domingo, 6 de março de 2022

Tremor de terra em Santo Cristo



  - De Santo Angelo (S. Pedro do Rio Grande do Sul) escreveram á Descentralisação, em 24 de Abril:

"No dia 17 de Março, deu-se um facto no lugar de Santo Christo, 1o. districto deste termo, que merece ser publicado em seu conceituado jornal. É o seguinte:

Ás 8 1/2 horas da noite ouviu-se um grande estrondo que parecia vir de debaixo da terra, e incontinenti sentiu-se um forte tremor de terra, que durou como um quarto de hora, concluindo tudo por um forte clarão, que produziu a queda de seis pessoas, em casa do sr. capitão Ignacio José Monteiro, fez cahir os pratos que estavam sobre uma mesa; o gado que estava no curral e não estava deitado, tremia como se fosse atacado de alguma molestia.

Quando as pessoas levantaram-se, sentiram dôres, porque estava com os musculos contrahidos.

Os cães gritavam. Um rego d'agua que ha na habitação do mesmo sr. capitão, lançou fóra toda a agua.

Este tremor foi presentido em uma distancia, de seis leguas.

No outro dia foram examinar os lugares adjacentes, e nada encontraram que fizesse crêr, que tivesse havido o narrado.

Conto o facto tal qual ouvi, e garanto a veracidade do que deixo dito, porque a pessoa que me contou foi testemunha e é de todo o credito."

Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 06 de Junho de 1883, pág. 02, col. 01

sábado, 5 de março de 2022

Um grandioso funeral em Pelotas

 



ENTERRO DE UMA RAINHA NO RIO GRANDE DO SUL

Em Pelotas morreu a rainha dos bohemios alli acompanhados.

Este facto não causou abalo ao cambio; mas, em compensação attrahiu para cima de oitocentas pessoas, pouco mais ou menos, avidas, de saber como se chamava a rainha, de que tinha fallecido, qual o medico que a tratou, como iria vestida, que tal seria o enterro, etc.

No meio de um sem numero de lamentações e lagrimas que cruciavam o coração, elevou-se uma capella ardente, em que foi collocado o real corpo, vestido da seguinte fórma:

Uma tunica de seda côr de rosa, primorosamente bordada de filagranna de prata, uns calções do mesmo tecido e côr, golpeado de fôfos de filó branco, botas de marroquim encarnado e turbante, de gaze: tudo muito bem combinado.

Era espectaculo digno de respeito o que apresentava o acampamento; mulheres, homens e crianças com a cabeça descoberta entoavam preces em voz lacrimosa, implorando o descanso eterno de sua rainha e pranteando magoados o passamento de sua chefe, porque ha a notar uma circumstancia a fallecida, era a progenitora da tribu, de sorte que, esta não chorava só a morte de sua rainha, mas tambem a de uma mãe, avó, sogra, etc., etc.

As crianças, coitadinhas, esgazeavam os olhos, espantados, ante aquelle espectaculo nova para ellas.

O marido e filhos da finada conservavam-se de joelhos com os olhos fitos no céo horas inteiras, transparecendo-lhes nas faces os signaes da mais acerba dôr.

No domingo, de manhã, pelas 8 horas, grande era o concurso de povo, a pé, em carros, a cavallo, commentado o acontecimento das fórmas mais extravagantes possiveis e aguardando impaciente o desfilar do prestito.

De instante a instante fazia-se ouvir o som lugubre dos funeraes que tocava a banda de musica União, que, já na vespera, tinha concorrido para a solemnidade do acto.

Ás 10 horas chegaram dous sacerdotes, revestidos de seus habitos e dispensaram ao corpo da finada os ultimos sacramentos.

Por esta occasião, imponente era o silencio da multidão, cortado, unicamente, pelas chalaças de algum idiota que se julgava nas corridas de touros, ou de alguma alma depravada e impia que, fazendo apparato de seus máos sentimentos, atirava á face da morte, alguma estridula gargalhada de escarneo.

Depois da encommendação sahiu o caixão, cujas argolas seguravam os principaes da tribu, seguindo-se grande acompanhamento de carros e povo a pé.

Ao chegar á ponte de Santa Barbara depositaram o caixão no carro funebre de 1a. classe, sendo estes seguido da referida banda de musica e curiosos.

O cadaver foi dado á sepultura em terreno comprado pelos beduinos, que tiveram o trabalho de mural-o e preparal-o mui decentemente.

Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 25 de Março de 1883, pág. 02, col. 01-02

quinta-feira, 3 de março de 2022

Escravizados no Rio Grande do Sul em 1881

 



O Diario de Pelotas dá a seguinte estatistica do estado servil na provincia do Rio Grande do Sul:

Até 30 de Junho do anno passado existiam na provincia 70,430 escravos, sendo 37,369 homens e 33,061 mulheres, distribuidos por 39 municipios.

O municipio que até aquella data contava menor numero de escravos, era o de Santa Cruz, que possuia 65. O que contava maior numero era o de Porto Alegre que tinha 8,001.

Em 30 de Setembro de 1873, quando se fechou a matricula, existiam 91,208, donde se infere que devido ás manumissões e á morte, diminuiu a população escrava na provincia 20,778 individuos no curto periodo de oito annos, o que corresponde a uma quarta parte, approximadamente.

Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 27 de Abril de 1882, pág. 02, col. 03

quarta-feira, 2 de março de 2022

Ataque à Vila de São Luiz

 



No dia 27 do mez passado, foi assaltada a villa de S. Luiz, municipio de S. Borja, na provincia do Rio Grande do Sul por um grupo de 50 homens, que depois de sustentar um tiroteio com a policia assassinarão barbaramente ao alferes honorario Luiz Cavalheiro do Amaral, que se achava preso e que ia responder á jury pelo crime imputado da morte de um fazendeiro do lugar, de nome Souto.

Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 15 de Fevereiro de 1882, pág. 01, col. 03

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