domingo, 16 de setembro de 2018

Passagem dos cavalarianos do CTG Tropeiros do Sul no Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão

Na tarde deste sábado, 15 de setembro, os cavalarianos do CTG Tropeiros do Sul estiverem em passagem e visita à sede do Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão. O grupo estava conduzindo a Chama Crioula e as duas entidades possuem uma aproximação bem próxima, dado que enquanto o IHGCL está localizado na esquina da Avenida Narciso Silva com a rua Professor Agostinho, o CTG está no final da rua Professor Agostinho (menos de um quilômetro). Na ocasião, tradicionalistas foram recebidos pela diretoria do instituto e tiveram a oportunidade de conhecer a sede e as instalações do mesmo. O ato integra-se às comemorações da Semana Farroupilha 2018 em nosso município.



















sábado, 15 de setembro de 2018

Abertura da Exposição Memorial da Estação Férrea de Pelotas no IHGCL

Neste sábado, 15 de setembro, realizou-se à tarde, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão, a abertura da Exposição Memorial da Estação Férrea de Pelotas, com banners, videos, explanação e roda de conversas. O evento esteve sob a condução do doutorando em Antropologia pela UFRGS, Guillermo Stefano Rosa Gómez, e também contou com a presença do ferroviário aposentado Orlando Chagas. A exposição permanecerá na sede do instituto até outubro. É possível visitá-la terças e quintas-feiras no horário de atendimento do instituto ao público.













Histórias Curiosas LXVI

Amigo nosso de Arroio Grande conta-nos esta prosaica história curiosa acontecida em priscas eras na cidade vizinha, mais especificamente na Vila de Santa Isabel. Aqui reproduzimos para o folclore político gaúcho.

Candidato a vereador de Arroio Grande organiza um grande comício em Santa Isabel. Na época, tudo o que tinha direito é preparado: almoço, animação musical e distribuição de brindes. Cabos eleitorais não poupam esforços em deixar o ambiente mais atrativo para o eleitor. Na hora do discurso, o ilustre candidato a vereador critica acidamente as autoridades constituídas no município e o descaso com que o pobre povoado sofre nas mãos da administração local. O político empolga-se e passa a fazer uma espécie de jogral com o público que o assistia. Sobre o palanque, ele pergunta:

- Santa Isabel não tem energia elétrica, não é mesmo?

- Não! - respondia um coro meio tímido e desanimado.

- Não tem água encanada?

- Não! - repete a pequena aglomeração que se presta a ouvi-lo.

- Não tem telefone?

- Não tem estrada?

- Não tem segurança?

E o coro de negativas segue, impassivelmente. Após tanto ouvir a mesma resposta, o candidato esquece o decoro e emenda a pérola:

- Barbaridade! Mas Santa Isabel não tem m... nenhuma!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Osvaldo Euclides de Sousa Aranha


"Osvaldo Euclides de Sousa Aranha (15/11/1894-27/01/1960) nasce em Alegrete. Inicia-se na política como intendente (equivalente a prefeito) de sua cidade natal e subchefe de polícia de Porto Alegre. Em 1927 elege-se deputado federal. Com a vitória do movimento revolucionário em 1930, negocia com a Junta Militar, no Rio de Janeiro, a entrega do governo a Vargas. É escolhido ministro da Justiça e Negócios Interiores, passa para a pasta da Fazenda em 1931 e é nomeado embaixador em Washington, de 1934 a 1937. Deixa o cargo em protesto contra o Estado Novo, mas se torna ministro das Relações Exteriores, de 1938 a 1944. Chefia a delegação brasileira na primeira Sessão Especial da Assembleia-Geral da ONU, em 1947, e luta pela criação do Estado de Israel. Volta ao Ministério da Fazenda em 1953. No governo Juscelino Kubitschek, retorna à ONU, à frente da delegação brasileira. Morre no Rio de Janeiro, aos 66 anos."

Fonte: ABRIL. Almanaque Abril: quem é quem na História do Brasil. São Paulo: Abril Multimídia, 2000, pág. 83.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Curioso caso de casamento em Canguçu em 1891


"PIPAROTES

Leio em um dos ultimos numeros da Epoca d'esta capital:

<<CASAMENTO DE DOIS HOMENS

O leitor não deve tomar por pilheria esta noticia, que é o que de mais verdadeiro póde haver.

Pessoa muito respeitavel, chegada ante-hontem no Mercedes e residente em Cangussú, informa-nos que em dias d'este mez celebrou-se ali um casamento civil entre dois homens, sendo que o que representou de noiva estava vestido de mulher.

Fez-se a competente habilitação pelo cartorio do juizo dos casamentos correram os proclamas e os nubentes assim preparados foram á presença do juiz de paz com grande e festivo acompanhamento.

O juiz de paz, nenhuma desconfiança teve e celebrou o casamento.

A noiva portou-se irreprehensivelmente; não lhe faltou a imprescindivel prudencia, o choro e a ternura ao se deixar abraçar pelas senhoras.

Não ficou aqui sómente o caso: finda a cerimônia, houve grande brodio nupcial, e só mais tarde, chegadas as cousas a certo ponto, e depois de beber muito vinho, é que o caso fez explosão.

Repetimos: o caso é verdadeiro.

Estes casamentos civis... só mesmo por troça.>>

Foi uma pilheria excellente, não ha duvida, e, como se vê, o meu collega encontrou, n'ella, opportunidade para chacotear de uma das mais fecundas instituições civis lançadas pela Republica.

No emtanto, a troça que se deu com o juiz de paz da roça, bem podia ter occorido co um reverendo bem intencionado, - como todos elles o são, - sem que a nenhum livre pensador ficasse bem exclamar: <<Estes casamentos religiosos... só mesmo por troça.>>

Nada tenho de caróla, e não costumo bravatear; mas garanto o seguinte: si um typo mettido a cebado, desrespeitasse por tal fórma, na minha presença, uma religião qualquer, não sei si me poderia conter...

Qual! dava lhe um tortôlho, que o virava.

Tal é a convicção que tenho de que não é licito a ninguem que se prese moralmente, pretender vilipendiar uma crença.

Pensa de modo contrario a Epoca, - tanto melhor para si e para os seus fieis..."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (RS), 29 de Agosto de 1891, pág. 01, col. 05

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

O Museu Nacional em 1885

"O MUSEU NACIONAL

Lê-se no Jornal do Rio de Janeiro:

<<Nos ultimos dias foi visitado o Museu Nacional pelos srs. ministros plenipotenciarios da França, Belgica, Russia e Allemanha, bem como pelos secretarios das legações franceza e allemã, pelo chefe da estação naval da França e seu ajudante de ordens.

<<Como era natural, por se tratar de acquisições de data recente e de alta valia para a prehistoria sul-americana, fixou-se principalmente a attenção dos visitantes nos objectos desaterrados dos antigos necroterios da ilha de Marajó, e descriptos pelo sr.dr. Ladisláo Netto no ultimo exemplar dos Archivos do Museu Nacional.

<<Taes objectos, entre os quaes se contam productos ceramicos de lavor bem acabado, e até pouco tempo inteiramente desconhecidos em todo o Brazil, devem representar antiguidade de mil annos constituindo indicios, a juizo do sr.dr. Ladisláo Netto, de civilisação parallela á dos Incas, no Perú, e a dos Astekas, no Mexico, posto que se distingam por caracteres particulares.

<<Alguns d'estes exemplares foram colhidos na ilha de Marajó pelo sr.dr. Ladisláo Netto, quando, ha tres annos, visitou o norte do imperio no interesse da Exposição Anthropologica Americana que se realisou no Museu Nacional, primeira do seu genero em ambas as Americas.

<<Muitos outros foram ali colligidos, com aturado labor, pelo sr. C. Rumbelsperger que para este fim fez duas viagens ao Pará.

<<O sr. Rumbelsperger, francez de origem, serve ao Brazil ha 40 annos, exercendo desde algum tempo o cargo de naturalista-viajante do Museu Nacional.

<<Em tal caracter acompanhou este illustre septuagenario a commissão brazileira que observou de Punta Arena a passagem de Venus, tendo trazido d'ali, apezar de grave accidente de que foi victima, e que lhe roubou numerosos dias de trabalho, estimavel collecção de productos dos tres reinos da natureza.

<<Desde a exposição, a que acima nos referimos, tem recebido o Museu Nacional quantidade mui valiosa de objectos com os quaes se têm enriquecido as suas antigas collecções e creado outras.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (RS), 04 de Novembro de 1885, pág. 01, col. 04

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Crime na charqueada


"O Correio Mercantil de Pelotas narra o seguinte assassinato:

<< Ás 2 horas da madrugada de hontem (14), no segundo districto deste termo, na xarqueada do Sr. Domingos Soares Barbosa, arrendada ao Sr. João Theodosio Gonçalves, um preto de nome Faustino, escravo do Sr. Antonio dos Taipes, alli alugado, assassinou barbaramente o capataz do mesmo estabelecimento, Antonio Martins de Oliveira Graça, maior de 30 annos, solteiro, natural de Portugal. O crime foi revestido das circumstancias aggravantes - premeditação, emboscada e noite.

Os escravos, ao serviço da xarqueada, tinhão principiado o trabalho de empilhar couros, faltava, porém, o preto que tratamos. O capataz foi procura-lo e encontrou o na senzala occulto atrás de uma porta.

Mal o vio, o preto, agil e forte, como a féra que salta do covil, lançou-se sobre a victima que havia designado para recuperar a liberdade em troca da prisão perpetua, tirou-lhe um cacete que habitualmente trazia e com elle descarregou-lhe a primeira bordoada sobre a cabeça, tão desesperadamente que o prostrou sem sentidos.

Depois, para completar a obra, para chegar a seus fins depravados, com o mesmo cacete fez-lhe muitos ferimentos no rosto e na cabeça, que ficárão como se estilhaços de artilharia os tivessem destruido. Tudo isso passou se a pouca distancia do lugar onde trabalhavão os outros escravos. Mas o infeliz capataz nem gritar pôde, porque o primeiro golpe tirou-lhe a voz e as faculdades.

Assim o sanguinario preto consummou o attentado, tanto mais sendo a sua victima um homem assaz bondoso, incapaz de fazer offensa ao mais altaneiro dos escravos da xarqueada, de quem era o principal protector sempre que se tratava de applicar qualquer castigo.

Logo apoz a horrivel scena que acabamos de descrever, o preto homicida internou-se pelos vallos, emquanto era noite, e ao romper do dia, sem que fosse presentido, veio apresentar-se á guarda da cadêa, confessando o crime e declarando que teria feito o mesmo a qualquer outro que lhe apparecesse, porque o seu fim era trocar a condição de escravo pela vida do calceta!>>"

Fonte: JORNAL DO COMMERCIO (RJ), 23 de Janeiro de 1880, p.01. c.05
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...