quarta-feira, 22 de junho de 2022

Soter Caio da Silva



"Finou-se hontem, n'esta capital, onde era geralmente estimado, o cidadão Soter Caio da Silva, antigo solicitador do nosso fôro.

Nos tempos da effervescencia abolicionista, em que a sociedade porto-alegrense, sem outro escopo que não a victoria da generosa campanha em prol dos captivos, se congraçou para a consecução d'esse objectivo nobilitante, Soter entrou com o seu concurso activo e efficaz em favor dos escravos.

Pezames.

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Aos 75 annos de idade finou-se em Santa Maria da Bocca do Monte o respeitavel ancião João Virissimo de Oliveira, que em 1835 tomou parte na revolução rio-grandense e a 17 de maio de 1858 fez parte da camara municipal que installou aquella comarca.

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Hontem, ás 9 1/2 horas da noite, falleceu no Triumpho o respeitavel cidadão Jonas José de Bittencourt, contando 81 annos de idade, antigo habitante d'aquella villa e pai do guarda nacional do 1o. batalhão de infantaria d'esta capital Olympio de Almeida Bittencourt.

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Falleceu hoje n'esta capital o honrado cidadão Manel Felisberto do Nascimento, que, por longos annos, foi impressor do Jornal.

Ultimamente era empregado da agencia de leilões do sr. Alfredo Baltar.

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Em Pelotas falleceu o cidadão Benjamin Rodrigues Cordeiro, de 52 annos de idade, irmão do sr. Domingos Cordeiro Junior.

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Falleceu, hontem, o alferes do 2o. regimento João Maximo Cardoso."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 01 de Março de 1894, pág. 02, col. 02

terça-feira, 21 de junho de 2022

Manoel Alves da Silva Caldeira



"Um veterano de 35

Falleceu, no Quarahy, diz uma folha de Pelotas, o velho farrapo tenente-coronel Manoel Alves da Silva Caldeira, na avançada edade de 84 annos.

O finado fez toda a gloriosa campanha de 35, na qual recebeu um ferimento na bocca, quando os farroupilhas tentaram entrar em Porto Alegre, tendo sido feito prisioneiro e conduzido para o forte de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

D'ali conseguiu fugir, em companhia de Côrte-Real e Onofre Pires, voltando ao Rio Grande do Sul e aqui continuando a luctar pélo sagrado ideal que o inflammava, até o fim da revolução.

Era então tenente.

Esse valoroso gaúcho morre, deixando um longo passado de abnegação e de honradez.

Sempre militou no partido republicano, tendo, no ultimo quartel da vida, se retirado á vida privada, por desgostos que lhe causaram os companheiros politicos de Cangussú.

Era n'essa villa que, nos ominosos tempos da monarchia, em dias de eleição, sempre aparecia um voto pela Republica, lançado á urna pelo velho Caldeira.

E, quando cumpria o seu dever de cidadão e patriota, brotava-lhe dos labios a phrase tão conhecida e que o ennobrecia: 'É um só, mas servirá para semente'."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de Setembro de 1899, pág. 01, col. 02

Vasco da Silva Feijó



"Sexta-feira ultima, á noite, falleceu o estimado sr. Vasco da Silva Feijó, chefe de secção da alfandega d'esta capital.

Era um funccionario intelligente e probo e um cidadão assás considerado em nossa sociedade.

Á sua exma. familia apresentamos os nossos pezames.

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Falleceu em Jaguarão o respeitavel ancião e capitalista sr. Diogo Simões Gaspar, progenitor dos srs. Diogo e Patricio Simões Gaspar.

O finado era muito conceituado e antigo morador d'aquella cidade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Maio de 1893, pág. 02, col. 06

segunda-feira, 20 de junho de 2022

domingo, 19 de junho de 2022

Cabeça espetada

 



ASSASSINATO

UMA CABEÇA ESPETADA

Pessoa chegada de S. Gabriel ao Alegrete, no Rio Grande do Sul, contou que, a duas leguas de distancia de Itapevy, na Serra de Caverá, foram encontradas duas vaccas carneadas, estando uma ainda no laço.

Junto a ellas foi encontrado um individuo assassinado, com a cabeça decepada, espetada nos chifres de uma das vaccas.

Dizia-se ser individuo da visinhança e de quem não se fazia juizo suspeito.

No itapevy corria como certo andar uma quadrilha de ladrões saqueando e commettendo tropelias.

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 10 de Janeiro de 1890, pág. 01, col. 03

sábado, 18 de junho de 2022

Festa Junina em Recife em 1859

 



Retrospecto semanal

Tivemos a festa de São João, com as suas fogueiras, suas sortes, o milho verde de rigor, suas lendas populares, os bôlos tradiccionaes e a cangica proverbial. Um amigo nosso, versado na archeologia culinaria, assegura-nos que este delicado composto de milho, assucar e leite, é precisamente a divina ambrosia, esse invento maravilhoso da phantasia poetica da Grecia, por muito tempo reputado um mytho, e cuja receita fôra aqui de nova descoberta por um acaso feliz, que é quasi sempre a Providencia dos genios. De todas as suas essenciaes qualidades, porém, aroma suave e sabor delicioso, só perdeu, baixando á terra, o dom de immortalisar aquelles que a provavam, quando fabricada pelos artistas cosinheiros de Jupiter, nas summidades ethereas do Olympo.

A noite de São João seria effectivamente uma das mais alegres e apraziveis do anno, se não fôra a grossa chuva que costuma rega-la, o ingrato estalo dos foguetes da India, e o estouro incessante dos diversos outros productos da industria pyrotechnica, invenção que nos veio do inferno para tormento de nossos ouvidos.

Esta, usança, bem como as do nosso antigo carnaval, protesta altamente contra o nosso progresso e a nossa civilisação. É tempo, em nosso conceito, de supprimi-la do programma da grande festividade de 24 de junho, harmonisando-a assim com as conveniencias da época e as commodidades do publico.

Acabamos com as innundações e outras amenidades do entrudo, fonte perenne de molestias, de assuadas e de rixas, que as vezes terminavam tragicamente. É tempo de acabar igualmente com as fogueiras nas vias publicas, com o fogo de artificio tanto nas ruas como da janella das casas.

Alem do embaraço que oppõe semelhante abuso ao livre transito, do risco que a cada passo corre quem nessas noites se aventura nas ruas, principalmente a cavallo ou a carro, accresce o atordoamento de nossos ouvidos pelo estrepito discorde e continuo dos foguetes, que se prolonga até alta noite e nos comdemna á insomnia, e finalmente o perigo real de accidentes mais ou menos serios, que dahi podem se originar.

Ha cerca de dous annos, com effeito, tivemos de deplorar a explosão no largo do Terço, fatal a tantas vidas e propriedades. E se este anno escapamos felizmente á tamanha desgraça, não ficamos todavia isemptos de successos causados pelo imprudente divertimento com materias inflammaveis e explosiveis, das quaes varias chegaram ao nosso conhecimento, embora despidas de sinistra gravidade e importancia.

Reclamamos, pois, da policia, que ponha de ora em diante em inteiro vigor as posturas municipaes respectivas. Abrigando-nos dest'arte contra funestos successos, e protegendo aquelles que por ventura não acham prazer nesse innocente brinquedo a percorrer livremente as ruas da cidade, todos entregues ao saturnal do fogo de artificio, como outr'ora no entrudo, a saturnal d'agua, da lama, do mel de furo e outras asquerosidades inventadas pela fertil imaginação dos amadores desse passatempo. Os exercicios pyrotechnicos, a que alludimos, não só incommodam e assustam os que transitam pelas ruas, que se tornam quasi desertas, como aggrava os soffrimentos dos doentes para quem o socego é quasi sempre a melhor e mais salutar de todas as medicinas.

(...)

Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO (Recife/PE), 27 de Junho de 1859, pág. 01, col. 05

sexta-feira, 17 de junho de 2022

I Festival Punk Brasileiro

 



O som e a fúria dos punks sobrevivem em São Paulo

Entre gritos e pancadarias, eles lançam um manifesto original

Uma grossa pancadaria que grupos rivais se encarregaram de armar em São Paulo, no I Festival Punk Brasileiro, em 27 e 28 de novembro, evidenciou a sobrevivência, em nosso país - com um saldo de 25 presos e a antecipação do fim do festival -, desse movimento nascido em Londres.

Blusão preto de couro, jeans desbotados, medalhas e correntes pelo corpo, argolas penduradas no nariz e alfinetes enfiados nas bochechas, esses jovens importam da Inglaterra, com muitos anos de atraso, o que naquele país surgiu como reflexo de inquietações de garotos suburbanos e como a negação do rock instrumental e comercial de estúdio. Era também a negação dos valores sociais estabelecidos (daí o culto ao feio, ao agressivo e ao monstruoso), do movimento hippie, das regras do jogo. Sabiam o que não queriam, mas não sabiam bem o que queriam. Na Inglaterra, a inovação deu origem a inúmeras bandas - os Sex Pistols, The Clash, The Jam, Buzzcocks, The Suburban Bolts, The Damned. Espalhou-se pela Europa - dizem que já chegou até à União Soviética - e parece que na Alemanha encontrou sua diva Nina Hagen, cujos shows estão sempre lotados.

No Brasil, seu ponto de concentração é o conjunto Grandes Galerias, na Avenida São João, em São Paulo, para onde convergem nos fins de semana os punks tupiniquins - também eles vindo de bairros periféricos ou da Grande São Paulo. Viajam de ônibus, quase nunca andam de carro, têm empregos mal remunerados, alguns são casados e têm filhos. Divulgaram um manifesto: "Nós, os punks, estamos movimentando a periferia que foi traída e esquecida pelo estrelismo dos astros da MPB. Nos nossos shows de punk rock todos dançam; dançam a dança da guerra, um hino de revolta da classe menos privilegiada. Nossos astros da MPB estão cada vez mais velhos e cansados. Estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira para dizer a verdade sem disfarces: para pintar de negro a Asa Branca, atrasar o Trem das Onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer."

A propósito de dança, dançar à punk é socar o ar, dar pontapés a esmo, gritar, suar sob as pesadas e quentes jaquetas pretas. É renegar os Rolling Stones, a new wave, o new romantic, ter horror a Roberto Carlos. Os grupos que os brasileiros formaram têm nomes estranhos como sua aparência: Dose Brutal, Psycose, Ulster, Juízo Final, Fogo Cruzado, Inocente, Cólera, M-19, Ratos de Porão, Decadência Social, Olho Seco, Estado de Coma, e outras pérolas.

Para o festival, reuniram-se todos no SESC, do pacato bairro de classe média da Pompéia, causando apreensão em muita gente ante o aspecto feroz das ruidosas tribos. Só que, nas esquinas próximas ao teatro, grupos hostis começaram a rosnar e acabou rebentando a briga pelo direito de ser mais punk.

Brigas à parte, os punks estão pelas ruas paulistanas. Há um livro do dramaturgo e jornalista Antônio Bivar tentando explicar o movimento. Há dois discos independentes e com uma qualidade de som muito ruim, sintetizando os espetáculos esparsos que acontecem pela cidade: Lixomania e Grito Suburbano. Publicam uns folhetos mimeografados, divulgando as idéias e as letras de músicas punk. Declaram-se pacifistas, ao mesmo tempo em que afirmam que com paz e amor não se muda nada. Mas é bem provável que a maioria desconheça completamente os ideais do movimento e que não tenha a menor idéia de que o emblema que quase todos ostentam - um grande A fechado num círculo - é o símbolo da anarquia.

Ricardo F. Soares

Fonte: MANCHETE (Rio de Janeiro/RJ), edição 1600, 18 de Dezembro de 1982, pág. 150

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