Sobrenome xona que significa "aquele que é forte". Comum no Zimbábue e Moçambique.
História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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quinta-feira, 17 de outubro de 2024
quarta-feira, 16 de outubro de 2024
O Regatão na Amazônia
O comércio de Santarém, como o de tôda a Amazonia, apresenta uma figura singular, o "regatão", comerciante que transporta suas mercadorias em batelões ou lanchas. Atualmente, é possível distinguir pelo menos três tipos de "regatões", o pequeno, o médio e o grande. O pequeno é o mascate, figura tradicional, o médio já é evoluído e procura manter transações regulares, com os habitantes do município; os grandes "regatões" estabelecem-se de preferência numa bôca de rio, dondo passam a irradiar o seu comércio, criando ali uma espécie de entreposto, mantido com caipiras próprios ou com créditos e "aviamento" feito por "aviadores" de Manaus e de Belém.
Fonte: O JORNAL (Rio de Janeiro/RJ), 08 de Março de 1959, pág. 06
terça-feira, 15 de outubro de 2024
Pelagens Bovinas
(...)
Bem. Começamos falando de boi. Tão importante como o homem. Mais velho que êste, mais educado que êste, porque docil e domesticável. Até a música do carro de bois o hipnotiza. Ele vai no abôio, ao ritmo e na melódica do berrante, ou do carreiro.
Por isso é que abistelado tem estrêlas ou manchas brancas; albardado, não malhado, nem sardo, mas tendo no lombo mazela de côr diferente da do resto do pêlo; almarado, que tem em volta dos olhos uma circunferência de côr diversa da do resto da cabeça; alvação, branco, sem manchas; araçá (bras.), amarelo mascarado, ou matizado de prêto; barroso (bras.) de pêlo branco-amarelado; bisco, que tem uma haste mais baixa que a outra; bocalvo, com focinho branco em cabeça escura; borralho, côr de cinza; botineiro, cujo pêlo das pernas difere do resto do côrpo; brasino, de pêlo avermelhado com listras pretas ou muito escuras; braúna (bras.) ou caraúno (bras.) muito prêto; broco, que tem um ou os chifres pequenos e cheios de rugas; cabano, que tem os galhos inclinados para baixo; caldeiro, de chifres um tantos baixos e menos unidos que os das gaiolas; cambraia (bras.), inteiramente branco; camurça, pardo-vermelho; capirote, de cabeça e pescoço da mesma côr e pintas diferentes no corpo; capuchinho, que desde a fronte à parte superior do pescoço, tem côr diferente da do resto do corpo; cardim, branco e preto; chita, branco e vermelho; chamurro, novilho castrado, que fica tendo a dupla aparência de boi e touro; chumbado, branco, vermelho ou castanho chumbado de prêto; churriado (bras.) que tem extensas listras brancas sôbre o pelame prêto ou vermelho; cornalão, de chifres muito grandes; cornicurto, de cornos curtos; cornífero ou cornígero, que tem cornos; cornilargo, de pontas muito afastadas uma da outra; cornudo, que tem cornos; corombó, de chifres pequenos ou quebrados; cubeto, que possui hastes muito caídas ou quase juntas das pontas; cumbuco (bras.) de chifres curvos, com as pontas voltadas uma para a outra; ensabanado, de pêlo todo branco; escardado, designativo dos chifres, quando se desfiam, batendo de encontro a objetos resistentes; espácio, de chifres muitos abertos; estorninho, zaino, com pequenas manchas brancas; fubá (bras.), de pêlo branco puxando a azul; fumaça (bras.) de pêlo vermelho tirante a prêto; fusco, de pêlo escuro, prêto; gaiola, de chifres em forma de meia lua, e muito próximos nas pontas; gravito, que tem armas direitas e quase verticais; hosco, de côr escura, com o lombo testado; jaguané (bras.), que tem branco o fio do lombo, prêto ou vermelho o lado das costelas e de ordinário branca a barriga; laranjo, de côr de laranja; listão o que tem no dorso uma listra de côr diferente da do resto do corpo; lobuno, de pêlo escuro e um tanto acinzentado como o do lôbo; lombardo ou lompardo, negro com o lombo acastanhado; machacá (bras.), mal castrado; malacara (bras.), de testa branca com listra branca do focinho ao alto da cabeça; mal-armado, de chifres defeituosos; malesso, que tem mau sangue; malhado ou lavrado, listrado, betado de prêto e branco, ou manchado ou raiado de castanho claro e escuro; mascarado, de cara branca, ou que tem uma grande malha na cara; meano, que tem branco o pêlo dos órgãos reprodutores; meirinho, diz-se do gado que no verão pasta nas montanhas, e no inverno, nas planícies; melanuro, que tem cauda preta; mocho, sem chifres; mogão, de chifres sem ponta; moico (reg.) privado de um dos chifres ou de ambos; moreno, menos avermelhado que retinto; mouro, prêto salpicado de pintinhas brancas; nambigu (bras.), o que tem orelhas fulvas ou amarelas; nevado, que algumas manchas brancas; nilo (bras.) com a cabeça metade dela branca e o resto do corpo de outra côr; oveiro, de malhas no corpo; pampa, de cara branca, ou malhado, no corpo inteiro; parrado, de orelhas caídas; pinheiro, de chifres direitos; pintarroxo, pintado de castanho-claro; pombo, branco ou camurça, com olhos brancos; punaré (bras.) amarelado; rabicho, sem pêlo na extremidade da cauda; retinto, que tem côr carregada ou pêlo semelhante ao dos cavalos castanhos; rosado, branco, mesclado de amarelo, vermelho ou prêto; rouxinol, da côr do pássaro de igual nome; salino, com o corpo salpicado de pintas brancas, pretas ou vermelhas; salmilhado (bras.), salpicado de branco e amarelo; silveiro, com malha branca na testa, tendo escura a cabeça; torrado, que têm o pêlo negro do meio para baixo; taruno, mal castrado e que ainda procura as vacas; troncho, a que falta uma orelha; vareiro, que tem o corpo mais comprido do que é vulgar; vinagre, de pêlo castanho claro, tirante a rubro.
JOÃO CHIARINI
Fonte: JORNAL DE PIRACICABA (Piracicaba/SP), 01 de Outubro de 1964, 1o. Caderno, pág. 01
segunda-feira, 14 de outubro de 2024
A Lenda do Boi Santo
(...)
O carater sagrado domina a base psicologica da "Lenda do Boi Santo", tal qual é contada pelo povo de Campos de Jordão e conforme o texto da autoria de João de Sá. ("Pequena monografia de Campos do Jordão", sem editor e sem data).
✤✤✤✤✤
Um monge esmoler que andava em peregrinação, colhendo donativos para a construção de uma igreja - que deveria ser edificada em Pindamonhangaba - bateu na porta de um rico fazendeiro, que vivia no alto da Serra da Mantiqueira, e que possuía centenas de cabeças de gado, e pediu-lhe um óbolo. Negou-o o fazendeiro e ainda ameaçou o religioso, expulsando-o de suas terras. Continuando na sua peregrinação, notou o monge, ao entrar nas matas, que vinha sendo seguido. Temeroso, porque havia naquele muitas onças, recomendou-se a Deus e esperou a Sua Misericordia. Parando junto a uma fonte, viu que era seguido por um boi muito bonito, que se aproximou dele e lambeu-lhe as mãos. Tranquilo, o monge continuou a sua caminhada, sempre seguido pelo animal e, assim, entrou na cidade. A cena despertou a curiosidade popular e inumeras pessoas acompanharam o religioso. Este, por mais que enxotasse o boi, não conseguia demovê-lo do seu proposito, que era acercar-se sempre do monge. O povo achou que o boi era movido por uma força divina, para ser vendido em benefício da igreja, compensando desse modo, o mau tratamento que o fazendeiro dispensara ao sacerdote, quando este lhe pediu um auxilio. Posto o boi em leilão, o primeiro arrematador deu-o à igreja para novo leilão, o mesmo fazendo o segundo e o terceiro e, assim, sucessivamente, até que o boi santo, muito velho, morreu, tendo dado, porem, antes disso, dinheiro mais que suficiente para construção da igreja.
Fonte: DIÁRIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 08 de novembro de 1959, pág. 09
domingo, 13 de outubro de 2024
A cabeça da jiboia
A cabeça da jiboia para atrair mulher
(Crendice ouvida no Amazonas e Pará)
ALBERTO CANELAS FILHO
A jiboia (Constrictor constrictor), grande serpente espalhada de São Paulo para cima, e muito abundante no Norte, é um reptil que na Amazonia é estimado. Os especimes de 6 metros não são muito raros e falam que já encontraram destes ofidios de 8 metros de comprimento. A jiboia como a sucuri, não possui veneno, mata a vitima enrolando-se-lhe no corpo e moendo-lhe os ossos, para depois degluti-la.
Chega a engulir animais do tamanho da jaguatirica e não ataca o homem. É lerda, habita na floresta, e durante o dia, quase só descança ou dorme. O povo diz que o seu "bafo" produz feridas terríveis, e tambem que quando este reptil fica velho, atingindo proporções enormes, ele passa a viver quase que somente na agua.
A respeito da jiboia, na Amazonia há diversas lendas interessantes. Aliás, sobre cobra há muita crença, pois ela representa a perfídia e a traição. O fato da Bíblia contar o caso de Adão e Eva, motivado pela serpente, os povos com religião fundamentada nesse livro, têm todas as cobras, mesmo as não venenosas, como a maldade personificada. Mas respeitam-nas porém, devido a astucia e poderes sobrenaturais que lhes atribuem, como tambem repelem-nas pela sua forma horripilante. Todos nós sabemos, que a grande fealdade causa admiração, respeito e medo.
Contaram-me no Amazonas e Pará, que a jiboia fica de emboscada na florestas; passando ainda que longe, um animal de vulto medio ou mesmo o homem, sente uma força que o atrai para um determinado ponto, tenta ir embora, mas qual, fica meio desnorteado até ir parar direitinho onde a cobra está. Tambem me contaram, que para se atrair mulher, basta levar no bolso uma cabeça embalsamada de jiboia. É tiro e queda, mulher daí sobra...Liguei uma crença à outra: nas duas há o fascínio da jiboia. A forma falica do reptil, talvez tenha induzido o caboclo a formular e aceitar a segunda crendice. Coibido pelo sentimento de pudor e pelos preconceitos morais, religiosos e sociais - que se orientam pelo super égo - de mostrar-se nas partes pudicas às mulheres, então o inconsciente do homem simples da mata, ou mesmo da cidade, fez esse impulso se exteriorizar transformado.
Como toda cobra pelo seu olhar fixo e aspecto repugnante, causa terror, principalmente as grandes, a vítima fica apalermada de medo, como se estivesse magnetizada, provindo disto que a jiboia atrai a presa mesmo de longe. A primeira crença se entrosa na segunda, que procuramos explicar pelo fenomeno psicanalítico da transferencia.
Vi um amansador de jiboia no cais de Belem do Pará; domesticava em pouco tempo, os filhotes já grandinhos (com cerca de 1,5 m) para vende-los depois, É costume no Norte todo, usarem este ofídio nas casa, para a exterminação de ratos, prestando assim um bom serviço ao homem. Apesar da jiboia ser muito mansa, quando ela vai atingindo seus 4 metros, soltam-na no mato. Lá perto do famoso "Ver-o-Peso", vendiam cabeças preparadas de filhotes de jiboia, (sendo menores são mais faceis de se carrega-las no bolso) para quem quisesse se por à "D. Juan". O caboclo e o morador inculto e mediocremente culto da cidade, acreditam nessas crendices.
Conheci um pratico dos rios Madeira e Amazonas, que me mostrou uma cabeça de jiboia, que ele trazia consigo e que dizia lhe dar muita sorte com o belo sexo; pois, se não me engano, já era casado quatro vezes...
Fonte: O PAULISTA (São Paulo/SP), 03 de Março de 1959, pág. 06
sábado, 12 de outubro de 2024
Gado Bagual
Como na maior parte das regiões de população escassa e abundantes pastagens naturais, a criação de gado em Mato Grosso é quase que totalmente extensiva.
Os campos são enormes e nem sempre limpos. Há zonas de cerrado e cerradão onde, com a falta de costeiro, o gado torna-se arisco, ligeiro, e por fim bagual ou alçado.
Bagual é o nome que se dá ao gado bravio, que já não obedece mais ao homem - não dá rodeio. Cria-se à lei da natureza. O sal, encontra-se nos barreiros. Procuramos nestas linhas descrever uma batida de gado bagual, como é feita "em baixo da serra", região variadíssima, que compreende os contra-fortes e fraldas das serras de Amambahy e dos Baús, até se perderem nos Pantanais. Nesse serviço o peão matogrossense, quase desconhecido, exibe toda a sua perícia de campeiro.
O bagual em lugares onde é perseguido, passa os dia na crôa dos cerradões e nas matas; só sai de noite para beber água e pastar nas cabeceiras. Assim, os bagualeiros escolhem as noites para trabalhar, de preferência as de luar.
A comitiva nesse serviço nunca é muito numerosa. Compõe-se geralmente de cinco a seis peões. O encarregado escolhe um retiro ou faz um rancho para centro de suas operações. O crepúsculo é a hora de sair para o campo, seguindo os peões em fila, o mais prático na frente; vão de cabeceira no passo do matungo, contra o vento e num silêncio quase fúnebre.
Avistam afinal u'a manada que está "branqueando" a cabeceira; param, consultam-se, discutem e deliberam à meia voz o que vão fazer. Aproximam-se agora no passo do animal e alerta sempre. Quando as rezes dão sinal de ter percebido qualquer coisa, levantando alto a cabeça, a peonada dá uma "arrancada dura" para logo alcançá-las. A orilha do cambuaval, impenetrável ao cavalheiro, fica às vezes a menos de 300 metros.
Daí em diante cada um trabalha para si; tem que alcançar a rez que escolheu, ou que estiver a geito, laçando-a e maneando-a, o que não se faz sem agilidade ou presteza. "É moço! Sou índio que sahio em cima de qualquer tucura, orelhano, lasso e, quando ele amontôa no estirão, boleio a perna de cima do arreio, aperto e já tô, maneando". É assim: quando a rez cai no estirão, pulam do pingo, que fica chinchando, e apertam-na antes de ter tempo de levantar. E dizer, seguram o pé que está por cima, ou o rabo passado por uma das pernas. Maneiam agora, amarrando os dois pés de encruzado, os dois pés a uma das mãos, ou ainda um pé ou u'a mão encruzados. Para isso trazem um peador na cintura, amarrado com um nó fácil. Em seguida reunem-se todos no lugar de partida, de onde ajuio o gado. Algum extraviado toca a capoeira para orientar-se. É um som que se produz assoprando com força num vazio feito com as duas mãos. Ouvindo-o os companheiros respondem, dando assim uma direção ao perdido.
Reunidos, amarram as rezes pegadas a qualquer árvore forte mais próxima - é o tambo. A operação chama-se tambear e consiste em amarrar a rez ao pau por meio de um maneador. Dão umas quatro ou cinco voltas de maneador em roda do pescoço ou chifres do bagual e outras tantas em volta do tambo, passando pelas primeiras. As voltas devem estar todas certas. Durante a noite podem dar mais de uma batida e muitos peões não se satisfazem em lassar uma rez só.
De dia uma partida de bois de carros amestrados, vai de lugar em lugar, onde estiverem tambeados os baguais, que são ajojados pelos chifres ao pescoço do boi manso. Costuma-se aparar as aspas dos baguais para que não machuquem seus condutores.
Vão assim, meio contrariados, até a fazenda ou rancho onde são carneados para o consumo ou para fazer charque. O bagual amansa dificilmente.
FREDERICO LANE
Fonte: SEMANA NACIONAL (São Paulo/SP), edição 009, março de 1956, pág. 60.
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
Sobrenome Assefa
Sobrenome amárico que significa "do leste", isto é, aquele que mora no leste ou provém do leste. Típico da Etiópia.






