segunda-feira, 4 de novembro de 2019

A polêmica expedição argentina de 1885


"ARGENTINOS EM CHAPECÓ

Do Jornal do Rio:

<<Vimos hontem duas cartas, vindas de Palmas (Paraná), uma com a data de 29 do passado e a outra com a de 1 do corrente, escriptas ambas por pessoas muito conceituadas d'ali, as quaes noticiam que chegára á barra do Chapecó uma commissão argentina, que vai explorar esse rio até ás suas cabeceiras, tendo passado dois dos commissarios por Nonohay (freguezia do municipio de Passo Fundo) e subido os outros o Uruguay.

<<Accrescenta um dos informantes que os animos estão exaltados ali por causa d'essa exploração.

<<Não tendo ella caracter hostil, como parece que não ter, não ha, crêmos, motivo para tal exacerbação de animos.

<<Desejam naturalmente os argentinos conhecer melhor aquella vasta região, parte da qual anda em litigio, e por isso mandam exploral-a. Façamos nós o mesmo; exploremol-a tambem, e assim mais facilmente se chegará talvez ao resultado desejado.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Fevereiro de 1885, pág. 02, col. 01

domingo, 3 de novembro de 2019

A santa de Socorro


"UMA SANTA MAIS!

Diz-nos a Provincia de S. Paulo:

<< Informam-nos do Soccorro que ha dias pelas 5 horas da tarde, entrou n'aquella cidade um grupo de trinta pessoas, composto de homens e mulheres, acompanhando uma rapariga que entoava ladainhas e rezas e que diziam ser santa.

<< Os homens caminhavam de chapéo na mão e as mulheres vinham a cavallo.

<< Pararam em frente a uma casa do largo Municipal. Mais de quatrocentas pessoas cercaram-n'a, e sendo enorme a algazarra do povo contra a santa, esta, que já se havia recolhido, voltou de novo á rua e arengou á multidão.

<< A mulher parece louca; mas o facto é que dominava as pessoas do bairro em que morava e toda a circumvisinhança. Dizia missas, confessava, exercia, em summa, muitas funcções sacerdotaes.

<< Consta que reside no districto de Bragança, agora está presa na cadêa do Soccorro e dizia-se que dentro em breve muitos dos seus fieis iriam buscal-a para continuar as costumadas praticas e ladainhas.

<< Dizia-se tambem que a autoridade ia fazel-a assignar termo de bem viver.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS),  25 de Julho de 1884, pág. 02, col. 03

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Exposição "Anistia: um passado presente?" no Mercado Central de Pelotas


Está acontecendo desde segunda-feira, 28 de Outubro, a exposição "Anistia: um passado presente?" na galeria principal do Mercado Público Central de Pelotas, no centro da cidade.

A iniciativa se deve à Escola de Humanidades da PUC-RS, ao Arquivo Público do Rio Grande do Sul e ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Em Pelotas são também realizadores a Universidade Federal de Pelotas e o Instituto Mário Alves, tendo apoio cultural da Prefeitura Municipal.

A exposição traz fotografias, cartazes e banners explicativos ilustrados sobre este importante evento da história do País. Vale a pena a visita. É gratuita! A exposição vai até 11 de Novembro.



















Os Vampiros da Morte


"Pelotas se assusta com vampiros

Travestis negam que exista grupo pela contaminação

Rumores de que um grupo de 27 homossexuais e prostitutas, intitulado 'Vampiros da Morte', estaria disseminando propositalmente o vírus da AIDS abalaram a população de Pelotas (RS), na última semana. A denúncia, feita pelos psicólogos Afonso Langone e Nara Vieira, do Grupo de Apoio à Vida (GAV), ao Diário Popular, causou pânico na cidade e revolta nos travestis, transformando o que seria um caso de saúde numa turbulenta caça aos vampiros pela polícia.

No depoimento inicial, Langone diz que os vampiros agem de forma criminosa e organizada, contagiando seus parceiros, que depois seriam avisados através de cartas e bilhetes. Enquanto a imprensa publica que a polícia já descobriu 14 vampiros, os travestis e prostitutas de Pelotas negam a existência do grupo e se mostram indignados com a notícia.

'Não conhecemos os tais vampiros e, se a polícia tem os nomes, por que não os prende?', questiona a prostituta Eva Garcia Perez, 40 anos, ao jornal Zero Hora.

Numa entrevista à Rádio Cultura - uma das mais populares de Pelotas, - o travesti Patty Davis e o transformista Paulo desafiaram o GAV a apresentar o nome dos aidéticos suspeitos. Patty contou que os travestis vêm sofrendo agressões verbais e físicas, desde o surgimento do caso. 'Nós todas usamos preservativos e não contaminamos nossos clientes, que são, na maioria, homens casados', diz. Ela mora com outro travesti, conhecido como Cassandra, que á apontada como o líder dos vampiros. Cassandra negou que pertença ao grupo e que teria contaminado parceiros de programas.

A noticia da existência de portadores, que estariam transmitindo propositalmente o vírus, foi recebida com desconfiança por Luís Roberto Cruz, diretor do Grupo Pela Vida - entidade que oferece apoio aos portadores da doença, no Rio. 'Nunca encontramos um paciente que tivesse esse tipo de comportamento. É preciso ter cuidado quando se apontam prostitutas e homossexuais como culpados pela disseminação do vírus. Eles já são discriminados o suficiente pela sociedade, e uma denúncia dessas só reforça o preconceito', alerta.

Para Milton Quintino - coordenador da ARCA (Apoio Religioso Contra a AIDS), o caso dos vampiros  não surpreende. Há muito tempo convivemos com boatos de que existem infectantes voluntários; faz parte do folclore que cerca a doença. O fato é que nunca, dentro do nosso grupo de trabalho, ouvimos uma intenção declarada de nenhum portador do HIV nesse sentido'.

Bianca Deo"

Fonte: MANCHETE (Rio de Janeiro/RJ), edição 2155, 24 de Julho de 1993, pág. 94
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