quarta-feira, 12 de novembro de 2025

O lampião mágico

 



UM PHENOMENO CURIOSO

"O Tempo", de Faxina, publicou em sua primeira pagina, com a epigraphe supra, a seguinte carta de Itanguá, pequena estação da Sorocabana, distante uns 40 minutos de Faxina.

"Nas proximidades desta estação, onde actualmente sou o telegraphista existe um 'lampeão magico' que ha muitos annos apparece e desapparece aos transeuntes.

Em uma bella noite estrellada iamos conversando animadamente, eu e o portador, com destino a minha casa, para o habitual café, quando uma claridade, com reflexos vermelhos, se nos bateu de chofre no rosto, e deparamos então, muito visivelmente e vestido de branco, e que de quando em quando movia com o 'lampeão', ora abaixando-o ora o suspendendo.

Continuando a nossa marcha - se bem que um pouco accelerada pelo natural arrepio dos cabellos, chegamos á estação onde diversas pessoas palestravam animadamente e entre ellas o sr. Agente, e Abner de Moura, estudante na escola normal de Itapetininga.

Convidei-os então para apreciarem tambem o extraordinario phenomeno, o que de ha muito vem assustando os habitantes destas immediações.

Abner, divisando o vulto diz ao agente: - olha como elle se move; ergue agora um braço, etc.

O agente, visivilmente admirado, empunha o seu revolver, e pespega uma bala no phantasma, cujo "lampeão" se apaga então, para reapparecer á poucos passos além alguns minutos depois.

É geralmente sabido, principalmente entre os empregados da via permanente, que este 'lampeão' tem feito os trens nocturnos quasi pararem, na supposição de terem diante delles 'a ronda' do costume. Na maioria das vezes que apparece o 'lampeão magico' mostra luz vermelha, signal de parar, aos trens, que de facto diminuem a marcha.

Ao detonar a arma, o agente sentiu que se lhe adormecera o braço, e o 'lampeão magico', em represalia, nos apresentou as tres cores da lanterna: - branca, vermelha e verde.

Que digam os espiritas, que segredos são estes do espaço infinito..."

EDGARD FORTUNATO CAMARGO

ITANGUÁ, 1920.

D'O Clarim.

Fonte: A LUZ (Florianópolis/SC), ano 5, número 2, outubro de 1920.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

A sereia das Ilhas Sandwich do Sul

 



Será serio? - Um jornal americano refere que foi vista recentemente uma formosa sereia no grande oceano equinoxial.

Eis como conta o facto:

"O diario de bordo de um navio que acaba de fazer a travessia do porto Trindade, no Mexico, ás ilhas Sandwich, veio reviver a questão da existencia, ora affirmada, ora contestada pelos naturalistas, da sereia, ou peixe-mulher.

Foi nas proximidades de um ilhéo que faz parte do grupo de Sandwich, o ilhéo dos Passaros, situado sobre a parallela, que foi avistado a uma sereia pela tripolação do navio americano.

Em 31 de março deste anno, ás 8 horas da manhã, seis marinheiros, fazendo parte da tripolação do navio mencionado, tinham largado de bordo em uma canôa proando para uma bahia onde tencionavam pescar, quando viram surgir a poucos metros da sua embarcação, uma mulher com metade do corpo fóra da agua, e entregar-se a evoluções da natação, ora mergulhando, ora mostrando-se á superficie.

Imaginem os nossos leitores a sorpreza e o medo que se apoderaram dos marinheiros. Suspenderam immediatamente o movimento dos remos e esperaram mais alguma evolução da sereia, para tomarem uma deliberação. Esta, sem inculcar receio, approximou-se do escaler, e os marinheiros puderam convencer-se que tinham, effectivamente, diante de si uma mulher de formas admiraveis.

Era uma formosa sereia. O diario de bordo affirma que ella levava á palma ás mais bellas mulheres.

Fluctuavam-se sobre as espaduas cabellos azues, tinha a pelle côr de azeitona, as mãos espalmadas e por meio de gritos agudos exprimia a sorpreza de que estava possuida ao vêr estes homens.

A parte inferior do corpo correspondia pouco á conformação da parte superior. De feito, da região umbilical para baixo, o corpo desta mulher, que se entrevia por baixo da agua, tinha a fórma de uma larga cauda bifendida.

Tendo um marinheiro atirado uma laranja á sereia, esta agarrou-a com avidez, manifestou a sua alegria por meio de gritos, e levando com ambas as mãos o fructo á bocca, fez vêr uma dentadura magnifica.

O patrão do escaler mandou á sua gente que remasse em direcção á sereia, a qual, vendo-se em perigo, mergulhou a uma grande profundidade e durante alguns minutos desappareceu para surgir novamente na esteira da embarcação.

Atiraram-lhe algumas laranjas, que ella apanhou e comeu, porém desapparecia a cada movimento que a canôa fazia para della se approximar.

Regressaram a bordo do navio sem darem solução a este phenomeno, pareceu uma puerilidade aos marinheiros, e um delles instigado pelos seus camaradas, aproveitando o instante em que a distancia entre o peixe-mulher e a canôa era apenas de 10 metros, attirou-se á agua.

Porém debalde tentou o intrepido nadador approximar-se da sereia.

Esta, parecia brincar com os esforços desesperados do marinheiro, desviava-se e surgia umas vezes diante delle, outras vezes mais longe até que desappareceu definitivamente."

Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 30 de outubro de 1868

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Termos pejorativos usados para mulheres brasileiras no século XIX



AS MULHERES E OS PÁSSAROS

Mulher magra e ossuda - Saracura.

Mulher gorda e pesada - Sabacú.

Mulher baixa e cara redonda - Coruja.

Mulher morena de olhos pretos - Pomba rôla.

Mulher magra de genio forte - Sabiá.

Mulher faladeira - Canario.

Mulher acanhada - Carriça.

Mulher instruida - Papagaio.

Mulher gulosa - Sanhaço.

Mulher que diz asneira - Jandaia.

Mulher orgulhosa - Gurinhatá.

Mulher baixa e cambaia - Patury.

Mulher viuva, velha e pobre - Perúa choca.

Mulher passadeira - Andorinha.

Moça romantica e namoradeira - Beija-Flôr.

Fonte: O REPUBLICANO (Cuiabá/MT), 05 de junho de 1898

domingo, 9 de novembro de 2025

1824 - o ano diluviano no Rio Grande do Sul



Parece, de resto, que em quanto nos queixamos da falta de chuva, os habitantes do Rio Grande tem, este anno, que gemer da sua abundancia. Os estragos que tem causado na Provincia cinco mezes de chuvas continuas e para assim dizer diluvianas, são desgraçadamente consideraveis.

Fonte: O SPECTADOR BRAZILEIRO (Rio de Janeiro/RJ), 11 de agosto de 1824 

sábado, 8 de novembro de 2025

Um caso de estigma numa freira paulista

 



A estygmatização de sorôr Amalia

São Paulo, 6 (Radio A.A.)

A Gazeta de São Paulo publica uma correspondencia de Campinas, em que informa que a estygmatizada sorôr Amalia continúa a manifestar o phenomeno de estygmatização.

Na sexta-feira santa, sorôr depois de limpar o rosto viu estampada nelle a corôa de espinhos de Christo.

Facto mais importante, porém, occorreu quando o bispo diocesano pregava sôbre o mysterio da Semana Santa. Sorôr emocionada chorou lagrimas de sangue e uma lagrima que cahiu sobre o crucifixo espalhou-se e desenhou o mappa do Brasil.

Fonte: REPÚBLICA (Florianópolis/SC), 08 de maio de 1929

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

O Tarrare de Pelotas



Sobre Tarrare: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tarrare
 

Homem phenomeno

Dentro em breve deverá estréar em um dos centros de diversões desta capital o sr. Athanagildo Teixeira, que procede de Pelotas.

O Sr. Teixeira, segundo rezam os cartazes, é dotado de um estomago previlegiado, pois engole vivos, rãs, sapos, cobras e peixes. Extrahindo-se nas mesmas condições em que introduziu os referidos animaes naquelle orgão.

O "homem-phenomeno" bebe, tambem, 10 litros de agua, expellindo-a depois, colorida variadamente.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de junho de 1921

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