo e regados a cerveja, terminando, em geral, com cantos onde se destaca 'Em Prosit der Gemütlichkeit'.

Mas uma das tradições mais caras está ligada à vida religiosa. Trata-se da Árvore de Natal e do Ninho da Páscoa.

Tão arraigada está a tradição da Árvore da Natal que ainda hoje, 150 anos depois de ter sido introduzida entre nós, é hábito, por pura tradição, colocar algodão nos seus ramos para similar a neve da terra de origem dos imigrantes, embora entre nós seja verão, com calor sufocante, onde a neve, portanto, não tem nenhum sentido."

Fonte: EDEL LTDA. Festas e Tradições. In: ____________. Sesquicentenário da Imigração Alemã/Hundertfünfzig-Jahre Deutscher Einwanderung. Porto Alegre/RS: Sociedade Editora de Publicações Especializadas Edel Ltda., 1974, p. 231-232.



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