sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Sobrenomes Poloneses - Parte 24

 



576. Chwaja - sobrenome com várias bases etimológicas potenciais, dentre elas podendo significar: andarilho, aquele que anda de canto a canto; uma forma derivada do termo chaja que é uma forma regional para judeu; derivado de uma forma dialetal para turbulência (atmosférica), tempestade, dia chuvoso; luta, guerra, contenda; ou ainda, graça.

577. Chwalek - sobrenome patronímico dos nomes polacos antigos Chwalimir, Chwalislaw e Chwalki, sendo tendo eles construídos a partir de um prefixo que tem o significado de glória, glorioso. Outros significados: louvável; orgulhoso, vaidoso; ornamentado; tropa de soldados piqueiros; coisa, pessoa ou lugar que apresenta ornamentação, esplendor.

578. Chwarszczynski - sobrenome toponímico relacionado à aldeia de Chwarszczany, no município de Boleszkowice, distrito de Mysliborski, Pomerânia Ocidental, Polônia.

579. Chwast, Chwastarz - sobrenome que significa erva-daninha, denotando um local em que se encontra este tipo de formação, mormente numa área que anteriormente foi usado com finalidade agrícola. Também um patronímico do antigo nome polaco Chwast. Pode ainda ser um toponímico diretamente relacionado a Chwasty, aldeia no antigo condado de Bialystok.

580. Chwialkowski - sobrenome patronímico do nome pessoal Chwialek ou Chwiala (significa algo como hesitante, vacilante, agudo, oscilante, rabugento). Também um toponímico relacionado a Chwily, aldeia no antigo condado de Wielun.

581. Chwietkiewicz - sobrenome patronímico do nome pessoal Chwietk ou Chwietek (significa algo como hesitante, vacilante, agudo, oscilante, rabugento). Também um metonímico para pessoa de mau humor, rabugenta.

582. Chwilkowski - sobrenome toponímico relativo a Chwila, no antigo condado de Wielun. Pode ainda ter uma raiz etimológica gótica e significar urgente, momentâneo.

583. Chwinda - sobrenome patronímico dos nome pessoais Chwietk ou Chwietek, Chwialek ou Chwiala (significa algo como hesitante, vacilante, agudo, oscilante, rabugento). 

584. Chwirot - sobrenome metonímico que significa vacilante, hesitante, rabugento, cambaleante.

585. Chwist - sobrenome patronímico do nome pessoal Chwist (=velhaco, esperto, trapaceiro, astuto, ladino). Pode ainda ser um metonímico com o mesmo significado.

586. Chwistek - sobrenome patronímico do nome pessoal Chwistek (=velhaco, esperto, trapaceiro, astuto, ladino). Pode ainda ser um metonímico com o mesmo significado.

587. Chyczewski - sobrenome toponímico relacionado aos seguintes locais: Chyczewo, no antigo condado de Plonsk; a antiga localidade Chyczewski ou Hyczewski, na região de Chrynicki; Chyczewo-Orzeszki, no antigo domínio de Zakroczym; Chyczewski, no antigo condado de Korczak; Chyczewo, no antigo condado de Sandowierz; uma outra localidade em Korwin. A maioria destas aldeias ou domínios são extintos atualmente.

588. Chyzynski - sobrenome toponímico relacionado aos seguintes locais: Chyze, no antigo condado de Cieszanów; Chyzyna, no antigo condado de Przemysl; Chyzyny, antigo condado de Nowominsk.

589. Cias - sobrenome metonímico que significa pequeno, muito pequeno, fino, esguio, imperceptível. Também pode ter o sentido de pessoa meticulosa.

590. Cichocki - sobrenome patronímico do nome pessoal Cichy. Também pode ser um metonímico que significa silencioso, taciturno, calmo, gentil, manso. Por fim, um toponímico relativo à aldeia de Cichy, no antigo condado de Olecki.

591. Cichon - sobrenome metonímico que significa silencioso, taciturno, calmo, gentil, manso. Pode ainda ser um patronímico do nome pessoal Cichon, (mesmo significado).

592. Cichosz - sobrenome patronímico do nome pessoal dialetal Cichosz, verificado desde o século XV. Possui o mesmo significado dos itens 590 e 591.

593. Cichowski - sobrenome toponímico relacionados aos nomes de locais Cichowo, Cichów, Ciche, Cichówko, Cichen e Czichowken (em conjunto são denominações encontradas em muitas aldeias e lugares na Polônia e Europa Oriental).

594. Cichy - sobrenome patronímico do nome pessoal Cichy. Também pode ser um metonímico que significa silencioso, taciturno, calmo, gentil, manso. Por fim, um toponímico relativo à aldeia de Cichy, no antigo condado de Olecki.

595. Ciechan - sobrenome patronímico do nome eslavo Ciechoslaw. Também um toponímico relativo aos seguintes lugares: Ciechanie, no antigo condado de Krosno; Ciechanki, duas aldeias, uma no antigo condado de Chelm, outra no antigo condado de Lublin; Ciechanów, no antigo condado de Plock.

596. Ciechon - sobrenome patronímico do nome eslavo Ciechoslaw. Também um patronímico do nome pessoal do século XIII Ciechon. A base etimológica denomina algo como alegria, consolo, felicidade divina.

597. Ciecielag - sobrenome antigo com muitos significados, a seguir: blefe, blefador; esperto; gato; brinquedo; algo bom, útil. O nome pessoal Ciecie é percebido desde a mais remota época na Polônia, podendo indicar tio, tia, isto é, pessoa da casa familiar agrícola feudal que vivia como agregado, podendo ter laço parental ou não.

598. Cieciak, Cieciek - criança mimada, pirralho, filho predileto.

599. Cieciura - grão-de-bico, ervilha, por extensão, horticultor, ou alguma apelação à característica física. Ainda pode indicar profissional que corta algo. Também se inter-relaciona aos significados do item anterior.

600. Cieczkiewicz, Cieckiewicz, Ciecko - mesmos significados dos itens 597 e 599.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

As Bruxas da Ilha de Santa Catarina - Parte 02



"5

A bruxa adora chupar o sangue das criancinhas.

Os pais se precavêm contra essa, possibilidade pondo ao pescoço da criança um rosário de nove dentes de alho e queimando a palha das liliáceas no interior da casa, para afugentar as bruxas.

Não há dúvida de que se trata de bruxedo quando uma criança de menos de um ano, ao adoecer, apresenta o cabelo acarneirado, o corpo coberto de manchas roxas, e mesmo sangrando em alguns pontos, e se mantém de mãos cruzadas sobre o peito (às vezes também os pés cruzados), desatando num choro que mete dó, ao anoitecer, principalmente às sextas-feiras. Em geral, quando a misteriosa moléstia chega a este ponto, os pais já recorreram ao médico da localidade, sem que os seus remédios tenham surtido efeito visível. Vendo a criança definhar, os pais chamam alguma benzedeira ou milagreira, conhecida na redondeza. Esta, ao chegar à casa, confirma - se ficar confusa ou se se puser a bocejar incontidamente - que alguma bruxa está exercendo a sua ação maléfica sobre a criança.

Para penetrar em casa, e chupar o sangue dos pequeninos, as bruxas afinam e alongam o corpo de maneira a passar pelo buraco da fechadura.

A benzedeira ou milagreira persigna-se e aconselha, para obter a cura do doente, ou tratamentos mágicos, se o caso parece de menor importância, ou alguma das armadilhas tradicionais, poderosas para desencantar e desmascarar as bruxas, nos casos mais graves: 

Tratamentos

1) Faz-se um cozimento com cisco das três marés, com o qual se banha a criança. Após o banho, dão-se-lhe três colherinhas do cozimento para beber. O tratamento deve continuar durante nove sextas-feiras. (Em certas épocas, o mar, avançando pela praia, deixa, em três dias sucessivos, camadas de detritos, cisco, a pequena distância uma da outra. Um pouco dos detritos de cada qual dessas camadas forma o cisco das três marés, ingrediente usado para este tratamento mágico).

2) Uma variante do anterior. Faz-se um cozimento com ciscos das encruzilhadas e com ele se dá um banho na criança, fazendo-a beber, em seguida, três colherinhas do líquido. Os entendidos dizem que o remédio se mistura com o sangue da vítima - o que enjoa as bruxas, que dela desistem.

3) Apanha-se uma pedra numa coivara e faz-se uma fogueira em torno dela, até que a pedra fique em brasa; atira-se a pedra numa vasilha com água virgem da fonte; quando a água se torna tépida, retira-se a pedra e dá-se um banho na criança, administrando-lhe, em seguida, três colherinhas da água. A pedra, depois de usada, deve ser reposta no mesmo local. Durante nove sextas-feiras deve-se repetir o tratamento, utilizando, de cada vez, uma pedra diferente.

Armadilhas

1) O pai toma a primeira camisa usada pela criança, criva-a de agulhas, coloca-a dentro de um pilão de chumbar café e, com a mão de pilão, soca-a até que as agulhas penetrem na madeira do pilão - ou seja, no corpo da bruxa, que, não podendo resistir à dor, vai procurar a família, para confessar-se culpada, e perde o encanto.

2) Põe-se uma ceroula do pai, disposta em cruz, sobre a criança. Reza-se o Creio-em-Deus-Padre de trás para diante. Sobre a mesa, ou numa cadeira, coloca-se um pires com água benta, conseguida na igreja, ou comum, apanhada na fonte numa sexta-feira antes do nascer do sol; dentro do pires, um bocado de cera virgem e a chave da porta principal. Os pais devem ficar acordados e atentos, no escuro. Quando a criança chorar (sinal de que a bruxa está a chupar-lhe o sangue), os pais devem, com a cera virgem, tapar o buraco da fechadura. Basta aguardar então o desencanto da bruxa, que se dará exatamente quando o galo preto cantar.

3) Dentro de um baú de folha-de-flandres acende-se uma vela benta; reza-se o Creio-em-Deus-Padre, de trás para diante, sobre a chama da vela e abaixa-se a tampa do baú de tal modo que o ar possa nele penetrar, mantendo viva a chama. Com a casa às escuras, todas as chaves devem ser retiradas das portas e colocadas em cima do baú. Quando a criança chorar, os pais apanham as chaves de cima do baú, introduzem-nas nos buracos das fechaduras e acendem as luzes. Presa, a bruxa, coagida pela oração e pela vela benta, tenta fechar o baú. E, ao sentar-se em cima dele, perde o encanto.

4) Uma variante da anterior. Num meio alqueire de medir farinha, junto à cama da criança, acende-se uma vela benta, sobre a qual se reza o Creio-em-Deus-Padre de trás para diante. A casa deve ficar às escuras, com todas as chaves sobre o meio alqueire. Quando a criança chorar, os pais apanham as chaves, introduzem-nas nas fechaduras e acendem as luzes. A bruxa, sentindo-se presa, procurará sentar-se sobre o meio alqueire, com o que se desencantará.

5) Põe-se uma tesoura, aberta em cruz, numa mesa próxima ao berço da criança. As chaves das portas devem estar num pires com água benta. A casa estará às escuras. Quando a criança chorar, os pais introduzem as chaves nas fechaduras e acendem as luzes. A bruxa, que tem horror a tesouras abertas, perde o encanto.

6) Cozem-se folha de guiné, cordão-de-frade, limoeiro e arruda, nove dentes de alho e um pouco de mostarda. Com esse cozimento dá-se um banho na criança. |Todos os irmãos e todas as pessoas da família, residentes na casa, devem lavar os pés na mesma água, até chegar a vez do pai, que reza o Creio-em-Deus-Padre, de trás para diante, sobre a vasilha. Fecha-se então a porta, deixando-se a chave em falso, quase a cair, pela parte de dentro. Põe-se a vasilha com água do cozimento abaixo da fechadura. Para penetrar na casa a bruxa deve empurrar a chave, que cairá dentro da vasilha, fazendo com que ela se desencante. Esta armadilha deve ser preparada às sextas-feiras, à hora da Ave Maria.

Se estas armadilhas, mais simples, não dão resultado, - há bruxas mais sabidas e mais experientes do que as outras, que não se deixam apanhar com facilidade, - preparam-se outras, mais fortes e mais terríveis, não apenas para desmascarar, mas também para revidar, de algum modo, os poderes maléficos das bruxas, como as duas seguintes:

7) Num prato com água, perto da cama da criança, põem-se nove dentes de alho, numa sexta-feira, à hora da Ave Maria, rezando-se o Creio-em-Deus-Padre, de trás para diante. Uma faca bem afiada deve estar sob a cama do doente. Retiram-se todas as chaves das portas, para que a bruxa possa entrar. Quando a criança chorar, dá-se-lhe uma colherinha da água que está no prato e corta-se, com a faca, um pedacinho da ponta de uma fita vermelha, comprida, que surgirá, descendo da cumeeira da casa, em direção à boca da criança. Guarda-se o pedaço da fita, sem nada dizer a ninguém. Uma estória corrente, relativa a esta armadilha, conta que o pedacinho de fita vermelha se transformou, no bolso do pai, numa orelha humana - a orelha da bruxa, que deste modo pode ser identificada.

8) À hora da Ave Maria, numa sexta-feira, põe-se, numa mesa próxima à cama da criança, um copo de cachaça sobre uma carta (usada) de baralho; com um cigarro de palha, de fumo-de-corda forte, e uma faca afiada e pontiaguda, faz-se uma cruz sobre a mesa. Reza-se o Creio-em-Deus-Padre, de trás para diante. Quando a criança chorar, retira-se o copo de cima da carta de baralho, apanha-se a faca e com ela se golpeia ou decepa qualquer parte de um bicho que aparecerá nas bordas do copo ou em cima do cigarro ou da carta de baralho. Uma estória referente a esta armadilha conta que o pai, tendo cortado a pata de um rã que se equilibrava na borda do copo, viu-a transformada em dedos humanos - os dedos da bruxa que chupava o sangue do seu filho.

Nestes dois últimos tipos de armadilha, no dia seguinte corre a notícia de que uma mulher da vizinhança foi acidentada. O pai, que deve manter o maior sigilo, terá de procurá-la, para que a armadilha dê o esperado resultado - a transformação mágica, em parte do corpo, das coisas que conseguiu arrancar à bruxa, quando esta cumpria o seu triste destino.

Sempre que preparam uma armadilha, os pais devem estar prevenidos com um rabo-de-tatu, conservado no fumeiro da cozinha, para, quando a bruxa reassumir a forma humana, aplicar-lhe uma boa surra, até fazer sangue. Para reforçar a quebra do encanto, as feridas da bruxa devem ser lavadas em salmoura - sal, pimenta e alho ou sal, cachaça e vinagre.

6

As bruxas, poder maléfico solto sobre o mundo, são a maldade pela maldade, sem endereço nem predileções: não há a possibilidade de alguém as induzir a perseguir esta ou aquela pessoa e nem mesmo os parentes e os amigos estão livres das suas travessuras ou das suas crueldades.

Para a população em geral, são elas as responsáveis diretas, tanto por boa parte dos acontecimentos sem explicação plausível como por apreciável percentagem da mortalidade infantil (130,2 por mil nascidos vivos em 1957) registrada na ilha de Santa Catarina."

 Fonte: CASCAES, Franklin. As bruxas da Ilha de Santa Catarina. In: Revista Brasileira de Folclore, Rio de Janeiro/RJ, Ministério da Educação e Cultura, 1963, pág. 125-130.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

As Bruxas da Ilha de Santa Catarina - Parte 01

 



"Este ano de 1963 verificaram-se três casos de mortes de crianças, por artes das bruxas, na cidade de Florianópolis e no interior da ilha de Santa Catarina. A conselho de benzedeiras e milagreiras, os pais das pequeninas vítimas prepararam as armadilhas tradicionais, mas somente uma das bruxas foi apanhada.

Quem são estas estranhas criaturas?

1

Os entendidos dizem que, se um casal tem seguidamente sete filhas, a mais velha ou a mais moça delas está predestinada a transformar-se em bruxa, em especial se as meninas são feias, esqueléticas, de nariz adunco e de hábitos mais ou menos estranhos. Há um modo de evitá-lo. À medida que as meninas vão nascendo os pais fazem com que as irmãs mais velhas batizem as mais moças, dando-lhes o nome de Benta; e, após o batismo, despem as crianças e administram-lhes uma colherinha de vinho virgem, vestindo-as em seguida com a mesma roupa, mas pelo avesso, até o galo preto cantar. Parece, porém, que tal cautela tem sido pouco observada - ou não haveria tantas bruxas a assombrar a ilha.

As bruxas costumam aparecer, com mais frequência, na Ponta da Feiticeira, no distrito dos Ingleses, onde em certas noites se pode ver um facho de fogo errante, a passear sobre as casas do lugar; mas também forma localizadas em Santo Antônio de Lisboa, Pântano do Sul, Ponte das Canas, Lagoa da Conceição, Rio Tavares, Morro das Pedras, Ribeirão da Ilha e Barra do Sul.

Em meio a gargalhadas estridentes e sinistras, as bruxas divertem-se nos pastos, ora dando nós nos rabos e crinas dos cavalos (nós que seriam indesatáveis), ora chupando-lhes o sangue, ora obrigando-os a galopar às tontas; nas encruzilhadas dos caminhos, às vezes transformadas em mulas, oferecendo montaria aos viajantes incautos, ou na forma de galinhas chocas; na praia, soltam as canoas dos pescadores, enleiam-lhes o espinhel, sujam-lhes as velas; em casa, aboletam-se no encosto de bancos e cadeiras, pondo os pés sujos de lama e de fezes no assento para sujar a roupa das pessoas da família; e, em geral, atiram pedras, torrões de barro (barro de cemitério), junta-de-cobra e matérias fecais sobre coisas, animais e pessoas.

Quando há figueiras e carvalhos na redondeza, reúnem-se em concílio sobre as suas ramagens, para treinar as novas bruxas ou para combinar as travessuras da noite, mas o seu ponto preferido de reunião, às quintas e sextas-feiras, a horas mortas, são casas abandonadas ou mal-assombradas.

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Nesses dias as bruxas despem-se, escondem as roupas sob folhas de mato, em touças de bananeira ou sob os paneiros das canoas dos pescadores, esfregam no corpo unto virgem e pronunciam as palavras mágicas:

Por cima do silvado e por baixo do telhado

a que algumas vezes acrescentam formada em bicho mandado.

Estão aptas, então, a toda sorte de estrepolias. Locomovem-se em lanchas baleeiras, canoas bordadas e de borda lisa, lombo de cavalo, carro de boi, vassoura, - e nem sempre limitam as suas andanças à ilha, largando-se pelo mundo a visitar países em todos os continentes.

O encanto dura algumas horas, a partir da Ave Maria, marcadas pelos sucessivos cantos de aviso do galo branco, do galo amarelo e do galo preto. Se o canto do galo preto as surpreender ainda a cumprir o fado, as bruxas não poderão voltar novamente à forma humana.

3

Os habitantes da ilha conhecem um esconjuro contra as bruxas,

Bruxa 

tatarabruxa

Aguilhão nos teus pés

e antolhos nos teus olhos

Tu não me entras aqui nesta casa,

nem esta comarca toda

Em nome de Deus e da Virgem Maria, Amém

Mas alguns deles, não tão crédulos no simples poder das palavras, quando as pressentem se valem de vários contra para mantê-las à distância: desenham a cruz do sino Saimão na porta da casa; despem a roupa e vestem-na pelo avesso; põem uma faca entre dentes com o corte para fora... Acredita-se que o sino Saimão prenda a bruxa ao local.

Uma defesa permanente é o breve em que se reúnem um pedacinho de madeira com a cruz do sino Saimão, um pedacinho de esporão de galo preto, um pouco de pó da gema de um ovo da Sexta-Feira Santa, um pedaço de unha de gato preto e três grãos de mostarda.

4

A aparência das bruxas apavora e terrifica.

Pessoas que com elas tiveram contato dizem que são feias como os sete pecados, que os seus olhos chispam fogo e que nas mãos engelhadas empunham fachos de luz de cores diversas, que sacodem no ar numa chuva de faíscas.

Uma bruxa, que costumava ficar ao leme de uma lancha que toda semana furtava na praia, tinha o corpo coberto de escamas negras e as unhas das mãos semelhavam pontas de lança, os cabelos compridos caíam pela pôpa sobre o mar, deixando no rastro um fogo de ardentia, nos olhos chamejavam dois feixes de luz e os pés eram como patas de mula..."

Fonte: CASCAES, Franklin. As bruxas da Ilha de Santa Catarina. In: Revista Brasileira de Folclore, Rio de Janeiro/RJ, Ministério da Educação e Cultura, 1963, pág. 125-130.


terça-feira, 7 de setembro de 2021

Pelotas comemora a Independência do Brasil em 1860



"NOTICIARIO

Carro triumphante. - Foi bem imaginado esse festejo popular e nada deixou a desejar a execução.

O carro era precedido por duas alas de marujos e de jardineiros, vestidos com luxo e fazendo um bello effeito.

O carro todo dourado supportara a figura do Brasil, representando uma indigena em todo o esplendor do seu traje, que na sombra d'uma palmeira se encostava á cruz que deu o seu primeiro nome á terra descoberta por Cabral.

Seguia-se ao carro triumphante um grande carro com a orchestra, que durante o transito pela cidade tocou lindas peças e formava o fim do prestito um bem executado vapor sobre rodas e puxado por cavallos, trazendo ao leme o competente piloto.

Esse festejo agradou bastante e foi muito applaudido.

Festejos. - Durante as tres ultimas noites tiveram lugar os festejos publicos no tablado da praça.

As danças de jardineiros, marujos, indígenas, foram interveradas com continuas recitações de poesias, algumas das quaes tinham bastante merito, ao passo que outras não passaram de mediocres.

Na primeira noite distinguio-se sobre tudo um grupo de 3 meninos, que, vestidos á caracter, recitaram tres sonetos: era um delles filho do Sr. Deophanes Chagas, representando o Brasil em figura d'um indigena, e dois do Sr. Custodio Manoel d'Oliveira, trajando o mais velho o uniforme da guarda nacional e estando o mais moço vestido á côrte.

Os sonetos por elles recitados, producções do illustrado Sr. Antonio de Vasconcellos Vieira Diniz, foram muitos applaudidos, não só pela sua belleza e valor poetico, mas tambem pela maneira com que foram recitados, por que todos os tres pequenos recitaram com ardôr e gaz extraordinario, sendo cobertos de applausos pelos assistentes.

Prometteram nos obsequiar-nos com os 3 sonetos em questão e se os obtivermos dal-os-hemos á estampa no Brado."

Fonte: O BRADO DO SUL (Pelotas/RS), 15 de Setembro de 1860, pág. 01, col. 03-04

domingo, 5 de setembro de 2021

Sobrenomes Poloneses - Parte 23

 



551. Chomiczewski - sobrenome toponímico relativo ao nome local Chomiczew, aldeia no antigo condado de Pinsk, ou a Chomicze, nome de aldeia observado nos antigos condados de Wylkowysk e Bobrujski. Também pode ser um patronímico do nome pessoal polaco Chom, que é uma forma hipocorística do nome Tomasz (Tomás em português).

552. Chominski - sobrenome patronímico do nome polaco Chom, forma hipocorística do nome Tomasz (Tomás em português). Figurativamente, a forma também foi usada para pessoa incrédula, desconfiada.

553. Chopcian - sobrenome metonímico que significa aquele que agarra, aquele que pega, aquele que coleta. Tem haver com um ofício profissional extrativista. Na região de Varsóvia, pode corresponder a "saltador",  talvez por extensão, domador de cavalos, cuidador de cavalos.

554. Choragwicki - sobrenome toponímico relacionado à cidade de Choragwica, na região da Cracóvia.

555. Chorchos - sobrenome patronímico do nome pessoal alemão Horch (=aquele que escuta, ouve). No caso a forma Chorch ou Chorcho é uma eslavização.

556. Chorobik - sobrenome patronímico do nome pessoal Chorobik, que significa doente, pessoa sem saúde.

557. Choromanski - sobrenome toponímico relacionado aos seguintes locais: Choromanski, em Lubicz; Choromanski, em Jastrzebiec; Choromany, em Ostrolecki; Choromanski ou Choroman, em Lubicz; Choromany, em Lomza; Choromany-Traszak, em Trzaska; Choromany-Pauzy, em Lomza.

558. Choroszczak - sobrenome patronímico do nome pessoal Choroszczak, que é derivado do nome ucraniano Chorosz (=bom). Outros significados: ramos secos; matagal, formação de mato densa num relevo de pradaria. O sobrenome pode ainda ser uma forma para mendigo, indigente - associado à expressão medieval eslava toda a sua BONDADE por um centavo.

559. Choroszewski - sobrenome toponímico relativo ao nome de lugar Chorosza, observado nos antigos condados de Lipowiec e Borysowski; ou a Choroszewicze, no antigo condado de Slonim. Também pode ser um patronímico do nome pessoal Choroszczak, que é derivado do nome ucraniano Chorosz (=bom).

560. Choruzy - sobrenome metonímico que significa porta-bandeira, soldado que carrega a bandeira, oficial do antigo exército polonês responsável pela condução e conservação da flâmula militar.

561. Chosia - sobrenome patronímico do nome pessoal alemão Höss, derivado do nome étnico Hesse, por sua vez vinculado a Hassa (forma arcaica). O nome foi polonizado foneticamente.

562. Chrabanski - sobrenome associado ao termo proto-eslavo xrobati que significa raspar, morder, riscar, estando vinculado a um ofício extrativista vegetal que é a coleta de resina de determinadas árvores para uso artesanal em pintura, tinturaria, couraria, farmacopeia, etc. Também se considera que tenha relação com o termo chrabot que significa velho, coisa velha, lugar velho (em alusão ao seu aspecto, portanto, subúrbio, aldeia decadente, etc.).

563. Chrachalo, Chrachol - grunhido, cuspe, estrondo, algo frágil, choro, catarro. Sobrenome de muitas interpretações. Pode ainda ser um toponímico relativo à cidade Hrachowo, na Hungria.

564. Chrapowicki - sobrenome toponímico relativo a Chrapowice, aldeia no antigo condado de Panevezy; Chrapowieckie, no antigo condado de Maryampolski; Chrapy, nos antigos condados de Leczyca, Lipno e Sierpc. Pode ainda indicar um tipo de pântano ou uma espécie de crosta congelada que se forma sobre a neve e que não derrete de imediato.

565. Christian - sobrenome tanto metonímico quanto patronímico do nome Christian. Significa cristão.

566. Christoph - sobrenome patronímico do nome Christoph (Cristóvão em português).

567. Chromik - sobrenome metonímico que significa coxo, aleijado, manco, ferido.

568. Chrostek - sobrenome metonímico que corresponde a um tipo de matagal de ramos secos comum ao relevo da Europa Oriental. Também tem o sentido de erva daninha. Pode ainda significar frango, galináceo, porém a Onomástica interpreta de forma diversa, atribuindo as duas primeiras explicações como originárias.

569. Chruscinski - sobrenome toponímico relativo aos seguintes locais: Chrósty, no antigo condado de Opole; Chróstowo, no antigo condado de Kartuzy; Chruscin, no antigo condado de Kolo; Chrustów, no antigo condado de Kalisz; Chruszczyn, no antigo condado de Odolanów; Chruszczyna, no antigo condado de Pinczów. O sobrenome pode também indicar morador do mato, do bosque, da vegetação densa.

570. Chrzanowski - sobrenome toponímico relativo aos seguintes locais: Chrzan, no antigo condado de Wrzesnia; Chrzanów, nome de aldeia percebido nos antigos condados de Varsóvia, Blonski, Janowski, Stopnicki, Slucki e Pleszewski; Chrzanowice, nome de aldeia encontrado nos antigos condados de Kalisz e Noworadomski; Chrzanowo, nome de aldeia encontrado nos antigos condados de Slupca, Ciechanów, Kolno, Makowski, Wagrowiec e Lecki; Chrzany, aldeia no antigo condado de Sochaczew. O vocábulo chrzan designa a raiz-forte (planta).

571. Chrzescian, Chrzescijan - sobrenome metonímico que significa cristão. Pode ainda significar tão somente camponês, agricultor, dado a palavra arcaica kriestjanin ter esse sentido metafórico.

572. Chudoba - sobrenome metonímico que significa magro. Porém, pode ainda ter o sentido figurativo de pobre, privado de posses. Na Idade Média, também era um nome pessoal, sendo assim elencado igualmente como patronímico.

573. Chudowolski - sobrenome toponímico relativo ao nome de lugar Chudowola ou Chudawola, registrado nos antigos condados de Grójec e Lubartów.

574. Chudzian - sobrenome metonímico que significa magro. Porém, pode ainda ter o sentido figurativo de pobre, privado de posses.

575. Chutkiewicz - sobrenome metonímico que significa disposto, zeloso, diligente, ansioso.

sábado, 4 de setembro de 2021

Sobrenomes Poloneses - Parte 22



526. Cechlowski -
sobrenome toponímico 
toponímico referente ao nome de aldeia Chechlo, observado nos antigos condados de Olkusz, Laski, Toszeckogliwicki e Bytom; ou também ao nome de aldeia Chechly, anotado nos antigos condados de Kozienicki, Ropczycki, Maków, Lecki e Olecki. Também pode ser um metonímico para trapaceiro.

527. Chelkowski, Chlebicki - sobrenome toponímico relacionado à aldeia de Chelkowo, no antigo condado de Koscian, ou a Chelcha, denominação que batiza nove aldeias no antigo condado de Makowski e duas no antigo condado de Olecki. Pode ainda ser um metonímico para chorão, lamuriante, triste.

528. Chernacki - sobrenome metonímico de aspecto amplo que pode significar vivaz, belo, corajoso, bonito, gracioso, orgulhoso, arrogante, audacioso, rude, etc. A atribuição do apelido/sobrenome varia conforme o uso que o adjetivo original harny/herny foi empregado inicialmente.

529. Checinski - sobrenome toponímico relacionado a Checiny, aldeia no antigo condado de Turki, ou Checina, nome de aldeia verificado nos antigos condados de Kielce e Mielec. Também pode significar: vontade, voluntarioso, desejo, intenção, coragem, bondade, prontidão, favor, afeto.

530. Chec - vontade, voluntarioso, desejo, intenção, coragem, bondade, prontidão, favor, afeto.

531. Chilkiewicz - sobrenome patronímico do nome Hilary (Hilário em português). Ou ainda um toponímico referente a aldeia de Chilki, mencionada no antigo condado de Kaniów. Também pode ser um patronímico de Chilko, forma hipocorística do nome Filimon (Filêmon em português). Outros significados: curva, suco feito à base de leite; inclinação, declive.

532. Chitruszko - sobrenome metonímico que significa astuto, sábio, prudente, esperto, ágil, rápido, curioso. Também um toponímico relativo à aldeia de Chytrowo, no antigo distrito de Srem.

533. Chlebus - sobrenome patronímico do nome pessoal Chleb (significa pão, refeição, mas também pode ter o sentido de aquele que tem algum tipo de sustento, riqueza).

534. Chluski - sobrenome patronímico do nome pessoal Chlus, este por sua vez uma forma hipocorística do nome Nikolaus. Nas regiões eslavas orientais, o termo tem o sentido de bobo, palhaço, mentiroso, cômico.

535. Chmelik - sobrenome patronímico do nome pessoal Chmel. Também um sobrenome metonímico que designa o cultivador ou comerciante de lúpulo. Por fim, um toponímico relacionado ao nome de lugar Chmiel, verificado no antigo condado de Lublin, ou a Chmiele, no antigo condado de Szcuczyn.

536. Chmielewski - sobrenome toponímico relativo ao seguintes locais: Chmiel, no antigo condado de Lublin; Chmiele, no antigo condado de Szczuczyn; Chmielewo, anotado nos condados de Lomza, Plock, Ciechanów, Mlawa, Ostrów, Sejny, Obornicki e Bydgoszcz; Chmielów, nos antigos condados de Nowy Minsk, Pinczów, Opatów, Kozienicki, Wlodawa, Tarnobrzeg e Sokolów; Chmielowa, nos condados de Horzopolce e Winnicki. Também pode ser um metonímico para cultivador ou comerciante de lúpulo. Por fim, pode indicar bigode, homem com bigode.

537. Chmielinski - sobrenome toponímico relacionado aos nomes de lugar Chmielno e Chmielen (inúmeros locais na Polônia e Europa Oriental). Também pode ser um metonímico para cultivador ou comerciante de lúpulo. Por fim, pode indicar bigode, homem com bigode.

538. Chmist - sobrenome metonímico que significa homem pequeno, homenzinho. Outros significados: cavalo pequeno, espécie de pônei; arbusto de folha caduca; local de arbustos; local de floresta decídua.

539. Chochól - sobrenome de ampla possibilidade de interpretação, a seguir: um topo redondo e pontudo; uma ponta acima; tufo na cabeça, mecha de cabelo no topo; um tipo de pelagem animal; o feixe mais alto numa pilha de cereais; espécie de cobertura usada por pastores; nevasca, tempestade. Existiu uma aldeia Hohol ou Hohul no antigo condado de Lubicz, no século XVII.

540. Chodak - dono de casa, dono de um manso agrícola; aquele que anda, andarilho; sapateiro; sapato ruim; perna, pata, pegada; simplório; filho bastardo; lavrador; pugilar. 

541. Chodkiewicz - andarilho, nômade; um patronímico do nome Chodor (forma dialetal para o nome grego Theodoros); um toponímico para o lugar Chodecz, mencionado no antigo condado de Wloclawek.

542. Chodorek - sobrenome patronímico do nome eslavo oriental Chodor (corresponde ao grego Theodoros). Também um toponímico relativo aos seguintes locais: Chodorki, nome de aldeia anotado nos antigos condados de Augustów e Nowogradwolynski; Chodory, nome de aldeia verificado nos antigos condados de Radomyski e Bielski.

543. Chodup - sobrenome toponímico relacionado à aldeia de Chodup, no antigo condado de Ciechanów. Também um patronímico do antigo nome masculino Chodupa, de origem na Mazóvia, registrado no século XIII.

544. Chodyniecki - sobrenome toponímico relativo à aldeia de Chodynicze, observada em tempos antigos nas regiões fronteiriças do Leste da Polônia, hoje já extinta. Ou ainda um metonímico para criador de porcos, a partir do substantivo choda (=porco, pé fendido).

545. Chodyra - sobrenome patronímico do nome eslavo oriental Chodor (corresponde ao grego Theodoros). Também um toponímico relativo aos seguintes locais: Chodorki, nome de aldeia anotado nos antigos condados de Augustów e Nowogradwolynski; Chodory, nome de aldeia verificado nos antigos condados de Radomyski e Bielski. Ainda pode corresponder a vagante, andarilho.

546. Chojecki - sobrenome toponímico relacionado à aldeia de Choja, no antigo condado de Siedlce. Ou ainda, genericamente: lugar de pinheiros, floresta de pinheiros, floresta de coníferas (em referência a um habitante deste tipo de relevo).

547. Chojenski - sobrenome toponímico relacionado aos nomes de aldeias Chojno e Chojny (são várias em toda a Polônia). Ou ainda, à aldeia de Choja, no antigo condado de Siedlce; ou à aldeia de Chojane, no antigo feudo da Mazóvia; ou à aldeia de Chojeniec, no antigo condado de Chelm. O termo choja se refere a uma espécie de pinheiro, por extensão, lugar de pinheiros.

548. Chojnacki - sobrenome toponímico relacionado aos seguintes locais: Chojnata, aldeia no antigo condado de Skierniewice; Choja, no antigo condado de Siedlce; Chojna, encontrado nos antigos condados de Maryampolski, Wagrowiec e Kartuzy; Chojne, aldeia no antigo condado de Sieradz; Chojny, topônimo verificado nos antigos condados de Wloclawski, Kolo, Lódzkie, Wielunski, Jedrzejowski, Lomza, Lublin, Garwolin e Nowy Minsk. O termo chojna se refere a pinheiro pequeno, pinheiro jovem, por extensão, lugar de pinheiros jovens.

549. Chojnowski - sobrenome toponímico relativo aos nomes de aldeias Chojnów, Chojnowo e Chojna (inúmeras aldeias e lugares em toda a Polônia).

550. Cholewinski - sobrenome toponímico relativo a Cholewa, nome de aldeia observado no antigo condado de Sycowski, ou Cholewy, nome de aldeia percebido nos antigos condados de Blonski, Plonski e Lomza. Pode ainda ser um patronímico do nome pessoal polaco Cholewa. Outros significados: o cano de uma bota ou calçado; homem bêbado; chefe de uma turba; lugar ou coisa que traz fluxo d'água, vazamento; piolho.

 

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