domingo, 23 de dezembro de 2018

Tradições de Natal do norte da Itália


Lombardia

Especialmente em Milão, o Natal é sinônimo do tradicional panetone. Sobre a sua origem, são contadas várias lendas, a mais famosa é a versão que um padeiro chamado Toni teve a ideia de enriquecer um pão simples com manteiga, ovos, açúcar, passas e frutas cristalizadas, pela necessidade de agradar o paladar de um nobre local. O fato é que o panetone é atestado nas mesas de Milão desde o século XIII.

Outra expressão importante natalina local é a Feira "Oh Bej! Oh Bej!", que começa em 07 de dezembro - dia de Santo Ambrósio -  e que acontece atualmente na área de Castello Sforzesco. A tradicional feira reúne vendedores de artesanato, antiguidades e gastronomia local, além de várias atrações culturais.


Em Milão, são também consumidos na época natalina tradicionais pratos típicos como: capão em consomê de gelatina, tortellini ou casoncelli em caldo, capão recheado (com ovos, grãos esmagados e salsicha), acompanhamentos à base de mostarda de Cremona, espetinhos de frango e carne temperados. As sobremesas também estão no cardápio como o nougat, o já citado panetone e a sbrisolona.

Trentino

O Natal trentino possui notável influência da tradição cultural alpina. Os centros históricos e vilarejos se enfeitam com luzes, cores e aromas típicos da época natalina. Entre as famílias a tradição da Coroa do Advento é uma das mais profundamente arraigadas. A coroa é composta por um trama de ramos de abeto, uma fita de seda vermelha e quatro velas que indicam os domingos que antecedem o Natal. A cada um destes domingos uma vela é acesa e canções tradicionais são entoadas. Também faz parte da festa natalina trentina o costume do calendário do Advento - este por sua vez com origem na Alemanha. Em 1908, um alemão chamado Gerhard Lang criou um calendário confeccionado em papel, que representava os dias entre 01 e 24 de dezembro, como numa espécie de contagem regressiva ao Natal. Em cada dia, existe uma artesanal janelinha de papel que se abre e contém uma guloseima para as crianças. Desta forma, a criança já no início do último mês do ano já vai vivenciando a expectativa do Natal. Em Bolzano, na Via della Posta, a fachada do edifício Max Valier é transformada num imenso calendário do Advento.


No menu do Natal trentino não podem faltar as seguintes iguarias locais: Bolinhos (de pão amanhecido, de presunto, de bacon, de salame, farinha, ovos, leite, caldo de espinafre, cogumelos porcini e fígado de vitela, etc.; as variações são muitas), os strangolapreti (bolinhos de massa de pão, leite, ovos e acelga) servidos com manteiga, folhas de sálvia e parmesão, carne de veado ou cabra assados com batatas e como principais sobremesas o strüdel (torta típica de inspiração germânica) e o zelten (bolo enriquecido com frutas secas e rum).

Friuli-Venezia-Giulia

É uma região principalmente marcada pelo costume dos belos presépios na época natalina. Em Tarcento, província de Udine, ocorre um evento curioso ligado ao ciclo natalino - o Palio dei Pignarulârs - que se inicia logo após o pôr do sol do dia 05 de janeiro, véspera do Dia de Reis, e que consiste numa corrida em que homens trajando roupas típicas carregam grandes carroças ardendo pilhas de fogo. A festa tem origens medievais e mais profundamente está ligada a antigas celebrações celtas da Europa.


Os pratos típicos do Natal da região são a brovada, o muset (sopa de nabo e cotechino, um tipo de embutido italiano feito a partir da carne e pele suínas), a polenta, tripas com molho e queijo, carneiro assado, a gubana (nozes, amêndoas, passas, mel, vinho e rum, envoltos numa massa perfumada) e os castagnoles (bolinhos doces à base de farinha, açúcar, ovos e manteiga).

Valle d'Aosta

O Natal valdostano é caracterizado pelo costume de montar presépios vivos nas ruas das cidades. Os personagens do presépio costumeiramente são representados por crianças enquanto que os adultos representam atividades do passado pelas ruas da cidade e oferecem bebidas e lanches saborosos aos visitantes.

Na noite do dia 24 de dezembro, em todas as paróquias da região, a celebração da Missa do Galo é muito valorizada, com grande afluência de pessoas às igrejas católicas. Na saída da missa, os valdostanos tem o hábito de trocarem saudações e desejos de um bom Natal, momento em que se trocam e se presenteiam com fatias de bolos, xícaras de chocolate quente e pequenos cálices de uma receita local com vinho quente.

Comidas típicas do Natal valdostano: carne seca (mormente de músculo de vaca, ou de carne de ovelha ou cabra; em todos os casos a carne é seca e temperada com ervas da montanha, zimbro e alho) servida com torradas e mel, castanhas cozidas e caramelizadas com mel, torradas com queijo e trufas derretidas e sopa Valpellinentze (repolho, couve lombarda, fatias de pão duro, queijo fontina, caldo de carne, canela e noz-moscada). Os pratos doces principais são pêras em calda servidas com chocolate ou chantilly, café Mandola (um tipo de café aromático muito robusto) com amêndoas moídas em que se serve como acompanhamento o tegole - espécie de torta seca típica.

Vêneto

A região é muita ligada à figura de Santa Lúcia ou Santa Luzia (cuja comemoração é dia 13 de dezembro), em que são organizados vários eventos em sua honra, porém cujo principal é o "Banchéti de Santa Lussia" ("Banquete de Santa Lúcia" no dialeto local) na Piazza Bra, em Verona.

Em Veneza, a expressão natalina distintiva da cidade são os mercados flutuantes montados na lagoa, onde cânticos característicos são ouvidos em meio a degustação de vinho brulé.

No Natal do Vêneto se aprecia muito o ravióli em caldo de carneiro, o carneiro cozido simples ou o carneiro cozido em molho de raiz forte, sendo que, ambos os tipos de cozido de carneiro são servidos com purê de batatas e salada de radicci (radiche, almeirão) vermelho. A principal sobremesa é o delicioso nougat de amêndoa.

Piemonte

O Natal piemontês é caracterizado também pela tradição dos presépios, tanto pelos esculpidos quanto os "vivos". Entre as muitas celebrações, o "Il Pastour"("Os Pastores") é a mais peucliar da região, com eventos regulares e fixos em cidades como Alessandria, Vinadio e Pradleves. Atores populares representando pastores percorrem as igrejas dos vilarejos e, liderados pelo personagem "Gelindo", levam oferendas ao Menino Jesus na noite de Natal.

Pratos típicos: salada de carne crua all'abese (uma espécie de carpaccio piemontês marinado com suco de limão e temperado com azeite de oliva, alho, sal e pimenta, e às vezes, acompanhado de trufa branca ou cogumelo porcini), pimentas em bagna cauda (molho à base de azeite, alho e anchovas), anchovas em molho verde, flan de cardo, torta de alho-porró, agnolotti (típica massa recheada com carne) com molho, risoto de radicci (radiche, almeirão) e vinho Barolo, carneiro assado, cozidos diversos à base de batatas e cenouras, além de outros vegetais, e uma diversidade de molhos para acompanhamentos. Sobremesas principais: gianduia, zabaione e nougat de Alba.

Fonte: livre adaptação com acréscimos para melhor entendimento dos leitores em língua portuguesa de reportagem do site: https://www.tgcom24.mediaset.it/












sábado, 22 de dezembro de 2018

O Tesouro do Serro Partido


"Um bom achado

Communicaram ao redactor do Correio Mercantil de Pelotas, que, ha dias, indo pescar em uma cascata que ha no Serro Partido, municipio de Herval, no campo do capitão Justiniano Freitas, o sr. Vespaziano Luiz de Freitas e Bento Julio de Freitas, depararam com umas tres pedras amontoadas que via se que não era effeito da natureza nem tambem o acaso que as tinha collocado ali e sim mão humana.

Entre os dois viraram as pedras e qual não foi sua surpreza quando depararam com uma panella de barro cheia de onças.

Então o sr. Bento montou a cavallo e foi á casa do sr. Amaro Tito da Silveira, que fica proxima á Cascata, para trazer um instrumento com que cavassem a ver se descobriam mais alguma coisa.

Tambem veiu com o sr. Bento o sr. Amaro Tito e puzeram se então a cavar os tres e muito surprehendidos ficaram, quando o instrumento bateu em um ferro, o que logo verificaram ser um caixão; immediatamente abriram-n'o e tiraram de dentro dois santinhos pequenos e dois grandes de prata; tornaram a cavar, mas nada encontraram mais.

Ali mesmo contaram a importancia das onças, sendo quarenta contos e quinhentos mil réis.

Firma a communicação o s. Francisco Luiz de Freitas, residente no Serro Chato."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (RS), 05 de Novembro de 1889, pág. 02, col. 02

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Ciganos em Porto Alegre 1920


"Vida errante

São raros, já, hoje, entre nós, esses bandos errantes de ciganos que faziam pousada na Varzea e que espalhavam o panico entre a população. De vez em vez ainda apparecem alguns, mas desgarrados, sem que se saiba ao certo onde vivem, onde comem e onde dormem. 

Apparecem por ahi, na febre do movimento urbano, como um grito a estrugir entre a mesmice rueira de todos os dias, com as suas vestes incoherentes e sua resignada immudicie.

Os homens carregam tachos ás costas. As mulheres tiram a buena dicha.

Aquelles teem uma expressão selvagem na physionomia queimada, estas teem sempre um encanto qualquer nas pupillas claras por onde passaram todas as paizagens da terra.

Envolve-os o mysterio e a lenda. Veem não se sabe de onde e vivem da pilhagem... Ouro, crianças, tudo roubam...

Por isso, á sua aproximação, fecham-se, medrosas, as portas, e nos interiores, as familias tremem de terror, imaginando as crueldades a que seria submettido o caçula da familia se as mãos rapaces e perversas desses homens tostados o arrebatassem...

E os ciganos - sem se preoccupar com a ideia atroz que delles fazem - seguem a sua vida errante, para novas paizagens, sob nóvos céos, ao impulso da sua alma bohemia e insatisfeita...

São raros, já, hoje, esses bandos excessivamente pittorescos que foram o terror das nossas familias e o encanto dos que por curiosidade iam vêl-os de perto...

Com elles e os carreteiros, vão-se dois clichés de Porto Alegre d'antanho...

E a Varzea, logar escolhido para estação de todos esses bandos nômades, será em breve, rasgada pela furia civilisadora...

Resta-nos, por emquanto, alguns ultimos carreteiros e os cavallinhos.

Mas, quer-nos parecer, não por muito tempo..."

Fonte: MÁSCARA (RS), 26 de Junho de 1920, ed. 04, pág. 09-10.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O pai dos "dez mandamentos"


"Ora... essa é boa.- Lê-se no Jornal do Commercio de Pelotas do Rio Grande do Sul:

-Quantos filhos tens? perguntaram a um homem que tinha nada menos do que tres varões e sete mulheres.

-Tenho os dez mandamentos, respondeu rindo-se.

-Os dez mandamentos?

-Sim, os tres primeiros que são homens, pertencem a honra de Deus e os outros sete que são mulheres, pertencem ao proveito do proximo.

E digam que o homem não sabia a doutrina."

Fonte: CEARENSE (CE), 14 de Março de 1882, pág. 02, col. 01

Comemoração do Centenário do Uruguay em Pelotas


"Em honra do Centenário do Uruguay

PELOTAS, 17 (Via aérea) - Reina entusiasmo entre a mocidade pela grande demonstração de sympathia que será levada a effeito, amanhã, ás 14 horas, à nacionalidade uruguaya, em honra ao primeiro centenário de sua independência.

Constará de uma passeata cívica, partindo da frente da Intendência Municipal, em direcção ao Consulado Uruguayo, à rua General Telles e daí seguirá para cumprimentar as redacções dos jornaes locaes, fazendo uso da palavra, ao ser dissolvida a manifestação, em frente à Intendência, o dr. João Brum de Azeredo.

- A congregação da Faculdade de Direito realizará sessão solene no edifício da Faculdade, às 20 horas de amanhã, de homenagem à Pátria Uruguaya, para o que foram convidadas as autoridades em geral, os intellectuaes de Pelotas e a mocidade das escolas.

Em nome dos professores falará o dr. Fernando Osório."

Fonte: O ESTADO DO RIO GRANDE (RS), 18 de Julho de 1930, pág. 20, col. 01

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Antônio Filipe Camarão


"Guerreiro indígena brasileiro, nascido em data incerta, morto em 1648, na Primeira Batalha de Guararapes. Tinha o nome de Poti: ao ser batizado pelo Padre Diogo Nunes, adotou o nome cristão de Antônio, acrescentando-lhe o de Filipe, em homenagem ao rei de Portugal e Espanha (Filipe III) e Camarão, tradução do seu nome índio. Tendo-se distinguido em várias oportunidades nas lutas contra os holandeses (sobretudo na batalha em que morreu), foi agraciado com o título de Dom e recebeu diversas honrarias."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.


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