quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Sobrenome Juan


"Sobrenome patronímico simples do nome próprio Juan, que equivale a João em português.

As casas mais antigas deste sobrenome se achavam radicadas em Aragão, Valência e Alicante. Seus ramais se estenderão para outras regiões da Espanha. Também é muita antiga a família Juan estabelecida em Palma de Mallorca, pois vários cavaleiros desta linhagem participaram da conquista da ilha, no século XIII.

Entre os cavaleiros da medieval Coroa Catalã-Aragonesa, conta-se o valenciano Perot Juan, que no ano de 1337, participou do apoderamento do estado de Atenas, na Grécia, a mando do rei Pedro IV de Aragão.

Também se conta Fernando Juan, do vecindário de Almunia de Doña Godina, que interviu junto a Real Audiência de Aragão por seus pleitos civis entre os anos de 1799 e 1801."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A fábrica de guanos de Gustavo Hugo Elste


"A primeira e mais importante das fabricas de Pelotas, é sem duvida a do Sr. Gustavo Hugo Elste, na Costa, que abrio ao paiz uma nova valvula de exportação, e que utilisa materia prima, até hoje despresada e até nociva para a saude publica.

Ha tempos já demos aos leitores idéa do processo empregado pelo Sr. Elste, o mais incansavel e energico dos nossos industrialistas, e expozemos as vantagens resultantes de sua industria, que reduz o guano artificial (que tem optimo mercado na Europa) as forçuras e todos os outros restos animaes, que em tempos idos não eram aproveitados nas xarqueadas, sendo atiradas ao rio, onde empestavam o ar.

Graças á industria do Sr. Elste, hoje não se perde mais cousa alguma da rez. Suas lanchas a vapor (a fabrica possue 4) e outras embarcações percorrem constantemente as xarqueadas e recebem ali todos os restos animaes, que não eram aproveitados: figados, baços, buchos e tripas, beiços, orelhas, etc., e nem sequer se perde o proprio sangue, porque as embarcações da fabrica o apanham e fervem-n'o logo durante o trajecto, para cujo fim dispõem de caldeirões apropriados, chegando o sangue já fervido á fabrica.

Esta se acha estabelecida na costa e cobre um vasto arraial cercado de grandes e espaçosos edificios mui solidos. A immensa chaminé do estabelecimento de longe o indica.

A vasta área que fica entre os edificios é toda ladrilhada e tem canalisação subterranea, para estar sempre enxuta, porque n'ella se utilisa a acção do sol, n'uma das phases do processo.

Aos visitantes sorprehende á chegada a immensa bulha produzida pelos diversos machinismo, motores, etc. Duas machinas a vapor, ambas de grande força, trabalham ali constantemente. O Sr. Elste, que se acha sempre pessoalmente á frente do serviço, dirigindo tudo, recebe o seu visitante em mangas de camisa e com o suor do honrado trabalho cobrindo-lhe o rosoto, e de bom grado lhe mostra esta sua gigantesca creação, tanto mais apreciavel, quanto teve de luctar durante longos annos contra contrariedades sem fim. Só mesmo a energia, a tenacidade e immensa actividade do grande industrialista podiam vencer tantos obstaculos e chegar a um resultado tão imponente.

Acompanhemos o nosso guia, que com gesto energico, palavra incisiva e olhar intelligente nos explica o complicado mechanismo do seu estabelecimento, começando pelo trapiche junto ao qual ancora a sua esquadrilha a vapor, que recolhe nas xarqueadas das margens do Pelotas e do S. Gonçalo, os residuos que até ha pouco eram atirados ao rio.

Toda essa massa informe, uma vez desembarcada, é levada para o primeiro vasto edificio, onde se acha assente uma immensa machina a vapor, com tres grandes caldeirões de ferro, n'um dos quaes é fervida a massa dos residuos, ao passo que as outras servem para extracção de graxa dos ossos destinados á calcinação (porque o Sr. Elste continúa tambem a fabricar a afamada cinza de ossos); o liquido que sahe do caldeirão em que se ferve os residuos, é logo, por um canal levado ao rio; o condensador da graxa está no mesmo edificio e engenhosamente ligado á respectiva caldeira, sendo de systema inteiramente novo, e muito importante.

Até agora fazia-se esse serviço em tinas de madeira nas xarqueadas, com excepção da do Paredão da Cachoeira, ainda hoje assim é, levando-se 36 horas no processo que com caldeiras de ferro e emprego do vapor póde ser feito em 5 ou 6 horas.

Os residuos fervidos na caldeira são seccados na área, para o que utilisa-se a acção gratuita do sol; n'este estado passam depois para um outro vasto edificio, onde o motor de grande força move uma immensidade de machinas. A primeira d'ellas é o cortador; os grandes pedaços de massa taes como sahem da área, são ali cortados (com machinas) em tiras estreitas.

Depois são levadas ao torrador, uma vasta extensão de chapas de ferro com fogo subterraneo canalisado, em que a massa é cortada e perfeitamente torrada.

Uma vez torrada, é ella sempre mechanicamente levada ao soccador, uma outra machina que reduz os pedacinhos a pó; é engenhosissimo o systema pelo qual, dentro de um cano de madeira, este pó é levado ao alto do edificio, afim de ser despejado no moinho em que é moido e peneirado, sendo logo despejado em saccos que se enchem sem auxilio manual.

Termina ahi o processo; os residuos das xarqueadas se acham reduzidos a um finissimo pó de côr escura e sem cheiro algum, um phosphato que em qualidade nutritiva para o sólo, iguala absolutamente, se não excede, ao melhor guano das costa do Pacifico.

O Sr. Elste, cuja fabrica só agora está completa, e que até hoje trabalhava em proporções acanhadas, ainda assim já exportou 5 carregamentos de guano artificia, que acharam optimo mercado na Europa, e hoje que sua fabrica está completamente montaa, dispondo de innumeras machinas, promptificará um grande numero de carregamentos durante a safra, utilisando todos os residuos de 28 xarqueadas que trabalham em Pelotas.

É um importantissimo ramo de exportação que foi creado pelo Sr. Elste, em lucta com immensas contrariedades."

Fonte: REVISTA DE ENGENHARIA (Rio de Janeiro/RJ), ano III, número 02, 1881, pág. 27


terça-feira, 6 de agosto de 2019

A colônia de São Lourenço do Sul em 1885


"COLONIA S. LOURENÇO

RIO GRANDE DO SUL

Eis alguns dados sobre essa colonia:

Area. - 621,478 m. occupada... 383.723 m2 demarcada; não demarcada 200.105.332 m2.

Posição. - Municipio de Pelotas, ao norte; entre 9* e 9*15' longitude do Rio de Janeiro; lat. 31*20' e 31*28'.

Limites. - Ao N. a serra do Cangussú e terras particulares; á L. terras particulares; ao SE. a colonia da Santa Clara; ao S. colonia Santa Silvana e terras particulares; ao SO. a colonia Alliança, e terras particulares.

População. - 10,000 almas (allemães na totalidade).

Culto. - Ha duas igrejas catholicas e 33 templos protestantes (sendo cada um destes em uma das 33 picadas da colonia).

Instrucção publica. - Duas escolas creadas pelo governo e 22 particulares muito frequentadas.

Vias de communicação. - Cortam a colonia, em diversos sentidos, 33 picadas, que servem ás communicações internas, e o rio de S. Lourenço, que desagua na lagôa dos Patos.

Meios de transporte. - 600 carretas e embarcações para a navegação fluvial.

Commercio. - O movimento de exportação e importação eleva-se a cerca de 600:000$000.

Ha 25 casas commerciaes.

Producções. - Milho, feijão, batatas, manteiga, ovos, gallinhas, presuntos e salames, sendo estes os generos de exportação; vinho para o consumo local; em ensaios proveitosos, a cultura do trigo e congeneres.

Ha cerca de 5,000 cabeças de gado bovino.

Industria fabril. - Entre as principaes, notam-se: 4 cortumes, 4 tamancarias, 2 fabricas de cerveja, 1 serraria a vapor, 1 olaria.

Ha em cada uma das 33 picadas que cortam a colonia, 1 ferraria e respectivamente um estabelecimento das innumeras pequenas industrias.

Funccionam nas principaes fabricas 8 machinas movidas a vapor e 10 a agua, estando-se a montar uma outra das primeiras."

Fonte: JORNAL DO AGRICULTOR: PRINCIPIOS PRATICOS DE ECONOMIA RURAL (Rio de Janeiro/RJ), ano VII, tomo XIII, julho a dezembro de 1885, pág. 273

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Histórico do Município de Esmeralda/RS


"Esmeralda, quando vila denominava-se São João Velho.

São João por ser santo padroeiro e Velho por ser o sobrenome do doador do terreno da praça Joaquim Antônio Velho.

Mais tarde passou a chamar-se Vila Esmeralda, pois o médico que atendia a localidade Dr. Antônio Dias Fernandes ia atender doentes dizia: dia que trocaram o nome de São João Velho, mudem para ESMERALDA, devido a beleza de seus campos, matas e pinheirais, por que era também a cor da pedra de seu anel.

Finalmente em 27 de novembro de 1963 pela Lei no. 4616 criou-se o Município de Esmeralda.

A primeira eleição realizou-se em 29 de março de 1964, sendo o Sr.Dr. Orly Labarte Alves o primeiro prefeito da cidade.

A instalação do município deu-se no dia 08 de abril de 1964.

LOCALIZAÇÃO

Esmeralda está localizada na parte superior do Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, na região dos Campos de Cima da Serra.

A distância da sede do município à capital do Estado por via rodoviária através da BR 456, BR 285 e BR 116, que perfaz um total de 312 km.

ALTITUDE

Está situada a 944 m acima do nível do mar (Praça Dr. Orly Labarte Alves - sede do município).

Latitude - 30o 24' 25"

Longitude - 53o 41' 49"

ÁREA

Atualmente a sua área é de 1.287 km2 (dados não-oficiais).

De acordo com informações do IBGE, baseada no último censo de 1996, a atual população do município é de 5.528 habitantes sendo:

População urbana - 1.922 habitantes, representando 34,77%.

População rural - 3.606 habitantes, representando 65,23%.

Densidade demográfica - 4,64 hab/m2.

Cidade de clima agradável. Podemos caracterizá-lo como clima temperado, onde a média da temperatura do mês mais quente (janeiro) é inferior a 22oC e a média da temperatura anual é inferior a 18oC.

LIMITES E DISTRITOS

Norte: Anita Garibaldi.

Sul: Vacaria e Muitos Capões.

Leste: Campo Belo do Sul.

Oeste: Lagoa Vermelha e Barracão.

O município está dividido em 4 distritos: 1o. - Esmeralda sede, 2o. - Pinhal da Serra, 3o. - São Sebastião dos Gregórios e 4o. - Serra dos Gregórios.

HIDROGRAFIA

Os rios que banham o município são de pequeno porte. Eles pertencem a bacia do Pelotas, podendo citar o Rio Bernardo José que serve de divisor entre o município de Barracão e Esmeralda e Rio do Frade que divide os municípios de Esmeralda e Vacaria, vindo os dois desaguar no rio Pelotas. O município conta ainda com duas quedas d'água: Cachoeira do Tigre no rio Jaguaíra, com 50 metros de queda, onde existiu uma usina elétrica."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 09 de Novembro de 1998, pág. 02




domingo, 4 de agosto de 2019

Uma leva de imigrantes em Pelotas em 1887


"Por outro lado nota a directoria com profunda magoa que muito nos falta ainda para o estabelecimento de um serviço regular de recepção e agasalho de immigrantes. Os que chegáram ultimamente a Pelotas, transportados do Rio Grande pelo vapor Itapuan, estiveram no cáes cerca de seis horas, expostos ao sol, sem saberem para onde dirigir-se. Finalmente appareceu uma pessoa, incumbida pelo chefe da commissão de terras, incumbida pelo chefe da commissão de terras, de guial-os para a cidade, e là se alojáram elles em armazém, cedido por um particular até que partissem para o nucleo Maciel, destino de todos.

Em Porto-Alegre têm-se verificado factos identicos, que certamente não abonam o modo por que encaramos esse ponto, de tão elevado alcance para os creditos, de que o Brazil deve gozar nos centros emigratorios, mórmente attenta a circumstancia de que diversos paizes concorrem comnosco, uns procurando attrahir forte corrente mediante todas as facilidades e concessões, outros, em que superabunda a população, encaminhando-a para as suas possessões ultramarinas."

Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), ano IV, boletim número 31, abril de 1887, pág. 07, col. 02

Pelotas de 1868 a 1871


"Fomos obsequiados com a seguinte e interessante nota da edificação da cidade de Pelotas e de sua população official em 1869:

Existia em 1867 a 1868 - 1.849 prédios.

Em 1868, elevou-se esse numero a 1.946, dando-se assim a construcção ou augmento de 97 novos predios.

Em 1869, o numero attingiu a 2.007, importando por consequencia, no accressimo de 61 predios, em relação ao anno anterior.

Em 1870, esse numero subiu a 2,173, tendo-se assim realisado um augmento de 166 predios.

Finalmente, no anno de 1871, o numero de edificios em Pelotas era de 2,335, dando-se o augmento de 162 novos predios.

Nos quatro annos de 1868 a 71, houveram por tanto 486 edificações, representando os dois annos ultimos 338.

A população, segundo dados officiaes, era no anno de 1869, representada por 11,980 habitantes."

Fonte: DIARIO DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 12 de Julho de 1872, pág. 02, col. 04

sábado, 3 de agosto de 2019

Sobrenome Guimet


"Antigo sobrenome catalão, registrado desde o século XVI, conforme o Censo do Principado da Catalunha de 1553. 

Etimologicamente, segundo os estudos de Francesc de Borja Moll, que é especialista em sobrenomes catalães, o sobrenome Guimet é um diminutivo do nome/sobrenome Guim ou Guillem, por sua vez a forma catalã para o nome germânico Wilhelm, que também é Guillermo na língua castelhana, Guillilemus na língua latina e Guilherme na língua portuguesa. Por isso, um patronímico na forma hipocorística.

Segundo o Arquivo Geral Militar de Segóvia, foram militares importantes desta linhagem: Antonio Guimet, do Corpo de Saúde Militar, no ano de 1796; e seu filho, Francisco Guimet, também do mesmo corpo, no ano de 1819."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.
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