quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Nomes Guarani-Mbyá

 



Nomes masculinos:

Atachï, Tatachï, Tatatï - fumaça, fumo, aquilo que fumega, que se consome em fogo.

Karaí Atachï - fumaça de Karaí (o dono do ruído do crepitar das chamas); Tataendy Ryapú Já.

Karaí Ñe'engijá - dono das palavras (almas) de Karaí.

Karaí Ñe'ery - o fluir da palavra (alma) de Karaí.

Karaí Rataá - aquele que possui o fogo de Karaí.

Karaí Tataendy - as chamas de Karaí.

Kuaray Endy Jú - as chamas divinas do Sol.

Kuaray Mimby - flauta do Sol.

Kuaray Mirï - Sol pequeno.

Kuaray Rataá - aquele que possui o Sol.

Tupä Guyrá - pássaro de Tupã.

Tupä Kuchuví Vevé - tocha voadora ou chá voador de Tupã.

Verá - relâmpago.

Verá Chunuá - que faz o som dos trovões de Verá.


Nomes femininos:

Ara'í - espaço celeste, firmamento.

Ara Jerá - céu, firmamento que surge, que irrompe, que brota.

Ara Mirï - céu pequeno.

Ara Poty - flor do céu.

Kerechú - coisa distinta, algo diferente.

Kerechú Poty - flor de Kerechú.

Kerechú Rataá - aquele que tem o fogo de Kerechú.

Pará Jachuká - ritual sagrado do Mar.

Pará Mirï - mar pequeno.

Pará Reté - corpo do mar.

Tatachï - fumaça, ar.

Yvá - paraíso, céu.

Fonte: CADOGAN, León. Mil apellidos guaranies. Assunção/Paraguay: Editorial Toledo, 1960.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Nomes Guarani-Apapokuva

 



Masculinos:

Avá Poty - homem forte; flor de homem.

Avá Jupiá - aquele que utiliza para ascender, subir.

Jiguaká Poñy Ju - coroa divina que se arrasta.

Mbaraká Mbeí - espécie de chocalho ritual.

Nimuendajú - o divino reencarnado.

Tupã Ju - alma divina; habitante do Paraíso que reencarnou.

Femininos:

Ñapyka, Kuña Apyká - assento de mulher; reencarnação feminina.

Takuá - bambu, taquara.

Takua Pu - som ou música do bambu.

Takuá Verá - bambu reluzente.

Takuá Yvá - bambu do paraíso.

Fonte: CADOGAN, León. Mil apellidos guaranies. Assunção/Paraguay: Editorial Toledo, 1960.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Luiz Baptista Gonçalves



"No dia 2 falleceu, no Rio Grande, o joven Alonso de Souza Gomes, empregado do commercio d'aquella praça.

✤✤✤✤✤

Em Piratiny, no 2o. districto, deu-se o passamento do tenente-coronel Luiz Baptista Gonçalves.

✤✤✤✤✤

Em consequencia de febre amarella morreu na capital federal o joven Octaviano de Abreu Santos, alumno da Escola Militar do Ceará e filho do sr. Virgolino José dos Santos.

(...)

Em Pelotas finou-se o prestante e estimado cidadão Francisco Eurico da Silva, socio da firma Scholberg, Jouclá & Silva, estabelecida com casa de armas n'aquella praça.

Contava 42 annos de idade, era casado e deixa numerosa prole.

- Na mesma cidade deixou de viver, aos 44 anos, o cidadão Francisco de Paula Santos, proprietario da pharmacia existente na Costa de Pelotas (Areal)."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 10 de Maio de 1894, pág. 02, col. 03

Coronel Maneca Pedroso



"Coronel Pedroso

(Do Diario Popular de Pelotas)

Na medonha hecatombe do Rio Negro, cilada covarde armada á lealdade do inclyto Izidoro, desappareceu o intemerato coronel Manoel Pedroso de Oliveira, homem generoso e de uma nobreza extraordinaria de caracter.

Como guerreiro, era temido pelos adversarios, que lhe recordavam o nome assombrados e tremulos, e era o idolo de seus soldados, que o acompanhavam confiantes nas mais temerarias emprezas.

Esta phrase que irrompia do peito de seus concidadãos era o seu mais brilhante padrão de gloria:

'Maneca Pedroso é a alma da campanha do Sul...'

E realmente era: um gesto seu reunia massas compactas de soldados destemidos; um grito de guerra que seus labios proferissem era o signal certo da derrota do inimigo.

Tal era o poder d'aquella voz electrisadora, que dava animo aos soldados e os conduzia á victoria.

Os inimigos traidores viam de longe o prestigio enorme que aureolava a figura altiva do gigante da nossa campanha e encolhiam-se assustados, tremendo, nos seus ninhos de abutres, sem coragem de atacal-o siquer.

Até Gomercindo Saraiva, o torvo assassino de Curral de Arroios, o ousado chefe da malta de degolladores que infestou este Estado, quando ouvia fallar no grande gaúcho de Piratiny, mudava de conversa, dizendo que seu desejo era nunca se encontrar com esse republicano.

O chacal tinha mêdo do leão."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Março de 1894, pág. 01, col. 02

domingo, 2 de janeiro de 2022

O Sete-Saco

 



Por Cláudia Regina Kawka (professora em Curitiba/PR)

Uma das maiores dificuldades para os imigrantes eslavos que vieram para a Gleba Orle, no Norte do Paraná, era o problema da comunicação. Como fazer para que os brasileiros conseguissem compreender o que eles queriam? Realmente não era fácil. Mas o mesmo problema ocorria com os brasileiros que queriam falar com os poloneses e ucranianos. Era difícil conseguir pronunciar os nomes e sobrenomes dos estrangeiros! Cada nome complicado!

Certa vez apareceu no sítio de um imigrante polonês um senhor brasileiro procurando um tal de Sete-Saco.

- Quem mesmo o senhor está procurando? - perguntou o imigrante.

- Estou procurando o Sete-Saco.

- Que saco? O senhor deixou algum saco aqui?

- Não. Eu quero falar com o Sete-Saco.

- É homem ou mulher?

- É homem.

- E como é o nome dele?

- É Sete-Saco, ué! E ele mora num desses sítios.

Depois de muito pensar, o imigrante percebeu que a pessoa com quem ele queria falar era o Szewczak!

Outra história engraçada aconteceu quando um polonês foi comprar alho na venda. Ele chegou lá e só viu cebolas penduradas, e nada de alho. O vendeiro, vendo que o estrangeiro estava procurando alguma coisa, logo perguntou:

- O senhor está querendo comprar o quê?

- Acho que aqui não tem o que eu quero.

- Mas o que é? É cebola?

- Não sabendo como dizer "alho" em português, ele tentou explicar à sua maneira:

- Eu quero é o "irmão da cebola"...

O vendeiro entendeu e trouxe para o alho procurado!

Fonte: CORREIO RIOGRANDENSE (Caxias do Sul/RS), 21 de Junho de 1995, pág. 15

sábado, 1 de janeiro de 2022

Os índios da Aldeia dos Anjos

 



(...) Dois mil desses índios se juntam perto de Rio Pardo. Resolveu-se abrigá-los. Escolheu-se uma localidade bem situada, num lugar alto - Gravataí, que é fundada em 08 de abril de 1763, a 33 quilômetros de Porto Alegre. Lá se estabelecem mais de mil índios. Constrói-se igreja, casas, cemitério...Para alimentá-los, determinou-se uma fazenda muito grande entre Palmares e São Simão.

Eram índios que vinham das missões, educados pelos jesuítas. Em Gravataí continua o processo jesuítico: terras comuns, caixa comum, etc. Cria-se um colégio para meninos, um recolhimento para meninas e um serviço pelo qual os índios aprendem a ser lavradores.

Em casa, esses índios falavam guarani, mas no colégio, os meninos e meninas só podiam falar o português, pois as autoridades queriam que eles esquecessem a sua língua, a guarani. Não se sabe o motivo desta obrigação. Apenas se deduz que seja por motivo de integração portuguesa. Aliás, precisaríamos saber se esta política não era de âmbito nacional.

Parece que os portugueses não conseguiram integrar os índios. Eles fugiam para a campanha, onde encontravam trabalho nas estâncias. Iam para as missões e de lá voltavam. Casavam e descasavam. Dizia-se que eram maus cristãos.

Com tantos índios em Gravataí não temos descendentes com os seus sobrenomes, porque as autoridades o obrigavam a adotar sobrenomes portugueses, como está amplamente referido neste livro. Vejamos um exemplo: o cacique Poty virou Narciso de Souza Flores. A família Carabauy deu origem a Dionísio Pereira, Dorotéia da Silva, Miguel Morais, Miguel Luiz Correa. A família Mandarica deu origem a Aniceto Pereira, Joana Maciel, Pedro de Oliveira, Filuta Maciel, etc. A família Nensum deu origem a Inácio Borges Pimenta, Maria Salomé, Lugência Borges Pimenta. A família Cunumipa origem a Inácio Xavier Cavalcanti, Maria Cavalcanti, etc. A família Ayecatu deu origem a João de Alencastre e Antônio de Alencastre...

Como havia dois colégios, também havia dois regulamentos, com suas diferenças e semelhanças. As crianças levantavam cedo e logo almoçavam. Ao meio-dia jantavam e à noite ceavam. Eram costumes diferentes. As moças eram tiradas para casar.

Os índios podiam ter seu trabalho, cujo salário era fixado pelas autoridades. Assim, um índio carreteiro recebia 3$000 por mês; um índio domador, 3$600 por mês; uma índia para servir em casa, 3$800; uma índia ama-de-leite, 3$000.

Deviam ser castigados os que tratassem os índios como escravos, com açoites ou castigos semelhantes.

As autoridades da aldeia eram eleitas. Havia corregedor, escrivão e meirinho.

Fonte: CORREIO RIOGRANDENSE (Caxias do Sul/RS), 10 de Outubro de 1990, pág. 08

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