quarta-feira, 3 de março de 2021

"Bicheiros" em Porto Alegre em 1899



"O 'BICHO'

Relação nominal dos individuos chamados até esta data á presença do delegado de policia do 1o. districto como implicados no jogo do bicho:

Albino Martins, portuguez, taverneiro.

José Gonçalves Corrêa Netto, portuguez, taverneiro.

João de Oliveira Primo, portuguez, taverneiro.

Alvaro de Azevedo, portuguez, sem profissão conhecida.

Manoel Francisco de Carvalho, portuguez, taverneiro.

José Teixeira Bastos, portuguez, taverneiro.

Antonio José da Silva Madeira, portuguez, taverneiro.

Miguel Alves de Carvalho, portuguez, sem profissão conhecida.

Aniello Fedullo, italiano, sem profissão conhecida.

Gennaro Francesco, italiano, cambista.

Pasqual Marsicano, italiano, cambista.

Francisco Limonge, italiano, funileiro.

Miguel Baldini, italiano, taverneiro.

Affonso Salatino, italiano, sem profissão conhecida.

Elias Lippo, italiano, sem profissão conhecida.

Miguel Mouront, italiano, cambista.

Rocco Postiglione, italiano, açougueiro.

José Richinetti, italiano, sapateiro.

Salvador Oliva, italiano, engraxate.

João da Silva Lemos, brazileiro, sem profissão conhecida.

Antero de Souza Borges, brazileiro, sem profissão conhecida.

Liberato Gomes Vianna, brazileiro, taverneiro.

Frederico Gerst, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Barbosa Fusquine, brazileiro, tamanqueiro.

Francisco Barbosa Fusquine, brazileiro, colxoeiro.

Pedro Caetano Pereira de Mello, brazileiro, açougueiro.

Albino da Rocha Farias, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Luiz de Mello, brazileiro, sem profissão conhecida.

Lothario de Lavra Pinto, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Silveira Peixoto, brazileiro, taverneiro.

Firmino Pinho, brazileiro, taverneiro.

Heleodoro de Azevedo Filho, brazileiro, sem profissão conhecida.

Florampelio de Castro Loureiro, brazileiro, sem profissão conhecida.

Emygdio Ribeiro de Oliveira, brazileiro, sem profissão conhecida.

Esperidião Alves Chaves, brazileiro, barbeiro.

Coriolano Rosa, brazileiro, sem profissão conhecida.

Lydio de Carvalho, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Antonio Machado Ourique, brazileiro, sem profissão conhecida.

Albano de Souza, brazileiro, sem profissão conhecida.

José dos Santos Motta, brazileiro, sem profissão conhecida.

Godofredo Palma Dias, brazileiro, sem profissão conhecida.

Patricio Praxedes, brazileiro, alfaiate.

Custodio Lopes Pereira, brazileiro, alferes reformado da Brigada Militar.

Bernardo Antonio da Silva, brazileiro, taverneiro.

Jorge Dias, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Alves Garcia, brazileiro, alfaiate.

Serafim Agostinho de Vasconcellos, brazileiro, caixeiro.

Julio Rodrigues Simões, brazileiro, sem profissão conhecida.

Ricardo Antonio de Andrade, brazileiro, caixeiro.

Thomaz Caetano da Silva, brazileiro, cocheiro.

Luiz Terragno de Magalhães, brazileiro, sem profissão conhecida.

Bibiano Severo Leal, brazileiro, sem profissão conhecida.

Joaquim Pinto Meirelles, portuguez, sem profissão conhecida.

Manoel Fernandes Novo, portuguez, taverneiro.

José Pereira Duro, portuguez, cocheiro.

José Gonçalves Netto, portuguez, armador.

Eugenio Oscar Borowski, allemão, caixeiro.

Victor Maximiliano Borowski, allemão, caixeiro.

Boaventura Maia, brazileiro, sem profissão conhecida.

Pelagio Coll, hespanhol, sem profissão conhecida.

Carlos Maroski, italiano, cigarreiro.

João de Macedo Pinto, brazileiro, sem profissão conhecida.

Pellegrine Cuchiarilli, italiano, barbeiro.

Joaquim Monteiro d'Albuquerque, brazileiro, sem profissão conhecida.

Julio Gonçalves da Silva, brazileiro, sem profissão conhecida.

Francisco de Braga Fontoura, brazileiro, sem profissão conhecida.

Augusto Marques Guimarães, portuguez, sem profissão conhecida.

Jeronymo Rodrigues Teixeira, brazileiro, vidraceiro.

João Giovaggini, italiano, sapateiro.

Miguel Juliano, italiano, funileiro.

Temistocle Grecco, italiano, cambista.

Antonio de Carvalho Bastos, portuguez, taverneiro.

Joaquim José de Sá, portuguez, sem profissão conhecida.

Zica Amarante, brazileiro, sem profissão conhecida.

Porto Alegre, 31 de agosto de 1899."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 31 de Agosto de 1899, pág. 02, col. 03

terça-feira, 2 de março de 2021

As Lágrimas de Potira



"Muito antes de os brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras precioas, existiam por aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas, vivendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças e hábitos.

Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira, menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagibá, jovem forte e valente.

Era costume na tribo as mulheres se casarem cedo e os homens assim que se tornassem guerreiros.

Quando Potira chegou à idade do casamento, Itagibá adquiriu sua condição de guerreiro. Não havia como negar que se amavam e que tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens quisessem o amor da indiazinha, nenhum ainda possuía a condição exigida para as bodas, de modo que não houve disputa, e Potira e Itagibá se uniram com muita festa.

Corria o tempo tranquilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os curtos períodos de separação, quando Itagibá saía com os demais para caçar, tornavam os dois ainda mais unidos. Era admirável a alegria do reencontro!

Um dia, no entanto, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido à abundante caça que ali havia, e Itagibá teve que partir com os outros homens para a guerra.

Potira ficou contemplando as canoas que desciam rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber exatamente o que sentia, além da tristeza de se separar de seu amado por um tempo não previsto. Não chorou como as mulheres mais velhas, talvez porque nunca houvesse visto ou vivido o que sucede numa guerra.

Mas todas as tardes ia sentar-se à beira do rio, numa espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava atenta, querendo ouvir o som de um remo batendo na água e ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de volta seu amado. Somente retornava à taba quando o sol se punha e depois de olhar uma última vez, tentando distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.

Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando pouco a pouco. Até que o canto da araponga ressoou na floresta, desta vez não para anunciar a chuva mas para prenunciar que Itagibá não voltaria, pois tinha morrido na batalha.

E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra, como não haveria de fazer nunca mais, ficou à beira do rio para o resto de sua vida, soluçando tristemente. E as lágrimas que desciam pelo seu rosto sem cessar foram-se tornando sólidas e brilhantes no ar, antes de submergir na água e bater no cascalho do fundo.

Dizem que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes, para perpetuar a lembrança daquele amor."

Fonte: BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Contos tradicionais, fábulas, lendas e mitos, vol.2.[Livro Eletrônico] Brasília: FUNDESCOLA/MEC, 2000.



segunda-feira, 1 de março de 2021

Rubinei Machado


 Liderança que zelava por suas convicções, mantinha-se aberto ao diálogo. Contemporizando diferenças, foi permanente debatedor acerca da justiça, dignidade e reparação à comunidade negra. Como diretor do Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo, esteve à frente de projetos que fomentaram tanto a criatividade artística e a integração cultural, quanto a troca de ideias, proporcionando a reflexão acerca da discriminação e preconceito, bem como do contexto ideológico, político e econômico. Rubinei tanto incentivava a Biblioteca Negra do Fica Ahí, quanto a “rústica” comemorativa a Zumbi no 20 de novembro. Liderança do movimento negro, empenhou-se pela vinda de autores para lançamento de livros, e esteve junto da organização de inúmeras palestras com convidados do País e exterior. 

Uma das reflexões de Rubinei: “Cada vez tenho mais certeza que precisamos mudar as estratégias para buscar a reparação aos negros deste País. Não podemos negar que, com os governos populares, algumas coisas estão acontecendo, mas para nós isto não deve bastar. O que temos é um Estado reformista que ajuda aqui, ali, mas não resolve a questão maior que é a Reparação. Necessitamos equidade para atingir a igualdade. Um estado reformista não atende nossas necessidades e reivindicações históricas. Leia isto no Estatuto da Igualdade Racial e tantas outras ações governamentais. Enfim cabe a nós sabermos qual Estado queremos, nos insubordinando através de discussões e estratégias para que possamos fazer frente ao Estado que, racista, não quer reconhecer a dívida que tem com os negros. Age com truculência e usa palavras bonitas como ‘ações afirmativas’ e ‘igualdade racial’. Porém, esconde a real intenção de não atender as lutas históricas do povo negro brasileiro. Necessitamos de um Estado transformador. Como negros precisamos debater dois assuntos: ações afirmativas e participação dos negros nos espaços de poder”. 

Assim impunha-se Rubinei, com lucidez e firmeza, suas marcas registradas, e que deixarão saudades para sempre, no âmago da comunidade negra pelotense.

Fonte: Ícones Inesquecíveis. Pelotas/RS: Conselho da Comunidade Negra/Prefeitura de Pelotas, 2019. (folder de divulgação cultural)

domingo, 28 de fevereiro de 2021

A Revolta do Vintém



"A Revolta do Vintém

Sérgio Arnad Costa

Há um século, em dezembro de 1879 e janeiro de 1880, ocorreu na cidade do Rio de Janeiro uma revolta popular que, oriunda do descontentamento com as novas medidas econômicas adotadas pelo Gabinete Sinimbu, ficou conhecida como a 'Revolta do Vintém'.

O então ocupante da Pasta das Finanças, Afonso Celso de Assis Figueiredo, ex-ministro da Marinha do Gabinete Zacarias e futuro visconde de Ouro Preto, preocupado com a situação financeira do império, começou a procurar meios para melhorar a arrecadação nacional.

Por meio de decretos e regulamentos, iniciou Afonso Celso um processo de elevação de impostos como o imposto do selo, o imposto sobre o fumo, imposto sobre vencimentos, foros e laudêmios, cobrança de armazenagem, etc.

A cada nova medida, os contribuintes iam-se mostrando irritados e a imprensa republicana, a cada dia que passava, acirrava suas críticas ao governo. Veja-se, por exemplo, a que aparecia, a 12/12/1879, em A Província de São Paulo: ' como cousa mais odiosa, dentre os feitos de desastrada situação actual é difícil estabelecer preferência entre o enxerto chinez, a restauração da guarda nacional e o exagerado e monstruoso argumento de impostos'.

O último dos tributos, e que foi a gota d'água para a impopularidade do Gabinete Sinimbi, veio com o decreto no. 7.565, de 13 de dezembro de 1879, logo apelidado pelo povo de 'Imposto do Vintém', que regulamentava a arrecadação da taxa sobre transportes.

Ficou estabelecido que, a partir de 1o. de janeiro de 1880, seriam cobrados vinte réis - 1 vintém, como era chamada a pequena moeda de cobre, com a efígie do imperador e a inscrição aforística: 'Vintém poupado, vintém ganho' - a mais em cada passagem de bonde.

Um vintém a mais no preço das passagens quase nada significava para as pessoas que transitavam de bonde. Mas a ilegalidade do estabelecimento do tributo e a pressão despótica com que foi atirado ao público é que geraram a indignação da população.

A imprensa antimonarquista hostilizava-o de todas as formas. O ministro da Fazenda passou a ser chamado de Afonso Vintém e Afonso Xenxém. O folhetinista da Gazeta imaginava as seguintes reflexões feitas pelo governo como razão e fundamento para decretação do imposto sobre a passagem de bonde: 'então, seu Zé Povinho, vos mecê também já tem luxos, hem? Anda de bond, meu animal, como quem tem renda fácil, como quem é ministro ou Souza Carvalho? Pedaço de patife, espera lá, que eu vou arranjar um negócio contigo. Tu és o anonymo, que eu excluo por incapaz do meu voto e do meu jury, porque tu não sabes lêr, nem nasceste meu parente. Não tens direito'. '(...)'. 'Não ter direito, pois seu Zé, não quer dizer não ter deveres; vossê é diante de mim o mesmo que o negro é diante do seu senhor: eu sou o governo, vossê é o Zé Povinho. Venha para cá um vintém para pagar-me o desaforo de andar de bond! Vamos, para cá o vintém!'

O novo tributo foi tenazmente combatido tanto pela imprensa conservadora como pela republicana, com exceção do Jornal do Comércio que procurava, através de suas páginas, defendê-lo. Entre todas as folhas oposicionistas, a que mais se destacava pelas críticas ao 'Imposto do Vintém' era a Gazeta da Noite, dirigida pelo tribuno popular, jornalista e agitador republicano Lopes Trovão, que declarava em editorial, ser 'justo que o povo apelasse para todos os meios, e até mesmo para a violência, que é também um direito do povo quando exercido contra as violências do poder'. Em outro editorial afirmava peremptoriamente: 'Só por meio de uma revolução o povo conseguirá chamar o poder ao cumprimento dos seus deveres'.

Lopes Trovão não se limitou a escrever artigos contra o 'imposto'. Saiu para as ruas, realizando comícios e instigando a população a não pagar o novo tributo.

No dia 21 de dezembro organizou uma conferência de protesto no teatro do Ginásio, à qual compareceu também José do Patrocínio, que durante aproximadamente meia hora fez violentas críticas ao novo tributo e à escravidão. Ao encerrar seu discurso foi entusiasticamente aplaudido pela platéia que gritava: 'Abaixo o ministério! Morra Afonso Vintém! Abaixo a monarquia! Viva a república!'

No final do ato, foi formada uma comissão para protestar contra o 'Imposto do Vintém' e foi marcado um novo comício, para o dia 28 de dezembro, no Campo de São Cristóvão. 'Depois da conferência do dr. Lopes Trovão, o povo acompanhou o orador em passeata pelas ruas, sendo felicitadas na passagem as redações da Gazeta da Noite, Gazeta de Notícias e Cruzeiro.

As companhias de bonde, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos, receavam a cobrança do 'Imposto do Vintém'. A Revista Ilustrada ironizava-as: 'As companhias de bond não assentaram ainda no meio de cobrar o vintém. A de S. Cristóvão quer dois policiaes que prendam cada passageiro recalcitrante. Como, porém, os policiaes tomam lugar nos carros, o governo destacará um piquete de cavalaria atraz de cada bond. Os passageiros vão ter honras imperiaes'.

O governo, percebendo o vulto do movimento contra o novo tributo, começou a tomar providências para impedir as agitações. A Gazeta de Notícias comentava: 'Consta-nos que o sr. dr. chefe de polícia mandou hontem chamar à sua repartição os emprezarios dos diversos theatros da côrte e pediu-lhes que, ao menos durante certo tempo, não cedessem as suas casas para conferências ou reuniões'. Referindo-se, ainda, a tal medida, concluía que, 'o acto de s. exc. é justificado e é uma prova da iniquidade do imposto que a população da côrte vae pagar'.

Apesar da população estar proibida de realizar reuniões ou comícios nos teatros, houve no dia 28 de dezembro, no Campo de São Cristóvão, a anunciada manifestação com o comparecimento expressivo de aproximadamente 7 mil pessoas. Logo após o comício, o povo dirigiu-se ao Paço da Quinta da Boa Vista, para entregar um manifesto de protesto ao imperador, em que era pedida a revogação do regulamento do 'Imposto do Vintém'. A entrega não foi possível, pois os manifestantes foram barrados no caminho pela polícia, que os ameaçou com a cavalaria. Impossibilitados de dirigirem-se diretamente ao imperador, nomearam uma comissão, que entregou o ofício com a seguinte introdução: 'Augusto e Imperial Senhor Dom Pedro II - A comissão encarregada de dirigir-se a V.M. para protestar contra o regulamento que impõe ao passageiro de bonde o tributo de vinte réis, não devendo tornar aos vossos paços, resolveu enviar-vos a petição junta, em que a iniquidade, a ilegalidade e o vexame daquele imposto ficam à saciedade postos em evidência. A petição é a mesma que foi assinada por sete mil cidadãos que acorreram ao 'meeting'. Enviando-a a V.M., a comissão explica o seu procedimento pelo fato de representar o povo num pleito em que a sua e a nossa dignidade foi desrespeitada pela força policial, no momento justamente de exercermos esse direito que nos era garantido pela Constituição Nacional, base e princípios da legislação vigorante. Fomos repelidos, Imperial Senhor. Assim, cumpre a V.M. vir ao encontro do povo, pronunciando-se favoravelmente sôbre uma petição em que o povo representa a justiça e o vosso govêrno o capricho. A ordem das nações depende sempre da combinação dos governantes com a vontade dos governados. O assunto que nos preocupa já deve estar suficientemente estudado por V.M., porque há seguramente quinze dias que ele é o tema obrigado dos artigos da imprensa e das conversações da praça pública. A comissão espera, portanto, que vos pronuncieis até amanhã pelo 'Diário Oficial', para aliviar-se do seu pesado encargo, amanhã mesmo, no largo do Paço da cidade. É um rigorosíssimo dever que sôbre nós pesa e do qual havemos de desempenhar-nos em público, mesmo porque em público é que nos cumpre lavar as mãos no credo dos sucessos lastimáveis que V.M poderá conjurar, desprezando o ferrenho capricho do govêrno para harmonizar-se com a justa vontade do povo. Os compatriotas de V.M. - Dr. Lopes Trovão, Dr. Ferro Cardoso, Joaquim Pedro da Costa'. O imperador nada respondeu.

Em 31 de dezembro, Lopes Trovão pelas colunas da Gazeta da Noite instigava a população a não pagar o 'Imposto do Vintém', mostrando os meios com que cada um poderia resistir ao novo tributo: 'O Zé Povinho felizmente tem consciência da sua força e sabe quais são os meios de que lançar mão para fugir ao pagamento: - Recusando-se todos ao pagamento e sujeitando-se à prisão. Para onde levará o governo tanta gente, sem forças para contê-la e continuar as prisões? E, uma vez presos, não será fácil arrombar as portas? A ilegalidade da prisão justifica a ilegalidade do arrombamento e da fuga. Outro meio: - Recusem-se todos ao pagamento do Imposto e, se os obrigarem tão-somente a apear-se do bonde, pedirem a restituição da importância da passagem. Tomarem logo o primeiro bonde que passar e proceder da mesma maneira. E assim percorrerão gratuitamente a extensão que quiserem. Também podem lançar mão de outro meio, se a polícia do sr. Afonso Vintém quiser tirar-nos o vintém à força de espada: é arrancarem os trilhos em cem, duzentos ou mil pontos da cidade'.

Chegando o dia de Ano-Novo, houve, como estava anunciado, uma reunião no largo do Paço, à que assistiram cerca de cinco mil pessoas. Lopes Trovão tomando a palavra congratulou-se com o povo pela sua atitude e disse que, 'não tendo havido resposta do imperador à representação que lhe foi dirigida, elle não se animava a aconselhar o procedimento que deveriam ter os cidadãos presentes'.

Concluído o discurso, dissolveu-se o comício e o povo seguiu em massa pela rua Primeiro de Março, onde de uma das sacadas de um hotel falou o alferes honorário Frederico Severo: 'Nesta hora em que troa o canhão militar saudando a realeza, troa também o canhão popular, para defender os direitos do povo'.

Os manifestantes seguiram pela rua do Ouvidor, levantando aplausos em frente às redações dos jornais O Cruzeiro, Gazeta de Notícias e Gazeta da Noite. Chegando à rua Uruguayana, a massa popular havia aumentado de forma expressiva, entrincheirando-se nesta rua e no largo de São Francisco, onde estavam localizados os bondes da Companhia Vila Isabel. Postava-se ali grande quantidade de policiais à paisana, munidos de grossas bengalas. Um grupo desses agentes tentou dispersar a multidão que, aos gritos de 'fora o vintém', começou a virar bondes e a arrancar os trilhos, com auxílio de picaretas e alavancas, da rua Uruguayana e do largo de São Francisco. Novas forças policiais chegaram, utilizando-se de cassetetes para conter os populares que passaram a reagir com pedras do calçamento. O coronel Enéias Galvão, futuro barão do Rio Apa, por ter sido atingido por uma das pedradas, deu ordem de fogo. Dos disparos resultaram, segundo o noticiário, cerca de dez mortos e muitos feridos.

Apesar de todo o aparato policial, o povo não se dispersou e continuaram as manifestações hostis ao 'Imposto do Vintém'. Quando chegou um esquadrão do '1o. Regimento de Cavalaria, alguns populares invadiram a casa Coelho & Martins na rua Uruguayana para obter grandes sacos de rolhas, que foram atirados à rua fazendo com que os cavalos escorregassem.

O movimento se estendeu a vários locais da cidade. Nas ruas Senador Pompeu, Conceição, Alfândega, Primeiro de Março, Sete de Setembro, Arcos e outras foram também arrancados os trilhos e virados diversos bondes. A única companhia que não sofreu danos foi a Botanical Garden, pois ela mesma se propusera a pagar o imposto.

Segundo o jornal A Província de São Paulo, de 4/01/1880, 'esse movimento durou até aproximadamente à meia-noite, hora em que o público foi-se retirando bem como as tropas'. Os hospitais civis e militares estavam lotados, e só no 1o. Distrito havia cerca de setenta detidos. Encerrava-se assim a 'Revolta do Vintém'.

A 6 de janeiro, em correspondência à condessa do Barral, escreveu D. Pedro II: 'eu só não admito populaça em ar de ameaça, como sucedeu no domingo atrasado'. Mas, temendo novos distúrbios, o imperador foi obrigado a revogar o decreto que estabelecia o 'Imposto do Vintém'.

A vitória popular precipitou a queda do gabinete Sinimbu, substituído, em 28 de março, pelo Ministério do Conselheiro José Antonio Saraiva. Deu oportunidade também para que os republicanos ampliassem a propaganda contra a monarquia e em favor da instituição do novo regime, que seria proclamado nove anos depois da 'Revolta do Vintém', pequena moeda de cobre que, hoje, como muito bem lembrou Luís Martins em saborosa crônica, é 'apenas preciosa raridade numismática'."

Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), Suplemento Cultural, 27 de Abril de 1980, pág. 13-14.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

População escrava do Paraná em 1883



"População escrava do Paraná. - Segundo estatistica recentemente organisada ha sido este o movimento da população escrava na provincia do Paraná, a contar de 30 de Setembro de 1873 até 30 de Junho do anno proximo passado:

Escravos matriculados até 30 de Setembro de 1873.......... 10,713
Entrados.......... 1,390
Sahidos.......... 1,602

Maior numero de sahidos.......... 212

População escrava matriculada.......... 10,501

Diminuio esta população:
Por obitos.......... 1,175
Por manumissões concedidas pelo fundo de emancipação.......... 148
Por manumissões a titulo oneroso particular.......... 343
Por manumissões a titulo gratuito particular.......... 1,276

Total.......... 2,942

População escrava a 30 de Junho de 1883.......... 7,559

A descendencia livre desta população é actualmente de 2,881 almas. Apenas 5 tem sido entregues ao Estado."

Fonte: JORNAL DO COMMERCIO (Rio de Janeiro/RJ), 03 de Janeiro de 1884, pág. 01, col. 05

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Moradores de Pelotas em 1894

   



Distante de ser um recenseamento completo dos moradores de Pelotas no período, nosso esforço foi o de, através de consulta aos jornais da época disponíveis na web, listar o quanto fosse possível de nomes relacionados à cidade, bem como inserindo as informações adjuntas que encontramos. Todavia, na maior parte dos casos, encontramos somente os nomes. De forma geral, quando usamos a denominação "morador" queremos dizer literalmente isso: apenas constatamos que o indivíduo citado viveu em Pelotas, mas não encontramos mais dados sobre sua ocupação, nacionalidade ou outros. A propósito, quando listamos "Fulano de Tal & Fulana de Tal", justamente com o uso do "&" queremos dizer que os indivíduos são casados. Esperamos contribuir de alguma forma para pesquisas genealógicas e historiográficas, mesmo que de modo muito modesto. Obs.: respeitamos a grafia encontrada na época.


Periódicos consultados para este período: A Federação (Porto Alegre/RS); Almanach Popular Brazileiro (Porto Alegre/Pelotas);

1894

Adolpho Maurell, partidor, contador e distribuidor do município de Pelotas, por ato da secretaria estadual do interior e exterior.

Adolpho Talabisch & Catarina Talabisch, alemães, agricultores na Costa.

Adolpho Zimmermann, alemão, morador.

Affonso Petrucci, italiano, dono de uma alfaiataria.

Alberto Ferreira Rodrigues, redator do jornal Democracia Social.

Alberto Rodrigues Rosa,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Alexandre Gaspar da Costa, português, dono de um comércio de fazendas.

Alexandrina Gloria dos Santos, viúva, antiga moradora da cidade.

Alto Chaves Barcellos, bacharel.

Ambrosina Alves Pereira, 15 anos, moradora; filha de Serafim Alves Pereira.

Ambrosio Perret, comerciante.

Angela Maria Signorini, fabricante de seda tecida, fiada e em bruto.

Anna Eulina de Siqueira Rocha, professora da 3a. cadeira do sexo feminino da cidade de Pelotas.

Antenor Soares, membro do Partido Republicano.

Antero Leivas, médico.

Antonio de Medeiros Germano, major, comandante do 2o. Corpo de Engenheiros, a partir de Junho de 1894.

Antonio Faro, português, proprietário de carros de praça.

Antonio Ferreira Louzada, proprietário de uma curtume de couros curtidos e envernizados. 

Antonio Joaquim da Silva Maia, dono de um comércio de fazendas e miudezas.

Antonio Joaquim Gomes, morador.

Antonio Louzada, proprietário do Atelier de Calçado Louzada, à Rua São Miguel número 126 - loja de calçados  fundada em 1880.

Antonio M. da Costa, proprietário do Bazar de Variedades, estabelecido à Rua São Jerônimo esquina Rua São Miguel.

Antonio Maria Cortes, português, proprietário de uma fábrica de velas e sabão.

Antonio Maria Ferreira, português, comerciante de importação de fazendas.

Antonio Raymundo de Assumpção, 61 anos, capitalista.

Antonio Simões Lopes, membro do Partido Republicano.

Archanjo Pery Barbosa, chefe da estação telegráfica.

Arlindo Moura de Azevedo, alferes do 9o. Batalhão da Guarda Nacional.

Arthur Rios, comerciante.

Ataliba Borges Ribeiro, charqueador.

Augusto Cassiano do Nascimento, coronel comandante superior interino da Guarda Nacional da comarca de Pelotas.

Augusto Malon, alemão, solteiro,  empregado na charqueada de Corrêa, Terra & Cia; morador na Costa.

Barão de Itapitocay, proprietário.

Barão do Arroio Grande,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Belarmino Luiz de Freitas,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Benedicto Braga, praça do 3o. Batalhão da Guarda Nacional.

Bernardo Taveira Junior, poeta.

Bernardo Trápaga Filho, morador.

Boaventura S. Barcellos, corretor de tropas na Tablada, estabelecido à Rua General Victorino número 147.

Bruno Vieira de Carvalho,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Carlos Carril, uruguaio, 51 anos, solteiro, morador à Rua Vinte de Fevereiro.

Carlos Echenique, Guilherme Echenique, irmãos, proprietários da Livraria Americana. Guilherme Echenique também foi acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Carlos Guilherme Rheingantz, dono de uma fábrica de chapéus.

Carlos Riva, italiano, 25 anos, cozinheiro empregado na charqueada de Ataliba Borges Ribeiro.

Carolino de Freitas, tenente.

Cecilia Jacintha de Mendonça, maior de 70 anos, moradora; irmã dos finados João Jacintho de Mendonça e Joaquim Jacintho de Mendonça.

Christovam da Silva Maia,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Christovam José dos Santos, subintendente da Costa.

Claro Luiz de Freitas, secretário da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Custodia Gomes de Medeiros, moradora, viúva de Francisco de Paula Medeiros.

David Malkonr, morador.

Diogo Pires da Fonseca, português, ourives.

Domingos Fernandes da Rocha, dono de um comércio de secos e molhados por atacado.

Domingos Jacintho Dias, tenente-coronel do 4o. Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional.

Domingos José de Oliveira, proprietário de uma fábrica de sabonetes e perfumarias à Rua 16 de Julho.

Domingos Pires Bueno, casado, com filhos, 52 anos, fazendeiro na Serra dos Tapes.

Durzina Fernandes da Silva, 18 anos, moradora, natural e procedente de Santa Vitória do Palmar.

Eduardo Candido Siqueira, proprietário de uma farmácia.

Emilia do Nascimento Arruda, interna do Asylo de Mendigos.

Epaminondas Piratinino de Almeida, líder do Partido Republicano.

Epaminondas Serafim da Silva, praça da Guarda Municipal.

Ernesto Torres, proprietário de uma empresa de importação e exportação.

Espir Nasssif, morador.

Francisco Antonio Corrêa Leal, dono de uma casa de jogo à Rua Tiradentes.

Francisco Araujo, médico.

Francisco Assis de Oliveira, praça do 3o. Batalhão da Guarda Nacional.

Francisco B. Barral, dono de um comércio de seco e molhados.

Francisco de Paula Rodrigues da Silva,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Francisco de Paula Santos, 44 anos, proprietário de uma farmácia no Areal.

Francisco dos Santos Corrêa, português, proprietário de uma fábrica de preparação de línguas bovinas para exportação.

Francisco Eurico da Silva, 42 anos, casado e com filhos, sócio da firma Scholberg, Jouclá & Silva.

Francisco Herzog, natural da Boêmia, artesão de vidro.

Francisco Raymundo Nonato da Silva, alferes do 4o. esquadrão do 21o. Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional.

Francisco Vieira da Costa e Silva, dono de um comércio de fazendas e miudezas.

Frederick W. R. Romano, agente local da NewYork Life Insurance Company.

Frederico Alberto Trebbina, agente consular da Itália em Pelotas.

Frederico Carlos Lang,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Guilherme Sauter, editor do jornal Democracia Social.

Guilherme Smith, dono de uma casa de secos e molhados no Porto.

Gustavo Konow, agente da cerveja Marca-Porco.

Henrique Guilherme Augusto Leitzke, alemão, colono emigrado para o Brasil em 1869, residente no Arroio do Padre. Casado; descendência: 7 filhos, 49 netos e 3 bisnetos.

Henrique Mariano Chaves,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense; vice-intendente de Pelotas.

Heraclito Ataliba Vieira, 20 anos, solteiro, telegrafista-adjunto da estação de Pelotas.

Hermann C. Bojunga, presidente do Club Caixeiral.

Hermenegildo Brisolára, praça do 9o. Batalhão da Guarda Nacional.

Ignacio Teixeira Machado, criador no Povo Novo, porém residente em Pelotas.

Ildefonso Gomes Porto, alferes da cavalaria da Guarda Nacional.

Ildefonso M. Corrêa,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Ismael da Silva Maia,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

J.J. da Cunha Pojo,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Jacintho Nepomuceno dos Santos, sargento do 3o. esquadrão do 21o. Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional.

João Affonso de Oliveira, comandante da Guarda Municipal.

João Antonio Pinheiro, presidente da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

João Baptista Martins Pereira, tenente da Guarda Nacional.

João da Silva Silveira, farmacêutico.

João da Silva Silveira, major-fiscal do 4o. Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional.

João dos Santos Martins, tenente-coronel; tio de Severiano Carneiro da Silva Rego, também tenente-coronel.

João dos Santos Silva, português, proprietário de um comércio de consignações e comissões e de uma fábrica de beneficiamento de fumo.

João Francisco Vieira, tenente do 4o. esquadrão do 21o. Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional.

João Garrido, empregado da casa comercial Clarão da Lua.

João Gottwald, dono de um comércio de ferragens por atacado.

João Honorato Gomes, alferes do 1o. esquadrão do 21o. Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional.

João Jacintho de Mendonça, juiz distrital da sede de Pelotas.

João José de Azevedo, dono de um comércio de fazendas.

João Leão Sattamini, proprietário de uma fábrica de biscoitos e bolachas.

João Lourenço Vaz, fiador do agente de leilões da praça de Pelotas.

João Marques Braga, português, 89 anos, casado; antiquíssimo morador.

João Miguel Machado, morador na Luz, casado e pai de dois filhos.

João Paulo Botelho, tenente-coronel.

João Pedro Frazão de Lima, 2o. cadete de Artilharia.

João Simões Lopes Neto, acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

João Tolentino de Souza, redator do jornal Democracia Social.

Joaquim Francisco da Silva, sócio de uma padaria, em conjunto com Porfirio Balduíno Aguiar e Alberto Gonçalves Cardoso.

Joaquim Lopes Amaro, ourives estabelecido à Rua São Miguel em frente ao Hotel Alliança.

Joaquim Mariano Junior, dono da Marcenaria Sem Rival.

Joaquim Marques Coelho, morador.

Joaquim Meirelles Leite, industrialista.

Joaquim Monteiro, português, estabelecido com comércio de comissões.

Joaquina Maria das Neves, 26 anos, parda, morador à Rua Andrade Neves número 32; irmã de Maricota das Neves; Joaquina era desquitada de Antero Vinhas.

Jorge Gottuzzo, italiano, comerciante.

Jorge Nahamen, morador.

José Alvares de Souza Soares, farmacêutico, homeopata, fabricante do Peitoral de Cambará.

José Alves Pereira, dono de um comércio de couros curtidos.

José Augusto Burlamaque, dono de um comércio de secos e molhados.

José Bonéco, negro, morador na Costa.

José Brusque, médico.

José de Souza Pires, alferes do 1o. esquadrão do 21o. Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional.

José Delfino da Veiga, português, morador.

José Lopes Guimarães, carpinteiro, maquinista do Theatro Sete de Abril.

José Pereira Machado, agente da navegação entre Pelotas e a Lagoa Mirim.

José Pinto de Madureira, agente da navegação de passageiros da linha Pelotas-Rio de Janeiro.

José Rodrigues Gomes,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

José Silveira Villalobos, agente de leilões, & Prudencia Villalobos, eles, pais de José Silveira Villalobos Junior, tenente, e Tito Villalobos, alferes.

José Xavier da Motta, dono de uma correaria à Rua General Osório.

Josephina Pereira Barcellos, professora pública da cadeira mista da Barbuda.

Leopoldo Gomes Corrêa, secretário da delegacia da capitania do porto de Pelotas.

Leopoldo Joucla, agente consular da França.

Lourenço Paulo Bazerque & Cecilia Cardoso Bazerque, uruguaios, moradores, porém com propriedades no Uruguay.

Luiz  Manoel da Silva Penafiel, professor público, vindo de Bagé em Fevereiro de 1894. Assumiu a 3a. cadeira do sexo masculino.

Luiz Paula da Costa, morador.

Luiz Pezat Filho, 35 anos, natural de Rio Pardo, solteiro, membro do Partido Republicano e do Batalhão Patriótico Tiradentes.

Luiz Queiróz, português, agricultor na Costa.

Manoel Acosta de Oliveira, professor de música.

Manoel de Lima Granja & Maria da Conceição Marques Granja, moradores, ele, comerciante.

Manoel do Nascimento Ribeiro, cocheiro.

Manoel Ferreira da Silva, tenente-quartel-mestre do 21o. Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional.

Manoel Gomes de Oliveira, morador.

Manoel Joaquim Lopes, português, 53 anos, morador; pai de Albino Joaquim Lopes, 17 anos.

Manoel José da Silva, português, solteiro, 61 anos, proprietário.

Manoel Nunes da Silva, praça da Guarda Municipal.

Manoel Prieto, espanhol, dono de um curtume.

Manoel Rodrigues Corrêa, barbeiro, dono da barbearia Salão Rochefort.

Manuel Luiz da Silva, agente da navegação de transporte de passageiros.

Marcellino Barbieri, italiano, comerciante.

Maria Antonia de Sá Mendes, professora da 4a. cadeira do sexo feminino da cidade de Pelotas.

Maria da Gloria Lobão, professora da cadeira mista do Retiro, a partir de Maio de 1894.

Maria Delfina Caminha, professora da cadeira feminina sediada no porto de Pelotas.

Maria José Rodrigues Barcellos, moradora.

Miguel Brazil, morador.

Miguel de Oliveira Paes, tenente-coronel, comandante do 2o. Corpo de Engenheiros, até Junho de 1894.

Octacílio Aristides Camará, médico.

Octavio Abreu, praça do 3o. Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional.

Patricio Simões Gaspar,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Paulino Teixeira da Costa Leite, proprietário do Moinho Pelotense (farinha de trigo de diversas qualidades).

Pedro Alvarez, dono de uma casa de secos e molhados no Porto de Pelotas.

Pedro da Fontoura Lopes,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Pedro Osório, coronel.

Pedro Simões, sócio de uma empresa de importação e exportação com Ildefonso Corrêa.

Pedro Uhalt, morador.

Polybio Rangel, membro do Partido Republicano.

Pulcheria Margarida de Souza, moradora; mãe de Hemeterio Soares, solicitador.

Quiliandro Rodrigues Candiota, dono de um comércio de fazendas e armarinho.

Ramão Trapaga, comerciante.

Ramon Trápaga Filho, morador.

Romão Amancio de Oliveira, morador, sportsman.

Senhorinha Aragão, moradora.

Serafim José Rodrigues de Araujo, proprietário.

Simplicio de Lima, morador.

Ubalda Martins da Silva, moradora; irmã de João Francisco da Silva, escriturário da Mesa de Rendas Estaduais.

Urbano Martins Garcia, tenente-coronel.

Vicencia M. Fontoura,  acionista da Sociedade Anonyma Vidraria Pelotense.

Vicenta Calvete, uruguaia, moradora, viúva.

Vicente Cypriano da Maia, médico.

Victor Pereira Sonna, patrão do iate Gravatahy.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

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