quinta-feira, 12 de setembro de 2019

A nobreza no Japão


"O governo do Japão, diz o Economist, expedio um decreto organisando a nobreza do paiz.

A hierarchia creada compõe-se de cinco ordens:

Os Ka, duques ou principes; os Ko, marquezes; os Hakus, condes; os Shi, viscondes; os Dan, barões.

A nobreza compor-se-ha de 500 titulares, pela maior parte escolhidos entre os antigos Daimios, e suppõe-se que eventualmente são destinados a constituir a camara alta, que deve ser formada logo que for publicada a constituição promettida pelo Mikado.

Progressos das terras do chinó..."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 10 de Novembro de 1884, pág. 01, col. 05

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Colônia Itajaí em 1885


"ITAJAHY

A população da colonia Itajahy fundada em 1860 e emancipada em 1882, excede de 7.900 habitantes, dos quaes cerca de 2.500 são italianos, 1.350 allemães, sendo os restantes de outras nacionalidades, inclusive os filhos de estrangeiros nascidos na colonia.

Os habitantes não só se entregam á lavoura, como tambem a differentes industrias.

A ex-colonia tem serrarias, moinhos, diversas fabricas, inclusive uma para fiação de seda.

Uma extensa rede de estradas de rodagem de 420 kilometros, bem como caminhos para cargueiros na extensão de 150 kilometros, põe em facil e commoda communicação todos os differentes nucleos da ex-colonia.

A antiga séde da colonia é hoje a freguezia de S. Luiz Gonzaga que dista 38 kilometros do porto de Itajahy, com o qual se communica por boa estrada de rodagem.

Tem diversos edificios importantes, entre os quaes nove igrejas, a casa da camara municipal, escolas para ambos os sexos, casa de mercado, etc.

Ainda existem na ex-colonia muitos terrenos devolutos de reconhecidade uberdade."


Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 008, jan. 1885, pág. 02, col. 02-03, pág. 03, col. 01

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Histórico do Município de Santo Antônio da Patrulha/RS


"Terra da rapadura e da pinga azul. Terra dos sonhos. Terra bonita, de serras, vales, rios e lagoa.

Cidade histórica. De casario colonial e ruas estreitas.

Cidade moderna. De indústria pesada e comércio ativo. De povo hospitaleiro e trabalhador.

Santo Antônio da Patrulha convive muito bem com esta mistura de progresso e tradição; mistura de cidade antiga com cidade nova; mistura de serra, asfalto e várzeas; mistura de canaviais e pecuária e arrozais; mistura de turismo, comércio e indústrias; mistura de amor e fé.

Nas veias de seu povo, o sangue açoriano e negro pulsa fortemente, diluído através dos tempos, por índios, espanhóis, italianos, poloneses e alemães.

O comércio à beira da estrada acabou desenvolvendo a parte nova da cidade denominada 'Pitangueiras', igualmente conhecida como Cidade Baixa, em oposição à Cidade Alta, a parte antiga que permanece mais residencial e ainda guarda muitas das ruas e casario açoriano, com belíssimo visual em todas as direções.

O povoamento do território sul-riograndense-luso-brasileiro deu-se de forma progressiva e gradual, iniciando-se pelo litoral, favorável ao rebanho de gado vacum e cavalares e, ainda livre dos índios bravios (pelo menos antes da Encosta da Serra). Vieram, então, paulistas e lagunenses acompanhados pelos escravos negros e índios carijós 'domesticados'. Este se estabeleceram como estancieiros com sua escravaria (negros e índios), seguidos pelos açorianos que se dedicavam ao cultivo das terras. Passado mais de um século chegaram os imigrantes: alemães, italianos, poloneses, espanhóis, búlgaros, tchecos, austríacos, russos, japoneses e eslavos.

Este quadro evolutivo também se aplica a História de Santo Antônio da Patrulha. Mas segundo o Padre Rebem Neis, 'há muita inexatidão em datas chaves das primeiras comunas rio-grandenses como Rio Grande, Triunfo, Rio Pardo, Gravataí e outros. É o que acontece também com a localidade de Santo Antônio da Patrulha, um dos quatro primeiros municípios do Estado.

Em 1732 é feita a doação da primeira sesmaria. A Estância das Conchas nas imediações de Tramandaí a Manoel Gonçalves Ribeiro. Mais tarde recebe outras.

Pelo 'Ato Régio' de 1743 é confirmada a doação oficial da Sesmaria do Município de Santo Antônio da Patrulha ao estancieiro Manuel Gonçalves Ribeiro, o mesmo 'das Conchas'. Provavelmente esta seria a primeira doação oficial de sesmaria em nosso município. Esta seria localizada entre a sede municipal e as lombas. Sabe-se que o sesmeiro nunca trouxe família para o local.

Mas quem estabeleceu definitivamente com a fazenda sede do município pelo ano de 1743 foi Inácio José de Mendonça e Silva, oriundo de Santos, Dragão da Serra (Posto Fiscal da Guarda Velha). Aqui se estabelecendo com roças e cascas. Seu título de posse é de 09 de julho de 1755.

Dentre os primeiros povoadores oficiais (se outro houve, não registraram suas posses), citam-se Manuel de Abreu e Francisco de Almeida da Bacarema, solteiros, portugueses e tiveram filhos com índias; Manuel Gonçalves Ribeiro, casado com uma lagunense. Açorianos eram Antônio Rodrigues Pavão, casado com uma lagunense, Simão Dias Gonçalves, casado com uma açoriana, e Manuel Barros Pereira, que teve uma filha única com uma escrava preta e casou aos 60 anos com uma açoriana, da qual não teve filhos. Mulatos eram Inácio de Mendonça e Silva e suas três esposas sucessivas.

O município de Santo Antônio da Patrulha nasceu com as primeiras expedições que vieram ao continente de São Pedro do Rio Grande. Embora nessa ocasião o município não fora efetivamente criado... seus campos foram ocupados e a primeira sesmaria doada nesse território foi em terras patrulhenses.

Inicialmente a ocupação das terras de Santo Antônio foi feita com a instalação de uma 'guarda' ou 'patrulha' onde havia um registro e cobrança de 'dízimo' das tropas que passavam rumo aos campos de Curitiba e São Paulo. Era o caminho de Cristóvão Pereira. Nessa época Santo Antônio da Patrulha era apenas a 'Velha Guarda de Viamão'.

Em 1809 foram criados por provisão do governo, quatro município no Rio Grande do Sul. Um deles foi Santo Antônio. Os outros foram Porto Alegre, Rio Grande e Rio Pardo. Honrado com a promoção a município, graças a sua posição privilegiada de estar no centro da região Nordeste do Estado. Santo Antônio se estendia até Vacaria, Lagoa Vermelha e Porto Alegre, como referências de divisas (os dois primeiros municípios ainda não haviam sido fundados).

Ao longo do século XIX começaram os desmembramentos e Santo Antônio foi perdendo seu território com as emancipações. Mais de 20 municípios são filhos de terras patrulhenses. O mais novo é Caraá, emancipado em 1996.

NOMES ANTERIORES DO MUNICÍPIO

No início do povoamento do continente de São Pedro, o atual Município de Santo Antônio da Patrulha, era um lugar anônimo, sem uma denominação definida. Sua região mais plana fazia parte dos Campos de Tramandaí, das Estâncias e dos Campos de Viamão.

GUARDA: Ficava na estrada, perto da atual cidade de Santo Antônio da Patrulha, antes da subida da serra, também conhecida como a guarda de Viamão.

PATRULHA:  Em documento de 1745, também se encontra esta denominação como sinônimo de Guarda.

GUARDA VELHA: Em 1750, em Viamão, instalou-se um corpo de guarda com a finalidade de policiar, levando o nome de Guarda Velha de Viamão.

CAPELA DE SANTO ANTÔNIO DA GUARDA VELHA DE VIAMÃO: 1760, quando da construção da capela em Santo Antônio, recebe esta denominação completa. Este vale como primeiro nome oficial, uma vez que com a criação da capela curada, passa a localidade ter uma vida religiosa, social e jurídica organizada.

VILA ANÁDIA: Segundo alguns historiadores, o governador Paulo José da Silva, em 04 de dezembro de 1803, teria proposto a mudança do nome de Santo Antônio da Patrulha para Vila Anádia para agradar ao Visconde de Anádia, mas tal não ocorreu.

CAVALHADAS

Torneio hípico, encenação de lutas entre Mouros e Cristãos.

Conforme tradição oral, a Cavalhada vem de Carlos Magno e dos torneios que os 'Doze Pares da França' realizavam, nos momentos de descanso, entre si, lutas empreendidas.

As cavalhadas não se apresentam na mesma forma em nosso Estado. O município de Santo Antônio da Patrulha é reconhecido pela riqueza, esmero e fidelidade à indumentária usada pelos guerreiros. É o grupo mais atuante e em evidência.

Fazem parte das cavalhadas dois grupos de onze cavalheiros cada (azuis - cristãos, vermelhos - mouros) dois 'máscaras' ou palhaços, um espia e sua mulher, a Sofia (homem vestido de mulher), dois porta estandartes, um mouros e outro cristão, a princesa moura, Floripa e os pajens (ajudantes). Há também o castelo dos mouros e o castelo dos cristãos."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 03 de Fevereiro de 1999, pág. 04-05

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A curiosa dança dos astros


"A dança dos astros

A 22 de junho de 1799, Alexandre de Humboldt, em sua ascensão celebre ao pico de Tenerife, testemunhou um phenomeno curioso.

Eram mais ou menos 3 horas da madrugada. O sol estava apenas alguns gráos abaixo do horisonte, e os viajantes achavam-se a 3.000 metros de altura.

'De repente, diz Humboldt, pareceu-nos ver, do lado do léste, pequenos foguetes cruzando os ares. Percebiam-se pontos luminosos, elevados de 7 a 8 gráos acima do horisonte, que se moviam verticalmente; em seguida esses mesmos pontos oscillavam horisontalmente durante alguns minutos. Reconhecemos afinal que esses pontos brilhantes eram as imagens das estrellas ampliadas pelos vapores da noite.'

As estrellas, com effeito, em certas circumstancias, parecem agitar-se, balançar-se e descrever rapidamente orbitas sinuosas.

Este phenomeno singular preoccupou vivamente o sabio Humboldt.

Em junho de 1852, o professor Parpat, com um companheiro, passeava em bote no lago de Storlus, pouco depois da entrada do sol.

Os passeantes deixavam os remos immoveis para contemplar melhor a belleza do espectaculo, quando um menino que os acompanhava poz-se a gritar: 'Olhem lá a estrella que dança!'

Com effeito, a estrella Vega parecia executar movimentos oscillatórios rapidos. O barco achava-se então em frente a uma ilhota coberto de canas, de onde se desprendia um nevoeiro intenso. Depois de passarem a ilhota e quando puderam ver Vega directamente, cessou o phenomeno oscillatorio; de novo produzio-se quando a ilhota ficou entre a estrella e os observadores.

A dança do astro parou depois de ter o sol baixado bastante no horisonte e Vega se elevado no céo.

O sr. Parpat attribue a causa do phenomeno á interposição do vapor d'agoa. 

Na realidade, parece que deve ser attribuido aos movimentos ascendentes do ar que determina uma reparação da luz do astro.

Póde-se reproduzir á vontade o phenomeno, olhando para um objecto afastado ou para uma estrella, através a columna de ar quente que se eleva acima de uma lampada acesa.

O objecto dança sem cessar; os raios luminosos que chegam ao nosso olho são desviados e sentimos a sensação de um deslocamento rapido do objecto.

É um effeito de refracções que, como faz notar o sr. Lagrange, do observatorio de Bruxellas, os astronomos observam algumas vezes no momento em que abrem as janellinhas das salas das grandes lunetas. Se o ar da sala está em uma temperatura differente do ar do exterior, manifesta-se uma corrente e um movimento; o astro que se olha executa oscillações até que o equilibrio de temperatura se estabeleça.

É um phenomeno de refracção.

Mas existe outra dança de origem differente e que até agora não tinha explicação plausivel.

Em noite escura de 1856, e com uma temperatura de 16o abaixo de zero, o professor Schweizer, de Moscou, reparou que Sirius, que já se achava bastante elevado, oscillava claramente; olhou para Jupiter, Alpha do cão menor, para diversos outros astros e todos elles dançavam.

Podem observar perfeitamente esse balanço dos astros encostando a cabeça em uma parede e escolhendo uma noite sem luar e um céo bastante escuro.

O phenomeno é comparavel ao effeito que produz uma luz oscillando no mastro de uma embarcação.

E independente da altura do astro acima do horisonte, e do nascente ou occaso do sol, independente de toda a ruptura de equilibrio nas camadas atmosphericas."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 30 de Julho de 1886, pág. 01, col. 03

Globo luminoso em Bagé


"Bagé. (...)

- Refere a União Liberal:

No sabbado, ás 11 e meia horas da noite, observou-se n'esta cidade um phenomeno atmospherico: um raio de luz partindo do Noroeste percorreu o espaço em direcção a Leste, acompanhado em seu trajecto de um ruido como de um trovão ao longe, ouvindo-se, ao sumir-se esse globo luminoso, um forte estampido."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 20 de Abril de 1886, pág. 01, col. 05

Pelo Ar


"PELO AR

De Villa Miranda escrevem ao Corumbaense de Matto Grosso:

<<Uma pessoa que merece fé assegura ter observado a passagem de um balão aerostatico, ás 4 horas, mais ou menos, do dia 25 ou 24 de maio findo, no lugar denominado Lalima, distante d'esta villa 6 a 7 legoas, tendo o dito balão a configuração de um escaler, do comprimento de 30 palmos, com prôa preta, corpo branco, e que levava o rumo do nascente para o poente com a velocidade de uma embarcação movida por vapor.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Outubro de 1884, pág. 01, col. 04

domingo, 8 de setembro de 2019

Colônia Blumenau em 1885


"BLUMENAU

Esta colonia fundada pelo Dr. Hermann Blumenau em 1852, pouco tempo depois adquirida pelo Estado, foi emancipada em 1880.

Tem actualmente uma população aproximadamente de 18.000 habitantes composta de allemães, italianos e portuguezes, sendo, porém, muito mais avultado o numero da nacionalidade allemã.

A lavoura é o principal ramo de industria a que se entregam os habitantes da ex-colonia, na qual se empregam 150 arados, cultivando de preferencia a canna cuja producção se transforma em mais de 400.000 kilogrammas de assucar e a 3.500 hectolitros de aguardente.

A principal exportação dos habitantes de Blumenau, é de milho, feijão, arroz, farinha de mandioca, batatas, manteiga, banha de porco e toucinho.

Possue a villa diversas fabricas, como sejam de roupa de ponto de meia, uma de licores, uma de sabão, nove de charutos, duas officinas typographicas e diversas officinas de fundição, de caldeireiros, de sapateiros, alfaiates, marcineiros, etc. etc.

Existem 66 engenhos movidos por agua e um a vapor, sendo 40 para a preparação de madeiras e 27 para a de fubá de milho e de arroz.

A villa de S. Paulo de Blumenau liga-se com o porto de Itajahy pelo rio do mesmo nome, francamente navegavel.

Possue importantes edificios taes como: as igrejas catholicas das duas freguezias, a igreja protestante, a casa da camara municipal e differentes escolas em diversos districtos, além de um estabelecimento de instrucção secundaria.

O clima é temperado e saudavel.

A área da ex-colonia é de 1.390,000 hectares, da qual a cultivada excede a 18.000, existindo ainda nas circumvisinhanças muitos kilometros de terras devolutas, as quaes pela excellente qualidade prestam-se a todo o genero de cultura.

O valor da exportação excede de 400 contos, ou seja mais de um milhão de francos."


Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 008, jan. 1885, pág. 03, col. 01
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