terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Histórico do Município de São Sebastião do Caí/RS


"O Município de São Sebastião do Caí, fundado em 1o. de maio de 1875 é um dos mais antigos municípios do estado. Foi fundado por portugueses e colonizado por alemães.

Antônio José da Silva Guimarães, pertencente a tradicional família portuguesa ramificada em todo o Brasil, por volta de 1850, adquiriu grande porção de terras de Francisco Mateus, situada a margem esquerda do Rio Caí, onde havia embarcadouro que os moradores do lugar chamavam de Porto do Mateus, por ser este o primeiro proprietário. Passou a denominar-se Porto dos Guimarães. Foram estes os primeiros nomes da localidade que viria a ser sede do município.

A sede da freguesia era São José do Hortêncio e foi transferida para o Porto do Guimarães que já estava bastante desenvolvido e por isso era necessário a construção de uma nova sede paroquial.

Antônio Guimarães doou à Paróquia, para a construção da Matriz, alguns terrenos no melhor ponto da localidade. Doou também uma área de terras para a praça, que depois tornou-se propriedade do município.

O PAÇO MUNICIPAL

O Município de São Sebastião do Caí foi criado pela Lei no. 995 de 1o. de Maio de 1875.

Em 25 de novembro de 1875, foi empossada a 1a. Câmara Municipal, pelo Presidente da Câmara de São Leopoldo, município do qual São Sebastião do Caí foi desmembrado.

Em 25 de janeiro de 1877 o funcionamento da Câmara foi suspenso pelo Presidente da Província, por ter sido anulada a eleição. Somente três meses depois a Câmara voltou a funcionar, conforme ata lavrada em 1o. de Maio de 1877.

LOCALIZAÇÃO

São Sebastião do Caí está localizado nas margens da rodovia RS 122, uma via de ligação entre a Capital e a Serra, a apenas 60 km de Porto Alegre, no Vale do Rio Caí. A ligação com a capital gaúcha é feita através de uma rodovia asfaltada, com pista dupla.

A 60 Km estão as cidades de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Farroupilha. A 100 km estão as cidades de Gramado e Canela. A 30 km estão as cidades do Vale dos Sinos, como Novo Hamburgo e São Leopoldo.

Num raio de 70 km, tendo como centro São Sebastião do Caí, está concentrada 50% da economia gaúcha e 4% do Produto Interno Bruto Brasileiro.

DADO: Microrregião Colonial da Encosta da Serra. LOCALIZAÇÃO: Vale do Caí.

LIMITES

AO NORTE: Bom Princípio.

AO SUL: Capela da Santa e Portão.

AO OESTE: Harmonia e Pareci Novo.

ÁREA TOTAL: 145,8 km

O MORRO DO BOQUEIRÃO

É um dos morros mais altos da localidade ao qual do cume avista-se a capital do Estado.

Durante a 2a. Guerra Mundial, o morro era utilizado como ponto de observação. Havia em sua parte mais alta um pilar, construído pelo extinto Ministério da Guerra, onde eram colocados aparelhos tipo radares que sinalizavam a chegada do inimigo por ar.

Ao longo do Rio Caí, no Distrito da sede, encontra-se uma localidade com o nome de Várzea (chama-se assim porque são terras baixas e planas que margeiam o rio), onde além de terras férteis há a Capela de Nossa Senhora Aparecida e a Escola Municipal Irmã Rosa.

PONTOS TURÍSTICOS 

O Rio Caí nasce em Cima da Serra, no município de São Francisco de Paula, nos banhados da Fazenda Taipas, com o nome de Santa Cruz, na altura do Arroio dos Macacos, passa a chamar-se Rio Caí.

Suas águas descem serpenteando através das montanhas e, aos poucos, vão engrossando quando recebem as águas dos pequenos afluentes. O Rio Caí banha os municípios de São Francisco de Paula, Caxias do Sul, Nova Petrópolis, Feliz, Bom Princípio, São Sebastião do Caí, Montenegro e Canoas.

Sua extensão é de aproximadamente 200 quilômetros. Desemboca no Rio Jacuí.

Os vales do Rio Caí são muito férteis e produzem as famosas bergamotas e laranjas conhecidas como as melhores de todo o Brasil.

O Rio Caí deu nome ao Município, porque seus colonizadores, iniciaram a colonização em São José do Hortêncio, mas o Rio Caí com seu porto atraiu a sede municipal às suas margens, dando origem a bela e acolhedora cidadezinha."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 11 de Janeiro de 1999, pág. 06


domingo, 8 de dezembro de 2019

Mirlitons envenenados


"Dá-nos uma folha esta noticia sobre o veneno nos assobios para creanças:

A policia de Bruxellas fez um sequestro singular.

Por mandado judicial apprehendeu nas lojas de brinquedos todos os mirlitons (assobios) que n'ellas encontrou. Os mirlitons eram accusados de envenenar as creanças.

Alguns medicos bruxellenses tinham observado a frequencia de envenenamentos, de que creanças da sua clinica eram victimas.

Indagou-se dos habitos, da alimentação e até dos brinquedos preferidos pelas creanças, e descobrio-se que escolhiam habitualmente os mirlitons. A junta de hygiene comprou alguns d'elles e mandou examinal-os.

Os peritos descobriram que o papel forrava os tubos continha grande quantidade de arseniato de cobre.

É mais um exemplo do cuidado constante que se deve ter com as creanças."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Maio de 1885, pág. 01, col. 02


sábado, 7 de dezembro de 2019

População escrava no Brasil em 1884


"POPULAÇÃO ESCRAVA

Eis o recenseamento da população escrava no Brazil, segundo as ultimas estatisticos:

Rio de Janeiro e Municipio neutro.......... 304,399

Minas-Geraes.......... 279,010

S. Paulo.......... 170,808

Bahia.......... 99,718

Pernambuco.......... 84,700

Rio Grande do Sul.......... 61,908

Maranhão.......... 60,059

Alagôas.......... 29,349

Sergipe.......... 26,173

Pará.......... 25,393

Espirito Santo.......... 20,717

Parahyba do Norte.......... 20,717

Piauhy.......... 18,691

Santa Catharina.......... 11,049

Rio Grande do Norte.......... 10,051

Paraná.......... 7,559

Matto Grosso.......... 7,051

Goyaz.......... 6,899

Total........... 1.243,151"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 04 de Agosto de 1884, pág. 01, col. 04

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Faroeste amazônico


"HORROROSA HECATOMBE

Do Commercio de Amazonas:

<<De envolta com o regresso do dr. Jansen Ferreira, presidente da provincia, veio-nos uma noticia sanguinolenta, uma tragedia horrorosa de que foi theatro o lugar Carapanatuba, no rio Madeira.

<<Historiemos. Telesphoro Salvatierra, ex-socio de Alvaro Cezar, dirigio-se a este, em sua casa commercial, para o fim de liquidarem, ambos, certos negocios.

<<Alvaro Cezar entendeu de si para si nada ter a liquidar com aquelle cidadão boliviano.

<<T. Salvatierra, porém, julgando-se esbulhado do direito que lhe assistia, retirou-se para seu barracão, tendo antes declarado voltar para o tão apregoado ajuste de contas.

<<De facto voltou, mas acompanhado por quarenta de seus aggregados, amplamente armados, e, com elles, assaltou a casa de Cezar, que se entrincheirou com seus trabalhadores, resistindo por meio de fogo e de balas ao ataque, do qual resultou a morte de seis pessoas e o ferimento grave de mais de quinze.

<<Entre os feridos acha-se o proprio aggressor T. Salvatierra!

<<É para lastimar que ande tão tresmalhada do direito e da moral a população do rio Madeira.

<<Infelizmente esse mal horrivel e divergene da civilisação a que temos direito não é um cancro localisado; suas raizes estendem-se por outros rios da nossa provincia e são uma consequencia da pirataria posta em circulação pelos nossos amaveis visinhos do Pará.

<<O testemunho valioso do dr. Jansen Ferreira, perturbado nas impressões de sua viagem pittoresca pela tragedia, cujas peripecias acabamos de dar á leitura dos nossos assignantes, talvez sirva de estimulo á policia para syndicar do facto de que nos occupamos, sem os aprestos bellicos e arreganhos nauticos do Affonso Celso...

<<Dos quinze feridos já estão a medicar-se n'esta capital 7, inclusive o sr. T. Salvatierra.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de Abril de 1885, pág. 02, col. 03

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Histórico do Município de Canoas/RS


"Canoas, a 16 quilômetros de Porto Alegre, no centro geográfico da Região Metropolitana, foi originalmente ocupada pelos índios Tapes. Em 1733, o conquistador e povoador Francisco Pinto Bandeira, por razões estratégicas para o Reino Português, radicou-se na paragem Guaixim-Sapucaia dos Campos de Viamão. Esta propriedade foi chamada Fazenda Gravataí, correspondendo, hoje, a área ocupada pelo 1o. Distrito de Canoas.

O nome da cidade deve-se ao fato de que, quando da construção de uma estação de veraneio, seu proprietário à época, Vicente da Silva Freira, construiu algumas canoas para realizar serviços junto ao cais do Sobrado, no Rio dos Sinos.

Em março de 1938 Canoas deixou de ser sede do 4o. Distrito de Gravataí para ser elevada a condição de Vila. O desenvolvimento que se seguiu a partir de então proporcionou o nascimento de um forte movimento emancipatório, liderado pelo Capitão Miguel Lampert. Após a aprovação do General Flores da Cunha, Interventor Federal do Estado, em 27 de junho de 1939 criou-se o Município de Canoas."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 05 de Janeiro de 1999, pág. 05
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