sábado, 27 de junho de 2009

João Alfredo Cazaubon

João Alfredo Cazaubon e esposa


Em qua, 26/11/08, Joaquim Dias <sideral80@gmail.com> escreveu:
Prezado Senhor:


Terei prazer em fornecer as informações que possuo. Não tenho documentos ...vou tentar conseguir com primos e lhe enviar cópias. Tenho algumas fotos que ,oportunamente, lhe enviarei...não são muitas.


A chácara ocupava a área do atual loteamento e serviu para descanso,de meus avós, enquanto ele ainda trabalhava,depois moraram alguns anos ...até se transferirem,novamente para Rio Grande.


Quando Ele comprou a chácara quem ocupou (mais ou menos de 1944 a1954) forem meus pais com seus três filhos. Fui moradora por 10 anos. Sou Cazaubon por parte de mãe, e Arrieche por parte de pai.


Creio que o senhor deve ser bem jóvem, mas o pessoal antigo deve lembrar do Velho Gazaubon que era chefe do Trem que carregava pedra do Cerro para os Molhes da Barra e em Rio Grande, duas vezes por semana.


Vou viajar, após-o almoço e volto na próxima semana.


Não quis deixá-lo sem resposta, mas hoje estou com pouco tempo.


Até a próxima


Marisa




Mensagem da Sra. Marisa Arrieche, neta de João Francisco Cazaubon

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Breve Histórico do Capão do Leão



A localidade remonta a meados do século XVIII e surgiu, muito provavelmente, após o Tratado de Santo Ildefonso (1777), quando foram redefinidas as fronteiras do sul do Brasil e a Vila de Rio Grande retornou à posse lusa. A partir de então, se iniciou o processo de concessão de terras (sesmarias) na região. Nesta época, antes do fim do século, a área atual de Capão do Leão era conhecida como Serranías del Pabón ou Serranias do Pavão, fazendo parte do distrito de Cerro Pelado, ligado à Comandância Militar de Rio Grande, e compreendia cinco principais sesmarias: Pavão (que pertenceu ao Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira), São Thomé, Sant’Anna, das Pedras e do Padre Doutor. Nesta última foi erigido o Oratório de N.S. da Conceição – 1o. templo religioso da região, datado aproximadamente de 1790. Foi também na sesmaria do Padre Doutor (cujo nome era Pedro Pereira Fernandes de Mesquita) que viveu seu mais famoso sobrinho nos anos de sua infância e adolescência: o Jorn. Hipólito José da Costa – Patrono da Imprensa Brasileira. Outros sobrinhos do Pe. Doutor que viveram na estância e tiveram o tio como preceptor de estudos foram: Pe. Felício da Costa Pereira, um dos fundadores de Pelotas; e Saturnino da Costa Pereira, político influente durante o Império e que chegou à presidência da Província do Mato Grosso.
A primeira menção ao nome atual – Capão do Leão – aparece em 1809 e durante a maior parte do século XIX a localidade vai ser uma espécie de ponto de parada e descanso no caminho percorrido pelos tropeiros que traziam gado da Campanha Gaúcha até o núcleo charqueador de Pelotas. O oficial alemão Carl Seidler, em sua obra Dez Anos no Brasil , descreve sua estada em Capão do Leão em 1829, relatando alguns pormenores. Outros relatos aparecem em cartas da época farroupilha, inclusive, um registro de batalha campal no outono de 1836.
Em 1851, houve o princípio da colonização européia não-portuguesa na região e, na área de Capão do Leão, foi criada a Colônia Dom Pedro II – que recebera 300 colonos irlandeses. Apesar de não ter logrado êxito (não durou trinta anos), algumas das famílias permaneceram na localidade, o que pode ser verificado pelos sobrenomes de descendentes.
Após 188, com a instalação da ferrovia Rio Grande-Bagé, que justamente passa por Capão do Leão, a localidade vai tomar certo impulso rumo a uma crescente urbanização. A construção da Estação Ferroviária (1884) vai favorecer que o comércio de serviços e consumo desenvolva-se em torno da mesma. Além disso, a facilidade da ferrovia permitirá que Capão do Leão transforme-se em estação de veraneio para a elite de Pelotas. Excursões de trem, bailes e concertos ao ar livre e piqueniques ao redor de elegantes vivendas e solares de inspiração européia passaram a ser constantes. Os maiores símbolos da suntuosidade desta época romântica são as visitas: da Princesa Isabel e do Conde D’Eu em fevereiro de 1885; do poeta Olavo Bilac em 1916. Em 1893, a importância política e econômica do Capão do Leão já evidente, o converteu à condição de distrito de Pelotas.
No início do século XX, a fruticultura de clima temperado será outra atividade econômica de destaque e fator de progresso e crescimento à vila. Processo que tomou mais intensidade ainda com a instalação da Compagnie Française du Port du R.G.S., em 1909. Esta empresa explorou o granito existente nas pedreiras leonenses até 1914, com a finalidade da construção dos Molhes da Barra do Porto de Rio Grande. Logo após a saída da companhia francesa, as pedreiras do Cerro do Estado passaram a ser exploradas por uma companhia norte-americana, até serem emcampadas definitivamente pelo Estado do R.G.S. Não por acaso, o bloco de granito existente em Capão do Leão, com cerca de 4km de extensão é considerado o 2o. maior do planeta.
O tripé veraneio/fruticultura/pedras sustentou o desenvolvimento da Vila do Capão do Leão até aproximadamente a década de 1950. Desde então, a proximidade com o pólo regional de Pelotas converteu o lugar em foco de atração de migrantes. Novas áreas urbanas (Jardim América, Parque Fragata, etc.) foram sendo criadas e houve significativo acréscimo populacional. No campo econômico, o arroz, a soja, a pecuária leiteira e os frigoríficos despontaram como protagonistas, embora a atividade mineradora ainda permanecera importante. Em 1963, ocorreu a 1a. tentativa de emancipação do Capão do Leão, que fora fracassada. Somente em 1982, em novo processo emancipatório, surgia o município de Capão do Leão, separando-se de Pelotas.
Prefeitos:
· Elberto Madruga (1983-1985) – obs.: faleceu antes de completar o mandato.
· Getúlio Teixeira Victória (1985-1988) – obs.: vice-prefeito que assumiu após a morte de Madruga.
· Manoel Nei Neves (1989-1992)
· Getúlio Teixeira Victória (1993-1996)
· Manoel Nei Neves (1997-2000)
· Vilmar Motta Schmitt (2001-2004; 2005-2008)
· João Serafim Quevedo (atual)
Artigo originalmente publicado na edição 144 do Jornal Tradição, em maio de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Igreja do Salvador em Rio Grande

O terreno onde hoje está localizada a Igreja do Salvador, foi negociado em 28 de março de 1899, ao preço de 1 conto, seiscentos e setenta mil réis, medindo 29,40 metros pela rua General Vitorino e 42,24 metros, pela General Neto. Então, neste solo arenoso foram colocadas pedras sobre pedras até a total edificação do templo, que durou dois anos, sendo esse material trazido do Capão do Leão. As janelas de ferro galvanizado, foram confeccionadas na Inglaterra; os caibros e madeiramentos de louro, assim como o vigamento em angico e grapiapunha, vieram de Santa Maria. A iluminação, que na época era a gás, estava distribuída em 22 arandelas. Os vitrais que embelezam de maneira especial as aberturas do templo, foram doados por tradicionais famílias dessa igreja e confeccionados na Alemanha. Além disso, um grande painel encenando "Cristo sobre as águas" é de azulejo português.A inauguração da Igreja do Salvador ocorreu em 8 de agosto de 1901, tendo ela estilo gótico lembrando uma cruz latina. Um patrimônio histórico, cultural e religioso que em 2007 comemorou duas datas significativas: 116 anos da chegada dos primeiros missionários americanos a cidade do Rio Grande e 106 de fundação de seu templo.O atual pároco da Igreja do Salvador é o reverendo Edson Mattos da Rosa, um engenheiro agrônomo que abriu mão de sua profissão, em favor do trabalho evangélico junto a Igreja Episcopal Anglicana. Ele descende de uma tradicional família dessa confissão religiosa, a contar de seu bisavô. Um teólogo comprometido com a fé cristã e amor ao próximo.
Fonte de Pesquisa - A Igreja Militante - reverendo Nataniel Duval da Silva.

Molhes da Barra de Rio Grande


Os molhes do Cassino foram construídos entre 1911 e 1919 pela Compagnie Française Du Port de Rio Grande, um consórcio constituído exclusivamente com esse objetivo. Os paredões foram feitos com blocos de pedra de até dez toneladas, levadas de Capão do Leão, a 90 quilômetros do Porto de Rio Grande.O molhe oeste, no Cassino -- um balneário que é distrito de Rio Grande --, tem 3.160 metros de extensão. O leste, no município São José do Norte, tem 4.220 metros. Os paredões foram feitos com blocos de pedras de até 10 toneladas, lançadas umas sobre as outras com guindastes. Esses blocos foram levados de Capão do Leão porque, na região do porto. não existem pedreiras. Eles eram embarcados em ferrovia e dessa forma seguiam até os dois braços de pedra que avançam mar a dentro. A obra empregou em seu pico cerca de 4 mil operários e consumiu, até 1919, 4 milhões e 500 mil toneladas de rochas.Os trilhos que serviram para a movimentação das pedras foram preservados na área dos molhes e, atualmente, servem para o turismo. Ali podem ser feitos passeios de vagonetas, uma das principais atrações do balneário do Cassino durante os períodos de veraneio.Os dois molhes estão situados um de cada lado do canal de acesso ao Porto de Rio Grande, uma faixa de 14 quilômetros de extensão por 200 metros de largura, também utilizada para ligar os portos fluviais de Porto Alegre e Pelotas com o Atlântico.Os molhes fixam a barra do canal e o protegem da ação das ondas e do assoreamento natural, garantindo a navegação em condições seguras.Durante sete décadas essa enorme estrutura de pedras não teve qualquer manutenção ou conservação e, durante as décadas de 80 e 90 começaram a surgir sérios problemas. O molhe leste cedeu em vários pontos e a areia movimentada pelas águas do mar começou a invadir o canal, colocando em risco a navegação.Diante disso iniciou-se em 1995 a recuperação dos molhes, uma obra de aproximadamente 140 milhões de dólares que deve estar concluída até 1999. Quando isso ocorrer, terão sido lançadas ao mar exatamente 450 mil toneladas de pedras e 106 mil toneladas de tetrópodes (blocos de concreto produzidos em formas de aço) nos 4.220 metros do molhe leste.

Fonte: http://proea-prg.blogspot.com/2008/11/os-molhes-do-cassino-foram-construdos.html

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Quem eram os primeiros habitantes do Capão do Leão?

Índio Minuano


Guarani missioneiro (mesmo grupo dos tapes da bacia da Lagoa Mirim)

Antes da colonização portuguesa no século XVIII, dois grupos indígenas ocupavam a área do atual território do município. Próximo ao São Gonçalo, nas várzeas e banhados do Pavão, nos terrenos arenosos do Arroio Fragata e às margens do Piratini – isto é, na porção oriental do Capão do Leão – havia pequenos grupos de MINUANOS. Estes eram índios de estatura baixa, porte corpulento e face sanguínea, comuns na bacia da Lagoa Mirim. Não há registros documentais de sua presença, porém achados arqueológicos comprovam que estiveram por aqui. Os minuanos pertenciam ao grupo pampeano, no qual se incluíam também os charruas e chanás.
O outro grupo indígena era o TAPE. Os índios tapes abundavam na região, fato verificado pela serra que recebe seu nome. Desde o Arroio Itaita, passando pelo Passo das Pedras, nas elevações do Descanso e das Almas, pela Hidráulica e por nossa zona-sede, estes índios viviam de modo seminômade, sobrevivendo da caça e da coleta e de uma incipiente agricultura. Seguramente muitos leonenses de nossa época são descendentes de tapes. Ao contrário dos minuanos, os tapes (que também eram chamados de arachanes) pertenciam ao grupo guarani, mais comum no Brasil, principalmente no litoral. Aliás, o grupo guarani foi aquele que mais influenciou culturalmente a nação brasileira. O hábito de tomar banho, o consumo do aipim, a cestaria, lendas e palavras, entre outras coisas, são uma herança guarani. Não por acaso, a própria palavra CAPÃO é de origem guarani.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Zoólitos descobertos em Capão do Leão

Zoólito em forma de pomba





Quatro diferentes fotografias do mesmo zoólito em forma de tubarão
Embora algumas fontes não citem o Capão do Leão como local das descobertas, foi em nosso município que os mesmos foram achados. Para mais informações:http://to.plugin.com.br/jag-cerritos.htm

A Lenda do Nhandu-Tatá


Tem o nosso nhandú ainda um representante no mundo imaginário do Paraguai e Missões, originalmente povoadas por guaranis. É roxo, de fogo. Nos cerros e outros lugares levanta a cabeça sacudindo as asas. Chamam-no nhandú-tatá (avestruz de fogo) ou nhandú puitá, guarda e ministro dos tesouros naturais, ou se não estão escondidos, esconde-os no solo entre penhascos. Mito este em que se transforma a mente vulgar certa classe de fenômenos ígneos, produzidos por processos químicos, que devem-se atribuir a causas psíquicas acidentais próprias de certas paragens.Parece quase que o nosso boitatá não é senão o nhandú-tatú dos argentinos. O boitatá, para uns é só fogo factuo como para Anchieta, que o deriva do termo tupi mba-tatá, que significa coisa fogo. A outros o derivam de mboi-tatá, é uma cobra de fogo e em algumas regiões do Brasil, aparece como gênio protetor dos campos contra incendiários. Outros escritores opinam, que a serpente de fogo é quem protege os bosques. Ao erudito autor de Granada parece algo retórica a origem serpentina, não podendo compreender como uma víbora, morta nas chamas de um bosque incendiado, pode ser precisamente o poder vingativo das árvores destruídas, como querem alguns autores mencionados.
Extraído do link:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendanhandu.html

O nhandu tatá ou avestruz de fogo, de origem guarani, que misteriosamente aparecia no alto das cochilhas e cerros, era considerado sinal infalível de tesouros enterrados. Até hoje na campanha do Rio Grande, um ovo guacho, ou perdido, de avestruz, muitas vezes é guardado cuidadosamente, pois dá sorte e protege o feliz achador contra toda sorte de males.

Extraído do link:
http://www.crestani.hpg.com.br/gaucho/guiadofolcloregaucho_A.htm
De acordo com informações colhidas no "Levantamento do Folclore em Pelotas" (manuscrito/mimeografia de 1982, sem indicação de autor ou local de produção), o "Nhandu-Tatá", ligado ao Arroio Teodósio (São Thomé), veja link: http://capaodoleaohistoriaecultura.blogspot.com/2009/03/um-conto-sobre-o-capao-do-leao-antigo.html, seria a alma de um índio tape morto, que passou a assombrar aquele local. Conforme os relatos, no tempo das sesmarias, o índio "Nhandu", que recebera este nome justamente por ser exímio corredor tal como aquela ave (ema), foi morto em fuga por um bando de portugueses que o caçavam. O índio "Nhandu" era peão num potreiro que existia à margem meridional do Rio Piratini. Tendo sido acusado injustamente de ter roubado alguns cavalos do patrão, pôs-se em fuga para o Capão do Leão, mas acabou sendo pego quando iria cruzar o arroio São Thomé. O relato inclui ainda a existência de um tesouro e a notícia de um homem, chamado Pedro Fernandes, que teria morrido louco com a visão fantasmagórica do índio.
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