terça-feira, 18 de janeiro de 2022

O Freak Show de Madame Labarrere

 



Uma novidade! Attenção!!! - Madama Labarrere não morreu, teremos o prazer de applaudir sua coragam nas proximas representações que pretende dar nesta cidade.

Parte de sua collecção de animaes vivos aqui se achão, e compõe-se de: um leão com juba negra, emparelhado com uma fuinha.

Um minotauro, animal que até agora passou por fabuloso, em corpo de homem e cabeça de touro completo domesticado e vivendo com um surucucú.

Uma raposa (macho) amancebado com uma tartaruga.

Um abutre, charlatão que com ovos de aranha curas todas as molestias; e dous ursos ensinados como seu pai Malakoff, servindo de guarda-portão.

Todos estes curiosos animaes forão vistos no theatro na noite de Sete de Setembro.

A empreza Cavedagni, attendendo á sua raridade, franqueou-lhes gratuitamente um camarote.

Notou-se que todos os machos tinhão dobrada vista de que os de sua especie.

Fonte: O INDEPENDENTE: JORNAL LITTERARIO, RECREATIVO E NOTICIOSO (Rio Grande/RS), 15 de Setembro de 1862, pág. 02, col. 01

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Os Aguadeiros em Alegrete

 



OS AGUADEIROS

Em vista do inqualificavel abuso que ultimamente têm feito os vendedores d'agua, negando-se a fornecel-a a quem não pode comprar uma pipa, o activo Intendente, no louvavel intuito de favorecer as classes pobres e a todos em geral, determinou, em edital publicado nesta folha, que todo e qualquer aguadeiro que se negasse á vender um ou mais baldes d'agua fosse multado em cinco mil réis e o dobro na reincidencia.

Não temos senão encomios para a acertada medida do illustre administrador.

Porem é...que...como diz um velho anexim: o tiro saio pela culatra.

É o caso que o srs. aguadeiros, zangados pela repressão do seu máo proceder, elevaram o preço do balde d'agua a 60 réis, chegando até, alguns, a exigir 100 rs. que lhes foram pagos pela necessidade da occasião.

A pipa d'agua tem 28 baldes, vendidos a 40 réis fazem a quantia de 1120 réis, - quatrocentos e vinte réis mais do que pedem pela pipa; ora, vendendo a 60 e a 100 réis a differença é enorme e o desaforo, - permittam-nos a expressão - é masculo.

As pessoas a quem lhes foi extorquida a exhorbitancia de 100 réis por um balde d'agua, estão promptas, se for necessario.

Não haverá um meio de fazer entrar nos trilhos os descarrilados aguadeiros.

Fonte: GAZETA DE ALEGRETE (Alegrete/RS), 05 de Janeiro de 1893, pág. 02, col. 03

sábado, 15 de janeiro de 2022

A Lenda da Cachaça

 



Jesus Cristo, certo dia, caminhando por uma estrada, com fome e sede, cansado e com forte sol, avistou um canavial, deitou-se na sombra do mesmo e após ter descansado, chupou uns gomos, acabando com a fome e a sede. Ao retirar-se, estendeu as mãos sobre as canas e as abençoou, prometendo que delas o homem haveria de tirar um alimento bom e doce.

No outro dia, à mesma hora, o diabo saiu das fornalhas do inferno, com os chifres e o rabo queimado, galopando pela mesma estrada foi dar no mesmo canavial. Vendo o verde das canas entendeu de refrescar e espojar-se nas folhas. As canas, porém, atiraram-lhe pelos, começando ele a coçar-se.

Furioso, cortou um gomo e começou a chupar; mas o caldo estava azedo, e caindo-lhe no goto queimou-lhe as goelas. O diabo então danou-se e prometeu que da cana o homem haveria de tirar uma bebida tão ardente como as caldeiras do inferno.

É por isso que a cana dá o açúcar, por causa da benção de Nosso Senhor, e a cachaça, por causa da maldição do diabo.

Fonte: FOLHA POPULAR (Caxias do Sul/RS), 24 de Dezembro de 1981, pág. 07

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Sobrenomes Romenos - Parte 02

 


41. Luca - patronímico do nome homônimo Luca (Lucas).

42. Luminita - luz ou pequena luz.

43. Lupu - lobo.

44. Maier, Mayer - fazendeiro.

45. Marcu - patronímico do nome Marcu (Marcos).

46. Matei - patronímico do nome Matei (Mateus); presente, graça.

47. Mitrea - administrador.

48. Muller - moleiro.

49. Nectaria - néctar.

50. Net - superior.

51. Nicolae, Niculaie - patronímico do nome Nicolae (Nicolau).

52. Nicolescu - patronímico do nome Nicolae (Nicolau).

53. Olarescu - patronímico do nome Olaru.

54. Papa - sacerdote, padre.

55. Pichler - morador de uma colina.

56. Radu - feliz.

57. Rosu - vermelho.

58. Sandu - defensor da humanidade; gentil.

59. Sebastian - patronímico do nome Sebastian (Sebastião).

60. Stefan - patronímico do nome Stefan (Estevão).

61. Suta - canhoto.

62. Tarniceriu - seleiro.

63. Ungureanu - húngaro, procedente da Hungria.

64. Vaduva - viúva.

65. Vulpe - raposa.

66. Weber - tecelão.

67. Zamfir - safira, por extensão, joalheiro.

68. Zugravescu - retrato, pintura.

69. Acheron - rio da aflição ou rio da tristeza.

70. Ambrosia - patronímico do nome Ambrosius (Ambrósio).

71. Aldonold - amigo.

72. Alnwick - fazenda leiteira, tambo.

73. Arnold - patronímico do nome Arnold (Arnaldo).

74. Athanasia - patronímico do nome Athanasius (Atanásio).

75. Bancroft - morador do campo de feijão.

76. Bathory - filho de alguém; fidalgo (o mesmo sentido ibérico da expressão).

77. Celeste - celestial.

78. Carmesim - cor vermelha escura.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Victor Dumoncel



"Na
Gazeta Serrana da Cruz Alta encontrámos esta desoladora notícia da morte, ao serviço da Patria, de um nosso abnegado companheiro de luctas pela Republica:

'Em sua fazenda n'este municipio, para onde foi transportado, falleceu no dia 10 o destemido servidor da Republica tenente-coronel Victor Dumoncel.

Tinha sido n'esse dia ferido na região abdominal, em um encontro havido entre um piquete ás suas ordens e forças federalistas, no Jacuhy.

O dr. Affonso Moraes, que d'aqui accudiu ao chamado, não chegou a tempo de poder-lhe ser util."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 24 de Janeiro de 1894, pág. 02, col. 01

João Pacheco Prates



"No municipio do Rosario, em sua fazenda de Santa Rosa, falleceu a 18 do passado o prestigioso chefe republicano tenente-coronel João Pacheco Prates, commandante do 28o. batalhão da reserva da guarda nacional.

Era um cidadão venerando pelas suas excelsas virtudes, um verdadeiro philantropo em quem a pobreza encontrava sempre um amparo affectuoso.

Essa abnegação fazia relembrar o bispo rio-grandense d. Feliciano Prates, de saudosa memoria, pelo culto ardente que o virtuoso prelado prestou sempre á caridade, e de quem João Pacheco Prates era sobrinho.

O morto era tambem uma legitima influencia politica, toda consagrada ao serviço da Republica.

Aprezentamos á sua exma. familia os nossos pezames."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 08 de Maio de 1893, pág. 02, col. 01
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