Polícia-inglesa-do-sul (Sturnella superciliaris)
História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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quinta-feira, 13 de maio de 2021
quarta-feira, 12 de maio de 2021
O buraco assombrado da Cavalhada
"Curioso
No morro da Cavalhada - Subterraneo - Explorações.
É curioso bastante o facto que adeante passamos a relatar, da descoberta de um buraco mal assombrado (como dizem no local), no morro da Cavalhada.
Hontem, á tarde, andavam, em passeio de bicycleta, o nosso co-religionario Cecilio Monza e os srs. Alberto Dihel e João Simon, pela estrada da Cavalhada, quando tiveram conhecimento da existencia de tal buraco.
Levados por natural curiosidade, indagaram do logar em que se achava elle situado e, para alli seguindo, dentro de poucos minutos tomaram por uma picada muito estreita, quasi impossivel de ser transitada em bicycleta, de dois metros de largura, cercada de matto por todos os lados.
Depois de cerca de meia hora de marcha, foram dar os excursionistas a uma canhada, junto ao morro, onde estava reunida muita gente, entre homens e mulheres, curiosos como os cyclistas.
Estes viram então o tal buraco, que mede cerca de um metro de comprido e meio de largura, aberto junto a um valho, por onde correm as aguas quando chove.
Até o momento em que os tres cyclistas ali foram ter ninguem, dos presentes, havia tentado passar para o interior do mysterioso subterraneo.
Resolveram aquelles ahi penetrar e, como era completa a escuridão, riscaram phosphoros e proseguiram, indo até cerca de quinze metros.
Foram, porém, obrigados a retroceder, por ter faltado phosphoros.
Obtiveram depois uma vela e novamente internaram-se no escuro corredor, então já acompanhados do agente municipal n. 200, pertencente ao 4o. posto, conseguindo percorrer cerca de 25 a 30 metros.
Passado o buraco de entrada, o caminho do subterraneo era magnifico, tendo sido o corredor muito bem aberto, com dois a tres metros de altura e um e meio de largura mais ou menos, tudo rebocado devidamente com barro vermelho, onde havia signaes de mão, talvez de quem fez o serviço, e completamente limpo de vegetação.
Faltando ar e querendo apagar-se a luz, os exploradores do subterraneo viram-se obrigados a retroceder novamente.
Na segunda investida pelo subterraneo, o pharmaceutico Cecilio Monza ali encontrou um fragmento de chapa de fogão, que nos enviou e fica em nosso escriptorio, á disposição de quem o quizer ver.
Segundo informaram os moradores do local aos excursionistas-exploradores e que vivem em uma casa das proximidades, ouviram, em uma das ultimas noites, rumores extranhos, semelhantes aos produzidos pelas quédas d'agua das cascatas, e vozes abafadas...
No dia seguinte, procurando investigar o que se passara, deram com a tal abertura no morro, até então desconhecida por todos.
O corredor subterraneo, tão bem feito e limpo, parece atravessar o morro, primeiro em direcção sul, seguindo depois rumo de sul-este.
Accrescentam moradores das proximidades que, ha cerca de quinze annos, mineiros exploram o local.
Outros dão noticias de ha annos ter vivido por aquellas bandas um individuo que morava em uma tóca..."
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Abril de 1903, pág. 01, col. 05
terça-feira, 11 de maio de 2021
segunda-feira, 10 de maio de 2021
Como posso saber se tenho ascendência judaica?
Resposta simples e clara: pesquisa genealógica. E se preferir, pesquisa genética.
Primeiro fato: sobrenome que se enquadra como sobrenome judaico não significa absolutamente nada. Simplesmente porque, embora alguns sobrenomes são mais comuns em linhagens judias, há sempre linhagens cristãs com o mesmo sobrenome que não registram um judeu sequer nas últimas dez gerações anteriores. Além disso, há sobrenomes usados tanto por famílias judias quanto por famílias cristãs ou de outras confissões de forma indistinta. Mesmo aqueles sobrenomes com muito mais probabilidade de serem judeus (e até culturalmente identificados como judeus) não são absolutamente exclusivos judeus. Exemplo: quando se fala o sobrenome Rosenberg, todos reconhecem que é um sobrenome judeu. E está certo! A maioria dos Rosenberg do mundo são judeus. Porém, há uma parte significativa que não tem relação nenhuma com ascendência judaica conhecida. São sobrenomes Rosenberg surgidos por uma questão toponímica (nome de lugar). Inclusive, há uma vertente histórica dos Rosenberg na Áustria e na Boêmia que é muito católica há séculos!
Segundo fato: a cultura fala mais que a ascendência na maioria absoluta dos casos. Vamos entender. Já parou para pensar que cada um de nós tem pai e mãe, mas tem quatro avós, oito bisavós, dezesseis trisavós, trinta e dois tataravós e sessenta e quatro pentavós. Vamos imaginar então que, alguém sendo de uma família de tradição católica, luterana, presbiteriana, espírita, muçulmana, etc., encontra em sua árvore genealógica um tataravô que era judeu. Que legal! Ele legou a religião ou a cultura dele aos seus descendentes? E os outros trinta e um tataravós que você teve eram o quê? Qual religião? Qual procedência étnica? Qual a sua religião hoje? Em que cultura você está inserido e se reconhece hoje? Na verdade, há muita possibilidade de encontrarmos um ou outro ascendente judeu numa árvore genealógica mais profunda. Porém, isso não te credencia a pedir a cidadania junto ao Estado de Israel. Se a sua família é fervorosamente luterana ou católica há quatro ou cinco gerações, e você tem 1/32 avos de judeu, perdão pela sinceridade: mas você não é judeu!
Terceiro fato: sobrenome etimologicamente hebraico não é credencial de judaísmo, nem religioso, nem étnico. Acaso o Velho Testamento cristão não corresponde aos Escritos Sagrados do judaísmo? E isso não inspira o nome a ser dado a homens e mulheres ao longo de inúmeras gerações? Na Europa após a Reforma Protestante, em quase todas as comunidades luteranas, huguenotes, presbiterianos, pietistas, etc., você vai encontrar muitos nomes inspirados na Bíblia. Até nas católicas também! Então, tem muito Abraão, Moisés, Elias, Samuel, David ao longo da história que deram origem a sobrenomes patronímicos como Abrahamsohn, Mosesohn, Elijah, Samuelssohn, Davis, etc. que não tinham nada de judeus. Talvez até alguns odiassem judeus. Aliás, tem o caso também de sobrenomes falsos cognatos, como é o caso do sobrenome Aron - que seria a princípio uma contração do sobrenome Aaron (Aarão). Em algumas partes da Holanda e de regiões da Alemanha, Aron é uma contração de Arnon - esta forma, por sua vez, uma forma dialetal românica do nome germânico Arnold. Então, há sobrenomes Aron que são originários de Aaron, mas há famílias com esse mesmo sobrenome, cuja origem do mesmo é de Arnon/Arnold.
Concluindo, a pesquisa genealógica é a melhor forma de saber suas próprias origens, tanto étnicas, quanto culturais e religiosas. É o caminho seguro para determinar uma ascendência qualquer, até mesmo se o sujeito pretende uma ascendência judaica. E também, encontrar um judeu, um chinês, um escandinavo, etc., perdido na própria árvore genealógica, não significa muita coisa. Principalmente, se essa referência ancestral se perdeu numa linhagem familiar que, na maior parte das gerações, tanto étnica quanto culturalmente se identificava com outro povo ou tradição. O sujeito pode ser descendente de alemães e reportando a três ou quatro gerações atrás ele encontra fervorosos luteranos, ou então, descendentes de italianos, que são católicos há mais de 200 anos e que sempre participaram da procissão em honra à Nossa Senhora do Caravaggio. Mesmo que ele tenha um sobrenome que se enquadre dentro daqueles sobrenomes tradicionalmente atribuídos a famílias judias, o recomendável é prudência e pesquisa séria. E isso que entendo e posso contribuir. Não se precipite. No fim das contas, se você é morador de qualquer uma das Américas, assim como eu, seja bem vindo: somos todos mestiços!
Dica: pesquise na Wikipedia dois verbetes interessantes sobre pessoas que tem o mesmo sobrenome: "Alfred Rosenberg", primeiro; depois, pesquise "Julius e Ethel Rosenberg".
domingo, 9 de maio de 2021
O Vulcão do Jarau
"O Jarau
Um vulcão na fronteira - Os naturalistas - Cumpre-se a prophecia - Quarahy ameaçado.
O nosso colega El Deber, de S. Eugenio, deu ha dias a seguinte noticia, que foi transcripta por muitos jornaes:
'Um visinho de S. João Baptista (Quarahy) nos communica que tendo chegado a esse localidade dois sabios naturalistas, geologos, mineralogicos, encontraram umas quantas pedras pomes ao pé de um vulcão extincto, nos cerros do Jarau, e com grande admiração observaram que desse extincto vulcão saía fumaça impregnada dum forte cheiro de enxofre.
Dizem os sabio alludidos que si chega a fazer erupção esse vulcão, a ardente lava que elle arrojará invadirá o rio Quarahy, transbordando as ambas margens e convertendo-o em um mar de fogo e petroleo.'
A noticia que ahi fica, um canard arromba impingido aos incautos leitores do collega visinho, foi transmittida telegraphicamente a bem informada, espalhafatosa e exagerada imprensa de Montevidéu para alguns jornaes do Rio e para o não menos nem informado Correio do Povo, de Porto Alegre, que, por sua vez, addicionou, á monumental rodella do vulcão do Jarau, algumas notas originaes e fidedignas.
A Fronteira, que foi a causante desse gemer de prelos em editar uma innocente troça, assistia impassivel esse avolumar de factos em torno de um argueiro que, finalmente, pelos collegas foi elevado á cathegoria de cavalleiro.
A origem dessa noticia, podemos asseverar, foi a seguinte piada que, na secção Mosquiteiro, o nosso companheiro Etesbão, o furão, publicou na edição d'A Fronteira de 31 de maio ultimo:
'Devido á erupção de diversos vulcões está o nosso povo muito impressionado com a nossa visinhança com o Jarau, que de um momento para outro é capaz de tambem nos fazer a finesa de dirigir-nos saudações de...lava.
(...).'
Varias pessoas, ou porque tomassem o caso a serio, ou no intuito de fazer o espirito, transmittiram-no, correcta e consideravelmente augmentada, e como quem conta um conto... a alguem da visinha villa de S. Eugenio, chegando aos ouvidos do nosso collega El Deber, que por sua vez editou-a com alguns ponto mais...
De ponto em ponto, como o ovo do marido, da fabula, a noticia foi correndo mundo e adquirindo fóros de verdade. O que era um calembourg e mero gracejo foi transformando se em trovoadas terríveis, crateras expellindo fumo, pedras pomes, chegada de sabios, mineralogicos, naturalistas, e finalmente o rio Quarahy convertido em um oceano de fogo, transbordando pelas margens e inundando tudo, tudo...
Nós, pobresitos! que foramos os causantes de tanta cousa, assistindo de longe ao desencadear das lavas... dos noticiaristas, já meio assustados pensavamos ser a cousa séria quando accudiu-nos á memoria aquella historia do barulho no beco, em que o proprio auctor da pilheria, vende tão grande ajuntamento ali, ia sendo victima de sua troça, e chegámos mesmo a pensar que o Jarau, apesar das boas tres e meia leguas que o dista de nós, já nos circundava de lavas, reduzindo-nos á triste condição de torresmos!
Mas, como tudo tem a sua causa, começámos a cogitar: os vendedores d'agua, cantando do alto de suas pipas, os verduleiros annunciando seus generos, os trabalhadores procurando o sustento no seio da grande mãe terra; tudo isso veio nos fazer duvidar de que verdadeiramente estivessemos torrados, e, para mais nos certificarmos, corremos á casa do amigo Olympio Giudice, cuja fazenda fica ao sopé do carrancudo morro, e ao vermol-o, surpresos, com vida interpelamol-o acerca da terrivel catastrophe, ao que gentil e risonhamente nos respondeu ser inveridica a nova, porquanto os bois mais gordos que pretende vender nesta safra sustentam-se do pasto da cratera do Jarau, e que tal fumaça notada pelo nosso collega El Deber devia ser do enorme cigarro de palha de seu capataz, que tinha o singular habito de parar-se no alto do Jarau, soltando fumaradas para o céo, e que o cheiro de enxofre devia ser, forçosamente, de algum terneiro ao qual o mesmo capataz lhe houvesse curado a bicheira.
Eis ahi, leitores, a explicação do facto de como o vulcão imaginado pelos collegas em plena ebullição ainda não nos queimou a todos.
Collegas do Prata o mesmo da capital do Estado pretenderam-nos dar um furo de pyramidal reportagem, ficando no emtanto furados pela innocente troça.
Queira Deus que o Jarau, para fazer a delícia dos noticiaristas indigenas, não nos fure o bolo, pregando-nos alguma peça quando menos o esperarmos.
Em tempo.
No principio do plano inclinado do Jarau, ha um grande laranjal cujos fructos amarellos, como esterlinas, capazes de tentar ao proprio Santo Antonio caem de maduros, e ahi, como é natural vaão procurar seu sustento grande vara de porcos, que ao disputar a prosa roncam desbragadamente.
Os trovões ouvidos pelos sabios geologos, mineralogos, botanicos, naturalistas, presumimos seja o rouco dos supracitados porcos.
Fica deste modo scientificamente provada a não existencia do vulcão do Jarau.
(Da Fronteira, de Quarahy)."
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Agosto de 1902, pág. 02, col. 01
sábado, 8 de maio de 2021
Leopoldo Miguez
"Leopoldo Miguez
O nosso telegramma de hontem nos annunciou a morte, na capital federal, do laureado patricio Leopoldo Miguez, um primoroso cultor da litteratura musical.
Os seus talentos e aptidões lhe tinham dado um lugar honroso na galeria dos nossos homens notaveis e o seu nome era já respeitado como o de um mestre.
No concurso estabelecido para a leitura de um hymno nacional, logo que se fundou a Republica, foi proferida e premiada a musica de Leopoldo Miguez.
Mais tarde, foi elevado ao logar de director do conservatorio do Rio de Janeiro logar em que prestou relevantes serviços á arte e aos frequentadores daquelle instituto.
Leopoldo Miguez é o auctor da opera Saldunes, representada numa das ultimas estações lyricas do Rio pela companhia Sansone e que lhe grangeou novos triumphos.
A grande arte, que no Brazil tem tão poucos apostolos, verdadeiramente dignos desse nome, perde com Leopoldo Miguez mais um elemento poderoso para a sua grandesa."
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 08 de Julho de 1902, pág. 02, col. 05
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Álvaro Chaves
"DR. ALVARO CHAVES
Falleceu ante-hontem, em Pelotas, cidade de seu nascimento, o distincto rio-grandense Dr. Alvaro Chaves.
Nasceu aos 13 de setembro de 1862 e 1877, concluidos os seus estudos de humanidades, matriculou-se na faculdade de direito de S. Paulo, onde distinguiu-se por seu brilhante talento, ao lado de uma pleiade de moços igualmente talentosos, como Assis Brasil, Julio de Castilhos, Ernesto Alves e outros.
Durante o curso foi um dos mais ardentes propugnadores da causa republicana, idéa a que prestou ate os ultimos mezes de sua existencia o concurso de seu talento, da sua illustração e da sua atividade. Em S. Paulo fundou o Club Republicano 20 de Setembro de que foi orador; aqui a sua palavra fez-se ouvir em conferencias publicas, em clubs politicos, sempre em favor da causa republicana. Na imprensa não foi menor a sua actividade. Fundou a Republica, orgao do Club 20 de Setembro, collaborou em varias revistas e jornaes.
Foi um dos organisadores do partido republicano do Rio Grande do Sul e seus amigos e correligionarios, reconhecendo os bons serviços que havia prestado, fizeram-no candidato á assembléa provincial em mais de uma legislatura e ultimamente á assembléa geral pela provincia do Paraná.
Ultimamente, viajando a Europa, foi sorprendido com a noticia da proclamação da republica no Brasil. Em Madrid, a convite do Cassino Federal, fez uma notavel conferencia acerca do estabelecimento da republica, conferencia que mereceu grandes applausos.
Regressando, partiu para o Rio Grande do Sul, onde falleceu."
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 25 de Fevereiro de 1890, pág. 01, col. 04




