sábado, 15 de março de 2025

Darcy Cazarré

 



Nasceu em Pelotas, RS. Radicado no Rio de Janeiro, começa a carreira como ator no Teatro de Comédias, com a esposa Déa Selva. Fundam a Companhia Déa/Cazarré e percorrem o Brasil, apresentando sempre nomes importantes como Alda Garrido, Delores Caminha, Alma Flora, etc. Estreia no cinema em 1935 no filme Bonequinha de Seda, seguindo-se outros como Aves sem Ninho (1939) e O Noivo de Minha Mulher (1950). É pai dos comediantes Older e Olney Cazarré. Morre em 1953.

Filmografia:

1935 - Bonequinha de Seda; 1936 - O Jovem Tataravô; João Ninguém; 1939 - Anastácio; Aves sem Ninho; Um Apólogo - Machado de Assis (1839-1939) (CM); 1948 - Poeira de Estrelas; É com este que eu vou; 1949 - Não me Digas Adeus (No Me Digas Adiós) (Brasil/Argentina); Escrava Isaura; 1950 - O Noivo da Minha Mulher.

Fonte: SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010, pág. 111.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Sobrenome Cirioba



Sobrenome brasileiro de origem indígena, verificado desde a época colonial.

Fonte: SERAINE, Florival. Relação entre os fatos históricos e a onomástica no Brasil. In; Revista do Ceará, 1964.

quinta-feira, 13 de março de 2025

A Lenda da Crôa-Canga



 Nota nossa: O mito também é conhecido como Cumacanga ou Curacanga.

Crôa-Canga 

(Por Maciel de Alverne)

Há uma lenda muito interessante

nos campos da minha terra:

méte mêdo ás creanças,

assustando os seus crentes,

- uma coisa que nem mesmo sei dizer o que é. -

Só aparece de noite,

Crôa-Canga, é o seu nome.

É de fôgo, e não queima,

não tem aza, mas vôa,

não tem vida e, no entando,

corre atraz do novilho

e do homem tambem.


Muita gente acredita

que é cabêça de velho,

que tem néto

e bisnéto.

Crôa-Canga não é nada, 

mas é tudo, no campo.

O vaqueiro não anda sosinho de noite.

Ele acha que a bicha

é Mãe-d'agua que sae do riacho encantado.


Crôa-Canga não existe,

mas a gente do campo acredita em sua vida.

E ninguem a convence

de isso ser fôgo-fátuo.


Essa lenda que vem de milenios,

está firme:

O cabôclo acredita,

tal e qual o politico baixo,

- Crôa-Canga que é de poder,

que por mais derrotado que seja,

com a derrota jamais se convence.


Crôa-Canga é a politica "dele"

que o ilúde, o convence, o engana,

como aquele cabôclo do campo

que por mais que se explique a verdade,

vive cégo e enganado na vida

crendo firme na lenda encantada

que a desgraça da tal Crôa-Canga,

foi na vida, mulher de algum padre.


Fonte: O COMBATE/MA, 11 de Outubro de 1933, pág. 03, col. 01

segunda-feira, 10 de março de 2025

As primeiras habitações brasileiras do período colonial



Quando os portugueses aportaram na Terra de Santa Cruz, procuraram erguer seus primeiros abrigos, os
tejupares, choupanas feitas de galhos de árvores e folhas de palmeiras. Tejupar vem do tupi: teyy, povo; upad, sítio. A seguir, os primeiros construtores levantarem paredes de barro, misturando-o com madeira, pedras e cascalhos. O sistema de construção era rudimentar, simples e econômico.

Com o crescimento populacional e com a chegada de barcos, os construtores passaram a se preocupar com materiais mais sólidos, como, por exemplo, a pedra. A primeira notícia de uma construção de pedra no Brasil parece ter sido a da torre de Olinda, em Pernambuco, construída pelo seu donatário Duarte Coelho Pereira, que utilizou argamassa com cal extraída de conchas e sambaquis.

Quando chegou à Bahia em 1549, Tomé de Souza e seus homens trouxeram um código ou regimento mandado elaborar por D. João III, o qual incluía instruções relativas às edificações. O governador deveria mandar... fazer sua fortaleza e povoação grande e forte em lugar conveniente no sítio em que se encontrava o estabelecimento do donatário Francisco Pereira Coutinho, ou perto dele. Deveria também levantar, sem demora, uma estacada de madeira ou muro de barro e trazer consigo pedreiros, carpinteiros e oleiros para a fabricação de tijolos e telhas. No interior dessa estacada, construíram-se os primeiros edifícios de Salvador: uma casa de câmara provisória e um armazém de madeira e barro coberto com folhas de palmeira. Dois anos depois, as construções haviam sido substituídas por edifícios maiores de pedra, cobertos com telhas.

Depois de inspecionar a costa do Brasil em 1553, Tomé de Souza voltou à Bahia e escreveu a D. João III sobre "as honradas casas de pedra e cal" que tinha visto em São Vicente. Ao instalar o seu governo na Bahia, obrigou os proprietários rurais a construírem casas robustas (torres). A mais notável delas é a Casa da Torre, de Garcia d'Ávila, criador de gado, situada em Tatuapara, Bahia. A casa forma um retângulo de cinquenta metros de comprimento pelo frontispício sul que dá para o mar, disposta à volta de um pátio de pouco mais de 14 metros de frente circundado por arcadas. Parcialmente arruinada, nela podemos ver procedimentos construtivos usuais na Colônia, com a ênfase dada ao trabalho de cantaria nos cunhais, nos vãos, nos arcos e nos entablamentos. As paredes são feitas de alvenaria, destinadas a receber revestimento de argamassa. Para o assentamento das pedras, usava-se cal extraída de ostra. O ponto alto de seu conjunto é a capela de forma hexagonal, com paredes e abóbadas revestidas de tijolo e a presença de arestas. A residência de Garcia lembra, por sua robustez, as congêneres do norte de Portugal, particularmente da região do Minho e Douro donde, igualmente, são designadas por torres. Inicialmente ele a batizou de São Pedro de Rates, provavelmente em honra de Tomé de Sousa, cujo pai era ligado a Rates, localidade perto de Braga, ao norte de Portugal. Dessa região vieram tradições de arquitetura doméstica que predominavam no período colonial, em Minas e interior, assim como no litoral. 

Fonte: BATTISTONI FILHO, Duílio. Pequena história das artes no Brasil. Campinas: Átomo, 2020, pág. 12-13.

domingo, 9 de março de 2025

Os antigos nomes das lagoas Mirim e dos Patos



MIRIM - grande lagoa na faixa litorânea, no extremo Sul do país; localidade na região de Santa Vitória do Palmar. De "mirim", "mirî", pequeno, adjetivo que foi incorporada ao linguajar brasileiro. A lagoa foi inicialmente, denominada Saquarembó, vocábulo que J. Borges Fortes interpreta como "lugar onde bebem os socós". O adjetivo "mirim", aplicado a uma lagoa de grande extensão, é justificado porque à Lagoa dos Patos, maior, dado antigamente o nome de Lagoa Grande. É interessante notar que no taurepã, dialeto caribe, "mirí" significa caranguejo.

Fonte: FURTADO, Nelson França. Vocábulos indígenas na geografia do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Champagnat, 1969, pág. 126.

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