sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Festividade na colônia italiana de Porto Alegre

 



A colonia italiana festeja hoje o 40o. anniversario natalicio do rei da Italia, Humberto I.

O respectivo consulado e muitos cidadãos d'essa nacionalidade hastearam em suas casa a bandeira tricolor.

N'as salas de suas sessões, á rua dos Andradas, a sociedade Mutuo Soccorso Victorio Emmanuel II commemora esse aniversario com um banquete, ao qual assistirá o consul da Italia, o Sr. Conde de Creppi.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Março de 1884, pág. 01, col. 06

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

VII Festival de Teatro de Pelotas

 



TEATRO 

YAN MICHALSKI

FESTIVAL INTERNACIONAL EM PELOTAS

Enquanto uma sugestão feita por alunos do Colégio Estadual Ferreira Viana, e lançada recentemente através desta coluna, no sentido de que o Estado da Guanabara deveria incluir na sua programação cultural um grande festival de teatro, caia aparentemente como era de se prever, nos ouvidos surdos das nossas autoridades, a cidade gaúcha de Pelotas fazia realizar o seu VII Festival de Teatro, desta vez com a presença de três elencos estrangeiros.

Enquanto o bem intencionado mas bastante medíocre Festival de Teatro Amador da Associação de Teatro Amador se realizava no Rio sob os auspícios do Serviço Nacional de Teatro (auspícios estes cujos termos financeiros não foram dados a conhecer a exemplo do que acontecer com todas as operações financeiras da atual administração do SNT), o Festival de Pelotas não pode contar com a ajuda do órgão dirigido pelo Sr. Felinto Rodrigues Neto. O Sr. Antônio Franqueira Moreira, presidente da Sociedade de Teatro de Pelotas, promotora do certame, escreveu-nos a esse respeito:

"Infelizmente o SNT, cujo diretor havia-me garantido pessoalmente ajuda substancial, falhou integralmente. Daí termos lutado com grandes dificuldades financeiras e ficado impossibilitados de pagar as passagens dos grupos. Isso dificultou a vinda de grupos que se haviam inscrito, vindos de regiões mais distante, como foi o caso do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Brasília e Guanabara."

OS PARTICIPANTES

Mesmo assim, o Festival de Pelotas contou com a participação de doze grupos (um argentino, dois uruguaios, um paulista e oito gaúchos), e alcançou amplo sucesso, a julgar pelos comentários da imprensa local que nos foram enviados pelo presidente da STEP.

Foram os seguinte os grupos participantes do VII Festival de Teatro de Pelotas, e as suas respectivas montagens:

Grupo Presença, de Santa Maria, com A Guerra Mais ou Menos Santa, de Mário Brasini, com direção de Pedro Freire Júnior.

Grupo Teatro Novo de Petrópolis, de Porto Alegre, com João e Maria nas Trevas, de Ronald Radde, direção do autor.

Coletivo de Teatro Nacional, de Porto Alegre, com Água Furtada 389, de Paulo Ubiratã Campos de Carvalho, direção do autor.

Artistas Argentinos Independientes, de Buenos Aires, com El Espantoso Regresso de Dracula, de Roberto Habegger, direção do autor.

Grupo de Teatro do Sesc de Porto Alegre, com O Castiçal, de Alfred de Musset, direção de J. Carlos Caldasso.

Teatro Acadêmico Balduíno Rambo, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Leopoldo, com ...Mas Livrai-nos do Mal, de Jairo Lima, direção de Marcos Wainberg.

Instituto Cultural Juventud, de Montevidéu, com Mala Laya, de Ernesto Herrera, e El Desalojo, de Florencio Sánchez, direção de Pedro Perdomo.

Teatro Casarão, de São Paulo, com O Canto do Cisne e Os Malefícios do Fumo, de Tchecov, direção de Benedito Lara, e Amor por Anexins, de Artur Azevedo, direção de Ermínio Furlan.

Teatro de Arena, de Porto Alegre, com O Fardão, de Bráulio Pedroso, direção de Miguel Grant.

Teatro Escola de Pelotas, com Quando Despertamos de entre os Mortos, de Ibsen, de direção de Rui Antunes.

Grupo 12 Institución Teatral Independiente, de Sarandi Grande, Uruguai, com Ceremonia por Negro Asesinado, de Fernando Arrabal, direção de Homero González Tortebolo.

Teatro do Estudante, de Bom Jesus, com Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, direção de Milton Carlo Baggio.

OS VENCEDORES

O Júri, presidido por Pascoal Carlos Magno e secretariado por Aron Menda, delegado regional da SBAT e do SNT, atribuiu os seguintes Prêmios Brecht (estatuetas em bronze com o busto do dramaturgo alemão):

Melhor espetáculo: El Espantoso Regreso de Dracula, produção dos Artistas Argentinos Independientes, de Buenos Aires.

Melhor direção:Homero González Torterolo, do grupo uruguaio de Sarandi Grande, pela sua encenação de Ceremonia por Negro Asesinado.

Melhor cenoplastia: o mesmo Homero Torterolo, na mesma peça de Arrabal.

Melhor atriz: Araci Estêves, do Teatro de Arena de Porto Alegre, pelo seu desempenho em O Fardão.

Melhor ator: Ermínio Furlan, do grupo paulista, pelo seu trabalho nas duas peças de Tchecov.

Melhor atriz coadjuvante: Elsa Batter, do vitorioso elenco argentino.

Melhor ator coadjuvante: Yamandú Vidart, do grupo de Sarandi Grande.

Por outro lado, Pascoal Carlos Magno distinguiu quatro atores gaúchos e um paulista com bolsa-de-estudos de um mês em Arcozelo.

A Sociedade de Teatro de Pelotas espera que o seu Festival de 1969 poderá ser não só internacional, como até intercontinental, já tendo iniciado entendimentos no sentido de assegurar a vinda de um grupo parisiense.

Como estamos vendo, a Guanabara está sendo passada para trás, em matéria de promoções teatrais, não somente por grandes centros como São Paulo e Curitiba, mas também por uma cidade como Pelotas. É claro que nos resta ainda o Festival Internacional da Canção e o carnaval carioca, para defender o chavão de capital cultural do país...

Fonte: JORNAL DO BRASIL (Rio de Janeiro/RJ), 11 de Dezembro de 1968, Caderno B, pág. 02


terça-feira, 1 de outubro de 2024

José Volta Grande - o famigerado de Mundo Novo

 



A 1 de fevereiro de 1894, às cinco horas da manhã, a cidade do Mundo Novo, então vila, foi assaltada, depredada e saqueada por uma quadrilha composta de cêrca de duzentos bandoleiros, capitaneados pelo famigerado José Balbino da Silva, conhecido por José Volta Grande.

Concorreram muito para isto caprichos e injunções políticas daqueles tempos passados e também injustiças praticadas por poderosos usurários, açambarcadores de terras do Estado para legitimação em seus nomes, usurpando assim, em tais medições, sítios de várias pessoas pobres.

José Balbino da Silva, com seus irmãos, residia no lugar Volta Grande, naquele tempo pertencente ao município de Mundo Novo e hoje ao município do Morro do Chapéu e, para atacar Mundo Novo, trouxe jagunçada das Lavras Diamantinas, habituada a estas emprêsas de depredações e roubos.

A horda de bandoleiros atacou a cidade às cinco horas, quando todos dormiam, desfechando sôbre ela descargas de clavinotes e produzindo grande barulho com urros e vozeria infernais.

A fôrça policial, composta de dezesseis praças e um oficial, tentou resistir, mas vendo a sua impotência e inevitável derrota, fugiu, tendo a população civil também fugido espavorida para os matos.

Os bandidos apossaram-se da cidade e nela permaneceram até o dia 3 de fevereiro pela manhã, quando se retiraram em demanda de Volta Grande, em seu reduto, levando no lombo de animais tudo que puderam conduzir, inutilizando tudo que não puderam levar e deixando a cidade semelhante a um cemitério em ruínas!

Um dia depois da retirada dos bandoleiros, isto é, a 4 de fevereiro, eu, que por êsse tempo me achava na fazenda Alecrim, distante três léguas da cidade, vim a esta para ver com os meus próprios olhos as depredações, e fiquei deveras horrorizado!

Prefeitura Municipal, Cadeia Pública, Coletorias, Cartórios, tudo depredado, portas lascadas a machado, assim como muitas casas comerciais e residenciais com as portas escancaradas, arrendadas de balas, Viam-se relógios de parede e muitos outros objetos semelhantes pelo meio das ruas tudo arrebentado! Enfim, o aspecto da cidade era desolador!

Como vimos, a jagunçada apoderando-se da cidade, nela permaneceu dois dias, enfardando fazendas e outras mercadorias, a fim de conduzir para o seu reduto, para o que, grupos de jagunços foram mandados pelo seu chefe a diversos lugares no subúrbio, arrebanhar animais e cangalhas, para o serviço de transporte.

A quadrilha, logo que chegou ao seu reduto, de regresso, anunciou que viria quebrar as fazendas Havana, do coronel José Galdino, e Lagoa da Anta, do coronel Sinfônio Ferreira, e pôs-se logo em marcha para êste fim, na direção das ditas fazendas.

O coronel José Abraão Coim procurou evitar o desastre, indo, em companhia do coronel Firmino Sampaio e outros amigos, encontrar a horda dos bandoleiros na estrada, encontro que se realizou na fazenda Tingui, do major Geraldo Sodré, e hoje de Benvenuto Barreto, com o nome atualmente de Aliança, distante três léguas da cidade.

Do encontro entre os emissários de Mundo Novo e José Volta Grande, chefe da quadrilha, resultou o regresso desta ao seu reduto, sem depredar as ditas fazendas, mas mediante o preço de 8:000$000 em dinheiro!

Depois de tôdas estas desgraças, o govêrno estadual resolveu acabar com o reduto de bandoleiros, vindo para isto uma fôrça policial de quinhentas praças, comandada pelo coronel Policarpo Ferreira Campos, comandante da Polícia Militar da Bahia naquele tempo, a qual, reunida a patriotas civis comandados pelos coronéis Clementino de Matos e José Lapa, deu cabo da terrível horda de bandoleiros, depois de encarniçada luta.

José Volta Grande fugiu para Jalapão, no Estado de Goiás, e consta que anos depois mudou-se dali para Lageado, no Estado de Mato Grosso, onde, segundo dizem, construiu uma igreja e faleceu.

Fonte: BARRETO, Adolfo Alves. História do município de Mundo Novo. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Departamento da Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, jul./set. 1951, pág. 164-166.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Barão de Tavares Leite


Barão de Tavares Leite em Jaguarão no ano de 1909
Pertencia à nobreza lusitana, embora estivesse radicado no Brasil há muito tempo

 

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