quarta-feira, 6 de agosto de 2025

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Sobrenome Sucupira

   



Sobrenome brasileiro associado ao movimento da Confederação do Equador no Nordeste Brasileiro, em 1824. Primeiramente documentado na Acta da Sessão Extraordinária do Grande Conselho Provincial da Confederação do Equador, de 27 de agosto de 1826. 

Fonte: SERAINE, Florival. Relação entre os fatos históricos e a onomástica no Brasil. In; Revista do Ceará, 1964. 

domingo, 3 de agosto de 2025

O Caboclo da Praia Grande



EXERCICIO ILLEGAL DA MEDICINA

(...)

Eis a grande força dos curandeiros. O que um medico, isto é, o que um individuo, que cursou uma academia e tem, ou se presume ter, certa somma de conhecimentos, não conseguiu, consiguirá o curandeiro, na opinião do povo. E corre elle pressuroso á casa do especulador que para tirar-lhe o sol da cabeça, curar-lhe a espinhela cahida vai impingindo, em troca de uns cobres, drogas e bentinhos, beberagens e benzeduras, hervas e orações. E volta o povo satisfeito e convencido de que o homem tem partes com Deus.

Não ha talvez medico em todo o Brazil que chegasse a adquirir a reputação e a celebridade do caboclo da Praia Grande.

De quasi todos os pontos do Imperio vinha gente consultal-o. Quando alguem se queixava de uma molestia pertinaz, havia logo quem dissesse: - consulte o caboclo.

Pois, como esse, milhares de caboclos existem disseminados pelo paiz, dando mais factores á mortalidade e concorrendo para o atrazo em que vivemos, causado em grande parte pela ignorancia e pelos abusões que encontram forte reducto no espirito inculto do povo.

(...)

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 01 de Agosto de 1887, pág. 01, col. 04-05


O caboclo das sete pontes - Lê-se no Diario de Noticias, da côrte:

"Raros serão aquelles que não tenham ouvido fallar no caboclo da Praia Grande.

Jesuino José Soares, chamava-se elle, sendo porém, conhecido por Hygino, o caboclo.

Nasceu em S. Gonçalo, de ventre escravo e aprendeu, em pequeno, o officio de carpinteiro.

Mais tarde trocou a officina pelo consultorio; fez-se curandeiro ou se quizerem - hervanario - pois era na flora brazileira que elle buscava medicamentos para cura de todas as molestias.

Diz a chronica que fazia curas maravilhosas. Se realmente as fazia, ou se curava doentes de imaginites, não o sabemos.

O que é facto, é que tinha grande clientella. Do interior de S. Paulo e Minas, por vezes vieram enfermos consultal-o. D'aqui, da Côrte, não fallemos...

Affirma-se que muita gente fina tambem lá foi pedir a Hygino o auxilio da sua sciencia infusa. O certo é que todos os dias lhe paravam carros á porta. Não é, pois, para admirar que tivesse igual procedimento gente de pouco mais ou menos, accrescentando-se que as representantes do demi-monde faziam como toda a gente.

Este facto não podia deixar de mercer a attenção da sciencia.

Effectivamente os clinicos, aquelles que consumiram seis longos annos de vigilias cavando fundo nos aphorismos de Hypocrates, representaram á junta de hygiene.

A intervenção desta não se fez esperar, e Hygino pagou cem mil réis de multas.

Mas nem por isso deixou de exercer a medicina, apezar de não estar para isso autorisado.

Dir-se-hia que as multas eram como os annuncios do Diario de Noticias. Cada multa imposta ao curandeiro trazia-lhe mais uma centena de freguezes.

Dessa perseguição, aliás legal, proveio talvez a ogeriza do curandeiro aos clinicos.

A primeira pergunta que dirigia aos doentes - que medico - ia matando?

Hygino morava em Nictheroy, no alto do morro denominado Sete Pontes, lugar de difficil accesso.

A casa propria, tem uma varanda, onde, n'uma grande cadeira de jacarandá torneado de couro e taxeada, sentava-se o doente para fazer ao soi disant medico a exposição dos seus soffrimentos.

Na ante-sala via-se um oratorio com as imagens de Santo Antonio e Santa Barbara.

Era alli que os doentes depositavam as suas esportulas, talvez, no louvavel intuito de concorrer para a cêra daquelles santos.

E eis ahi em breves traços o typo de Jesuino José Soares, o caboclo das Sete Pontes, que, após ingloria mas fallada existencia, falleceu no dia 1, á noite.

O enterro, que se realisou na manhã de hontem, foi bastante concorrido, o que demonstra a estima e consideração em que era tido.

Affirma-se que entre predios e dinheiro deixou fortuna superior a 50:000$000."

Fonte: JORNAL DO RECIFE (Recife/PE), 13 de Novembro de 1885, pág. 01, col. 06-07

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