sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Victor Nunes Leal


"Victor Nunes Leal (11/11/1914-17/05/1985) nasce em Carangola. Forma-se em direito, em 1936, pela Universidade do Brasil, atual Federal do Rio de Janeiro. Entre 1933 e 1938 atua na imprensa e na década seguinte é nomeado primeiro diretor do serviço de documentação do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Pouco depois dirige interinamente a cadeira de Política da Faculdade Nacional de Filosofia. Para obter a cátedra da disciplina, escreve em 1948 a tese O Município e o Regime Representativo no Brasil - Contribuição ao Estudo do Coronelismo, que origina o livro Coronelismo, Enxada e Voto, publicado em 1949. Este se torna um clássico por sua análise do coronelismo como estrutura de poder no interior do país e suas relações com o governo federal. Professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército em 1955, ministra conferências na Escola Superior de Guerra. Exerce a função de procurador-geral de Justiça do Distrito Federal e de chefe da Casa Civil de Juscelino Kubitschek de 1956 a 1959. Pouco antes da transferência da capital do país, deixa a Casa Civil, é eleito procurador do Tribunal de Contas do Distrito Federal e, depois, consultor-geral da República. É nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (1960) e do Tribunal Superior Eleitoral (1966). Em 1968 é aposentado compulsoriamente pelo AI-5. Também é autor de Três Ensaios da Administração (1958), Problemas do Direito Público (1960), Pareceres do Consultor Geral da República (1966). Traduz Poder Político, de Hermann Heller (1946), entre outras obras. Morre no Rio de Janeiro."

Fonte: ABRIL. Almanaque Abril: quem é quem na História do Brasil. São Paulo: Abril Multimídia, 2000, pág. 283.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Exposição "Evolução do Indumentária Gaúcha"

Traje de charqueador e esposa no século XIX

Traje de Estancieiro ou Peão (e esposa) do século XVIII até aproximadamente 1820

Traje gaúcho (e esposa) com chiripá típico da época farroupilha até a década de 1860

Está acontecendo no Shopping Pelotas uma exposição interessante com o tema "Evolução da Indumentária Gaúcha". Como se pode observar nas fotos acima, os trajes estão reproduzidos em manequins em tamanho natural. A visitação é gratuita, pois os modelos estão dispostos nos corredores do shopping. A exposição foi desenvolvida pela União Gaúcha João Simões Lopes Neto.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Histórias Curiosas LXVIII

A facilidade das comunicações nos dias atuais não se compara há décadas atrás, em que o telefone era ainda um objeto de certa dificuldade de acesso por meio do consumidor comum. Hodiernamente, por meio de aplicativos de mensagem, é possível conversar com um amigo seu que está em São Paulo, bem como saber como anda a sua tia-avó que mora numa grota qualquer. Por que faço essa constatação? Bem, durante muito tempo no interior do Rio Grande do Sul, o principal meio midiático de propagação de notícias e informações era o rádio. O Fulano precisa encontrar a Beltrana, o seu Sicrano perdeu uma vaca no campo tal, tem uma encomenda na agência de correios local para o seu Zé - tudo isso era noticiado pelos programas (mormente matutinos) das pequenas rádios locais. Ali se sabia e ouvia sobre a safra do milho, dos acontecimentos políticos, das festas regionais, dos rodeios em tal lugar, dos negócios de compra e venda que se ofereciam e dos jogos do futebol colonial, entre outros. Porém, um dos fatos mais importantes noticiados por essas pequenas radiodifusoras eram os falecimentos e os respectivos locais e datas de velório e enterro. Famílias sabiam que o primo distante que morava num rincão mais afastado faleceu pela rádio. Assim, como aquele teu amigo de longa data, que há muito tempo você não o encontrava, havia falecido e o sepultamento iria ser no cemitério tal, numa colônia bem distante, que provavelmente você ainda não havia conhecido. Mas, como no interior, sempre há possibilidade de se fazer alguma brincadeira, a moçada não havia de perder tempo.

Na época em que o atual município de Morro Redondo ainda era parte de Pelotas, nos idos da década de 1980, havia um senhor de origem germânica proprietário de uma bodega em que os borrachos de plantão se reuniam nos fins de tarde para sorver uma pinga. Muito sisudo, o tal alemão era vítima constante das brincadeiras dos clientes locais, que sempre aprontavam "pegadinhas" para ele. Certa ocasião, inventaram que uma fábrica de conservas local iria contratar trabalhadores para a safra do pêssego e propagaram que o local de cadastro iria ser a venda do alemão. Tal qual foi a surpresa do pobre, ao que, num belo dia, ao abrir seu comércio às 6h30min da manhã, observar aquela fila que não tinha fim de supostos "clientes" defronte à porta. Mas, essa foi uma das pilhérias. A principal ainda estava por vir.

A moçada resolveu inventar que o tal vendeiro havia morrido. Lógico, espalhar pela vila que o alemão havia batido as botas não ia adiantar. Resolveram então pagar um anúncio na rádio local, em que o nome do alemão seria apenas mais um entre tantos que semanalmente eram noticiados. Foi então o que aconteceu. Só que a notícia propagou-se e muito. Como a comunidade teuto-descendente é sempre muito unida, principalmente em torno da religião luterana, três ou quatro que ouviram mais afoitamente o comunicado, não tardaram em passar a falsa informação a locais mais distantes. Em questão de uma tarde, o fictício falecimento já era conhecido nos rincões de Canguçu, na zona colonial de Pelotas, nas grotas de Piratini e Pedro Osório e até mesmo em São Leopoldo. Tudo numa comoção muito profunda, os antigos conhecidos e parentes mais distantes já se preparavam para comparecer ao cemitério local cedo da manhã no outro dia - tal qual como havia sido noticiado na rádio. Afinal, o alemão era merecedor das últimas homenagens (risos). 

No outro dia, cedíssimo da manhã, uma movimentação incomum na capela da comunidade luterana do lugar, embora a mesma estivesse fechada. Os viajantes chegavam e se perguntavam: o velório não vai ser aqui? Então deve ser no cemitério. Chegando lá, outro desencontro: nenhum enterro marcado naquele dia. Foi então a tropa até a casa do alemão, que com cara de sono e usando singelos chinelinhos de dedo recebeu-os, causando surpresa e susto aos incautos, sendo que alguns julgaram estar quase vendo um fantasma. 

Confusão esclarecida, a história ainda viveu muito tempo na rodas de conversas da localidade e, o alemão enfurecido, buscava a todo custo saber quem lhe aprontou a sua própria "morte" durante ainda muito tempo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Crime na Picada Bom Jesus


"O Jornal do Commercio de Pelotas refere o seguinte homicidio, perpetrado na colonia da picada Bom Jesus:

- A's 5 horas da tarde do dia 28 achando-se á porta de sua casa o colono Augusto Blanc a amolar um machado, aproximou-se d'elle Manuel Teca, e intimou-o a largar o trabalho, por que não era dia proprio de amolar machado.

Blanc, que não entendia o portuguez sem lhe prestar attenção, disse a sua mulher que tocasse o rebolo, e pacificamente proseguia na sua tarefa, quando Teca que se tinha apeado do cavallo em que viera montado sem dizer mais palavra, deu-lhe tres facadas nas costas, quebrando a faca ao ultimo golpe que descarregou na infeliz victima.

Aos gritos do ferido e de sua mulher, acudiram dous colonos que, depois de travarem lucta com o assassino, conseguiram amarral-o, indo logo buscar soccorros medicos e dar parte do occorrido aos outros colonos. Quando, porém, voltaram, já não encontraram mais o assassino que conseguira escapar-se.

Blanc a estas horas já deve ter succumbido aos ferimentos.

Sabemos que reina grande indignação entre os colonos, por este e outros factos identicos, e que se não se tratar da repressão, estão resolvidos a fazeram justiça por suas mãos.

O assassino mora distante do logar do crime, e consta-nos que se acha acoutado em casa de seu padrasto de nome Constantino de tal.

Dizem-nos que n'aquella picada não ha segurança alguma e que os infelizes colonos estão alli a mercê dos malvados, visto não haverem autoridade nem força publica que os contenha."

A FEDERAÇÃO (RS), 22 de Outubro de 1879, pág. 01, col. 07

domingo, 23 de setembro de 2018

Cônego Januário da Silva Barbosa


"Escritor, poeta, orador, jornalista e político brasileiro (1780-1846). Cônego da Capela Imperial, desde logo participou ativamente dos movimentos em favor da Independência do Brasil: juntamente com Joaquim Gonçalves Ledo fundou em 1821 o jornal Revérbero Constitucional, através do qual pugnou eficazmente pela emancipação política do país. Orador do Grande Oriente Maçônico, em 1822 foi exilado para a França (esteve um ano em Paris). Deputado pelo Rio de Janeiro em duas legislaturas (1826 e 1845), foi diretor da Tipografia Nacional e do Diário do Governo. Um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e seu secretário perpétuo, exerceu ainda os cargos de historiógrafo do Império e diretor da Biblioteca Nacional."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.



sábado, 22 de setembro de 2018

Incidente no Capão Seco


"FATAL DESFECHO DE UMA BRINCADEIRA

PELOTAS, 29 (A.) - No lugar denominado Capão Secco, na casa de Pedro Amaro, entretinham-se em palestra varias pessoas, entre as quaes Bernardino Maia, Albandes Filho e o criador Zeferino Amaro Albandes.

Em meio da conversa, Bernardino, que tinha 19 annos, desafiou Pedro Amaro, dizendo que elle não teria coragem de fincar uma estaca no meio do mato, distante poucos metros da casa. Munido de uma faca, o peão muito calmo partiu em direcção ao mato.

Procurando amendrontal-o, Bernardino embuçou-se em um lençol e, rapido, penetrou no mato antes daquelle lá ter chegado.

Quando o peão se dispunha a espetar a estaca no local ajustado, depara com o fantasma. Longe de pensar que fosse Bernardino, que havia antes, em sua casa, embebeu-lhe a faca no coração, dando-lhe morte instantanea. Reconhecendo-o após a pratica do crime, o peão, espavorido, correu a levar a noticia a quantos, rindo e gracejando, esperavam o resultado do susto."

Fonte: DIARIO NACIONAL: A DEMOCRACIA EM MARCHA (SP), 30 de Julho de 1927, pág. 04, col. 05
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