quinta-feira, 1 de setembro de 2022

População e instrução no Brasil em 1870



 Principiaremos pela provincia do Amazonas. Diz o dr. Liberato Barroso: "O presidente da provincia em 1864 avaliava a população livre da provincia em 40,300 habitantes, o senador Pompeu em seu compendio de geographia dá 69,000. Na primeira hypothese ha 1 alumno por 71 habitantes: na segunda 1 por 123!"

Provincia do Pará. O dr. Liberato Barroso depois de fixar o numero de escholas que existem nessa provincia, estudo que fez para todas as provincias, depois de estabelecer o numero de meninos e meninas existentes nas escholas, diz:

"Sendo a população livre de 280,000 habitantes, ou mais, são 41,428 capazes de receber o ensino primario, dos quaes 36,128 analphabetos. Ha um alumno por 34 habitantes!"

De outra fórma se póde dizer que de 41,428 capazes de receber o ensino primario, apenas 5,300 vão á escola!

Provincia do Maranhão. "Sendo a população de 330,000 habitantes livres, temos um alumno por 54 habitantes, e 41,137 que não recebe instrucção, de 17,142 capazes de recebê-la."

De outro modo de 47,142 capazes de receber instrucção, apenas a recebem 6,005!

Os monarchistas devem lembrar-se que são como todos nós filhos das provincias, e que por tanto não se devem impacientar com a verdade. Aquelles que nos lêem quando ouvirem pronunciado o nome desta provincia não devem ficar simplesmente nelle, é preciso corrar a vista sobre todo o quadro.

Provincia do Piahuy. Sendo a população livre da provincia de 530,000 habitantes livres, e calculando-se com o total de 985, ha um alumno por 233 habitantes; e 31,372 não recebem instrucção de 32,857 capazes de recebê-la!

Isto quer dizer que aprendem sómente 985!

Provincia do Ceará. Calculando-se a população em 394,000 habitantes são capazes de receber a instrucção primaria 72,000; dos quaes 66,000 não a recebem! Ha um alumno por 81 habitantes.

Provincia do Rio Grande do Norte. Tendo a provincia 202,000 habitantes livres, ha um alumno por 175 habitantes; e de 28,875 capazes de receber instrucção 27,703 não recebem!

Este segundo reinado comparado pelos monarchistas com os tempos de Pericles, Augusto, Leão X e Luiz XIV cahe coberto de ridiculo diante da linguagem muda o verdadeiro dos algarismo!

Continuemos.

Provincia da Parahyba. Sendo a população de 250,000 habitantes livres, ha um alumno por 126 habitantes livres; e de 37,142 capazes de receber instrucção primaria estão privados della 33,738!

Provincia de Pernambuco. Calculando-se com a população livre de 1,046,000 habitaantes, temos um alumno por 173 habitantes; e de 143,571 capazes de receber a instrucção primaria, não a recebem 142,565!

Provincia de Alagôas. Sendo a população de 250,000 habitantes, temos um alumno por 55 habitantes, e 31,198 que não aprendem, de 37,714 capazes de aprender!

Provincia de Sergipe. Sendo a população de 226,000 habitantes livres, temos um alumno por 74 habitantes, e 28,158 sem instrucção, de 31,428 capazes de recebê-la.

Provincia da Bahia. Calculando-se a população livre da provincia em 1,400,000 habitantes ha um alumno por 144 habitantes, e 147,302 que não recebem a instrucção primaria, de 157,142 capazes de recebê-la!

Os monarchistas têm procedido com a maior prudencia andando sempre em guerra com as estatisticas, é que ellas matam os máos governos.

Continuemos:

Provincia do Espirito Sancto. Sendo a população livre de 50,000 habitantes, temos 1 alumno por 43 habitantes, e de 7,142 capazes de receber instrucção 5,983 a não recebem!

Provincia do Rio de Janeiro. Sendo a população de 700,000 habitantes, temos 1 alumno por 81 habitantes e 94,624 que não recebem instrucção de 100,000 capazes de recebê-la!

Provincia de S. Paulo. Sendo a população livre de 700,000 habitantes, temos 1 alumno por 81 habitantes; e 94,442 não recebem instrucção de 100,000 capazes de recebê-la!

Provincia do Paraná. Sendo a população livre de 80,000 habitantes temos 1 alumno por 31 habitantes, e 8,527 que não recebem instrucção, de 14,128 capazes de recebê-la!

Provincia de Sancta Catharina. Sendo a população livre de 135,000 habitantes, temos um alumno por 51 habitantes, a 16,685, que não aprendem de 19,285 capazes de receber o ensino!

Provincia do Rio Grande do Sul. Calculada a população em 380,000 habitantes livres, ha 1 alumno por 44 habitantes, e 45,710 não aprendem, de 54,285 capazes de aprender!

Provincia de Goyaz. Calculando com a população livre de 205,000, ha um alumno por 130 habitantes; e 27,720 não recebem instrucção, de 29,285 capazes de recebê-la!

Provincia de Minas-Geraes. Calculando-se a população livre em 1,200,000 habitantes, temos 1 alumno por 70 habitantes; e de 171,428 capazes de receber instrucção, 54,459 não a recebem!

Provincia de Matto Grosso. Calculando-se a população da provincia em 95,000 habitantes livres, ha 1 alumno por 104 habitantes e 12,605 não recebem instrucção de 13,571 capazes de recebê-la!

Municipio Neutro. Sendo a população livre de 300,000 habitantes, ha um alumno por 38 habitantes e de 42,857 capazes de receber instrucção, 35,300 não a recebem!

Como se vê nem o municipio neutro aonde o imperador anda a dar beija-mão pelas escholas, escapou do rigor cruel dos algarismos.

Temos concluido este vergonhoso inventario, segundo o qual se vê que de 1,190,000 capazes de receber instrucção sómente 209,000 a recebem!

Fonte: REPUBLICA: PROPRIEDADE DO CLUB REPUBLICANO (Rio de Janeiro/RJ), 17 de Janeiro de 1870, pág. 01, col. 01-04


quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Theodoro Raetz



"Ante-hontem, n'esta capital, falleceu, repentinamente, o cidadão Theodoro Raetz, proprietario do conhecido armazem
Germania, da rua do Commercio.

O finado era natural da Allemanha.

✤✤✤✤✤

Morreram em Pelotas d. Jacintha Rogeria de Brum e João Antonio Gonçalves.

✤✤✤✤✤

No Rio Grande falleceu o sr. Almeida Troforia, que contava 25 annos de idade.

O finado fôra em tempo empregado de bordo de alguns vapores da carreira d'esta capital.

- Na mesma cidade finou-se o sr. Augusto Meyer, antigo guarda livros da importante casa commercial d'aquela praça Thomsen & C.

O finado era de nacionalidade allemã."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Junho de 1893, pág. 02, col. 03

Antonio Pinto da Fontoura Barreto



"A 21 do corrente finou-se n'esta capital o cidadão Manoel Barbosa de Lima.

- Hontem falleceu n'esta cidade d. Maria José Martins Teixeira, esposa do cidadão Manoel Candido Teixeira.

✤✤✤✤✤

Em Sant'Anna do Livramento pereceu o major Antonio Pinto da Fontoura Barreto, homem de avançada idade, pai do sr. Antonio da Fontoura Barreto e tio do major Carlos da Fontoura Barreto.

✤✤✤✤✤

Falleceu no Rio o tenente-coronel Joaquim Tubbs, prestigioso chefe republicano de Gravatahy, cidadão de elevadas virtudes cívicas.

- Por telegramma publicado hoje no Jornal do Commercio, sabemos que succumbiu no Rio o dr. João Chaves Campello, que residia em Pelotas e que já exerceu a vice-presidencia d'este Estado, quando provincia.

✤✤✤✤✤

Falleceu em Alegrete o jovem Alcides Prunes, irmão do sr. Fredolino Prunes, proprietario do periodico Til."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 24 de Abril de 1894, pág. 02, col. 03

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Carne de Onça

 



CARNE DE ONÇA

2 porções

15 minutos

Fácil

* 300 g de coxão mole moído

* 1 xícara (chá) de cebola roxa picada

* 1 colher (sopa) de mostarda escura, mais um pouco para servir

* Suco de 1 limão

* Molho de pimenta

* 1 gema

* Azeite de oliva

* 2 fatias de pão preto

* 1/2 xícara (chá) de cebolinha-verde


Junte a carne, sal, metade da cebola, a mostarda, o suco de limão, algumas gotas de molho de pimenta, a gema e um fio de azeite. Misture até ficar uniforme. Aqueça o pão no forno 180 graus centígrados, por 2 minutos, até a borda firmar. Distribua a carne sobre o pão e cubra com a cebola restante e a cebolinha-verde. Sirva com mostarda escura.

ESMIUÇANDO

A receita surgiu no restaurante curitibano Embaixador, na década de 1950, e então ganhou os botecos até virar patrimônio imaterial da cidade. Quando pesquisei a origem do petisco, ouvi várias versões. Uma delas é a história de que, um belo dia, a onça que andava passeando pelas fazendas da região havia aparecido morta - ao mesmo tempo em que surgia o tira-gosto, para escândalo de todos na cidade. Outra versão, menos fantasiosa e mais provável, diz que, por vir carregada de ervas e cebola crua, a receita é responsável por provocar um forte "bafo da onça".

Fonte: INSTITUTO BRASIL A GOSTO. Básico: Enciclopédia de receitas do Brasil. São Paulo: Melhortamentos, 1a. ed., 2017, págs. 39-40.

domingo, 28 de agosto de 2022

Boleadeira

 



A boleadeira (bolas) é um aperfeiçoamento da pedra de arremessar, formada por dois ou mais pesos (geralmente bolas de pedra dura e densa) atados a uma corda. Foi usada pelos indígenas das Américas desde a Pré-História, mais notadamente pelos incas, que a chamavam liwi e também por mapuches, charruas e patagões, que as usaram contra a cavalaria dos espanhóis. A avestruzeira ou nhanduzeira (chamada chumé o tálakgáp'n pelos tehuelches da Patagônia) tem duas bolas e é usada para caçar emas emaranhando-se no seu pescoço. Com três pesos, é chamada três-marias ou potreira (yachiko para os tehuelches), usada para prender-se nas pernas de animais maiores, como touros e cavalos. Gaúchos tradicionalmente levavam uma nhanduzeira à cintura e uma potreira à bandoleira. Geralmente são armadas com cordas de 1,5 a 2 metros e as bolas são de pesos diferentes, para se separarem no voo. O alcance é de 30 metros.

Os inuits ou esquimós usavam uma variedade chamada kalumiktun ou kilumitutit, com quatro a oito "bolas" (nesse caso, geralmente pedaços de osso), para apanhar aves no voo: era segurada no centro, girada horizontalmente sobre a cabeça e lançada contra uma revoada de pássaros. Os maoris usaram uma arma semelhante, chamada poa ou poi.

Fonte: COSTA, Antonio Luiz M.C. Armas Brancas - Lanças, espadas, maças e flechas: Como lutar sem pólvora da Pré-História ao século XXI. São Paulo: Draco, 2015, pág. 143.

sábado, 27 de agosto de 2022

Mulheres na Revolução Farroupilha

 



"Nos registros dos escritores do século XIX, entretanto, a participação das mulheres não aparece quando o assunto é a Revolução Farroupilha (1835-1845). Contudo, hoje se sabe que as mulheres se fizeram presentes também neste movimento político radical, que propunha a ruptura com o Império brasileiro e a proclamação da República. Algumas poetisas do Rio Grande do Sul, por exemplo, tomaram partido durante a Farroupilha. De acordo com as fontes que chegaram até nós, a maioria das escritoras declarou-se a favor da Monarquia, a começar pela poetisa Delfina Benigna da Cunha (1791-1857), que dedicou poemas elogiosos ao imperador, tendo recebido mais tarde uma pensão do governo como retribuição por seu trabalho. Maria Josefa Barreto (1780-1837), fundadora de dois jornais, manifestou-se fortemente contra o revolucionário Bento Gonçalves. Ana Eurídice Baranda (1806-1866?) publicou o panfleto Diálogos (1836) em defesa da participação política das mulheres e como causadores dos maiores males. A favor dos farroupilhas encontramos Maria Josefa da Fontoura Palmeiro, que acabou sendo desterrada por ter espalhado, em Porto Alegre, conclamas dos rebelados e por ter levado pessoalmente informações a Bento Gonçalves durante o conflito. Duas esposas de líderes farroupilhas também tiveram papel relevante no movimento: Bernardina Barcellos de Almeida, casada com Domingos José de Almeida, e Clarinda Porto de Fontoura, casada com Antônio Vicente da Fontoura. Nas cartas trocadas entre os cônjuges, fica nítido o interesse das mulheres pela conjuntura política, a troca de ideias entre elas e os maridos e as opiniões que manifestavam a pedido deles. Tais evidências contribuem para relativizar a imagem de sinhazinhas frágeis e desinteressadas das coisas públicas, marcadas pela educação tradicional e caladas por conta da repressão dos pais e maridos.

Fonte: PINSKY, Carla Bassanezi & PEDRO, Joana Maria (orgs.). Nova História das mulheres no Brasil.  São Paulo: Contexto, 2013, pág. 98.

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