segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Carne de Onça

 



CARNE DE ONÇA

2 porções

15 minutos

Fácil

* 300 g de coxão mole moído

* 1 xícara (chá) de cebola roxa picada

* 1 colher (sopa) de mostarda escura, mais um pouco para servir

* Suco de 1 limão

* Molho de pimenta

* 1 gema

* Azeite de oliva

* 2 fatias de pão preto

* 1/2 xícara (chá) de cebolinha-verde


Junte a carne, sal, metade da cebola, a mostarda, o suco de limão, algumas gotas de molho de pimenta, a gema e um fio de azeite. Misture até ficar uniforme. Aqueça o pão no forno 180 graus centígrados, por 2 minutos, até a borda firmar. Distribua a carne sobre o pão e cubra com a cebola restante e a cebolinha-verde. Sirva com mostarda escura.

ESMIUÇANDO

A receita surgiu no restaurante curitibano Embaixador, na década de 1950, e então ganhou os botecos até virar patrimônio imaterial da cidade. Quando pesquisei a origem do petisco, ouvi várias versões. Uma delas é a história de que, um belo dia, a onça que andava passeando pelas fazendas da região havia aparecido morta - ao mesmo tempo em que surgia o tira-gosto, para escândalo de todos na cidade. Outra versão, menos fantasiosa e mais provável, diz que, por vir carregada de ervas e cebola crua, a receita é responsável por provocar um forte "bafo da onça".

Fonte: INSTITUTO BRASIL A GOSTO. Básico: Enciclopédia de receitas do Brasil. São Paulo: Melhortamentos, 1a. ed., 2017, págs. 39-40.

domingo, 28 de agosto de 2022

Boleadeira

 



A boleadeira (bolas) é um aperfeiçoamento da pedra de arremessar, formada por dois ou mais pesos (geralmente bolas de pedra dura e densa) atados a uma corda. Foi usada pelos indígenas das Américas desde a Pré-História, mais notadamente pelos incas, que a chamavam liwi e também por mapuches, charruas e patagões, que as usaram contra a cavalaria dos espanhóis. A avestruzeira ou nhanduzeira (chamada chumé o tálakgáp'n pelos tehuelches da Patagônia) tem duas bolas e é usada para caçar emas emaranhando-se no seu pescoço. Com três pesos, é chamada três-marias ou potreira (yachiko para os tehuelches), usada para prender-se nas pernas de animais maiores, como touros e cavalos. Gaúchos tradicionalmente levavam uma nhanduzeira à cintura e uma potreira à bandoleira. Geralmente são armadas com cordas de 1,5 a 2 metros e as bolas são de pesos diferentes, para se separarem no voo. O alcance é de 30 metros.

Os inuits ou esquimós usavam uma variedade chamada kalumiktun ou kilumitutit, com quatro a oito "bolas" (nesse caso, geralmente pedaços de osso), para apanhar aves no voo: era segurada no centro, girada horizontalmente sobre a cabeça e lançada contra uma revoada de pássaros. Os maoris usaram uma arma semelhante, chamada poa ou poi.

Fonte: COSTA, Antonio Luiz M.C. Armas Brancas - Lanças, espadas, maças e flechas: Como lutar sem pólvora da Pré-História ao século XXI. São Paulo: Draco, 2015, pág. 143.

sábado, 27 de agosto de 2022

Mulheres na Revolução Farroupilha

 



"Nos registros dos escritores do século XIX, entretanto, a participação das mulheres não aparece quando o assunto é a Revolução Farroupilha (1835-1845). Contudo, hoje se sabe que as mulheres se fizeram presentes também neste movimento político radical, que propunha a ruptura com o Império brasileiro e a proclamação da República. Algumas poetisas do Rio Grande do Sul, por exemplo, tomaram partido durante a Farroupilha. De acordo com as fontes que chegaram até nós, a maioria das escritoras declarou-se a favor da Monarquia, a começar pela poetisa Delfina Benigna da Cunha (1791-1857), que dedicou poemas elogiosos ao imperador, tendo recebido mais tarde uma pensão do governo como retribuição por seu trabalho. Maria Josefa Barreto (1780-1837), fundadora de dois jornais, manifestou-se fortemente contra o revolucionário Bento Gonçalves. Ana Eurídice Baranda (1806-1866?) publicou o panfleto Diálogos (1836) em defesa da participação política das mulheres e como causadores dos maiores males. A favor dos farroupilhas encontramos Maria Josefa da Fontoura Palmeiro, que acabou sendo desterrada por ter espalhado, em Porto Alegre, conclamas dos rebelados e por ter levado pessoalmente informações a Bento Gonçalves durante o conflito. Duas esposas de líderes farroupilhas também tiveram papel relevante no movimento: Bernardina Barcellos de Almeida, casada com Domingos José de Almeida, e Clarinda Porto de Fontoura, casada com Antônio Vicente da Fontoura. Nas cartas trocadas entre os cônjuges, fica nítido o interesse das mulheres pela conjuntura política, a troca de ideias entre elas e os maridos e as opiniões que manifestavam a pedido deles. Tais evidências contribuem para relativizar a imagem de sinhazinhas frágeis e desinteressadas das coisas públicas, marcadas pela educação tradicional e caladas por conta da repressão dos pais e maridos.

Fonte: PINSKY, Carla Bassanezi & PEDRO, Joana Maria (orgs.). Nova História das mulheres no Brasil.  São Paulo: Contexto, 2013, pág. 98.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Ex-escravizado africano em Pelotas em 1906


 Pai Simão - ex-escravizado africano na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, no ano de 1906, na ocasião em que já tinha passado dos cem anos de idade. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

A estrutura de um exército medieval



 Gregos, romanos, persas e mongóis tiveram suas próprias estruturas de comando militares, mas na Europa Ocidental elas desapareceram no início da Idade Média, quando os grandes exércitos organizados cederam lugar a grupos de cavaleiros informais e pouco disciplinados (salvo nas ordens religiosas militares), organizados com base na vassalagem feudal e complementados por mercenários e conscritos plebeus, que complementavam a cavalaria com tropas de arqueiros e lanceiros.

Na Baixa Idade Média, as forças de um rei medieval eram comandadas por um condestável-mor (high constable em inglês), chefe de cavalaria e dos condestáveis locais (comandantes de castelos e fortalezas) e era auxiliados por um marechal de campo (field marshall), chefe de logística e organizados dos acampamentos.

As tropas de campo eram formadas por senhores feudais, que eram obrigados a servir militarmente o rei por um período limitado (geralmente 40 dias) por ano. Cada senhor feudal de importância ("senhor de pendão e caldeira", como se dizia em Portugal) era o capitão (captain) de sua companhia (grupo de cavaleiros e soldados que acampavam e comiam juntos) e tinha como subordinados diretos um ou mais lugares-tenentes (lieutenants), que o representavam e serviam como auxiliares diretos ou comandavam seções da companhia, chamadas lanças, cada uma com um líder ou "cavaleiro abandeirado", seguido por quatro a dez cavaleiros, apoiados por escudeiros, pagens, besteiros, arqueiros e cutileiros. Além disso, podia ter como subordinado um alferes ou porta-bandeira (ensign) para comandar a infantaria, formada por lanceiros.

Os oficiais escolhiam por sua conta, entre artesãos plebeus, especialistas de vários tipos, e recrutavam, geralmente entre camponeses, os praças, assim chamados em português por guarnecerem as praças de guerra (castelos e fortalezas), ou "praças de pré" por receberem "prés", ou seja, pagamentos adiantados por uma temporada de até três meses (do francês prêt, "empréstimo" ou, neste caso, "adiantamento").

Praças de pré (privates) eram organizados em pequenos grupos chamados "esquadras", cada um sob o comando de um cabo de esquadra (caporal), assistido por veteranos chamados anspeçadas (lancepesade ou lance, do italiano lancia spezzate, "lança partida", por terem quebrado lanças em sua carreira). Depois de anos de experiência, um cabo de esquadra podia se tornar um sargento (sergeant), servidor direto de um oficial no recrutamento de pessoal, operações e logística, possivelmente possuindo seu próprio cavalo e armadura, embora de qualidade inferior à dos oficiais cavaleiros.

Fonte: COSTA, Antonio Luiz M.C. Títulos de Nobreza e Hierarquias: um guia sobre as graduações sociais na história. São Paulo: Draco, 2014, págs. 235-236.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Pautametal

 



Um dos novos e criativos grupos musicais surgidos em Caxias nos últimos anos, o Pautametal, apresenta-se ao público caxiense e turistas amanhã, às 18h30min, no auditório dos pavilhões da Festa da Uva. A apresentação faz parte da programação cultural da Festa da Uva, que destaca para amanhã, também, o espetáculo de dança "Raça Brasil", pela Academia Be Bop.

Formado por Édson Neves (vocal, flauta e percussão), Paulo Bossa (bandolim, guitarra e vocal), Fernando Brancher (bateria e percussão), Antônio Corrêa (violão, vocal) e Mauro Oliveira (baixo), o Pautametal é conseqüência direta da realização das Baladas da Composição da Escola Cristóvão de Mendoza.

Três integrantes do grupo fizeram sua primeira exibição pública na Balada de 78, formando então o Cavalo Doido. Com esse grupo, Bossa, Brancher, Corrêa e mais César Benitez conquistaram dois segundos lugares, em 78 e 79.

Após a saída de Benitez, os três ganham um novo companheiro: Édson Neves. Explica Bossa: "O grupo precisava de um vocal, para que o resto do pessoal pudesse se dedicar aos instrumentos". Com nova formação (além de Neves, entra também Mauro Oliveira) era necessário, também, uma nova denominação. Daí, surgiu o Pautametal, nome inspirado na adaptação de versos do poeta Cassiano Ricardo, escolhido de uma lista de 50 nomes. Pautametal traduzia com maior exatidão a proposta dos cinco jovens, "Cavalo Doido era muito Neil Young, que fazia uma música muito diferente da nossa", diz Edson Neves.

A preocupação básica do Pautametal é buscar uma coisa nova. "A gente faz uma música muito lírica, que às vezes tem inspiração renascentista, às vezes puxa para o rock clássico. Não dá muito para definir", acrescenta Bossa.

Uma provável síntese de todos os gêneros que gostam e ouvem os integrantes, a música do Pautametal tem pelo menos quatro influências mais perceptíveis, segundo os próprios: "No plano internacional, é Gênesis e Yes e, no nacional, Milton Nascimento e Beto Guedes".

Apresentação

A exibição do Pautametal amanhã, na Festa da Uva, incluirá 11 músicas do grupo caxiense. Quatro delas são inéditas e as restantes já foram apresentadas anteriormente, nos inúmeros shows beneficentes de que participou.

Esta será a primeira apresentação a nível profissional do grupo. Até aqui, foram somente espetáculos beneficentes. "Todo mundo leva dinheiro, menos nós, que acabávamos tendo que desembolsar algum para pagar as despesas", afirma Edson.

Mas os problemas, ao que parece, não terminaram ainda, apesar do Pautametal ter adquirido um certo "status" entre os grupos musicais caxienses, chegando até a apresentar-se no Auditório da Assembléia Legislativa ao lado de conjuntos como o Saracura e Inconsciente Coletivo (o show, claro, também tinha caráter beneficente).

E esses problemas dizem respeito novamente à remuneração dos músicos que, afinal, pretendem levar a adiante um trabalho sério e profissional. Acontece que, até agora, os integrantes do Pautametal não tiveram a confirmação de que vão receber o cachê previamente combinado com a comissão cultural da Festa da Uva (30 mil cruzeiros).

Enquanto paira no ar a incerteza, crescem as preocupações, pois até mesmo a aparelhagem prometida, em acerto verbal, será por conta do grupo. "Estamos correndo atrás de equipamento de som. Até mesmo os microfones que arrumaram são em número insuficiente. "No final das contas" - diz Édson - "a gente acaba desanimando, é muita promessa e pouca agilidade. Parece assim que a gente vai tocar por um favor".

De qualquer maneira - como sempre acontece nessas ocasiões - até a hora do espetáculo tudo deverá estar ajeitado. E então Paulo, Fernando, Édson, Antônio e Mauro poderão mostrar suas músicas, arduamente ensaiadas diariamente há um mês.

A apresentação vai abrir com um instrumental, que está se tornando característica do grupo: "Pautametal I", segue com "Nascente", "Catedral", "Canção Que Veio de uma Estrela", "Delírio", "Sentarnardy", "Crepúsculo do Antigo Mundo", "Sentinela da Vida" e "Maria Olhos Negros".

Fonte: O PIONEIRO (Caxias do Sul/RS), 07 de Março de 1981, pág. 19

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