quarta-feira, 25 de abril de 2018

Centro Abolicionista de Pelotas


"Abolição em Pelotas

Realisou-se em Pelotas, a 1 do corrente mez, como estava annunciada, uma grande reunião popular para tratar da libertação dos escravisados do município.

Foi numerosa a reunião, ficando organisado um Centro Abolicionista, sob a presidência do dr. Leopoldo Maciel, barão de S. Luiz.

Constituíram-se as seguintes commissões:

1a. commissão (cidade e suburbios) - Barão de São Luiz, visconde da Graça, Antonio J. Pinto da Rocha.

2a. commissão - Manoel Soares da Silva, Francisco Nunes de Souza, Leopoldo Joucla.

3a. commissão - Lucio Lopes dos Santos, Joaquim da Silva Tavares, Manoel José de Oliveira.

4a. commissão - Scipião José de Souza, barão de Correntes, barão do Arroio Grande.

5a. commissão - Dr. Augusto de J. de Siqueira Canabarro, dr. Miguel Rodrigues Barcellos e Possidonio Mancio da Cunha.

6a. commissão (Boa Vista) - Junius Brutus C. de Almeida, Antonio Antunes da Porciuncula Costa e Benito Maurell Filho.

7a. commissão (Buena) - João Manoel Barbosa, Protestato Barbosa e José Zeferino Torres.

8a. commissão (Boqueirão) - Antonio Rodrigues de Souza, Salvador Rodrigues de Quevedo e Antonio Vieira da Silva Braga.

Também foram escolhidas para fazer parte do Centro Abolicionista as jovens pelotenses Maria Francisca Gomes da Costa, Maria das Dôres Machado e Angelica Borges da Conceição Filha.

Estando presente á reunião, o cidadão José Joaquim Caldeira declarou que a 7 de setembro entregaria as cartas de liberdade aos nove escravos que possuía.

Com esta organisação, os abolicionistas de Pelotas, a exemplo dos de Porto Alegre, não tardarão a proclamara a completa emancipação dos escravisados em todo o município.

Então poderemos erguer a saudação freneticamente abolicionista:

- Urrah pela formosa Pelotas!"

Fonte: A FEDERAÇÃO, 07 de Setembro de 1884, p.01, c.06

terça-feira, 24 de abril de 2018

Domingos Guedes Cabral

Por Fernando Osório

"Filho de Antonio Quinhones de Mattos Cabral e D. Anna Rita do Carmo Cabral. Nasceu a 4 de julho de 1811 em Pelotas. Faleceu na Bahia, Cidade do Salvador, a 6 de março de 1871. Veio para Bahia como empregado no comércio; aí foi guarda-livros, depois do que deixou o emprego pelas letras. Estudou Humanidades com alguns recursos que seu pai lhe fornecia. Com a morte deste, fez concurso para professor de primeiras letras e assim se formou. 

Desde cedo tinha ideias republicanas, dedicando-se à imprensa, fazendo propaganda com o ardor próprio de seu temperamento fogoso. Escreveu em vários jornais: 'O Democrata' (órgão de propaganda), Bahia, 1836 a 1842. Creio não ter sido 'O Guarany' o jornal em que escreveu o eminente repúblico e sim o 'Guaycurú', órgão francamente republicano, de 1842 a 1850. Foi esse jornal que fez, em 1848, terrível oposição ao General Andréa, depois Barão de Caçapava, tendo por epígrafe estes dois versos de Garret na tragédia Catão:

Da liberdade a árvore não cresce
Se a não rega dos déspotas o sangue.

'Dos seus ardorosos artigos sobressaem as séries: Forma Republicana, Tenebrosos Mysterios da Bahia, em torno de uma questão chamada Passos que agitava a Bahia (80 artigos). Redigiu ainda 'O Interesse Publico', 1860-1861. E, mais, escreveu um livro, 'A Política e os Políticos', obra de desilusão, que procurou extinguir antes de morrer, salvando-se parte em mãos do seu filho de igual nome, nascido na Bahia a 29 de outubro de 1852 e morto a 27 de janeiro de 1883, e que se tornou célebre por uma tese apresentada para formatura na Faculdade de Medicina da Bahia: 'Funcções do Cerebro Bahia', 1876 - 265 páginas - tese que causou sensação por ser reputada pela Faculdade como lesiva à religião do Estado. Imprimiram-na os colegas. O filho teve na Bahia muito mais renome que o pai, até pelas extravagâncias de pensor."

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Combates da Revolução Federalista


Combate do Salsinho
Gumercindo Saraiva (maragato) vs. Cel. Antônio Adolfo da Fontoura Mena Barreto (pica-pau)
Vitória legalista (pica-pau)

Batalha do Passo do Inhanduí
Gal. João Nunes da Silva Tavares (maragato) vs. Gal. Lima & Hipólito Ribeiro (pica-paus)
Vitória legalista (pica-pau)

Combate do Piraí
Cmdte. Joca Tavares & outros chefes revolucionários (maragatos) vs. Cel. Mena Barreto (pica-pau)
Vitória legalista (pica-pau)

Combate Serrilhada
Cmdte. Gal. Salgado & Aparício Saraiva (maragatos) vs. Cel. Galvão (pica-pau)
Vitória revolucionária (maragata)

Combate Cerro do Ouro
Cmdtes. Gumercindo Saraiva, Azambuja, Chagas e Aparício Saraiva (maragatos) vs. Gal. Francisco Portugal (pica-pau)
Vitória revolucionária (maragata)

Combate de Upamaroti
Gal. João Batista Telles, Gal. Francisco Lima & Cel. Mena Barreto (pica-paus) vs. Gumercindo Saraiva, Gal. Salgado & outros (maragatos)
Vitória legalista (pica-pau)

Combate Rio Ibicuí - Passo Mariano Pinto
Gal. Lima (pica-pau) vs. Gumercindo Saraiva (maragato)
Vitória legalista (pica-pau)

Combate de Itajaí
Divisão do Norte & Gumercindo Saraiva (maragatos e antiflorianistas) vs. Marinha de Guerra do Brasil (força legalista)
Vitória legalista

Combate do Rio Negro
Mal. Isidoro Dias Lopes (pica-pau) vs. Gal. João Nunes da Silva Tavares (maragato)
Vitória revolucionária (maragata)

Cerco de Bagé (46 dias)
Gal. João Nunes da Silva Tavares (maragato; sitiante) vs. Cel. Carlos Maria da Silva Teles (pica-pau; sitiado)
Vitória legalista (pica-pau)

Combate Passo da Cruz
Cel. Chachá Pereira (pica-pau) vs. Gal. Lima & Gumercindo Saraiva (maragatos)
Vitória legalista (pica-pau)

Batalha do Passo Fundo
Gal. Lima (pica-pau) vs. Gumercindo Saraiva (maragato)
Vitória legalista (pica-pau)

Combate de Caroví
10 de agosto de 1894
Vitória legalista (pica-pau)

Combate das Laranjeiras
Cel. Fabrício B. O. Pilar (pica-pau; morto neste combate) vs. Cel. Inácio Cortez (maragato)
Vitória legalista (pica-pau)

Combate das Traíras
Cel. Cipriano da Costa Ferreira (pica-pau) vs. Cel. Zeca Tavares (maragato)
Vitória legalista (pica-pau), mas com grande número de baixas

Paz de Pelotas
23 de agosto de 1895
Assinam a pacificação: presidente Prudente de Moraes, Gal. Inocêncio Galvão Queiroz (pelas forças da legalidade) e Gal. João Nunes da Silva Tavares (pelas forças federalistas)

Vitória final das forças legalistas e pacificação do Rio Grande do Sul: hegemonia do Partido Republicano Rio-Grandense até 1930, entremeada pela Revolução de 1923.

Adaptado da fonte original: SILVEIRA, José Luiz. Revolução Federalista de 1893. In: NEUBERGER, Lotário (org.). RS no contexto do Brasil. Porto Alegre: CIPEL, EDIPLAT, 2000, P. 111-124.


domingo, 22 de abril de 2018

Escola do Capão do Leão ganha repercussão nacional por causa de suas postagens em rede social


Se a minha postagem está causando desconforto em alguns, venho aqui esclarecer que apenas reportei o que estava acontecendo na internet, principalmente no twitter, tanto que expliquei claramente a origem da fonte das informações. Por isso algumas considerações:

1 - Eu postei minha opinião e até que acredito que foi bem ponderada, mas não fui eu  que propaguei esta informação. Por volta de 17h30min do domingo, quando me deu conta do fato via um retweet de uma pessoa que sigo no twitter, fui ao facebook verificar se a página ainda estava no ar. Não estava. Porém os printscreens com menção ao nome da escola estavam distribuídos e compartilhados numa infinidade de grupos desta mesma rede social, desde mais próximos como grupos de Pelotas, até grupos de Porto Alegre, Curitiba e São Paulo, além de inúmeras páginas e perfis estarem compartilhando o fato.

2 - Eu reafirmo meu pensamento sobre quatro printscreens das postagens mencionadas: estão inadequados, no meu ponto de vista, pois até onde sei não se pode vincular opinião política a ente público. Qualquer jurista vai dar sua opinião cabal sobre o assunto. Além disso, a postagem sobre os conceitos de "nazismo", "esquerda" e "direita" é muito simplista sim, pois até mesmo pensadores alinhados com a própria esquerda jamais se arriscariam a cometer um reducionismo daquela forma.

3 - Em nenhum momento eu afirmei sobre doutrinação, tanto que volto a dizer: eu usei os adjetivos inadequado e simplista. Tanto que ainda ponderei a favor da escola no caso da postagem do desfile de Sete de Setembro e da postagem que vincula a orientação política dos professores a uma suposta influência na escola.

4 - Aliás, o objeto da minha crônica foram as postagens, não a escola. Tanto que ainda fui bem explícito em asseverar que "não tenho elementos para avaliar" possíveis desdobramentos jurídicos.

5 - Não acredito realmente que eu seja alvo para alguma coisa. Meu blog é pequeno e regionalizado, com uma média de 300 acessos/dia e pouco mais de 200 curtidas em sua página oficial no facebook. Já a fonte original dos printscreens tem cerca de 18 mil seguidores no twitter, 161 mil no facebook e recebe cerca de 20 mil acessos/dia. Isto é, se o fato viralizou (e posso afirmar pelo que percebi, observações muito mais ácidas sobre o assunto foram feitas), a fonte original possui um raio de alcance infinitamente maior.

6 - E se não concordam em nada comigo, peço a gentileza de simplesmente me ignorarem. É um direito que se espera que seja exercido numa sociedade democrática.

Atualização às 00:37 do dia 24 de abril de 2018.








Telefone em Pelotas em 1878


"Pelotas. - 

(...)

- No dia 23 fôra realisada uma experiência sobre as vantagens da nova invenção, o telephono. O apparelho fôra collocado entre a casa dos srs. Ferreira & Antunes e a Livraria Americana. O successo da experiencia correspondera á expectação das pessoas que em ambas as casas se tinham reunido."

Fonte: DIARIO DO RIO DE JANEIRO, 02 de maio de 1878, p.01, c.04

sábado, 21 de abril de 2018

O Litoral do Brasil


"Passando agora a considerar o aspecto do litoral brasileiro, verifica-se ser ele constituído, na sua maior extensão, por praias oceânicas de contornos suaves, francamente batidas pela vaga do largo. De uma maneira geral, ao longo da linha costeira, os acidentes geográficos escasseiam: nem o mar invade, nem a terra avança; faltam mediterrâneos, penínsulas, golfos, ilhas consideráveis; os dois elementos coexistem, quase sem transições e sem penetração. A costa norte corre mais baixa, quase retilínea e entremeada de dunas e lençóis de areia aquém Amazonas; baixa, lamacenta, de contornos variáveis, entre o Amazonas e o Oiapoque. Os materiais marinhos, os sedimentos fluviais dão-lhe o aspecto das costas compensadas; os portos rareiam, as barras dos rios são as verdadeiras entradas, em geral precárias.

A costa, desde Pernambuco até Santa Catarina, arrima-se à serra do Mar, varia de aspecto: aqui, extensões arenosas; além, barreiras vermelhas, encostas encobertas de matas ou montanhas que arcam com as ondas. Nela existem as maiores baías do Brasil: Todos os Santos, Camamu, Guanabara, Angra dos Reis e Paranaguá. Em larga porção do litoral os bancos de coral sucedem-se quase sem interrupção, acompanhando a costa. As aberturas concedidas pela natureza nessa barreira apenas dão acesso a alguns portos sofríveis. Também os estuários dos inúmeros e caudalosos rios que desaguam nos mares brasileiros, por um capricho infeliz da natureza, não proporcionam portos abrigados e livres de perigos. A lama, os baixios e outros entraves à navegação acumulam-se na foz dos rios de alentado volume de água como o Parnaíba, o São Francisco, o Jequitinhonha e o Paraíba do Sul, permitindo, quando muito, a precária instalação de portos de terceira categoria. O próprio estuário do Amazonas apresenta sérias limitações à livre navegação.

As condições geralmente pouco favoráveis do litoral brasileiro são mais facilmente avaliadas sendo comparadas às de nações marítimas, como a Grécia e a Grã-Bretanha. O pequeno país balcânico, com apenas 130 mil quilômetros quadrados de território continental e insular, graças à costa extremamente recortada da península e ao grande número de arquipélagos, possui um desenvolvimento litorâneo superior ao do Brasil, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, banhado pelo Atlântico em metade de seus limites. Na Grã-Bretanha, quase todos os pequenos rios abrem-se junto ao mar em estuários amplos e profundos. As marés das enchentes levam, sem empecilhos, as águas oceânicas até bem o interior. É nas largas bocas desses rios de pequeno curso que se situam os portos mais movimentados da Ilha: Londres, Liverpool, Bristol, Cardiff, Newcastle, Hull, Glasgow. Em toda volta da Ilha Britânica, dificilmente navega-se mais de cem milhas sem encontrar um porto amplo e seguro. Que contraste com o Brasil que, das bocas do Amazonas até o cabo Calcanhar, numa extensão de mil milhas, não apresenta uma única baía capaz de abrigar convenientemente muitos navios de porte, ao mesmo tempo, e que do Oiapoque ao Chuí só possui seis portos dando acesso fácil a navios de média tonelagem!

Todavia, em alguns trechos da costa brasileira, a natureza foi menos ingrata e abriu portos cujas excelências são inegáveis. No litoral baiano encontra-se a magnífica baía de Todos os Santos, além de outras de menor importância; no Espírito Santo há a razoável entrada que constitui o porto de Vitória, mas é sobretudo no largo côncavo, entre o Cabo Frio e o Cabo de Santa Marta Grande, que a costa brasileira apresenta melhores perspectivas para o contato das populações com o mar. Os contrafortes das serras, nesse trecho, desmancham-se no oceano, alterando totalmente o aspecto quase uniforme do litoral. As dunas de areia desaparecem, sendo substituídas por montanhas escarpadas e rochosas. As praias, geralmente menores, são limitadas por cabos, pontas ou penínsulas. Surgem ilhas, grandes e pequenas, próximas à franja costeira. As enseadas sucedem-se. Mais de dois terços das melhores baías naturais do Brasil ficam situadas nesse trecho relativamente do litoral.


Também é nessa parte do litoral que a pesca é mais abundante, talvez em virtude do encontro da corrente fria das ilhas Falklands. Entretanto, apesar de não serem desprezíveis as oportunidades oferecidas pela pesca ao longo de toda a costa do país, é de notar não serem encontradas em nenhum trecho as espécies mais cobiçadas. Não há nos mares brasileiros nada que se compare à riqueza representada pelos cardumes de arenque, salmão ou bacalhau, tão comum nas águas do Japão, do mar do Norte ou das costas da península do Lavrador. Em suma, comparado às condições promissoras do vasto e rico interior, o litoral brasileiro pouco tem a oferecer. Não foi, em consequência, senão uma fração mínima dos habitantes do Brasil que se deixou fixar junto ao mar, nele buscando a maneira de viver.

Naturalmente, numa extensão tão longa de contato forçado do homem com o elemento líquido, não só na orla oceânica, como também nas margens dos rios, alguns grupamentos humanos encaminharam-se para a vida marítima. Surgiram, assim, na bacia Amazônica e ao longo do litoral, populações dedicadas à exploração da pesca costeira ou à exploração do transporte sobre as águas. Em particular, os habitantes das margens dos rios da bacia do Amazonas foram obrigados a adotar uma condição de vida por assim dizer anfíbia, dada a estreita dependência em que vivem do elemento líquido. Ali, os rios não fornecem apenas o alimento, como também o único meio de contato com o resto do mundo ou mesmo com o vizinho mais próximo. Tal estado de coisas obriga a existência de um número de embarcações quase igual ao de habitantes. Desde a mais tenra idade, todas as pessoas habituam-se ao manejo dos remos e das velas dos pequenos botes. Para as populações dos rios amazônicos as pequenas embarcações significam a mesma coisa que o cavalo para o gaúcho. Toda vida econômica ou social depende delas.

Nas praias infindáveis da costa brasileira, de preferência nas angras, baías e na foz dos rios, desenvolveram-se, como em quase todos os países banhados pelo oceano, pequenos povoados de pescadores. Paupérrimos e isolados do progresso, os pescadores brasileiros adotaram práticas que pouco têm evoluído e que não lhes permitiram ganhar o largo. No Nordeste, as condições peculiares da região originaram a jangada, própria para vencer as arrebentações das praias batidas, para passar por sobre os baixios de coral e para navegar com os ventos alísios, mas de pouco rendimento na pesca e imprópria para cruzeiros de maior amplitude. Nos demais trechos da costa, a embarcação mais adotada foi a canoa de tronco, herança indígena, também de possibilidades limitadas. Tanto o jangadeiro do Nordeste como o 'caiçara' do Sul têm de comum o atraso e a pobreza. Um e outro retiram das ondas pouco mais que o mínimo necessário à própria alimentação e à de família.

Quanto à pesca do mar alto, só surgiu em termos recentes. Ao que parece, durante todo o período colonial, a pesca ao largo só foi efetuada por pescadores biscainhos que de 1603 a 1798 detiveram o monopólio da pesca da baleia. Esta, durante bastante tempo, foi a indústria lucrativa, pois os cetáceos abundavam ao longo do litoral do Nordeste e muitas das sólidas construções do Brasil Colônia, ainda hoje de pé, eram edificadas com o cimento à base de óleo de baleia. Mas esta forma de atividade marítima desapareceu por quase um século. Persistiu apenas a pesca costeira, suprindo o consumo local das populações, pois a ausência de uma indústria de conservas de peixe não permitiu que os produtos do mar chegassem às mesas dos habitantes do interior. Foi só em anos recentes que às possibilidades das águas ao longo do litoral do Brasil se abriram novos horizontes. Entretanto, não se pode prever ainda nem quais serão os reflexos no desenvolvimento marítimo do país proporcionado pelas atividades pesqueiras.

A par da pesca praiana, surgiu nos tempos coloniais uma outra forma incipiente de atividade marítima, representada pela navegação que atendia ao intercâmbio das fazendas, engenhos e cidades próximas. Esta navegação, praticada em embarcações de pequeno porte, ganhou desenvoltura principalmente no Recôncavo Baiano, na Região Amazônica e na baía de Guanabara.

A limitada atividade marítima desenvolvida ao longo da costa pouco ou nada contribuiu para o crescimento das cidades oceânicas brasileiras. Elas se mantiveram, desde fundadas até o despontar do século XX, mais como centros administrativos do que como centros marítimo-comerciais de vida própria. Com possível exceção de Recife, não surgiram espontaneamente de aglomerados de pescadores e marinheiros nos pontos mais favoráveis do litoral, mas sim como fruto de decisões tomadas na Metrópole, visando consolidar a posse da terra. Cresceram sem assumir a feição característica das cidades marítimas, de cais movimentados, estaleiros em atividade febril e todo um vasto círculo de empreendimentos voltados para as necessidades das frotas. Não proliferou no Rio, em Salvador, no Recife ou Belém uma classe numerosa com interesses de vulto no mar. O escoamento dos produtos coloniais, a imigração e o tráfico negreiro concorreram, sem dúvida, em certo grau, para a prosperidade dos portos brasileiros, mas sem lhes emprestarem o cunho próprio dos centros voltados para as empresas oceânicas. A alguns poucos armazéns e trapiches onde comerciantes reinóis e representantes da Coroa embarcavam café ou açúcar utilizando o braço escravo, a algumas pequenas oficinas de reparos navais, a diversos estaleiros para embarcações miúdas, às vezes a um arsenal de marinha, resumiam-se os recursos navais dos portos brasileiros. Nada, enfim, identificava as cidades atlânticas do Brasil com os tradicionais centros marítimos da Europa, a exemplo de Lisboa, Gênova, Veneza e Amsterdam. Não foi senão no século XX que o incremento do comércio exterior obrigou o Rio e sobretudo Santos a adquirirem características de cidades portuárias.

Em suma, até o século XIX a agricultura e a pecuária absorveram quase totalmente a população do Brasil, deixando ao comércio, à indústria e às demais atividades parcelas pequenas dos habitantes do país. No mar, os brasileiros foram pouco além da pesca rudimentar, próxima ao litoral, e da navegação de cabotagem. Essa situação se modificou em parte depois da Independência, principalmente nas últimas décadas, por força da evolução econômica sofrida pela nação, mas até hoje é o brasileiro um povo eminentemente continental, a maioria de seus filhos vivendo em ambiente rural e do solo tirando o sustento. Sob esse aspecto apenas alguns países como a China, a Índia, a Indonésia, o Egito e a Rússia apresentaram analogia. Com exceção do trigo consumido principalmente nas cidades, é dos campos do interior que provêm os produtos básicos da alimentação do homem brasileiros: a mandioca, o arroz, o feijão e a carne. O mar só é fonte importante de suprimento alimentar para os habitantes de determinadas regiões litorâneas e da Amazônia.

Portanto, como resultado de uma série de circunstâncias, predominantemente geográficas mas também históricas, políticas, econômicas e sociais, até hoje não se estabeleceram laços efetivos entre o mar e a nação brasileira."

Fonte: CAMINHA, João Carlos Gonçalves. História marítima. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1980, p. 253-258.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Pedreira do Cerro do Estado, Capão do Leão/RS

Capela Santa Luzia

Capela Santa Luzia

Casa de bombas

Máquina exposta na Praça Luís Carpter

Vista do horizonte de Capão do Leão

Ferraria

Ferraria

Galpões de oficinas da pedreira

Gruta Nossa Senhora de Lourdes

Antigos guindastes ferroviários

Guindastes

Locomotiva

Locomotiva

Mirante

Mirante

Vista do Vale do Capão do Leão

Panorama da Pedreira do Cerro do Estado

Paredões da pedreira no Cerro do Estado

Pedreira do Cerro do Estado

Antigas instalações

Santuário de Xangô Agodô - padroeiro africanista de Capão do Leão

Fotos realizadas em 05 de abril de 2018

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