terça-feira, 29 de março de 2022

Luta com um "tigre"

 



LUTA COM UM TIGRE

N'uma correspondencia da Palmeira, que publicou a Imprensa de Porto Alegre deparámos com a seguinte noticia:

"Joaquim Valente, morador d'este municipio, ás 7 horas de uma noite de luar, ouvindo no pateo de sua casa estranho ruido de porcos, sahiu armado de uma espingarda e facão, emquanto um seu genro fôra a um aposento tomar armas.

De chegada no pateo viu Valente um porco que debatia-se com um enorme tigre, e negando logo sua espingarda, e vendo-se cercado pelo tigre cortou uma mão d'este. O tigre mesmo ferido, atirou por terra seu contendor, que, não perdendo o sangue frio pôde, no momento em que o tigre ia cravar-lhe os dentes, descarregar-lhe na bocca um certeiro golpe que inutilisou a articulação dos maxilares.

N'este interim chegou o genro de Valente, e depois de luctarem, o tigre fugiu para o mato, sendo encontrado morto no dia seguinte.

Valente não teve senão algumas fortes arranhaduras no braço."

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 19 de Fevereiro de 1882, pág. 02, col. 03

segunda-feira, 28 de março de 2022

domingo, 27 de março de 2022

Naufrágio no Passo da Lagoa



 - Lê-se em um jornal de Santa Victoria:

"Hontem foi communicado ao Sr. Dr. juiz do commercio e ao Sr. administrador da mesa de rendas geraes que deu á costa no mar, em frente ao Passo da Lagoa, umas quatros leguas distante d'esta villa, um barco allemão que se incendiou.

Trazia carregamento para Buenos-Ayres, com armamento, alcatrão e outros objectos.

Salvou-se o capitão com mais tres pessoas, sendo uma d'ellas filho d'aquelle.

Tres marinheiros que embarcaram n'um bote, buscando a barra do Chuy, desappareceram, presumindo-se que tenham succumbido.

O barco incendiou-se completamente.

A ultima hora recebemos estas informações.

Se colhermos mais pormenores, noticiaremos."

O mesmo jornal adianta mais o seguinte, descordando, porém, do nome do navio que publicámos ao noticiarmos o mesmo sinistro.

"Acham-se n'esta villa os naufragos do navio allemão que se incendiou.

Vinha de Antuerpia com carregamento de alcatrão, breu e armamento, para Buenos-Ayres.

Chama-se Opten, o navio referido.

O incendio começou em os lotes de phosphoros de cera e rapidamente se propagou.

Os tres marinheiros de que fallámos estão no Rio Grande, sendo salvos por um vapor de carreira de Montevidéu."

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 01 de Janeiro de 1882, pág. 01, col. 08

sábado, 26 de março de 2022

Massacre nas Minas de Canaperú



 - Uma folha de Bagé dá minuciosos pormenores do cobarde e horroroso assassinato de 14 subditos brazileiros, assassinados no Estado Oriental por ordem de uma auctoridade militar d'aquella republica.

Diz a alludida folha:

"O coronel encarregado do recrutamento no departamento de Taquarembó, acompanhado de força armada, pois andavam n'este serviço, dirigiu-se ás Minas de Canaperú, recrutou para o serviço 14 individuos, entre estes cinco brazileiros, provavelmente alli empregados.

Sem attender a menor reclamação, poz-se em marcha o heróe, satisfeito com a colheita, indo fazer acampamento ainda cedo, como é costume, em uma casa vizinha, onde, para maior segurança, mandou encerrar em um galpão os recrutados.

Sendo avisado ou suspeitando de que os presos projectavam evadir-se, mandou carregar armas, e fez chamada nominal de cinco, os quaes, ao sahirem, receberam uma descarga, cahindo quatro atravessados pelas balas, e um, que ficou incolume, foi incontinente morto a garrote (pequeno páo) sendo o primeiro a espancal-o um joven official d'essa força de... bandidos!

Não satisfeitos com tanta cobardia e para cumulo de malvadez, entenderam que deviam exterminar os poucos infelizes que restavam, mandando o commandante, já enfurecido, invadir pela força o galpão, e matar a garrotaços os nove existentes!!!

Um menino, que tambem havia sido recrutado no trajecto das Minas á pousada, que se achava em companhia das desventuradas victimas, á voz da mata, movido pelo natural instincto de conservação, escondeu-se por entre os arreios e foi mudo espectador d'essa repugnante hecatombe, e tal foi a impressão moral que lhe produziu tão medonho quadro, tanto horror encarava elle, que o pobre menino, quando foram dar com elle, estava louco!..."

Ainda sobre este assumpto adianta o mesmo jornal:

"Informam-nos ainda o seguinte relativamente aos assassinatos de brazileiros no Estado-Oriental, de que já demos noticia.

O numeo de recrutas attingia a 60, sendo os 14 assassinados todos brazileiros!

Dizem-se tambem que o heroe commandante da força, que ordenou esses barbaros assassinatos, foi um coronel Santos, irmão do actual ministro da guerra d'aquella republica.

E até onde póde chegar a audacia e malvadez de uma auctoridade ignorante e inconsciente do lugar que occupa!"

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 05 de Junho de 1881, pág. 02, col. 03-04

sexta-feira, 25 de março de 2022

Método curioso para curar picadas de cobra

 



Lemos n'um periodico estrangeiro:

"O Sr. Houles referiu ha pouco na Sociedade de Hygiene de Pariz que, quando os negros das Antilhas são mordidos pela cobra cascavel e a coral, que parece a mais terrivel de todas, bebem mais que depressa, e immediatamente se é possivel, um litro de whiskey, e caham promptamente n'um elevado gráu de embriaguez, mas quando ella acaba, o veneno está já eliminado, e a saude volta.

Este facto foi narrado ao auctor por um seu amigo que o verificou por muitas vezes.

Os negros têm tal confiança n'este remedio, que não dão a menor importancia á picada que nós temos como rapidamente mortal.

Qual é a acção do alcool n'estes casos? O auctor não trata de explical-a. Faz me uma outra pergunta, se no caso de picadas anatomicas o alcool não obraria de uma maneira analoga? A este respeito diz que, ha cerca de dezoito mezes um interno dos hospitaes, fazendo a autopsia de um diphterico, picou-se: é facil comprehender quaes foram os sustos que se apoderaram d'elle, que se considerava como um condemnado. Elle tambem, não se sabe por que razão, bebeu alcool em alta dóse e não sentiu algum dos accidentes que acompanham as picadas mesmo as mais benignas.

D'esta approximação não se poderia dar uma verdadeira explicação? O auctor não o sabe, mas julga-se com dever de chamar a attenção dos collegas sobre tal assumpto.

Este facto não é senão uma confirmação de mais do methodo antagonista inculcado pela toxicologia italiana na cura das feridas envenenadas.

Aviso ás pessoas que são mordidas pelas cobras."

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 20 de Abril de 1881, pág. 02, col. 01-02

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