sábado, 14 de dezembro de 2019

Juscelino Kubitschek em Pelotas em 1959


O presidente da República na ocasião, Juscelino Kubitschek de Oliveira, em visita a Pelotas no ano de 1959, quando saboreou um arroz-doce ofertado pelas autoridades locais.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Ataque em Caçapava


"ASSASSINATO EM CAÇAPAVA

UM CRIME IMPUNE

Ha dois mezes, mais ou menos, no municipio de Caçapava, um moço, cujo nome não pudemos saber, porém que é neto da sra. Maria Antonia de Magalhães, centenaria, foi atacado, estando a cavallo, por um parente e dois capangas, que lhe fizeram uma descarga de tiros de pistola.

O moço, atilado, de grandes expedientes, conhecendo o perigo, atirou-se ao chão, como morto, apezar de não haver recebido um unico ferimento.

Os bandidos apearam-se a distancia, e um d'elles, aproximando-se do moço, examinou se elle estava realmente morto.

O exame constou de um grande lançasso sobre uma das côxas do fingido morto, que o supportou heroicamente.

Não deu o menor signal de vida.

O bandido, julgando-o assassinado devêras, foi ter com os companheiros, aos quaes scientificou do que havia feito.

Apenas vio-se fóra do alcance dos malvados, o pobre moço levantou-se, montou a cavallo e gritou para elles:

- Hei de mostrar a vocês como se mata um homem!

E cerrou perna no cavallo.

Os quatro malevolos ficaram estupefactos!"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 27 de Maio de 1885, pág. 01, col. 05

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Primitivos colonos de Novo Hamburgo - Parte 02


Observação: relação incompleta de colonos alemães estabelecidos antes de 1850 nas picadas Costa da Serra e Estância Velha (denominada genericamente em crônicas setecentistas de "Campo Ocidental"), na região de Lomba Grande (parte das terras da Feitoria Velha, chamada anteriormente Sendente).

Segue a lista com o nome do colono e família (quando houver) e o ano da chegada no Rio dos Sinos (São Leopoldo). 

É uma adaptação para melhor visualização dos leitores do blog.

51. Jacob Dick, esposa e 05 filhos, chegou em 1826.

52. Jacob Diefenthäler, esposa e 07 filhos, chegou em 1826.

53. João Diefenbach, esposa e 05 filhos, chegou em 1826.

54. Felipe Dick, esposa e 02 filhos, chegou em 1827.

55. Felipe Pedro Damiam, esposa e 06 filhos, chegou em 1827.

56. João Mathias Dillemburg, esposa e 06 filhos, chegou em 1828.

57. Nicolau Dietrich, esposa e 03 filhos, chegou em 1828.

58. João Miguel Droescher, chegou em 1829.

59. João Frederico Dreyer, chegou em 1829.

60. João Dietrich, chegou em 1829.

61. Jacob Dienstmann, chegou após 1829.

62. Felipe Deuner, chegou após 1829.

63. João Dieter, chegou após 1829.

64. Henrique Dahmer, chegou após 1829.

65. João Ignacio Ehlers, chegou em 1824.

66. João Emrich, chegou em 1825.

67. Theobaldo Ermel, chegou em 1826.

68. Frederico Engel, esposa e 03 filhos, chegou em 1826.

69. Felipe Einsfeld, e esposa, chegou em 1826.

70. Henrique Einsfeld, chegou em 1826.

71. Felipe Ebling, esposa e 06 filhos, chegou em 1826.

72. João Englert, chegou em 1826.

73. João Endres, chegou em 1826.

74. Henrique Engelmann, chegou em 1826.

75. Jacob Ekhard, esposa e 03 filhos, chegou em 1827.

76. Carlos Eltz, esposa e 05 filhos, chegou em 1829.

77. Carlos Ely, sem indicação precisa do ano.

78. Pedro Ely, sem indicação precisa do ano.

79. Pedro Ely, sem indicação precisa do ano.

80. Nicolau Ely, sem indicação precisa do ano.

81. João Ely, sem indicação precisa do ano.

82. Jacó Elwanger, chegou antes de 1845.

83. Carlos Roberto Eismann, chegou antes de 1845.

84. Felipe Eltz, chegou antes de 1845.

85. João Adão Franke, esposa e 05 filhos, chegou em 1825.

86. Jacob Fucks, sem indicação precisa do ano.

87. Abraham Frank, esposa e 02 filhos, sem indicação precisa do ano.

88. João Friedrich, esposa e 02 filhos, sem indicação precisa do ano.

89. José Friedrich, esposa e 02 filhos, sem indicação precisa do ano.

90. Guilherme Feller, esposa e 01 filho, sem indicação precisa do ano.

91. Nicolau Fleck, esposa e 04 filhos, sem indicação precisa do ano.

92. Pedro Fries, esposa e 02 filhos, sem indicação precisa do ano.

93. Felippe Fauth, esposa e 05 filhos, chegou em 1827.

94. Fritzen, sem indicação precisa do ano.

95. Mathias Feltes, esposa e 06 filhos, chegou em 1828.

96. João Fröhlich, chegou em 1829.

97. Mathias Fröhlich, chegou em 1829.

98. Jorge Fröhlich, chegou em 1829.

99. Frederico Fröhlich, chegou em 1829.

100. Franzmann, chegou após 1829.


Fonte adaptada: PETRY, Leopoldo. Nôvo Hamburgo: florescente município do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo: Editora Rotermund & Cia., 4a. edição, 1963, pág. 30-31.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Crime horroroso em Carrancas


"Crime horroroso

Lynchamento

Sob este titulo refere a Gazeta Mineira, de S. João d'El-Rei, em dias de dezembro findo:

'O arraial de Carrancas, pertencente á comarca do Turvo e distante d'aqui 12 leguas apenas, acaba de ser theatro de scenas horripilantes, quaes nos descrevem a ardente e phantasia dos mais imagionosos romancistas.

Fortemente impressionados vamos narral-as pallidamente, obedecendo a informações merecedoras de conceito, que conseguimos cuidadosamente colher.

As chuvas, que cairam torrenciaes no correr de quasi toda semana que passou, haviam detido no pequeno povoado de Carrancas, até o dia 10 do corrente, a maior parte dos fazendeiros que, dos arredores e dos districtos mais proximos, ahi tinham ido com suas familias para assistir as festas celebradas em honra da Senhora da Conceição.

Na noite d'esse dia organizaram as netas do venerando sr. tenente-coronel Antonio Francisco de Souza Andrade magnifico saráo, para o qual convidaram as mais importantes e estimadas familias, que ainda se achavam no arraial.

Os salões encheram-se n'um momento, e as danças romperam alegres e animadissimas.

Terminára a segunda quadrilha; damas e cavalheiros procuravam descanço no salão do baile, ou espalhavam-se pelas dependencias do vasto predio.

D. Maria das Dores Garcia, estimada e adoravel donzella, appellidade Moça, enlaça duas de suas amigas mais intimas, entre as quaes passeia descuidosa pelo salão, na mais doce e aconchegada palestra, quando de um dos cantos parte como um raio em direcção a ellas um individuo de olhar sinistro e physionomia decomposta, o qual saca de enorme faca e vibra-a, pelas costas, sobre a que estava ao lado de dereito da Moça; ferea-a superficialmente, e rapido recua o braço para enterrar a arma homicida inteira nas costas de d. Maria das Dores, que cáe fulminada, não tendo tido tempo de, ao menos, olhar de quem partira o golpe.

Em seu odio e desvairamento o feroz assassino quasi victimou outra que seu furor não visava: a esposa do sr. Francisco de Paula Teixeira, a qual, como referimos, apenas foi tocada pela arma do miseravel.

Morta que foi a Moça, deu o assassino evidentes mostras de que procurava novas victimas; e o primeiro conviva, que pretendeu detel-o, caiu tambem gravemente ferido na região abdominal.

Com a faca alçada e gottejando sangue, tentou o monstro penetrar as dependencias internas da casas, afim de perseguir outras pessoas.

Em um corredor tentou embargar-lhe a passagem o tenente-coronel Antonio Francisco que, ameaçado de morte, teve que recuar.

Mais adiante um filho do tenente-coronel, empunhando uma tranca de janella, cercou o assassino, e, conseguindo evitar o golpe que lhe era dirigido, deu-lhe uma pancada na cabeça, atordoando o criminoso, que assim pôde ser desarmado, mas que ainda empregou grande resistencia, quando lhe applicavam cordas aos pés e ás mãos.

Toda esta scena horrivel não durou mais de tres minutos.

A indignação de todos os convivas foi tal, que ficou logo determinado queimar-se vivo o malvado, para o que lhe embeberam as roupas em kerozene.

O tenente-coronel Antonio Francisco e alguns outros obstaram tão terrivel vingança, ficando assentada levar-se, no dia seguinte, a féra para a cidade do Turvo, a cujas auctoridades seria entregue.

Durante a noite o assassino, sem mostrar o menor arrependimento, declarou que esperára, em caminho do arraial, d. Maria das Dores Garcia, com o fim de raptal-a, matando, para isso, a mãi e um irmão que com esta viajavam, e ella propria, caso recusasse acompanhal-o; que, vendo mallogrado seu plano sinistro, por terem os tres viajores tomado estrada diversa, resolvera assassinal-a no baile, e ahi matar-lhe tambem a mãi, irmãos e mais quatro pessoas extranhas á familia, sendo um d'estes o noivo da victima principal.

Disse mais que havia de evadir-se da cadêa do Turvo para vir completar sua nefanda obra, que apenas ficára em inicio, e, caso não pudesse fazel-o, já estava satisfeito, porquanto Maria das Dores não fôra sua esposa, mas não seria de outro.

Além d'isso levou o resto da noite a cantar, com voz forte e bem timbrada, diversas cançonetas brejeiras em idioma hespanhol.

Tudo isto produziu tal colera na povoação, que, ás 6 horas da manhã de 11, o scelerado foi conduzido para a praça unica do arraial, onde foi lynchado por cerca de 500 pessoas, a tiros de bala, que se lhe crivaram por todo o corpo, ficando a cabeça completamente esmigalhada.

O cadaver foi, em seguida, arrastado pelas ruas do povoado, e depois atirado a um buraco da serra em que assenta Carrancas.

Paulino, chamava-se o assassino, e era natural do Rio da Prata.

Ha dez mezes aggregou-se elle aqui á tropa do tenente-coronel Antonio Francisco de Souza Andrade, que viera trazer generos ao nosso mercado.

Chegado a Carrancas, apresentou-se ao tenente-coronel, pedindo-lhe occupação e referindo-lhe que, com mais nove companheiros, embarcára para o Rio de Janeiro, afim de ahi ganharem a vida: que, em poucos dias, a febre amarella victimou os nove, pondo-o aterrado ao ponto de internar-se em Minas, deixando na capital federal toda a roupa, passaporte, papeis, tudo emfim que possuia.

Informado de que Paulino era perito em lidar com animaes e em amansal-os com presteza e habilidade, acolheu-o o tenente-coronel Antonio Francisco, como seu empregado.

Em pouco tempo, justificou o aventureiro por tal fórma a sua competencia, que muitos outros fazendeiros começaram a utilisar-se de seus serviços profissionaes, passando elle logo a ser conhecido por Paulino Peão, denominação por aqui dada aos domadores de animaes chucros.

Ao mesmo tempo ganhava Paulino confiança e mesmo estima geral, já pela correcção de seu procedimento, já por certa civilisação que patenteava, já pelo seu genio jovial e affavel.

Ha pouco tempo atreveu-se o Argenino, como tambem o chamavam, a manifestar paixão amorosa pela Moça, chegando a solicitar-lhe a mão de esposa, que lhe foi peremptoriamente recusada.

A assassinada era filha da respeitavel viuva d. Maria Magdalena das Dôres e sobrinha dos importantes e estimados fazendeiros srs. Jeronymo, Vicente e Jorge Ribeiro das Dôres, com quem mantemos honrosas relações de amizade, e que são aqui muito bemquistos e considerados.

A desventurada donzella gosava de immensa estima pela sua extrema bondade, philantropia e austeridade de caracter.

Estava, disse-nos, contractada para casar-se com estimavel moço, o qual achava-se tambem no saráo, pertencendo ao numero dos que o scelerado pretendia anniquilar.

✤✤✤✤✤

Iamos deixando de referir o modo por que o assassino introduziu-se no salão do baile, o que vamos fazer, para assim concluir a narração d'esta tremenda tragedia de sangue.

Distraídos, como se achavam todos, com a dança da segunda quadrilha, que estava a terminar, como dissemos em principio, ninguem deu pela entrada de Paulino que, penetrando sorrateiramente no salão, dirigiu-se a um filho do tenente-coronel Antonio Francisco, moço que estava tocando na orchestra.

Reprehendido por causa de tal procedimento, pretextou Paulino que entrára para pedir-lhe uma pequena quantia de que necessitava urgentemente, e accrescentou que se retiraria immediatamente.

Recebida a quantia solicitada, o assassino, que só quizera ganhar tempo para esperar a terminação da quadrilha, desabotoou o casaco, e, fingindo movimento de quem ia depositar o dinheiro no bolso interno, sacou da faca com que investiu contra sua primeira victima, que, n'esse instante, caminhava dando-lhe as costas.

E aqui depomos a penna, dolorosamente impressionados por crime de tamanha ferocidade e pelo acto desesperado de summaria justiça que o povo, em justa colera, praticou contra o atrevido, infame e deshumano assassino."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 05 de Janeiro de 1893, pág. 01, col. 03-04

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Histórico do Município de São Sebastião do Caí/RS


"O Município de São Sebastião do Caí, fundado em 1o. de maio de 1875 é um dos mais antigos municípios do estado. Foi fundado por portugueses e colonizado por alemães.

Antônio José da Silva Guimarães, pertencente a tradicional família portuguesa ramificada em todo o Brasil, por volta de 1850, adquiriu grande porção de terras de Francisco Mateus, situada a margem esquerda do Rio Caí, onde havia embarcadouro que os moradores do lugar chamavam de Porto do Mateus, por ser este o primeiro proprietário. Passou a denominar-se Porto dos Guimarães. Foram estes os primeiros nomes da localidade que viria a ser sede do município.

A sede da freguesia era São José do Hortêncio e foi transferida para o Porto do Guimarães que já estava bastante desenvolvido e por isso era necessário a construção de uma nova sede paroquial.

Antônio Guimarães doou à Paróquia, para a construção da Matriz, alguns terrenos no melhor ponto da localidade. Doou também uma área de terras para a praça, que depois tornou-se propriedade do município.

O PAÇO MUNICIPAL

O Município de São Sebastião do Caí foi criado pela Lei no. 995 de 1o. de Maio de 1875.

Em 25 de novembro de 1875, foi empossada a 1a. Câmara Municipal, pelo Presidente da Câmara de São Leopoldo, município do qual São Sebastião do Caí foi desmembrado.

Em 25 de janeiro de 1877 o funcionamento da Câmara foi suspenso pelo Presidente da Província, por ter sido anulada a eleição. Somente três meses depois a Câmara voltou a funcionar, conforme ata lavrada em 1o. de Maio de 1877.

LOCALIZAÇÃO

São Sebastião do Caí está localizado nas margens da rodovia RS 122, uma via de ligação entre a Capital e a Serra, a apenas 60 km de Porto Alegre, no Vale do Rio Caí. A ligação com a capital gaúcha é feita através de uma rodovia asfaltada, com pista dupla.

A 60 Km estão as cidades de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Farroupilha. A 100 km estão as cidades de Gramado e Canela. A 30 km estão as cidades do Vale dos Sinos, como Novo Hamburgo e São Leopoldo.

Num raio de 70 km, tendo como centro São Sebastião do Caí, está concentrada 50% da economia gaúcha e 4% do Produto Interno Bruto Brasileiro.

DADO: Microrregião Colonial da Encosta da Serra. LOCALIZAÇÃO: Vale do Caí.

LIMITES

AO NORTE: Bom Princípio.

AO SUL: Capela da Santa e Portão.

AO OESTE: Harmonia e Pareci Novo.

ÁREA TOTAL: 145,8 km

O MORRO DO BOQUEIRÃO

É um dos morros mais altos da localidade ao qual do cume avista-se a capital do Estado.

Durante a 2a. Guerra Mundial, o morro era utilizado como ponto de observação. Havia em sua parte mais alta um pilar, construído pelo extinto Ministério da Guerra, onde eram colocados aparelhos tipo radares que sinalizavam a chegada do inimigo por ar.

Ao longo do Rio Caí, no Distrito da sede, encontra-se uma localidade com o nome de Várzea (chama-se assim porque são terras baixas e planas que margeiam o rio), onde além de terras férteis há a Capela de Nossa Senhora Aparecida e a Escola Municipal Irmã Rosa.

PONTOS TURÍSTICOS 

O Rio Caí nasce em Cima da Serra, no município de São Francisco de Paula, nos banhados da Fazenda Taipas, com o nome de Santa Cruz, na altura do Arroio dos Macacos, passa a chamar-se Rio Caí.

Suas águas descem serpenteando através das montanhas e, aos poucos, vão engrossando quando recebem as águas dos pequenos afluentes. O Rio Caí banha os municípios de São Francisco de Paula, Caxias do Sul, Nova Petrópolis, Feliz, Bom Princípio, São Sebastião do Caí, Montenegro e Canoas.

Sua extensão é de aproximadamente 200 quilômetros. Desemboca no Rio Jacuí.

Os vales do Rio Caí são muito férteis e produzem as famosas bergamotas e laranjas conhecidas como as melhores de todo o Brasil.

O Rio Caí deu nome ao Município, porque seus colonizadores, iniciaram a colonização em São José do Hortêncio, mas o Rio Caí com seu porto atraiu a sede municipal às suas margens, dando origem a bela e acolhedora cidadezinha."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 11 de Janeiro de 1999, pág. 06


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