terça-feira, 18 de agosto de 2020

Cyrillo de Souza


"PASSAMENTO

No dia 1o. do corrente o telegrapho transmitiu-nos a infausta noticia de haver fallecido na cidade de Pelotas de modo desastrado, o nosso distincto amigo Sr. Cyrillo de Souza, conceituado proprietario da fabrica de fumos 'S. Manoel', d'aquella cidade.

No curto período de alguns mezes, este nosso amigo foi ferido em seus extrems de pae amoroso com a morte de dois de seus innocentes filhinhos, causa talvez da sua prematura morte.

Á sua desolada esposa e mais pessoas de sua alanciada familia, enviamos as nossas sentidas condolencias.

✤✤✤✤✤

No dia 1o. do corrente falleceu tambem nesta cidade, o sr. João Luiz Gonçalves, viuvo, antigo morador desta cidade, onde gozava innumeras amizades pelo seu caracter franco e leal.

Nosso pezames."

Fonte: A SEMANA (Bagé/RS), 04 de Outubro de 1914, pág. 05, col. 02-03

Galdino Rodrigues da Silva


"Registro mortuario

Falleceu em Bagé, contando 49 annos de idade, o cidadão Galdino Rodrigues da Silva.

O finado fez a campanha do Paraguay."


Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 04 de Junho de 1892, pág. 01, col. 02

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Shindo Renmei - a sociedade terrorista nipo-brasileira do pós-II Guerra Mundial


Podcast muito interessante sobre a Shindo Renmei - um organização nacionalista nipo-brasileira que praticou atentados nas colônias do interior de São Paulo entre 1946 e 1947. Disponível no canal Ao Vivo É Muito Pior Podcast no YouTube. Vale a pena ouvir!
 

Sobrenome Rosado


"ROSADO - Sobrenome português, primitivamente alcunha. Identifica as cores da face."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 29 de Janeiro de 1994, pág. 03

Consulados estrangeiros no Rio Grande do Sul em 1886


"Corpo Consular residente na Provincia

Allemanha: Em Porto Alegre Antonio Hellwig (consul); no Rio Grande Luiz Fraeb (consul).

Argentina (confederação): Em Porto Alegre Frederico Duval (consul); no Rio Grande Francisco Antonio Susini (consul); em Pelotas D. José Segarra (consul); em Itaqui Pedro A. Barros (consul); em Jaguarão Julian Sarachaga (consul).

Austria-Hungria: Em Porto Alegre Edmond Tellscher (consul); no Rio Grande L. F. Tollens (vice-consul).

Belgica: Em Porto Alegre Henrique Lüderitz (consul); no Rio Grande Leon Bergmann (gerente do consulado).

Chile: Em Porto Alegre Alfredo Schütt (consul).

Dinamarca: Em Porto Alegre Francisco Müller (vice-consul); na ausencia do vice-consul está encarregado do vice-consulado Hermann Müller.

Estados Unidos da América: no Rio Grande Beckford Mackey (consul, ausente), W. A. Preller (vice-consul).

França: Em Porto Alegre Affonso Norat (agente consular); em Pelotas Leopoldo Joucla (agente consular).

Grã-Bretanha: Em Porto Alegre Ambrosio Archer Junior (vice-consul, ausente), estando encarregado do vice-consulado Arthur New; no Rio Grande Mansell Nicholas Lefebvre (vice-consul); em Pelotas Benjamin R. Cordeiro (vice-consul).

Grecia: no Rio Grande Urbano Martins Garcia (vice-consul interino).

Hespanha: em Porto Alegre (vago, vice-consul); no Rio Grande Luiz Antônio de Otero (vice-consul); em Pelotas Benito Maurell (vice-consul); na Uruguayana D. José Carballido (vice-consul).

Italia: em Porto Alegre Pasquale Corte (consul); em Pelotas J. B. P. Malan (agente consular); no Rio Grande Angelo Cademartori (agente consular); em Bagé Giuseppe Bina (agente consular).

Paraguay: em Porto Alegre Manoel Balthazar de Almeida e Silva (consul); no Rio Grande João Dias Vianna (vice-consul).

Payses-Baixos: em Porto Alegre M. F. C. Mundt (vice-consul); no Rio Grande J. M. Garcia (consul).

Perú: em Porto Alegre Fidelis Alves Ferraz (consul).

Portugal: em Porto Alegre João Pinto Ribeiro (vice-consul); no Rio Grande Luiz Augusto de Moura Pinto de Azevedo Taveira (consul), Antonio da Silva Ferreira Tigre (vice-consul); em Pelotas Theodosio Fernandes da Rocha (vice-consul); em Jaguarão José da Costa Carneiro (agente consular); em Santa Victoria Emygdio Pinto de Oliveira (agente consular); em Bagé Manoel José Gonsalves Guimarães (agente consular); na Uruguayana Abel Coelho (vice-consul).

Russia: no Rio Grande Hermann Bojunga (vice-consul).

Suecia e Noruega: em Porto Alegre Johan Panzer (vice-consul); no Rio Grande Wilhelm Heydtmann (vice-consul).

Suissa: no Rio Grande João Rodolpho Dieticker (consul), Fritz Luchsinger (vice-consul).

Uruguay (Estado Oriental do): em Porto Alegre (vago, vice-consul); em Pelotas Benito Maurell y Lamas (vice-consul); no Rio Grande Theodoro C. Barbosa (consul); em Bagé Casildo Carrion (vice-consul); em Uruguayana Luiz Ballesteros (vice-consul); em Alegrete D. Justino Torres Filho (vice-consul); em Itaquy Manoel Marenco (vice-consul); em Jaguarão Esteban Silva (consul); em Santa Victoria Aurelio Susini y Nuñes (vice-consul); em Dom Pedrito Manoel Fernandes (vice-consul)."

Fonte: ANNUARIO DA PROVINCIA DO RIO GRANDE DO SUL PARA O ANNO DE 1886. Porto Alegre, Gundlach & Cia., 1885, pág. 95-98.

Antonio Bomfiglio


"Registro mortuario

(...)

Morreu, repentinamente, no Rio Grande, o subdito italiano Antonio Bomfiglio, proprietario do hotel Garibaldi."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 23 de Novembro de 1891, pág. 01, col. 02

domingo, 16 de agosto de 2020

O início da História e o surgimento da civilização

 


Costumeiramente, o marco simbólico daquilo que se convencionou em denominar “início da História” é a invenção da escrita – o que teria acontecido há cerca de 4 mil a.C. na Suméria, sul da Mesopotâmia. Só que a escrita é um indício de um processo dinâmico e complexo que já se desenrolava desde a Revolução Agrícola ou Neolítica (iniciada mais ou menos há 10 mil a.C.) que é o surgimento daquilo que iremos alcunhar como civilização. A escrita é um elemento dentro deste processo (elemento muito importante, sem dúvida!), mas não é o único. Junto à escrita, temos outros elementos centrais: o desenvolvimento das técnicas de irrigação aplicadas à agricultura, uma sociedade mais complexa do ponto de vista da divisão do trabalho e o surgimento do Estado.

            Se a Revolução Neolítica trouxe o gradual domínio do meio natural, com as primeiras lavouras e os primeiros rebanhos domesticados, trouxe também uma necessidade cada vez mais premente ao novo modo de vida sedentário: o acesso à água. As primeiras sociedades humanas mais complexas do ponto de vista de organização socioeconômica  são dependentes da água. Não por acaso, as quatro primevas que são o Egito Antigo, a Mesopotâmia, a civilização do Indo e a antiga chinesa estão intimamente vinculadas a grandes rios, em sua formação histórica. Não existiria o Egito sem o rio Nilo, na África, bem como a Mesopotâmia (“terra entre rios”) é relembrada pelas tamareiras às margens do Eufrates e do Tigre. Por sua vez, o rio Indo, na Ásia, nomeia a própria civilização, e o rio Amarelo fez surgir os primeiros assentamentos chineses regulares. Aproveitar esses recursos hídricos tornou-se fundamental. As primeiras cidades desenvolvem-se no sentido de terem água em abundância, com canais, aquedutos, diques, etc., que trazem a fertilidade aos campos de cereais e refresco aos animais e homens. Os rios ditam o cotidiano e impõem a obrigação de usar esse bem precioso de forma racional. Enchentes e períodos de estiagem precisam ser compreendidos. Desenvolve-se a matemática, a observação dos astros (astronomia) e das estações, a arquitetura, a engenharia, enfim, o saber não-braçal, a capacidade de abstração.

            Esse “saber não-braçal” é o gancho para descrevermos este outro processo: a sofisticação da divisão do trabalho. No Paleolítico, homens caçam, mulheres coletam; no Neolítico, homens pastoreiam, mulheres plantam; no alvorecer da civilização, já não existem mais essa divisão por gênero, mas por grupos sociais. A grande maioria é campesina, cuida das plantações e sentinela os rebanhos. Essa grande massa também serve como mão-de-obra gratuita para as grandes obras públicas como templos e canais. Um conjunto intermediário encarrega-se de funções um pouco mais especializadas: artesãos, ceramistas, metalúrgicos, comerciantes, escribas, militares, entre outros. E uma pequena elite é incumbida da tarefa de governar. Dentro desta lógica, a função de cada um é revestida de uma sacralidade, onde a sociedade é vista como um único organismo vivo e pulsante, em que “nada está fora do lugar”.

            As operações intricadas que o uso dos recursos hídricos exigia e a crescente especialização do trabalho resultam diretamente no estabelecimento do Estado – isto é, uma ordem social e jurídica reconhecida em que os esforços de toda uma comunidade são regulados e dirigidos dentro de um propósito. Em outras palavras, há uma autoridade central em que todos contribuem para seu poder e que, em alguns casos, pode usar a coerção (legal ou física) para reforçar sua própria autoridade. Cabe ao Estado gerir os recursos (grãos e metais) e redistribuí-los como lhe aprouver.

            Porém, o Estado na Antiguidade não surge numa perspectiva de contrato entre homens, em que todos renunciam à liberdade absoluta por um bem maior coletivo. O Estado antigo é uma teocracia, sobretudo.  Teocracias são regimes políticos em que não há diferenciação entre religião e política. Em resumo, a ordem mundana, dos seres humanos ordinários é mera continuidade da ordem divina. Contribuir para a desordem antes de ser crime, é pecado, é afronta aos deuses ou a um deus específico. No Egito Antigo, o faraó acumulava todas as funções políticas, militares e religiosas, não por ser o mais apto, o mais inteligente. Ele já tinha naturalmente essas qualidades porque antes de tudo era um “deus-vivo” encarnado e presente entre os mortais. Na Mesopotâmia, o patesi, o rei-sacerdote de cada cidade suméria, é representante da vontade dos deuses, com eles conversa e roga suas bençãos. Na China, os mais antigos imperadores eram considerados “filhos do Imperador de Jade” (a suprema entidade celestial).

            A escrita, por sua vez, documenta todas essas transformações, descreve no sentido de delimitar tempo e espaço dos acontecimentos. Muito embora, seu objetivo inicial não tenha sido mais que servir como instrumento contábil para registrar o quanto de trigo ou cevada cada camponês entregava aos templos, isto é, ao Estado.


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