Curiosa interpretação do viajante norte-americano sobre o nome da Laguna dos Patos, quando esteve no Rio Grande do Sul na década de 1930. Não fugiu ao senso comum de quem visita a região lagunar pela primeira vez. De certa forma, seu empirismo foi bastante lógico. A propósito, o nome da laguna (ou lagoa, em tempos idos) "dos patos" deve-se a antiga tribo homônima existente às suas margens.
História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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terça-feira, 11 de agosto de 2015
domingo, 9 de agosto de 2015
A cidade de Pelotas na visão de um norte-americano na década de 1930
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| Pelotas na década de 1930. Fonte da imagem: http://www.novomilenio.inf.br/santos/bonden36.htm |
A visão de um norte-americano que visitou a cidade de Pelotas nos anos 30, vindo de trem de Rio Grande. O interessante é que ele estabelece um paralelo entre Pelotas e Rio Grande. Logicamente, seu relato deve ser apreciado com um olhar crítico, sem ser tomado ao pé da letra, afinal era um estrangeiro que chegara a uma terra desconhecida.
Trecho extraído de: NASH, Roy. A conquista do Brasil: edição ilustrada. (trad. Moacyr N. Vasconcelos). Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1939, p. 253.
"Debruçados sobre a amurada do navio e com a visão barrada pela linha interrompida que oferecem os armazéns do Frigorífico Swift, maldizemos o rigor dos funcionários portuários; depois de uma hora em terra, porém, esquecemo-nos da demora. Rio Grande é uma cidade esquálida, pousada sobre uma planície arenosa. Lugar onde ainda existem sarjetas e fossas e onde não parece que haja o desejo de remover nem o lixo e nem a água estagnada. Duas horas são tempo escasso para vermos alguma cousa de interessante, e, por isso, tomamos o trem para Pelotas, ansiosos por deixarmos Rio Grande.
Ah! mas Pelotas é bem diferente! Tem uma população urbana de cerca de 50 mil almas possuídas do desejo de dotar a cidade de tudo quanto há de melhor e mais moderno no mundo. Aí encontram-se bondes chegadinhos de novo dos Estados Unidos e nos quais as funções do condutor e do motorneiro são combinadas de forma a forçar tanto o passageiro que entra como o que sai a passar pelos olhos de uma única "autoridade". Indaga-nos então o nosso cicerone se há cousa melhor em Nova York. Somos forçados a confessar que quando o novaiorquino sobe num elétrico, dois empregados logo lhe gritam — sem nenhuma cortesia — "suba depressa". A cidade abriga ainda um cine-palácio para mil pessoas e no Club Comercial, mobiliado pelo Maple, de Londres, vê-se pela primeira e última vez, no Brasil, essa cousa que tanto maravilha o americano: um prédio com aquecimento central. O nosso tempo é curto, mas, basta para nos convencermos de que Pelotas bem merece o título de "Rainha do Sul!"
sábado, 8 de agosto de 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Índios minuanos e charruas na região de Rio Grande no século XVIII
Destaquei o pequeno trecho do artigo por fornecer uma visão geral da presença de grupos indígenas minuanos e charruas em nossa região. Devemos lembrar que a Vila de Rio Grande no século XVIII possuía um território considerável e imenso e os deslocamentos portugueses pela região incluíam territórios que hoje incluem, além do próprio município de Rio Grande, Pelotas, Capão do Leão, Piratini, chegando até à Lagoa Mirim. O próprio Capão do Leão fazia parte do chamado distrito do Cerro Pelado da Comandância Militar de Rio Grande.
Trecho extraído de: MIRCO, Carmen Helena Braz & RODRIGUES JÚNIOR, Gonçalo. Toponímia indígena do município de Rio Grande. In: BIBLOS, Rio Grande, v.2, 1987, p. 63.
"No município do Rio Grande, através de pesquisas arqueológicas até agora realizadas se pode constatar que sua ocupação pelo homem ocorreu por volta de 500 anos antes de nossa era. Eram pequenos grupos de caçadores-coletores que ocupavam sazonalmente aterros, barrancos ou dunas próximos aos cursos d'água.
Este grupo caçador-coletor desconhecia a cerâmica e, seus vestígios (material lítico) são encontrados até aproximadamente o início de nossa era. A partir daí as pesquisas revelam o aparecimento de cerâmica entre o grupo de caçadores-coletores. Sua permanência na área é constatada até o início da colonização portuguesa na primeira metade do século XVIII.
A cerâmica deste grupo de caçadores -coletores é classificada como Tradição Vieira. Estes caçadores-coletores viviam em pequenos grupos que se deslocavam continuamente devido ao seu modo de subsistência. O seu sistema econômico desenvolvia-se em um espaço geográfico determinado, sendo a divisão do trabalho baseada no sexo, e a divisão dos recursos alimentares feita através da partilha entre os componentes do grupo. Certamente havia intercâmbio matrimonial entre os diversos bandos locais pertencentes a uma mesma unidade lingüística.
No contato com os grupos horticultores desenvolvem uma agricultura incipiente, adotando também outros traços culturais inclusive elementos da sua cerâmica.
Na época da chegada do europeu na região habitava o grupo denominado Charrua na zona de campo e Minuano nas margens das lagoas dos Patos, Mirim e Mangueira. No entanto não há dados suficientemente esclarecedores para que possamos afirmar que haja um vínculo entre os elementos arqueológicos e históricos.
Os Charruas e Minuanos eram nômades, ferrenhos adversários dos espanhóis e dos índios aldeados, tendo -se aliado aos portugueses auxiliando -os na defesa dos baluartes erigidos para proteger os núcleos recém fundados. Entre eles Rio Grande. Este auxilio aos portugueses já ocorre antes da fundação do Presídio de São Pedro, como se pode perceber na carta de Cristóvão Pereira a Gomes Freire de Andrada, de 8 de novembro de 1736, onde este comunica que já utilizava os préstimos dos índios Minuanos, porém com alguma desconfiança."




