sábado, 20 de fevereiro de 2016

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 47


716. Koslowski: sobrenome poligenético de origem polonesa comum na Alemanha, concentrando-se em especial no norte do país: Baixa Saxônia, Saxônia-Anhalt, região de Berlim, Brandemburgo e Mecklemburgo-Pomerânia.  O sobrenome tornou-se corrente nas regiões da atual Alemanha durante os séculos XVIII e XIX graças à expansão prussiana. Etimologicamente o sobrenome estaria relacionado a dois termos da língua polaca medieval:
1 - O substantivo Koza ou Kozla que significa cabra, designando assim um pastor de cabras.
2 - O substantivo Kosa ou Kosz que significa cesto, objeto côncavo, podendo designar um fabricante de cestos, um fabricante de sacos de couro, um fabricante de sacos de pano, ou ainda um habitante de um vale ou depressão.
O sufixo wski funciona como patronímico ou indica pertencimento a uma linhagem ou grupo social.
Variantes:
Koslowsky, Koslovski, Koslovsky, Koslofski, Koslofsky - variantes comuns.

717. Geist: sobrenome poligenético que significa espírito ou intelecto. Provém etimologicamente do termo homônimo do alto alemão medieval com os mesmos sentidos. É um sobrenome cujo real significado não está necessariamente vinculado à palavra atual. Segundo o pesquisador Udo Wilhelm, Geist seria a evolução do vocábulo geest que significa terra seca, lugar alto, em oposição à zona úmida dos vales. Por isso, o sobrenome designa o habitante de um lugar seco e alto. O sobrenome ainda pode ser uma forma curta de Heiligen Geist (Espírito Santo), correspondendo assim a um morador ou a uma pessoa que tem vínculo com um lugar que ostente o nome "Espírito Santo" - podendo ser uma capela, uma aldeia, uma abadia, um burgo, etc. 
Numa acepção mais estrita, o sobrenome pode ainda designar pastor de cabras, caso das linhagens do norte do Reno (mas isso não é consenso na Genealogia).
O sobrenome é atestado desde o século XVI e concentra-se principalmente no Hesse e parte de Baden-Wüttemberg.
Variantes:
Geists, Geistes - variantes no genitivo da língua alemã.
Geiste, Geister - variantes no plural da língua alemã.
Gaist, Gayst, Geyst - variantes arcaicas.

718. Fuss: sobrenome poligenético que significa pé, sendo que no sul da Alemanha e na Áustria pode ser usado para denominar perna e pé, no sentido de membros inferiores. Etimologicamente provém tanto do latim pes quanto do grego podos, em ambos com o mesmo sentido. De acordo com o site Mittelhessen, o sobrenome designa pessoa de pé grande ou pessoa que possui pés com características particulares (peludo, esquálido, machucado, perneta, etc.). Fuss também é considerado com muito segurança um vocábulo metafórico para designar pessoa de muita força nas pernas, corredor. O sobrenome data do século XIV e concentra-se principalmente no sudeste da Alemanha.
Variantes:
Rauchfuss - variante que significa literalmente pé peludo.
Klumpfuss - variante que significa literalmente pé torto.
Kinderfuss - variante que significa literalmente pé de criança.
Plattfuss - variante que significa literalmente pé chato.
Sesselfuss - variante que significa literalmente pé de cadeira.
Fuhs - variante mais comum no noroeste da Alemanha.
Fus - variante comum.
Füsses -variante no genitivo da língua alemã.
Füsse - variante no plural da língua alemã.
Fod - variante na língua dinamarquesa.
Fouss - variante na língua luxemburguesa.
Voet - variante na língua holandesa.
Fot - variante nas línguas norueguesa e sueca.
Fuas, Tschagga, Scheiche - variantes no dialeto alemânico.
Fuas - variante no dialeto bávaro.
Quante - variante no dialeto berlinense.
Fööss - variante no dialeto kölsch.
Fuass, Fiass - variante no dialeto suábio.

719. Speck: sobrenome poligenético que significa bacon ou toucinho, mas deve ser entendido para entendimento do sobrenome como gordura, adiposidade, gordura do quadril, gordura da nádega. Etimologicamente remonta ao século X, quando registra-se o termo do alto alemão medieval spekk, aparentado com o antigo nórdico spik, sendo que ambos tendem a possuir os significados acima descritos. Por estas razões, é um sobrenome com diferentes interpretações, a maioria mais ou menos aceita pelos genealogistas. São elas:
1 - O comerciante de carne de porco (muito provável).
2 - O comerciante de gorduras animais (interpretação também muito sustentada pela Genealogia).
3 - Um chacurteiro.
4 - Uma pessoa com quadril gordo ou nádegas proeminentes.
5 - Um topônimo para paisagem entremeada, isto é, um local com diversidade de colinas ou formações florestais dando a impressão visual de "camadas". Há vários locais na Alemanha e na Áustria com o nome Speck.
O sobrenome é mais ou menos bem distribuído na Europa de língua alemã. Data do século XIV.
Variantes:
Specks, Speckes - variantes no genitivo da língua alemã.
Specke - variante no plural da língua alemã.
Spek, Spekk, Spekke, Spekkes, Speks, Spekks - variante antigas.
Späck, Spack, Späk, Spak, Spake, Spakner - variante mais comuns no leste e sudeste da Alemanha.
Speckner - variante mais comum na região renana.
Spyrka - variante polonesa antiga.
Speckig - variante que significa gorduroso.
Spekis - variante na língua letã.
Spack - variante na língua sueca.
Specher, Speicher, Speycher - variantes encontradas na Westfália e Baixa Saxônia.
Speckrin - variante no diminutivo da língua alemã.
Speckmann, Spekmann - variantes acrescidas do sufixo mann.
Specker - variante adjetivada.

720. Hauptmann: sobrenome poligenético que significa capitão no alemão moderno. Etimologicamente é uma aglutinação dos termos Haupt (cabeça, principal) e Mann (homem). Todavia, seu real significado deve ser compreendido como comandante de um grupo, supervisor geral de uma coletividade, chefe-geral. O esclarecimento é necessário pois a função de Hauptmann seja na Idade Média, seja na Idade Moderna, seguramente correspondia a postos de trabalho que iam além do contexto militar. Muitas vezes, o Hauptmann era comumente uma espécie de chefe de um órgão público qualquer. Todavia, isso não exclui que Hauptmann também designasse o capitão de exército. 
No alto alemão antigo, já são registradas as formas haubitmann e houbetmann
Aparentemente o sobrenome data do século XIII e ocorre de forma mais ou menos uniforme em toda a Alemanha e a Áustria.
Variantes:
Hauptman - variante comum.
Hauptmanns, Hauptmanne - variantes no genitivo da língua alemã.
Hauptmänner - variante no plural da língua alemã.
Haubtmann, Haubtman - variantes no baixo alemão.

721. Procházka ou Prochazka: sobrenome poligenético de origem boêmia (República Tcheca) com concentrações importantes no sudeste da Alemanha e destacada frequência no leste da Áustria. Seu significado é caminhada, etimologicamente aparentado com o verbo da língua tcheca prochazet que significa vagar. O sobrenome surgiu por volta de século XV e designa um estudante ou aprendiz de uma loja artesanal que "fez sua caminhada", no sentido de concluinte. Isto é, alguém que atingiu o grau de oficial em uma profissão. Em alguns casos, o sobrenome é interpretado como sinônimo de vagante, caminhante, pessoa errante, mas não há consenso sobre isso. 
Procházka também nomeia uma família nobre importante da Boêmia do século XVI.
Obviamente, o sobrenome é tipicamente frequente na República Tcheca, além das regiões supracitadas. 
Variantes:
Prochaska, Procháska, Prohaska, Prohazka - variantes comuns.

722. Leopold: sobrenome patronímico que significa filho de Leopold. Leopold (Leopoldo em português) é um primeiro nome da língua alemã derivado do nome Liutbald do alto alemão antigo que significa pessoa guerreira, pessoa corajosa. A popularidade do nome na Idade Média se deve a uma dinastia de margraves da Áustria, em especial Leopoldo III, o Santo (1073-1136), aliás considerado padroeiro nacional daquele país. O sobrenome está mais ou menos distribuído de forma regular em toda a Europa de língua alemã, mas é inequívoca sua forte concentração na Áustria. Data do século XIII.
Variantes:
Leopoldt, Leopolt, Leopolde - variantes comuns.
Leutold - variante encontrada na região de Berlim.
Lupold, Luitpold, Luitbolt, Luitpolt, Luitbolt - variantes arcaicas.
Liutold - variante encontrada no sul da Áustria.
Leuthold - variante encontrada na Suíça, Áustria e sul da Alemanha.
Liutbold, Liutpold, Liutbolt, Liutbolt - variantes arcaicas do norte da Alemanha.
Lebold - variante encontrada no Sarre.
Leibel - variante comum no Palatinado e Alsácia.
Leibelt - variante do centro-leste da Alemanha.
Leipelt - variante do sudeste da Alemanha e Áustria.
Liepelt - variante do norte da Alemanha.
Leibold, Leibolds, Leipold - variantes comuns na Baviera e Baden-Wüttemberg.
Leybold, Laipold - variantes do sul da Alemanha e Áustria.
Leypold - variante encontrada em Baden-Wüttemberg.
Leiboldt, Leyboldt - variantes do norte da Alemanha.
Liebaldt, Liebold, Liebhold, Leupold, Leubold, Leibhold, Leubel - variantes distribuídas do centro-norte ao oeste da Alemanha.
Liebel - variante do centro-oeste da Alemanha.
Löbell, Loebell, Lobell, Löbel, Loebel - variantes do antigo Reino da Prússia.
Löbl - variante curta da Suábia.
Leupelt - variante encontrada na Westfália.
Lewbold - variante encontrada na Baixa Saxônia.
Lüpold - variante encontrada na Saxônia e Brandemburgo.
Poldi - variante no diminutivo.

723. Wunder: sobrenome poligenético que significa milagre, algo maravilhoso, algo inexplicável. Etimologicamente provém do alto alemão antigo wuntar com o mesmos sentidos, mas também como sinônimo de choque, surpresa. A origem do substantivo não é clara, por isso não há consenso sobre o significado do sobrenome. São hipóteses aceitas uma referência física ou comportamental, talvez um traço de caráter que se destaque. Na Saxônia medieval, o vocábulo servia para denominar o pigmento azul extraído de minas de cobalto utilizado em cerâmica. Neste caso, poderia denominar o mineiro de minas de cobalto, o comerciante de cobalto ou um porcelanista. O sobrenome é registrado desde o século XV e distribui-se mais ou menos uniformemente na Alemanha, com uma pequena concentração na linha limítrofe bávara-turíngia.
Variantes:
Wunders - variante no genitivo da língua alemã.
Wunderer - variante arcaica.
Wunderl, Wunderls, Wunderle, Wunderli, Wunderlin - variantes associadas ao sul da Alemanha e Suíça.
Wunderlich - variante que significa lunático, maluco, louco.

724. Laub: sobrenome poligenético que significa folha caduca, decídua (isto é, que caiu ao chão) aproximadamente, mas trata-se de um termo que descreve mais precisamente o conjunto de folhas caducas no chão (e outros resíduos orgânicos vegetais) - cenário tipicamente outonal na Europa Central. Etimologicamente provém do termo do antigo germânico lauba com o mesmo sentido. Designa um habitante de uma paisagem com muitas folhas caducas. Entretanto, figurativamente pode também designar uma pessoa de aspecto doente fisicamente - isto é, representando a palidez e a fragilidade de uma "folha morta".
O sobrenome é mais comum no norte da Alemanha.
Variantes:
Laube - variante comum no noroeste da Alemanha.
Lauber, Laubmann - variantes relacionadas.

725. Hauer: sobrenome poligenético que significa mineiro. Etimologicamente provém do termo do alto alemão medieval haue que corresponde a abate, arranque, corte. Neste aspecto dos significados antigos, surge uma outra possível correspondência: Hauer também é uma palavra usada entre caçadores para designar a presa do javali, por isso em um contexto mais estrito pode denominar igualmente caçador de javalis. Contudo, admite-se que a explicação inicial é preponderante do ponto de vista da Genealogia.
Na Áustria designa um enólogo (Weinhauer).
O sobrenome concentra-se mais no oeste e no norte da Alemanha, mas se estende regularmente em toda a Europa de língua alemã.
Variantes:
Hauers - variante no genitivo da língua alemã.
Hauern - variante no plural da língua alemã.
Huggare - variante na língua sueca.

726. Mahr (1a. vertente): sobrenome poligenético que significa lago, pântano, vala. Etimologicamente provém do termo homônimo do baixo alemão medieval com o mesmo sentido.
Mahr (2a. vertente): sobrenome poligenético ou patronímico derivado historicamente do alto alemão antigo mari que significa famoso, lindo, grande. 
Quanto à sua distribuição não há uma região específica na Alemanha que agrupe um maior número de famílias com esse sobrenome, pois ele ocorre irregularmente do oeste ao leste.
Variantes:
Marhs, Marr, Mar, Marre, Maar - variante relacionada.
Mehrs, Mers - variantes na língua gótica.

727. Bruder: sobrenome poligenético que significa irmão. Provém etimologicamente do alto alemão medieval bruoder com o mesmo sentido. O sobrenome pode designar simplesmente um irmão, sendo que, no caso, muito provavelmente alguém que é irmão consanguíneo de um nobre ou guerreiro importante. Todavia, o sobrenome também pode designar um membro leigo de um ordem religiosa regular ou um membro de uma fraternidade universitária, profissional ou de outra natureza. O sobrenome concentra-se especialmente em Baden-Wüttemberg, com alta ocorrência na sua região ocidental.
Variantes:
Bruder, Bruders, Bruderin - variantes comuns.
Brüder - variante no plural da língua alemã.
Breur - variante na língua bretã.
Bralis - variante na língua letã.
Bruols - variante na língua latgalian.
Brolis - variante na língua lituana.
Braar - variante no dialeto da Ilha de Man.
Broer, Broeder - variantes na língua holandesa.
Bror - variante na língua norueguesa.
Brat - variante na língua polonesa.
Bror - variante na língua sueca.
Brats - variante na língua sérvia.
Bratr - variante na língua tcheca.
Broder - variante no dialeto kölsch.
Bruda, Brula - variante no dialeto do Palatinado.
Atze - variante no dialeto berlinense.

728. Knopp: sobrenome poligenético que significa botão. Provém etimologicamente do baixo alemão medieval knoop com o mesmo sentido. No alemão moderno vigora a forma knopf para botão. De acordo com o pesquisador Peter Knopp o sobrenome possui três acepções possíveis:
1 - Denomina a profissão de Knopfmacher, isto é, fabricante de botões, que inclui também a fabricação de cintos, fivelas, adereços de vestuário, etc., e até teclas para pianos e outros instrumentos musicais.
2 - Designa alguém que trabalha com laços ou nós (impreciso).
3 - Uma forma figurada para denominar homem pequeno e gordo.
O sobrenome data do século XIV e ocorre principalmente na região de Westerwaldkreis, na Renânia-Palatinado, em também com focos importantes na Renânia do Norte-Westfália e Baviera.
Variantes:
Knopf, Knopff, Knopfs, Knopfes, Knöpfe, Knopfe, Knouf - variante relacionadas ao alto alemão.
Knop, Knoppe, Knoppen - variantes relacionadas ao baixo alemão.
Knopfmacher - variante que significa literalmente fabricante de botões.
Knapp - variante na língua sueca.
Chnopf - variante na língua alemânica.

729. Salomon: sobrenome patronímico que significa filho de Salomon. Salomon (Salomão em português) é um primeiro nome da língua alemã, popular desde a Idade Média graças ao rei hebreu homônimo descrito na Bíblia. Embora não seja uma regra estrita, a maioria das linhagens de Salomon tende a ser judias (ashkenazi). O sobrenome data do século XII e concentra-se na metade sul da Alemanha.
Variantes:
Salomons, Solomon, Solomons, Salomo - variantes comuns.
Shlomo, Schlomo - variantes judaicas.
Salenmon - variante prussiana.
Saluman - variante arcaica.

730. Strunk: sobrenome poligenético que significa talo, tronco de árvore, objeto baixo e oblongo. Provém etimologicamente do alto alemão medieval strunc com o mesmo sentido. Designa figurativamente pessoa baixa atarracada, bem como na região do Báltico um tipo de vestimenta agrícola com formato parecido. O sobrenome concentra-se na Renânia do Norte-Westfália. Data do século XV.
Variantes:
Strunks, Strunkes - variantes no genitivo da língua alemã.
Strünke - variante no plural da língua alemã.
Strunck, Struncks, Struncke - variantes do norte da Alemanha.
Strunkis - variante da região do Báltico.
Striuke - variante encontrada na Lituânia.
Strunkeit - variante na região da Prússia Oriental.
Strunkait, Strunkys, Strunka - variantes relacionadas.











quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 46


701. Kopf: sobrenome poligenético que significa cabeça. Provém etimologicamente do alto alemão medieval choph com o mesmo sentido. O termo pode representar outros significados como copo ou navio, todavia a Genealogia considera que o desenvolvimento histórico e linguístico da palavra assumiu em diferentes regiões da Europa Central realmente o significado expresso inicialmente. O sobrenome designa aquele que tem uma cabeça grande ou uma cabeça com aspecto ímpar e também usado figurativamente de forma ampla para designar chefe, comandante, pessoa que exerce liderança. Num aspecto muito mais estrito, o sobrenome poderia igualmente corresponder a horticultor. O sobrenome é mais comum no sul da Alemanha e data do século XIII.
Variantes:
Kopff - variante comum no norte da Alemanha.
Kopfs, Kopfes - variantes no genitivo da língua alemã.
Köpfe, Kopfe - variantes no plural da língua alemã.
Kop - variante no baixo alemão.
Glatzkopf - variante composta que significa careca, calvo.
Kinderkopf - variante composta que significa literalmente cabeça de criança. É uma forma pejorativa para designar pessoas de cabeça pequena.
Ochsenkopf - variante composta que significa cabeça de touro. Compreende-se que esta variante é um nome de casa ou ainda uma forma figurada para designar pessoa de rosto angulado, rosto fino.
Schafskopf - variante composta que significa cabeça de carneiro. Pejorativamente designa pessoa tola, simplória.
Totenkopf - variante composta que significa caveira, crânio. Pejorativamente designa pessoa muito magra, esquálida.
Betonkopf, Dickkopf - variantes composta que significam figurativamente pessoa teimosa.
Bubikopf - variante composta que significa cabelo curto, designando portanto pessoa de cabelo curto.
Hitzkopf - variante composta que significa pessoa exaltada, pessoa colérica.
Holzkopf - variante composta que significa cabeça de madeira. Designa figurativamente pessoa estúpida, pessoa ignorante, pessoa de pouca juízo ou saber.
Querkopf - variante composta que significa cabeça de cruz. É uma forma pejorativa para designar pessoa teimosa.
Schwachkopf - variante composta que significa cabeça fraca. Designa pejorativamente pessoa pouco inteligente.
Wirrkopf - variante composta que significa pejorativamente pessoa confusa, pessoa atrapalhada, desastrada.
Pfeifenkopf - variante composta que significa tigela ou fornilho de cachimbo. Designa figurativamente pessoa abusada ou pessoa pouco confiável.
Stecknadelkopf - variante composta que significa cabeça de alfinete. Designa figurativamente pessoa de cabeça pequena.
Hoved - variante na língua dinamarquesa.
Kopp - variante na língua luxemburguesa, nos dialetos berlinense, kölsch, loreno, de Mecklemburgo, da Pomerânia e do Palatinado.
Hoofd - variante na língua holandesa.
Hode, Hovud - variantes na língua norueguesa.
Chau - variante no dialeto romanche.
Huvud - variante na língua sueca.
Hlava - variante nas línguas eslovaca e tcheca.
Omme - variante na região de Berlim e Brandemburgo.
Köpp - variante no dialeto baixo prussiano.
Chopf - variante da Alsácia.
Bonje - variante da região da Lusácia.
Chapp, Chopp - variantes no dialeto loreno.
Nüschel - variante no alto saxão.
Kapp, Kepfel, Kepfle, Kepflich, Keppche, Keppelche, Keppelin, Kepple, Kepplich, Keppsche, Kupp - variantes no dialeto do Palatinado.
Grind, Hira, Meggl - variantes no dialeto suábio.
Chopf, Grind, Naggl - variantes no suíço-alemão.
Bir, Grind, Grint, Scheps, Teschtus, Tetz - variantes do Tirol do Sul.
Dez - variante no baixo alemão ocidental.
Bluza, Happel - variante no dialeto vienense.
Kepp - variante no dialeto wolyniendeutsch.

702. Schreck: sobrenome poligenético que significa susto. Provém etimologicamente do alto alemão clássico homônimo com o mesmo sentido. Designa pessoa assustadora, pessoa de aparência terrível. O sobrenome pode estar vinculado a um aspecto físico, bem como ser uma alcunha utilizada no contexto militar para denominar um chefe impiedoso ou um guerreiro que impõe temor em seus adversários.
O sobrenome está mais relacionado ao sul da Alemanha e data do século XIV.
Variantes:
Schrecks, Schreckes - variantes no genitivo da língua alemã.
Schrecke - variante no plural da língua alemã.
Shrek, Shreke - variantes do noroeste da Alemanha.
Strach, Strache, Straches, Strachel, Strachon, Strachan - variantes que aparecem na língua polonesa, mas que também são comuns no leste da Alemanha e na Boêmia, República Tcheca.
Skraek - variante na língua dinamarquesa.
Schrik - variante na língua holandesa.
Skräck - variante na língua sueca.

703. Depp: sobrenome poligenético que significa desajeitado, desastrado. Embora no alemão moderno o significado seja idiota, tolo, historicamente o termo se relaciona ao vocábulo täppisch que provém etimologicamente do alto alemão medieval taepisch que é uma derivação substantivada do termo tape (pata). Na Idade Média, existia a expressão comum que "enquanto o camponês diligente usa a mão hábil, o desajeitado usa as patas".
O sobrenome é próprio da região renana e data do século XV.
Variantes:
Deppe - variante mais comum na região da Westfália Central-Lippe e região de Hannover.
Deppen - variante comum na região de Osnabrück.
Deppes - variante encontrada no noroeste da Alemanha.
Depps - variante do oeste da Alemanha.
Debbe - variante comum na região leste da Westfália e na região de Bremen.
Debb, Debben, Debbes, Debbs - variantes do noroeste da Alemanha.
Täppisch, Taeppisch, Tappisch, Tapp, Tappe, Tappes, Tapps, Tappen, Tepp, Teppe, Teppen, Teppes, Tepps - variantes mais comuns no centro e centro-sul da Alemanha.
Depping - variante concentrada na Westfália e Baixa Saxônia.
Dabb, Dabbe, Dabben, Dabbes - variantes encontradas na região renana.
Depke, Deppeke, Dapke - variantes do norte e nordeste da Alemanha.
Truschn, Dodscherl - variantes no dialeto bávaro.
Doldi - variante no dialeto francônio.
Döösbaddel - variante no baixo alemão.
Dappes - variante no dialeto do Hesse.
Jeck - variante no dialeto kölsch.
Dubbl, Dubbel - variantes na língua suábia.
Diddi - variante no dialeto do Sarre.
Hejel - variante no dialeto de Kowelenzer.

704. Hauke: sobrenome patronímico que significa filho de Hauke. Hauke (Hugo em português) é um primeiro nome masculino na língua frísia, comum no noroeste e norte da Alemanha. O sobrenome data do século XIV e ocorre principalmente no noroeste da Alemanha.
Variantes:
Haukeli - variante na língua norueguesa.
Haucke - variante comum no norte da Alemanha.
Hauck - variante comum no noroeste da Baviera, sul do Hesse e norte de Baden-Wüttemberg.
Hauk - variante encontrada em Schleswig-Holstein.
Hauge - variante arcaica.

705. Kreis: sobrenome poligenético que significa círculo. Provém etimologicamente do alto alemão medieval kritzen que significa rabisco, desenho. Compreende-se que o sobrenome se refere aproximadamente a condado - não no aspecto de um território feudal de um conde, mas a uma divisão regional existente na Alemanha, comparada no Brasil à microrregião de um estado, uma comarca. Desde a Idade Média, o kreis ou landkreis é um tipo de divisão administrativa e política muito comum, englobando vilas, aldeias e povoados de uma área. Por isso, o sobrenome é um tipo de alcunha para se referir a aquele que vive num kreis ou aquele que é proveniente de um kreis ou ainda um funcionário administrativo ou judicial de um kreis
O sobrenome ocorre em toda a Alemanha e data do século XV.
Variantes:
Kreises - variante no genitivo da língua alemã.
Kreise - variante no plural da língua alemã.
Kring - variante na língua holandesa e no noroeste da Alemanha.
Krets - variante na língua sueca.
Krais, Kreiss, Kreisse, Greis, Greiss - variantes relacionadas.

706. Brandenburg: sobrenome toponímico que significa procedente ou natural de Brandemburgo. Brandemburgo atualmente é um estado da República Federal da Alemanha, situado no nordeste do País, cuja capital é Potsdam. Historicamente, o território de Brandemburgo surgiu na expansão germânica para o leste, quando no século X, foi estabelecido os bispados de Brandenburg e Havelberg na região. Em 1157, foi estabelecida a Marca de Brandemburgo, que séculos mais tarde, em 1701, foi incorporada ao Reino da Prússia, sendo aliás seu centro político.
O sobrenome data do século XVI e concentra-se sobretudo no norte de Mecklemburgo-Pomerânia e no leste da Renânia do Norte-Westfália.
Variantes:
Brandenburguer - variante como adjetivo de origem.
Brandenburgh, Brandenburgher - variantes pouco usuais.
Brendanburg, Brennaburg - variantes arcaicas.
Branneborg, Brannenborg - variante no baixo alemão.
Brandenbursko - variantes nas línguas eslovaca e esloveno.
Bramborska, Braniborska - variantes na língua sérvia.
Braniborsko, Branibory, Brandenburk, Branibor - variantes na língua tcheca.
Brandenburch - variante no dialeto berlinense.
Brandnborch, Brandnborg, Brandnburch, Brandnburg - variantes no dialeto meissnich (Saxônia) e na região de Österland.

707. Cristoph: sobrenome patronímico que significa filho de Cristoph. Cristoph ou Christopher (Cristóvão em português) é um primeiro nome na língua alemã popular desde o início da Idade Média graças a São Cristóvão, santo lendário cristão do século III. Cristoph é uma forma curta que se tornou mais comum que Christopher. O sobrenome data do século XIV e ocorre principalmente nas fronteiras orientais da Alemanha, desde o nordeste até o sudeste.
Variantes:
Christopher - forma original que existe na Alemanha em pequena concentração no noroeste.
Christoffel - variante do sul da Alemanha.
Christof, Christoff, Christophel, Christoffer, Christophers, Christofers, Christofersen, Christophersen - variantes que ocorrem em diferentes regiões da Alemanha, sem concentração específica.
Stoff, Stoffe, Stoffel, Stoffer, Stoffels, Stoffers,  Toffl, Toffel, Toffe, Toffer - variantes curtas do centro e do sul da Alemanha.
Christoforus - variante latinizada do século XIV.
Christuff - variante arcaica do norte da Alemanha.
Christophe - variante na língua francesa.
Christoffel - variante na língua holandesa.
Kristof - variante encontrada nas línguas eslovaca, húngara e dinamarquesa.
Krystof - variante na língua tcheca.
Krzysztof, Krzysztoff - variantes na língua polonesa.

708. Gast: sobrenome poligenético que significa convidado, hóspede, cliente, estranho, hospitaleiro. Etimologicamente deriva do termo homônimo do alto alemão antigo. É uma palavra atestada desde o século VIII e corresponde ao antigo costume medieval da hospitalidade em que um indivíduo passava a habitar a casa ou as terras de outrem por um período temporário que, em alguns casos, poderia se tornar definitivo. Em tempos de guerra, em situações de sítio ou exílio, o costume da hospitalidade era muito recorrente. Por isso, o sobrenome pode ser entendido como estrangeiro ou forasteiro em uma determinada região que passou a habitá-la de modo temporário ou definitivo.
Num aspecto mais estrito, Gast é um termo figurado do meio náutico para designar marujo, tripulante de baixa patente.
O sobrenome data do século XII e concentra-se no sul de Baden-Wüttemberg e sul da Baviera.
Variantes:
Gasts, Gastes - variantes no genitivo da língua alemã.
Gäste - variante no plural da língua alemã.
Gasten - variante relacionada.
Gasthaus - variante que significa literalmente pousada, hospedaria. Variante arcaica de Gasthaus: Gasthus. Variantes relacionadas: Gastaus, Gastus.
Gaest - variante na língua dinamarquesa.
Gjest - variante na língua norueguesa.
Gosc - variante na língua polonesa.
Gäst - variante na língua sueca.
Hosc - variante na língua sorábia.

709. Schwan (1a. vertente): sobrenome poligenético que significa cisne (Cygnus cygnus). Deriva do alto alemão medieval swan com o mesmo sentido. Nesta vertente, o sobrenome deriva de um nome de casa ou ainda de modo figurado designa poeta, menestrel.
Schwan (2a. vertente): sobrenome poligenético que significa área desmatada, área florestal que foi transformada em terreno arável. Etimologicamente se vincula ao verbo swenden do alto alemão medieval que significa arrancar, destruir, consumir. Nesta vertente, o sobrenome denominaria aquele que habita uma área desmatada ou aquele que desmata áreas arborícolas (com o intuito de convertê-las em áreas agrícolas).
Schwan (3a. vertente): sobrenome poligenético usado de forma figurada para designar após o século XVI um luterano, um membro da Igreja Luterana, um seguidor das ideias reformistas de Lutero. No caso, o sobrenome não tem caráter pejorativo e é possível que até luteranos alemães usassem a alcunha como fator de distinção. 
O cisne é um símbolo associado a Martinho Lutero, devido a uma narrativa reformista que diz que o prerreformador tcheco Jan Hus (executado como herege pela Inquisição cerca de 100 anos antes da Reforma Protestante) teria ouvido de um de seus seguidores no momento em que iria ser queimado a seguinte frase: "Hoje você irá cozinhar como um ganso (Hus é a palavra tcheca para ganso), mas a partir de suas cinzas será um cisne ressuscitado!" Na tradição reformista Lutero é identificado como "o cisne ressuscitado" que concluiu a obra iniciada por Jan Hus. Além disso, entre os germânicos, o cisne é um animal associado à ideia de maturação e pureza. 
Nesta terceira vertente, os sobrenomes relacionados tendem a se concentrar no noroeste da Alemanha.
Em relação às outras vertentes, compreende-se que a distribuição do sobrenome é comum em toda a Europa de língua alemã, exceto nas áreas orientais que possuem variantes próprias.
Variantes:
Schwans, Schwanes - variantes no genitivo da língua alemã.
Schwäne - variante no plural da língua alemã.
Schwanen - variante no plural considerada obsoleta.
Swan - variante na língua inglesa, mas que também pode ser considerada um forma arcaica do noroeste da Alemanha. Variante relacionada: Swane.
Schwantz, Schwantze, Schwante, Schwant - variantes do norte e nordeste da Alemanha.
Swantje - variante na região da Frísia.
Schwänin - variante no gênero feminino.
Schwahn, Schwaan - variantes do extremo-norte da Alemanha, comuns também em Mecklemburgo-Pomerânia.
Zwaan - variante na língua holandesa.
Schwanitz - variante relacionada do leste da Alemanha.
Schwanis - uma cidade na Prússia Oriental que pode ser uma variante toponímica.
Swaan - variante no baixo alemão.
Swon - variante na língua sorábia.
Svan - variante na língua sueca.
Svane - variante na língua dinamarquesa.

710. Sack: sobrenome poligenético que significa saco. Etimologicamente provém do alto alemão medieval sac, por sua vez derivado do termo latino saccus, ambos com o mesmo sentido. Sack designa o fabricante ou comerciante de sacos de pano ou ainda o comerciante de estômagos de animais (usado em estofaria). Sack também pode ser uma forma curta do patronímico de Isaac, bem como um topônimo comum na Alemanha. Na Baixa Saxônia e na Pomerânia, o termo assume o significado de rua ou viela estreita que possui declive. O sobrenome se concentra na região do Reno e data do século XIV.
Variantes:
Sackes, Sacks - variantes no genitivo da língua alemã.
Säcke - variante no plural da língua alemã.
Sackmann - variante acrescida do sufixo mann, comum no norte da Alemanha.
Sekk, Sekke - variantes da Escandinávia.
Soog - variante no dialeto bávaro.

711. Spitzer: sobrenome poligenético que significa literalmente apontador, mas seu significado histórico é aquele que vive numa ponta, numa área em formato cônico, numa extremidade de terras ou de um povoado. Provém etimologicamente do alto alemão medieval spitze que corresponde a ponta. O sobrenome data do século XIV e é mais comum no sul da Alemanha.
Variantes:
Spitz - variante curta comum na região renana.
Spitzner - variante da região do Alto Palatinado, Baviera.
Spitznerus, Spiznerus - variantes latinizadas do século XVI.
Spizner - variante encontrada na Turíngia.
Spietzner - variante encontrada no Hesse e Renânia-Palatinado.
Spietzener - variante arcaica do sul da Alemanha.
Spitznern - variante do centro da Baviera.
Spitznerin - variante do centro-sul da Alemanha.
Spiz, Spietz, Spiez, Spis, Spies, Spiss - variantes relacionadas.

712. Steuer: sobrenome poligenético  que significa controle, imposto, volante no alemão moderno, mas possui três acepções possíveis, todas válidas do ponto de vista genealógico. São:
1 - Na Baviera medieval, a profissão de coletor de impostos. Derivado da palavra steur.
2 - Etimologicamente vinculado ao termo stiure do alto alemão medieval com o significado de controle, arrumação. Historicamente corresponderia à profissão de advogado ou de um advogado que faz parte de um conselho jurídico.
3 - Também derivado do alto alemão medieval stiure corresponde ao ofício de timoneiro.
O sobrenome concentra-se na região do Sarre e data do século XIII.
Variantes:
Steur - variante no dialeto bávaro.
Steuers, Steuern, Steurs - variantes relacionadas.
Steurer - variante comum na Áustria.
Steyer, Steier - variantes do oeste e noroeste da Alemanha.
Steurerr - variante encontrada na Baixa Saxônia.

713. Dunkel: sobrenome poligenético que significa escuro. Provém etimologicamente do alto alemão medieval tunkel com o sentido de escuridão, crepuscular, confuso. O sobrenome pode se referir a uma característica física (cor do cabelo), mas também pode ter a conotação de pessoa altiva, pessoa arrogante - fato verificado particularmente no norte da Alemanha.  Bem como figurativamente ainda engloba os significados de pessoa triste, pessoa melancólica, pessoa obscura. 
O sobrenome parece mais relacionado ao norte da Alemanha e data do século XIV.
Variantes:
Dünkel - variante que significa literalmente presunção.
Dunkeri - variante arcaica.
Dunckel, Duncker, Tunckel, Tuncker, Tunkel, Tunker, Dunkl, Dunker - variantes relacionadas de diferentes regiões alemãs.

714.  Hass: sobrenome poligenético que significa ódio, aversão. Deriva do alto alemão medieval has com o mesmo sentido. É um sobrenome que designa pessoa colérica, pessoa irritadiça. Pode ainda ser uma variantes de Haas (coelho, lebre). Não há como determinar sua distribuição, pois esse aspecto de variante de Haas impede de identificar se é uma forma original ou uma aliteração linguística.
Aparentemente data do século XV.
Variantes:
Hasses, Hasse, Has, Hassen - variantes relacionadas.

715. Pfau: sobrenome poligenético que significa pavão. Provém etimologicamente do alto alemão medieval phäwe por sua vez derivado do latim pavo, ambos com o mesmo sentido. É um sobrenome que serve para designar pessoa vaidosa, ou ainda um nome de casa, bem como também ser um sobrenome judeu ashkenazi em alguns casos. Ocorre com mais frequência na metade ocidental da Alemanha. Data do século XV.
Variantes:
Pfaus, Pfaues - variantes no genitivo da língua alemã.
Pfaue - variante no plural da língua alemã.
Pafugl - variante na língua dinamarquesa.
Pohunn - variante na língua luxemburguesa.
Pauw - variante na língua holandesa.
Pavun - variante no dialeto romanche.
Pafagel - variante na língua sueca.
Pav - variante eslava.
Pau - variante no frísio ocidental.






terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Projeto Som na Praça


Está acontecendo a cada domingo, na Praça João Gomes, em Capão do Leão, o projeto "Som na Praça", em que artistas locais apresentam seu talento com shows públicos, sempre a partir da tardinha. Como é comum a população se reunir no fim de tarde, tem havido grande afluência de público nas apresentações. No próximo domingo, 21 de Fevereiro, tem Jonas Aguilera e Michael Peres com o melhor do Pop Rock.

Jantar Dançante com Show de André Santos


Divulgação.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 45


686. Leyendecker: sobrenome poligenético que significa construtor de telhados de ardósia. Etimologicamente é uma aglutinação dos termos do alto alemão medieval lei (rocha, pedra de um penhasco) e dekke (telhado). O ofício de Leyendecker é documentado desde o ano 1100. O primeiro registro do uso do sobrenome data de 1363 em Trier. Atualmente, o sobrenome se concentra fortemente no Sarre e Renânia-Palatinado.
Variantes:
Leiendecker - variante bastante comum.
Leydecker, Leidecker - variantes mais comuns no noroeste da Alemanha e Países Baixos.
Leyndecker, Leindecker - outras variantes da região renana.
Leidich - variante do leste da Alemanha.

687. Timmermann: sobrenome poligenético que significa carpinteiro. É a forma típica do baixo alemão que corresponde à forma Zimmermann no alemão moderno. O sobrenome concentra-se principalmente na Baixa Saxônia, região de Hamburgo, Westfália e sul de Schleswig-Holstein. Data do século XVI.
Variantes:
Timmer - variante curta simples.
Timmerman, Timmermanns, Timerman, Tymermann - variantes simples relacionadas à área do baixo alemão.

688. Knecht: sobrenome poligenético que significa servo. Provém etimologicamente do alto alemão clássico kneht que significa menino, jovem, aio, soldado de campo, trabalhador qualificado. A Genealogia compreende que o sobrenome pode considerar tanto o servo agrícola comum do sistema feudal, quanto alguém da baixa nobreza germânica que era vassalo de um nobre importante ou mesmo alguém que desempenhasse um papel importante no meio militar. Knecht tem um aspecto mais honroso que depreciativo, principalmente a partir do século XVI. Os primeiros registros do sobrenome datam do século XIV e ele ocorre mais frequentemente no sul da Alemanha, na área do suíço-alemão e na Áustria.
Variantes:
Knechtes, Knechts - variantes no genitivo da língua alemã.
Knechte - variante no plural da língua alemã.
Knekt - variante obsoleta na língua sueca.
Knegt - variante na língua holandesa.

689. Mund: sobrenome poligenético que significa boca. Provém do alto alemão medieval munt com o mesmo sentido. Designa aquele que possui uma boca grande ou expressiva ou ainda aquele que é muito guloso. Mund também pode ser um forma curta do patronímico de Raimund. Na Suíça, a palavra designa uma abertura entre montanhas e também é um toponímico. 
Mund e suas variantes podem ser confundidas devido a uma grande série de homônimos com o tópico a seguir: Munt. Tanto Mund pode em alguns casos ser uma variante de Munt, quanto Munt pode ser uma variante de Mund. Somente um estudo genealógico pode precisar a origem de cada linhagem de Mund, Munt e suas variantes. Para as variantes de Mund, considere-se o tópico posterior.

690. Munt: sobrenome poligenético que significa proteção, tutela. Provém etimologicamente do termo latino manus (mão), desenvolvendo-se na Europa Central em diferentes línguas desde a Antiguidade, notadamente no frâncico, no antigo saxônico e no alto alemão antigo e designando sobretudo proteção, algo que protege. O sobrenome portanto designa o tutor, aquele que se encarrega de proteger uma família. Na Idade Média, viúvas e órfãos podiam ser colocados sob a proteção legal de um tutor - em alguns casos, um homem com ligação parental com a família ou mesmo um senhor feudal. 
O sobrenome aparentemente data do século XV e ocorre nas porções setentrional e ocidental da Alemanha com mais ênfase.
Vale lembrar que as variantes de Munt podem servir também como variantes do tópico anterior: Mund. Bem como Munt e suas variantes também podem ser formas curtas do patronímico de Raimund.
Variantes:
Mundt - variante comum.
Munth - variante encontrada no noroeste da Alemanha.
Muntz - variante do norte da Alemanha.
Muhnd - variante encontrada na região renana.
Mond - variante encontrada nos Países Baixos.

691. Kiel (1a. vertente): sobrenome poligenético que significa quilha (de barco), mas também significa parte submersa de um iceberg. É um sobrenome de origem nórdica que pode também significar fiorde ou pequena baía. Também é um topônimo comum na Alemanha, sendo o lugar mais conhecido a cidade de Kiel, capital do estado de Schleswig-Holstein. O sobrenome pode designar algumas profissões como construtor de barcos ou cortador de gelo, bem como corresponder a habitante de fiorde ou baía. O fato é que o vocábulo, derivado do antigo sueco kiöl, possui um forte vínculo com o contexto náutico e marítimo. 
Kiel (2a. vertente): sobrenome poligenético que significa pena de escrever. Está relacionado à profissão de fabricante de penas de escrever e, em menor amplitude, à função de escriturário.
O sobrenome e suas variantes concentram-se justamente em Schleswig-Holstein e extremo-norte de modo geral.
Variantes:
Kiels, Kieles - variantes no genitivo da língua alemã.
Kiele - variante no plural da língua alemã.
Kel, Kil - variantes no baixo alemão.
Kühle, Kuehle, Küle, Kule, Kuele, Kuehl, Kuel - variantes derivadas encontradas principalmente em Schleswig-Holstein, Mecklemburgo-Pomerânia e Dinamarca.
Kul, Kull - variantes na língua sueca.
Kil - variantes nas línguas polonesa e russa.
Kyl - variante na língua tcheca.

692. Rommel: sobrenome poligenético que significa tambor. Etimologicamente provém como substantivação do verbo do alto alemão medieval rummeln que corresponde a roncar, fazer barulho, fazer estrondo. O sobrenome pode ter três explicações válidas:
1 - No contexto militar, o oficial tamborileiro de um tropa.
2 - Uma pessoa que ronca muito.
3 - Uma pessoa que produz muitos ruídos, se relacionado ao ambiente militar, pode ter o sentido de alguém que é famoso por suas façanhas, que tem seus feitos e vitórias repercutidos entre os outros.
O sobrenome se concentra na Turíngia e no norte de Baden-Wüttemberg. Data do século XIV.
Variantes:
Romel - variante simples.
Rommels - variante no genitivo da língua alemã.
Römmi - variante curta.
Römmele - variante no sul da Alemanha.
Rommelmann - variante que significa literalmente tamborileiro. 
Römmler - variante do centro da Alemanha.
Rummel - variante relacionada do norte da Alemanha, mas que também significa agitação barulhenta, local com muito barulho, podendo assim designar alguém que habita ou provém de um lugar muito ruidoso - uma feira comercial.
Rümmele - variante do centro-norte da Alemanha.
Rümmlein, Rümmeler, Rummler - outras variantes do norte da Alemanha.
Rummelplatz - variante que significa literalmente feira comercial.

693. Münster: sobrenome poligenético que significa igreja catedral, igreja basílica. Provém do latim monasterium e inicialmente servia para designar as igrejas centrais dos mosteiros, todavia a partir do século XIII tomou o sentido de grande igreja ou igreja principal de uma paróquia ou diocese. Münster também é um topônimo comum na Europa de língua alemã, sendo a principal localidade nesta lista a cidade homônima na Westfália. Compreende-se que o sobrenome denomina aquele que habita as terras de uma catedral ou é vassalo de uma catedral.
O sobrenome data do século XIV e ocorre principalmente na metade ocidental da Alemanha.
Variantes:
Muenster, Munster - variantes comuns.
Minster - variante na língua inglesa e no noroeste da Alemanha.
Monster - variante no baixo alemão.

694. Schild: sobrenome poligenético que significa escudo. Provém etimologicamente do alto alemão medieval schilt com o mesmo sentido. O sobrenome designa o fabricante de escudos (incluso neste ofício também a fabricação de outros apetrechos militares, exceto objetos de lâmina). É um sobrenome bastante generalizado na Alemanha, Suíça e Áustria. Data aproximadamente do século XIV.
Variantes:
Schilds, Schildes - variantes no genitivo da língua alemã.
Schilde - variante no plural da língua alemã.
Schilt - variante do norte da Alemanha.
Schidt - variante encontrada mais abundantemente nas regiões de Cuxhaven e Stade.
Shield - variante na língua inglesa.
Skjold - variante na língua norueguesa.
Scit - variante na língua eslovena.
Skylt - variante na língua sueca.
Schildmacher, Schildhauer - variantes que significam literalmente fabricante de escudos.
Znak - variante na língua polonesa.

695. Streit: sobrenome poligenético que significa disputa, contenda, discórdia, dissensão. Provém etimologicamente do alto alemão medieval strit com o mesmo sentido. É um sobrenome que pode possuir dois significados reconhecidos. O primeiro é seu uso como adjetivo para denotar uma posição de liderança no meio militar, designado assim um comandante ou chefe militar ou ainda um guerreiro muito combativo. O segundo significado corresponde a tribunal, designando um funcionário de um tribunal, mas não a posição de juiz. Há três concentrações especiais do sobrenome na Alemanha: no sudoeste da Turíngia, no Sarre e no sul de Baden-Wüttemberg. Data do século XIII.
Variantes:
Streits, Streites - variantes no genitivo da língua alemã.
Streite, Streiten - variantes no plural da língua alemã.
Strit, Strite - variantes arcaicas.

696. Anton: sobrenome patronímico que significa filho de Anton. Anton (Antônio ou Antão em português) é um primeiro nome da língua alemã derivada etimologicamente do latim Antonius. A forma Anton é comum em várias línguas do Ocidente, por isso o sobrenome aqui relacionado é apenas a sua vertente alemã. O nome já era comum na Europa Central nas comunidades cristãs durante a Alta Idade Média graças ao São Antão do Egito (251-356), tendo ganho mais popularidade ainda com Santo Antônio de Pádua ou Lisboa (1191-1231). O sobrenome ocorre principalmente no Sarre e Renânia-Palatinado. Data do século XIII.
Variantes:
Anthonius, Antonius - variantes latinizadas arcaicas.
Tonius - variante latinizada curta.
Tönjes - variante na língua frísia.
Tönnies, Tönne, Tüns - variantes no baixo alemão.
Tonnies, Tunnes - variantes da região do Reno.
Tünnes - variante no dialeto kölsch.
Done - variante na língua suábia e no dialeto bávaro.
Toni, Tone - variantes comuns na Áustria.
Tun, Tunnes - variantes na língua luxemburguesa.
Thun, Thum - variantes mais comuns na Baixa Saxônia e Schleswig-Holstein.
Antonie, Anthonie, Antoon, Anthonis, Antheunis, Toon, Ton, Teunis, Tony, Tonnie, Twan - variantes diversas encontradas em diferentes regiões dos Países Baixos e área limítrofe com a Alemanha.
Hantke - variante relacionada encontrada no extremo-norte da Alemanha.
Antoni, Antoniusz, Antoniewicz - variantes na língua polonesa.
Ante, Antek - variantes na língua eslovena.
Tonda - variante na língua tcheca.
Antal - variante na língua húngara.
Antunovic, Antunic, Anticevic, Anticic - variantes na língua servo-croata.
Donniges, Doniges - variantes arcaicas do centro-oeste da Alemanha.

697. Abraham: sobrenome patronímico que significa filho de Abraham. Abraham (Abraão em português) é um primeiro nome comum na língua alemã, obviamente devido ao célebre patriarca bíblico descrito no livro do Gênesis. Compreende-se que este patronímico é mais frequente em famílias judias alemãs (ashkenazi), mas sem ser um fato estrito. O sobrenome data do século XIII e é mais comum na Baviera e nos estados do nordeste (Brandemburgo, Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia).
Variantes:
Avraham - variante marcadamente judia.
Abrahams - variante comum.
Abram - variante comum na Polônia.
Ham, Hamel, Hamu - variantes no suíço-alemão.
Avraam, Abrahm, Brams, Brahms, Bram, Brams - variantes curtas relacionadas a comunidades judias alemãs.
Abrahems - variante encontrada na Áustria.

698. Bräutigam: sobrenome poligenético que significa noivo. Provém etimologicamente do alto alemão clássico brûtigomo com o mesmo sentido. O sobrenome trata-se de um epíteto de identificação que serviu para nomear alguém em determinado instante - costume normal na Idade Média alemã. O sobrenome concentra-se no centro da Alemanha, entre o sul da Westfália e a Saxônia. Data do século XIII.
Variantes:
Brautigam - variante comum.
Bräutigams - variante no genitivo da língua alemã.
Bräutigame - variante no plural da língua alemã.
Braeutigam - variante comum no centro e sul da Alemanha.
Breutigam - variante na região do alto alemão.
Breitgam - variante encontrada na Westfália.
Brüdigam, Bruedigam, Brudigam, Brüdgam, Bruedgam, Brudgam, Brüdegam, Bruedegam, Brudegam - variantes na região do baixo alemão.
Brutegum - variante encontrada em Altenburg.
Preytigam - variante encontrada em Jihlava, Morávia.
Braut, Braute, Brautt - variante curtas encontras no sudeste da Alemanha.

699. Nisse: sobrenome poligenético que significa lêndea, ovos de piolho (subordem Anoplura). Provém etimologicamente do alto alemão medieval niz com o mesmo sentido. Designa aquele que tem muitos piolhos ou uma pessoa muito pequena, frágil.
Nisse também pode ser uma forma curta dialetal do patronímico de Nikolaus.
Variantes:
Nissen - variante simples no plural.
Nis, Niss, Nys, Nyss - variantes relacionadas.

700. Luther: sobrenome patronímico que significa filho de Luther. Luther (Lutero em português) é um primeiro nome na língua alemã que é uma variação dialetal do norte do país, desenvolvida durante a Idade Média, correspondente ao nome do alto alemão Lothar. Ambos (Luther ou Lothar) significam guerreiro famoso, guerreiro valoroso. Na verdade, no século XVI, quando surge Martinho Lutero (Martin Luther no original alemão) dando início à Reforma Protestante, o sobrenome Luther era insignificante na Europa Central. Todavia, nos séculos que sucederam a Reforma, tanto o nome e, consequentemente seu patronímico, cresceram consideravelmente em toda a Europa de língua alemã. Por isso, compreende-se que a grande maioria das linhagens familiares com esse sobrenome são "modernas", no sentido que surgiram na Idade Moderna, enquanto que a maioria dos sobrenomes alemães remete à Idade Média.
O sobrenome é mais comum na Turíngia e norte da Baviera.
Variantes:
Luter - variante encontrada na França e região do Reno.
Lothar, Lotar, Lottar - variantes na região do alto alemão que, na verdade, fazem parte da raiz semântica original.
Lutter - variante relacionada do centro da Alemanha, mas que também pode designar alguns topônimos como referência de lugar alto ou lugar limpo, de vegetação de estepe.
Liuther - variante arcaica.
Lautar - variante do noroeste da Alemanha.
Luthe - variante curta.
Lutheri - variante arcaica. 





sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Futebol de Botas

Trecho extraído de: PINHEIRO, Luiz Carlos Marques. A Pelotas que vivi. Edição independente, 2013, p. 194-196.


"Sobre o meu tio Damásio eu já contei. Era um engenheiro-agrônomo, Administrador da Fazenda Experimental da Palma, uma fazenda-modelo, integrada ao Instituto Agronômico do Sul. 
A fazenda podia ser chamada com muita propriedade de “modelo”. Seu antigo proprietário, o Cel.Alberto Rosa, devia ter sido um homem muito avançado para a sua época. A sede da fazenda era uma enorme casa em estilo espanhol, com grande quantidade de quartos, imensas salas e uma cozinha enorme. 
Em torno da casa, uns doze pés de Hortência floridas, azuis e rosa. Havia um enorme galpão, que era a ferraria; um curral grande para as domas; e duas cabanhas para o gado. Tudo em tijolo. Havia luz elétrica, graças a um gerador movido por um cata-vento colocado no topo de um silo enorme de tijolo. A luz elétrica permitia um modernismo na fazenda: a ordenha mecânica. 
Um outro modernismo: não era permitida a “monta natural”. Tudo era feito com inseminação artificial. O Cel. Alberto Rosa foi um homem muito influente em Pelotas, tendo sido um dos dois principais acionistas do Banco Pelotense, junto com Plotino Amaro Duarte. Foi também sócio do Coronel Pedro Osório, na firma Pedro Osório & Cia, que durou até 1922. Morreu em 1923. 
A única coisa velha na fazenda era o telefone. Era daqueles antigos, de manivela. A gente tocava a manivela, e dava sinal no Centro telefônico, no Capão do Leão. A telefonista atendia, a gente pedia o número, e ela fazia a ligação. Mas antes de pedir o número se batia um papo com a telefonista. Uma curiosidade: os números tinham só dois dígitos. O tio Damásio sempre foi uma pessoa muito caprichosa. Isso era facilmente detectável pelo cuidado especial com que ele tratava os livros da sua infância, e que me emprestava para ler. Com o mesmo capricho ele cuidava da Palma. Para o Instituto, a Palma era “a jóia da corôa”. 
Tanto era assim, que quando chegava algum visitante do exterior no Instituto, eles levavam para mostrar a Palma. O churrasco de comemoração ao Dia do Agrônomo, coisa para mais de cem pesoas, era realizado na Palma, à sombra de uma meia dúzia de figueiras enormes, centenárias, alinhadas em seqüência. E um enorme braseiro em uma vala aberta no chão. O legítimo churrasco gaúcho. 
Eu, com oito anos de idade, acordava às 6 hs.da manhã para acompanhar de perto todas as atividades de preparação do churrasco. O tio Damásio andava sempre vestido de bombacha e botas sanfona. Na cintura um cinto largo. E no cinto um chaveiro. Mas não era um chaveiro qualquer. Era um ”senhor” chaveiro, com mais ou menos umas quinze chaves. Quando a gente via ele de frente, a primeira coisa que se via eram as chaves na cintura. 
Umas duas vezes por semana, o tio Damásio organizava, à tardinha, um joguinho de futebol com os empregados. Ele comprava a bola, do tipo oficial. Os empregados tiravam as botinas, ficavam de pés descalços, e arremangavam as calças. O tio Damásio era o único que jogava de botas. Passados muitos anos eu fui compreender isso. Menino rico, filho de família tradicional, nunca brincou com os pés descalços. A pele do seu pé não agüentaria pisar naquela grama.

Baixinho, gordinho, de botas, quando ele corria atrás da bola, o chaveiro ia sacudindo na cintura, batendo na anca. Era uma cena hilária. Tinha um empregado, um alemão de cabelo bem amarelo, de mais ou menos um metro e oitenta e tantos, forte como um touro, que quando tirava as botinas, os pés deviam ser 46. Os dedos dos pés enormes e grossos, abertos, espalhados. Não é à toa que era chamado de “Pé-de-Anjo”. Esse alemão era o único que, descalço, entrava em uma bola dividida com o tio Damásio, de botas. Esse ambiente criado pelo tio Damásio, essa postura liberal, criava nos empregados um sentimento de igualdade, que se refletia no seu comportamento, facilmente detectável na alegria com que trabalhavam e no carinho com que me tratavam."

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