segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Club Açucena

 



Rio Pardo

Escrevem-nos:

"Conforme foi noticiado pela Federação, teve logar em a noite de 7 o baile á phantasia projectado pelo sympathico Club Açucena, o qual realisou-se no salão da residencia da exma. sra. d. Adelaide Meirelles.

A reunião das phantasiadas foi na casa de residencia do sr. João Frederico Carbuhn.

Ás 9 horas teve logar a saida dos phantasiados, os quaes foram puxados pela banda musical União Operaria. O prestito era formado por mais de 40 pares, muitos dos quases vestiam vistosas e elegantes phantasias.

Á entrada achava-se uma commissão de alumnos militares, os quaes receberam os phantasiados com uma verdadeira chuva de confetti.

O salão vistosamente ornamentado e illuminado, tinha um aspecto alegre e festivo dos dias felizes em que esta cidade teve a ventura de ter em seu seio á brilhante e saudosa Escola Militar e o seu nunca esquecido Club Cara Dura.

Em um dos intervallos da dança o intelligente alumno militar Valentim Benicio, em phrases vibrantes, saudou a mulher como o ente ideal e que naquelle momento achava-se representada pela gentil rainha.

As senhoritas, que mais se salientaram em suas phantasias, são as seguintes:

Georgina Ottoni, a rainha (açucena); Agueda Ferreira (contrabandista); Luciana Ferreira (caçador); Clara Legendre (papoula); Alayde Ferreira (visco); Dulce Ottoni (margarida); Carmelina Neves (sultana); Palmyra Neves (toureiro); Almerinda Barreto (marinheiro); Ocarlina Barreto (alsaciana); Percilia Eichemberg (estrella d'Alva); Cecilia Rocha (florista); Esther Galvão (flora); pagens da rainha, os meninos Franco Ferreira e David Ottoni.

Dominós: Frederico Legendre e Frederico Ottoni; e muitos outros que na occasião não foi possivel tomar seus nomes.

O salão achava-se repleto de exmas. sras. e cavalheiros. O baile terminou pela madrugada, reinando sempre o enthusiasmo. Os convidados foram cumulados de attenções pelas gentis directoras.

Esplendido e correcto esteve o baile das moças.

Hoje deve realisar-se outro baile no mesmo salão, offerecido pelas moças aos alumnos que aqui se acham."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Fevereiro de 1904, pág. 01, col. 06

domingo, 26 de novembro de 2023

Sobrenome Heser



HESER, HÖSER, HOESER - sobrenome originário do dialeto da Suábia, a partir do termo häse, haese. Designa de forma genérica tanto o alfaiate, o comerciante de roupas ou o comerciante de mantas e xales. O sobrenome é data desde o século XV.

O curandeiro de Cotia

 



Facto curioso

Facto deveras curioso é o que registra o Sãoroquense e que, si não é blague, merece a attenção dos homens da sciencia.

"Existe no logar denominado Cruz Grande, municipio de Cutia, nas proximidades da divisa deste municipio com o de S. Roque, um homem de cerca de 50 annos, de nome João Miguel, de instrucção rudimentar, que assombra ás redondesas pelos maravilhosos resultados que tem conseguido na cura das mordeduras de cobras.

Mas, o que sobretudo exalta o merito de J. Miguel é que as curas se operam sem emprego de qualquer medicamento interno ou externo.

Eis como opera o maravilhoso curandeiro:

Sendo mordido por qualquer especie de cobra uma pessoa ou animal no bairro, mandam logo á casa de João Miguel um proprio e sendo este avisado, sem dar remedio algum, faz voltar o proprio, garantindo estar curado o offendido, o que de facto dá-se infallivelmente.

Tres casos destes foram relatados ultimamente por pessoa de todo conceito e despida de toda especie de preconceito e crendice ao Sãoroquense. São elles os seguintes:

Um camarada de um cavalheiro foi mordido por uma jararaca, quando trabalhava e teve que vir para casa em uma carroça por se achar muito mal, pois bem, mandaram contar isto a João Miguel e elle sem dar remedio algum ao portador que voltasse porque o homem estava fóra do perigo, e este de facto ficou bom.

Mais tarde foi mordido um cavallo daquelle senhor e João Miguel e curou da mesma fórma. Agora, ha poucos dias, outro cavallo foi mordido por uma jararaca-ussú e curou-se pelo mesmo systema.

É, como se vê, um facto verdadeiramente curioso e digno de observação.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 08 de Julho de 1903, pág. 01, col. 02

sábado, 25 de novembro de 2023

Um caso cômico em Montenegro

 



Caso comico

O Progresso de Montenegro, publica a seguinte noticia, que fornece assumpto para uma boa farça:

"O sr. Leonardo Ernzen, morador na picada Langschneiz, no 6o. distrito deste municipio preparou em dias da semana passada um grande varal de linguiças, que depositou em sua cosinha.

Tres amigos, Damião, Mathias e João, combinaram suspender, em uma das ultimas noites, com todas as linguiças do sr. Ernzen.

Tendo, porém, elles recusado para socio da empresa um quarto companheiro de nome Leonardo, que não convinha por ser muito indiscreto; este despeitado, com a exclusão que soffrera, dirige se ao sr. Ernzen e desvenda-lhe a projectada falcatrua que o ameaçava em suas linguiças.

O sr. Ernzen logo formou um plano de fórma a apanhar esses marrecos e não lhe foi difficil achar um meio.

No sotão da cosinha onde se achava o almejado e appetitoso varal, foram postados um filho do sr. Ernzen e Leonardo, o traidor, ambos munidos de muitos baldes d'agua fria. Junto aos baldes cheios collocaram muitas latas de kerosene, vasias.

O dono da casa e um outro companheiro, armados de espingardas, ficaram á espreita na estrada por onde deviam passar os pianistas.

Assim dispostas as cousas ficaram todos na expectativa.

Geava, e o frio da noite, intenso e penetrante, fazia as vedetas bater o queixo.

Enfim, surgiu na curva da estrada o vulto da commandita, que se approxima a passo lento, rompendo a densa treva.

Pouco além do sitio onde estavam o sr. Ernzen e o seu companheiro, os meliantes amarraram os cavallos e a pé tomaram a direcção da cosinha, onde penetraram por uma pequena janella que propositalmente ficara aberta.

Eil-os na escuridão, tacteando silenciosos.

Mãos avidas tocavam já as roliças conservas.

Subito, de alto, desandam catadupas d'agua gelada; latas vasias, jogadas com força, caem com estrondo infernal sobre os infelizes. Correm, topando-se uns com os outros, caem, esmurram-se e do alto chove agua e chovem latas de kerosene vasias!

Era um chaos!

Por fim um delles atina com a janella e os outros, quaes cabritos, seguem-no numa disparada louca, em direcção aos cavallos.

Mas oh! Decepção! Os animaes estão sem estribos, sem freios, sem rabichos e sem pellegos!...

Desde logo suppondo que todos estes desastres eram causados pelo dono da casa, resolveram procural-o logo e pediram-lhe mil desculpas pela tentativa que tinham feito.

O sr. Ernzen recebeu-os cordealmente, devolveu o que tinha tirado aos cavallos, offerecendo ainda aos meliantes uma chicara de café e um assado da maldita linguiça, que tanto barulho occasionara, deixando-os depois ir em paz.

É o caso: Ir buscar lã..."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Junho de 1903, pág. 01, col. 03

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Club de Atiradores da Linha Araripe

 



Nova Petropolis

Escreveram-nos da Linha Araripe de Nova Petropolis:

"No dia 10 do corrente realisou-se a imponente festa da benção da bandeira do Club de Atiradores da Linha Araripe, de Nova Petropolis.

Estiveram presentes quatro sociedades e muitos habitantes desse districto, em tudo mais ou menos seiscentas pessoas, que foram cumprimentadas pelo digno presidente do mencionado Club, capitão João Wazlanvick. A uma hora da tarde subiu a tribuna o tenente-coronel Alfredo Steglich, rei dos atiradores da povoação de Nova Petropolis, e pronunciou longo discurso, consagrando a nova e bonita bandeira, pregando o primeiro prego na honra em honra ao Estado do Rio Grande do Sul.

Os padrinhos da bandeira foram os clubs dos atiradores da Linha Nova e da Povoação, os quaes offereceram, como prenda, duas finas fitas de seda.

Nesta occasião usaram da palavra o presidente dos Atiradores da Povoação, Augusto Dunher, e o representante dos da Linha Nova, o tenente-coronel Alfredo Steglich. Falaram ainda José Weingarten, Henrique Drecheler, José Neumann Filho e a estimada filha do sr. Alberto Sorgotz, que foram muito applaudidos.

De noite houve baile, que foi muito animado".

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 29 de Maio de 1903, pág. 01, col. 07

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

O Vaudeville no Polytheama

 



Theatros e diversões

Comedia e vaudeville

Como estava annunciado, fez hontem sua estréa, no Polytheama, o grupo artístico de vaudeville, comedia, etc., da empresa Peixoto, Assis & C., que pilhou verdadeira enchente, como ha bom tempo ali não ha.

Subia á scena o vaudeville, em tres actos, de Desvalliéres e A. Mars, musica de L. Roger - Maridos na corda bamba - peça interessantissima, repleta de situações as mais complicadas e accentuadamente comicas, que conservam a platéa em constante hilaridade, tal o verdadeiro embrulho, afinal desembrulhado no acto ultimo, que forma o bem combinado entrecho.

Do desempenho... salientou-se unicamente o popular e apreciado actor Peixoto, alma e vida do grupo artistico e que com a costumada sem ceremonia perante uma platéa que tão bem elle conhece, conservou sempre os espectadores na mais franca hilaridade.

O grupo apresentou-se excessivamente modesto, pobre mesmo de guarda-roupa, que já teve época e moda em tempos que longe vão.

A orchestra obedece á regencia do maestro Assis Pacheco.

Genero de diversão tão ao sabor do publico que frequenta os espectaculos do Polytheama, o vaudeville proporcionou applausos á troupe estreante e especialmente ao actor Peixoto.

Amanhã, será representado o vaudeville, em 3 actos, de Paul Gavult e Georges Berra, traducção do Arthur Azevedo, intitulado - Quasi!

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 22 de Agosto de 1902, pág. 02, col. 02

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

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