domingo, 4 de fevereiro de 2018

Imigrantes uruguaios em Pelotas no período 1843-1844


1. Domingo Miguel Marques (esposa e três filhos), 29 anos, casado, relojoeiro, chegou em Pelotas em 08 de fevereiro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em fins de dezembro de 1844, alfabetizado.

2. Martin Ferreira, 17 anos, solteiro, caixeiro, chegou em Pelotas em 01 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 10 de junho de 1844, alfabetizado.

3. Manuel Velasco, 38 anos, casado, trabalhador, chegou em Pelotas em 01 de junho de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em 03 de março de 1843, alfabetizado.

4. Bernardino Monbrigades (esposa e dois filhos), 27 anos, casado, pescador, chegou em Pelotas em 24 de março de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em 10 de março de 1844, alfabetizado.

5. Torquato Juan Marques, 20 anos, casado, ourives, chegou em Pelotas em 13 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu, mas esteve anteriormente em Santa Catarina e Rio Grande, chegou ao Brasil em 25 de julho de 1844, alfabetizado.

6. Manuel Rojo, 25 anos, solteiro, comerciante, chegou em Pelotas em 10 de janeiro de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em 26 de agosto de 1843, alfabetizado.

7. João Santerian, 28 anos, solteiro, pescador, chegou em Pelotas em 04 de fevereiro de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em 28 de janeiro de 1844, analfabeto.

8. Domingos Montañeiro, 26 anos, casado, açougueiro, chegou em Pelotas em 19 de fevereiro de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em 03 de fevereiro de 1844, analfabeto.

9. Ventura Garcia, 61 anos, solteiro, comerciante, chegou em Pelotas em 10 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 06 de junho de 1844, alfabetizado.

10. João Martins, 20 anos, casado, carreteiro, chegou em Pelotas em 13 de maio de 1844, procedente de Jaguarão por terra, chegou ao Brasil em 1840, analfabeto.

11. Maximo Ribas, 19 anos, solteiro, comerciante, chegou em Pelotas em 16 de maio de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 12 de maio de 1844, alfabetizado.

12. Manuel Bazio Bustamante, 50 anos, casado, chegou em Pelotas em 10 de abril de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, mas esteve anteriormente no Rio de Janeiro, chegou ao Brasil em 07 de setembro de 1843, alfabetizado.

13. Juca Berto Botello, 17 anos, solteiro, açougueiro, chegou em Pelotas em 10 de dezembro de 1843, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em 1842, alfabetizado.

14. Athanazio Meltrano, 28 anos, casado, trabalhador, chegou em Pelotas em 17 de agosto de 1844, procedente do Uruguay por terra, analfabeto.

15. Ramon Rodriguez, 24 anos, solteiro, ferreiro, chegou em Pelotas em 10 de janeiro de 1844, procedente de Cebollatí via Rio Grande, chegou ao Brasil em 1842, analfabeto.

16. Christino Casañas, 18 anos, solteiro, carreteiro, chegou em Pelotas em 28 de maio de 1844, procedente dos Campos Neutrais por terra, chegou ao Brasil em 13 de agosto de 1843, alfabetizado.

17. Francisco Agrillente, 24 anos, solteiro, alfaiate, chegou em Pelotas em 13 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 12 de agosto de 1844, alfabetizado.

18. Bruno Gomez, 27 anos, casado, carreteiro, chegou em Pelotas em 10 de agosto de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em 20 de maio de 1844, analfabeto.

19. Miguel Suarez, 18 anos, solteiro, alfaiate, chegou em Pelotas em 23 de março de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 01 de março de 1844, alfabetizado.

20. José Antonio Cedres, 25 anos, solteiro, açougueiro, chegou em Pelotas em julho de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em março de 1844, alfabetizado.

21. Bonifacio Almado, 25 anos, solteiro, carreteiro, chegou em Pelotas em 13 de setembro de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em julho de 1844, analfabeto.

22. Apolinario Castro, 25 anos, solteiro, (ilegível), chegou em Pelotas em 22 de maio de 1844, procedente de Montevidéu por terra, chegou ao Brasil em 28 de abril de 1844, analfabeto.

23. Candido Cal, 22 anos, comerciante, chegou em Pelotas em 28 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu, mas esteve anteriormente em Rio Grande e Santa Catarina, chegou ao Brasil em 25 de julho de 1844, alfabetizado.

24. Juan José Lopez, 25 anos, solteiro, carpinteiro, chegou em Pelotas em março de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em março de 1844, alfabetizado.

25. Manuel Lopes, 29 anos, casado, comerciante, chegou em Pelotas em 27 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 29 de julho de 1844, alfabetizado.

26. Felipe Alegre, 19 anos, solteiro, negociante, chegou em Pelotas em 11 de abril de 1844, procedente de Rio Negro por terra, chegou ao Brasil em 01 de abril de 1844, alfabetizado.

27. Jozé Maria Castro, 38 anos, casado, comerciante, chegou em Pelotas em 10 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 20 de julho de 1844, alfabetizado.

28. Felipe Alegre, 45 anos, casado, comerciante, chegou em Pelotas em 11 de abril de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em 01 de abril de 1844, alfabetizado.

29. Alexo Monegal, 56 anos, casado, alfaiate, chegou em Pelotas em 26 de agosto de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em agosto de 1844, alfabetizado.

30. Damazo Monegal, 19 anos, solteiro, ourives, chegou em Pelotas em 26 de agosto de 1844, procedente do Uruguay por terra, chegou ao Brasil em agosto de 1844, alfabetizado.

31. Laureano Bustamante, 22 anos, solteiro, comerciante, chegou em Pelotas em 11 de setembro de 1844, procedente de Montevidéu por terra, mas era morador em San Carlos, chegou ao Brasil em 29 de agosto de 1844, alfabetizado.

32. Gabino Perez, 23 anos, solteiro, barbeiro, chegou em Pelotas em 15 de dezembro de 1843, procedente de Maldonado por terra, chegou ao Brasil em 12 de janeiro de 1843, alfabetizado.

33. Jozé Benedicto Cavalheiro, 29 anos, solteiro, "vive de sua argência" (nota nossa: vive de rendas próprias), chegou em Pelotas em 04 de fevereiro de 1844, procedente de Montevidéu por terra, chegou em fevereiro de 1844, analfabeto.

Fonte: Adaptação nossa a partir de: BECKER, Klaus. A imigração no Sul do Estado de 1844-1852. In: BECKER, Klaus (org.). Imigração. Canoas/RS: Editora Regional, 1958, p. 324-351. (Enciclopédia Rio-Grandense)


sábado, 3 de fevereiro de 2018

A imagem da Revolução Farroupilha após o fim do conflito no R.G.S.


"A reintegração dos revoltosos à vida política do Império seria tão difícil quanto necessária. O próprio desenvolvimento das batalhas mostrou ao Império que não havia peritos maiores no terreno que os comandantes militares treinados na região, e um contingente considerável deles esteve no lado revoltoso, assim como parte considerável deles esteve no lado revoltoso, assim como parte da elite provincial, característica particular em relação a outros movimentos do período. A proximidade da fronteira também se revelaria determinante, impelindo o governo imperial a buscar uma integração que não apenas exterminasse os sentimentos rebeldes, como também reerguesse a economia da província, devastada durante a guerra.

Os anos que se seguiram à revolta foram marcados por dois movimentos no discurso político: o silêncio e a suspeita. O primeiro produziu uma memória subterrânea, acompanhada de expressões de arrependimento e justificativas. O segundo, um estado de alerta acompanhado de constantes reprimendas ao que começava a constituir-se como uma identidade regional pejorativa, ao que se acrescentava a própria suspeita levantada pela evidenciação das diferenças geográficas e sociais da província em relação ao restante do Império.

Nos primeiros anos, o silêncio total e pleno foi acompanhado de recriminações. Como Caldre Fião, em O Corsário, os que se aventuraram a narrar o episódio da Farroupilha o fizeram para mostrar a falta grave que o conflito representava em relação à nacionalidade. O tom de conselho do escritor, sugerindo mais amor à província através da dedicação e patriotismo ao Brasil, seria a primeira manifestação pública na Corte de um rio-grandense que via a revolta com maus olhos. Certamente, o discurso depreciativo, que pintava a Revolução como condenável, desde o elenco de seus motivos considerados ilusórios até os seus efeitos funestos sobre os homens e sobre a produção, inaugurou o que é possível chamar de uma identidade regional pejorativa.

Seguramente não foi o único, nem na literatura, em que o Instituto Histórico e Geográfico da Província de São Pedro proclamava a necessidade de 'ingressar no panteão das glórias nacionais, segundo a conveniente imagem de defensores do território e da integridade do Brasil', nem no quadro total das manifestações. Uma observação atenta dos discursos dos presidentes da província em seus pronunciamentos mostra que sua imagem característica era ao mesmo tempo motivo de apreço e apreensão. Valores como a habilidade guerreira, adquirida nos muitos anos de guerras, tanto podiam, num mesmo comunicado, ser louvadas como parte de um conjunto que permitia à província defender o Império das ameaças provenientes dos países vizinhos, quanto ser o eixo central de uma acusação da incapacidade de estabelecer ordem e civilização, impelindo os cidadãos a cometerem crimes. Acompanhando essas digressões sobre o caráter dos rio-grandenses, estavam sempre presentes o desaconselhamento à revolta, a lembrança da misericórdia imperial que permitira o retorno pacífico à pátria e, claro, a necessidade de manter a paz. Pareceres que aconselhavam o esquecimento e o silêncio sobre os anos em que aqueles homens não aceitaram que o Rio Grande fosse governado desde a Corte.

As trajetórias políticas de alguns líderes são extremamente reveladoras da produção desses discursos. Domingos José de Almeida, o mesmo cidadão que havia sido ministro da Fazenda da República Rio-Grandense, voltou à cidade de Pelotas, onde seguiria sendo importante líder local. Retomou seus negócios, voltou a compor o quadro da Guarda Nacional e a exercer a função de juiz de paz, porém, jamais voltou à Assembleia Provincial. A grande massa documental que compõe seu acervo pessoal, depositado na Coleção Varela do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, mostra que, depois da Revolução, seguiria com o hábito de escrever cartas aos amigos. Nestas, encontramos poucas menções à Revolução após os primeiros anos. Ao fim da década de 1850, coincidindo com sua volta à imprensa, Almeida começava a recolher relatos sobre a secessão, quando surgem as primeiras cartas de arrependimento. Totalmente reintegrados ao Império, os antes rebeldes passaram a reconhecer os danos causados pelo conflito.

A mudança de postura tem várias causas relacionadas. Ao fim da década de 1850, o Império havia atendido as principais reivindicações da elite regional, posicionando-se incisivamente no rio da Prata, especialmente defendendo os interesses dos brasileiros produtores pecuários no Estado Oriental do Uruguai. Os espaços da burocracia imperial haviam sido consideravelmente expandidos, propiciando uma absorção maior dos indivíduos no aparato estatal, especialmente no nível local, criando postos de autoridade que legitimavam prestígio e poder político. Por fim, a passagem dos anos permitia perceber a revolta não mais como uma ameaça a prestígios individuais, exigindo que fosse escondida ou negada, mas admiti-la como parte de uma trajetória política, como um atestado de experiência.

Ainda ao longo dessa década o perfil dos líderes políticos começava a mudar. Diferente da primeira legislatura da Assembleia Provincial, que era composta por muitos estancieiros e militares sem qualquer instrução formal, uma geração de graduados nas faculdades do centro do país passava a assumir paulatinamente os postos de maior prestígio. E apesar da postura firme em relação aos interesses dos produtores de gado estabelecidos no Uruguai, as reivindicações se multiplicavam, enquanto os ânimos na região se inflamavam avizinhando-se uma guerra que parecia transformar o Rio Grande no principal teatro de operações. O quadro aqui esboçado, grosso modo, permitia que o sentimento de revolta regredisse.

O desenvolvimento dos fatos durante a década de 1860 mostra a colocação de agentes da política provincial em posições destacadas por conta da Guerra do Paraguai e o consequente prestígio, que culminaria na nomeação de dois ministros rio-grandenses em 1878 - Gaspar Silveira Martins para o Ministério da Fazenda e Manoel Luís Osório para o da Guerra. Para toda uma geração, o peso da suspeita que a memória da secessão trazia fora o impulsionador de uma aproximação com o centro do governo. Melhor do que pegar em armas era disputar projetos dentro do espaço mais privilegiado de decisão em todo o Império. Ainda assim, a crise econômica que acompanhou o fim do regime imperial impulsionou a abertura do centro do poder. Aliado a isso, o espaço aberto pela migração de muitos políticos do Sudeste para os partidos republicanos permitiu que as regiões periféricas fossem mais bem representadas. Era o ascenso de uma velha geração política à Corte, enquanto uma nova geração disputava espaço."

Fonte: MENEGAT, Carla & ZALLA, Jocelito. História e memória da Revolução Farroupilha: breve genealogia do mito. In: Revista Brasileira de História, São Paulo, v.31, n.62, 2011, p. 52-54

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Joaquim Francisco de Assis Brasil


"Nasceu em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, no dia 29 de julho de 1857 e faleceu aos 81 anos, a 25 de dezembro de 1938. Diplomou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1882. Ainda estudante, influenciado pelo ambiente positivista, passa a atuar no movimento republicano sendo redator de A República e A Evolução. Em 1881, publicou o seu primeiro livro, A República Federal. Deputado provincial no Rio Grande do Sul, nas eleições de 1887, em 1891 elegeu-se deputado à primeira Constituinte republicana. Foi presidente do Rio Grande do Sul, de 12 a 19 de novembro de 1891. Sua carreira parlamentar seria interrompida em virtude da ascensão e sedimentação do castilhismo no Rio Grande do Sul, que constituiu tema permanente de sua obra política e cuja oposição passou a liderar. Intermitentemente com sua vida política, na liderança da oposição ao castilhismo no Rio Grande, Assis Brasil exerceu diversas funções na diplomacia; embaixador do Brasil na Argentina (1890-92); enviado especial à China (1893); embaixador do Brasil em Portugal (1895); embaixador nos Estados Unidos (1898); embaixador no México (1902); ministro plenipotenciário do Brasil para o Tratado de Limites com a Bolívia (1903); embaixador na Argentina (1905); delegado do Brasil ao 3o. Congresso Internacional Americano (1907). Depois de haver conseguido o fim das reeleições de Borges de Medeiros, em 1926, viria a ser deputado federal pelo Rio Grande do Sul (1927-29); Ministro da Agricultura no Governo Getúlio Vargas (1930-31); embaixador extraordinário na Argentina (1931) e chefe da delegação brasileira na Conferência Econômica de Washington (1931). Integrou a famosa Comissão do Itamarati, assim denominada por reunir-se no Palácio que leva esse nome, no Rio de Janeiro, incumbida de elaborar o Ante-Projeto da Constituição que seria votada em 1934. Participou também do grupo que formulou a Lei Eleitoral de 1932, quando se criou a Justiça Eleitoral. Elegeu-se em 1933 para a Assembléia Constituinte."

Fonte: CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DO PENSAMENTO BRASILEIRO (org.). Dicionário biobibliográfico de autores brasileiros: filosofia, pensamento político, sociologia, antropologia. Salvador: CDPB; Brasília: Senado Federal, 1999, p. 51-52

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Descrição das Pedreiras da Companhia Francesa no Capão do Leão em 1915

“(...)

Ao Capão do Leão, a comitiva chegou cerca de dez horas da manhã, galgando o comboio o cerro de pedra onde, aqui e ali, se vêm casas, constituindo verdadeiras aldeas, grandes edifícios provisórios, de madeira, chaminés e torres, e um movimento enorme de operários, trabalhando sob o ensurdecedor ruído de poderosas machinas.

O morro é contornado por varias linhas da estrada de ferro e está dividido em duas faces de ataque mais ou menos em ângulo recto, cada uma com dois planos, por meio de um degráo, onde se procede a desagregação da rocha empregando-se como agentes poderosos o ar comprimido, a electricidade e a dynamite.

A certa distancia das pedreiras fica a Usina composta de 2 grupos electrogenos de 125 c.v. cada um, sendo um destinado a acionar o compressor de ar. Estes compressores actuam sobre o ar em duas phases – na primeira comprime-o o qual por este motivo eleva a temperatura e para que possa chegar ao limite da compressão desejada o compressor deixa-o resfriar-se distendendo-se e depois novamente actua sobre ele fazendo-o adquirir a pressão de 7 athus. O outro compressor é acionado por um motor Wolf directamente.

O segundo grupo electrogeno é o que fornece a corrente necessária ao movimento do grande numero de guindastes electricos existentes em cada degráo da pedreira. Ao lado desta Usina existe uma outra destinada ao reparo de ferramentas.

Na pedreira trabalham 2 guindastes a vapor de 54 toneladas além de inúmeros guindastes electricos todos destinados ao serviço de carregar as caixas com grandes blocos de pedra.
As perfuradoras á ar comprimido em número de 10 fazem furos de 15 a 20 metros de profundidade com a maior rapidez. Além das perfuradoras há também para mais de 20 rewolveres que ainda pelo ar comprimido fazem furos nos blocos já despegados da rocha para tornal-os transportáveis. Este serviço é admirável.

As perfuradoras tanto trabalham na posição vertical como na horizontal e estando, como estavam, todas trabalhando no dia da visita, impressionam agradavelmente ao observador que ali contempla o modo inteligente da substituição do trabalho manual pelo mecânico. Não há tempo perdido – o bloco grande é atacado em seguida pelos rewolvers que em menos de 10 minutos fazem-lhe um furo no qual a pólvora ou a dynamite atua rebentando-o.

Por occasião da explosão uma corneta alarma ao pessoal operário o qual retira-se correndo; os guindastes todos abrigam-se em pontos determinados. Terminada a explosão volta todo o pessoal afim de carregar os carros.

Trabalham nesta pedreira 700 homens actualmente.


Das pedreiras saiu toda a pedra necessária aos molhes, ao calçamento e ao cais do novo porto.”

Fonte:  A FEDERAÇÃO,  19 de maio de 1915, p.1, c. 1

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A Imigração Francesa no Rio Grande do Sul


"Sabe-se que muitos franceses vieram ao Rio Grande do Sul de forma espontânea, muitos antes de 1870, sem auxílio estatal ou de empresas privadas, como é o caso do casal Jacques Blum e Amélie Moise Blum, que partiram da França por conta própria, Jacques era joalheiro natural da Alsácia e D. Amélie de Lorena, consta que chegaram à Bagé após ter nascido seu filho Emílio em 1861. Há casos de franceses em Pelotas também, que sua vinda provocou um avanço no comércio e na indústria, tais como Edmundo Berchon Desessard, um francês de origem de Gédeon, que possuía um latifúndio na região, outra família que se instalou no local foi a Gastal, que possuía uma tradição artística e odontológica.

(...)

Nos relatórios de João Pedro Carvalho de Moraes, em 1873 se vê que a população de Conde D'Eu e D. Izabel, atual Bento Gonçalves, inicialmente foram povoadas por franceses, pois havia um projeto do Império para que aquela área se tornasse tipicamente 'francesa'. Sendo que em 1873, o governo provincial obriga os colonos a colonizar suas terras, com o intuito de ligar Conde d'Eu ao Maratá, uma colônia povoada por alemães, para criar meio de viação animal para facilitar a comunicação com São João de Montenegro e os campos de Vacaria, pois nas palavras do responsável pelas colônias: 'realizada essa ideia, mesmo em parte, posso garantir à V. Ex. um brilhante futuro para a colônia de Conde d'Eu e sua salvação do marasmo à que parece condemnada.' Logo, a colônia de Conde d'Eu fica aos encargos de José Antonio Rodrigues Rasteiro, sendo contratada a empresa Caetano Pinto e Irmãos Holtzweissig & C., para trazer e estabelecer esses futuros colonos, em suas devidas terras. O transporte desses colonos para Conde d'Eu, D. Izabel e Alfredo Chaves sempre se fez por São João de Montenegro e São Sebastião, no Cahy:

Chegado que seja esse inmigrante a esta capital, é logo transportado em vapor até Estrella, onde ficarão os que destinarem á colonia Conde d'Eu, cuja sede dista apenas sete léguas dessa villa; os que procuram D. izabel, seguirão em lanchas até a povoação Thereza, que também se acha a sete leguas da séde D. Izabel; e, finalmente os que forem para Alfredo Chaves continuarão nas mesmas lanchas até Santa Bárbara, no Carreiro em cuja margem esquerda demora essa colonia, sendo de seis horas a média da viagem aos pontos mais remotos de sua parte ocidental.

A produção alimentícia das colônias onde se estabeleceram franceses é massiva na questão dos grãos, principalmente o trigo, produto muito cultivado na França inclusive. As produções de grãos em 1885 chegam até mesmo a superar a de Caxias, portanto como no Relatório de Joaquim Jacintho de Mendonça, o governo deveria construir moinhos nessas cidades em vista da produção local.

(...)

Em 1873 dos 1.866 imigrantes, 174 eram franceses, e desde 1866, 1.607 imigrantes vieram por conta do contrato celebrado com Caetano Pinto e Irmão Holtzweissig & Cia., já por conta do governo imperial 259. Sendo que no total, 134 colonos franceses em 1873 entraram na província. Consta na repartição de terras públicas, entre os anos de 1859 a 1875 entraram na província 12.563 colonos, sendo 648 franceses. Em 1887 estabeleceram-se em Porto Alegre 5 franceses, 21 em Rio Grande, 3 em Pelotas, 4 em Silveira Martins, 1 m Caxias e 1 em Santo Ângelo.

Com a insatisfação dos colonos com a política migratória imperial, que não fornecia as promessas feitas aos mesmos, alguns países, em especial a França em 1876, passou a proibir a imigração ao Brasil, por isso o império decide deixar o caso confiado às empresas de imigração.

(...)

O governo imperial deliberou em 1871 a abertura das zonas de Conde d'Eu e D. Isabel para início do povoamento, sendo que no ano de 1874 que pode levar a cabo empresa tão corajosa e por conta do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio a D. Isabel, 'vieram 48 franceses assistidos por todos os auxílios. Mas também se retiraram, logo que acabaram as antecipações, e sem que houvessem abatido uma árvore sequer'. Esse trecho relata a vinda dos primeiros imigrantes a essas terras, sabe-se que esses seriam responsáveis por 'limpar o local' para estabelecer as famílias, porém assim que chegam logo se vão sem deixar pistas para onde foram. Somente sabe-se que em 1875 houve uma seca na região que fez com que os colonos perdessem a maioria de seu plantio, isso fez com que muitos fossem embora, principalmente os franceses.

Então com a saída dos franceses da região, em 1876 o governo imperial toma posse do território e aloca 200 italianos no local, onde somente 3 eram franceses. Onde no ano subsequente em 1877 já havia no local 1.929, dos quais - 1.302 eram italianos, 505 tiroleses, 12 franceses e 10 brasileiros. E dentro do tempo de 5 anos, a população que era de 1.929 em 1877, vai para 4 mil habitantes em 1882. Sendo dividida em 15 linhas, onde foram gastos em torno de 3.600 contos de réis na formação da colônia.

A colônia de Conde d'Eu, atual Garibaldi, situa-se a norte e oeste pela colônia de D. Isabel, e ao sul pela colônia particular de Teutônia, com uma área calculada em 1877 de  46.754,40 hectares, dos quais 5.352 são por colonizar. A colônia era dividida em 13 distritos, onde havia 5 mil italianos, 100 franceses e 400 tiroleses espalhados entre elas. O principal produto cultivado, devido às altas altitudes era o milho e a uva. 

(...)

A cidade de Brouchier juntamente de Maratá fora emancipada em 1989 do município de Montenegro e Maratá em 1987. Em relação à Brochier, o núcleo de povoamento colonial vem a surgir devido após o ano de 1832, quando chegavam da Europa os irmãos João Honório e August Brochier, sendo um deles mecânico e o outro ourives, que no inicio pretendiam se estabelecer em Montenegro, mas as terras haviam sido vendidas, então adentraram 25 km adentro da mata. 'Logo em 1857, seguiu-lhe a fundação do núcleo Brochier pelos irmãos desse nome oriundos de Marselha, núcleo hoje conhecido por linha dos francezes ou França'.

Antônio Eduardo Brochier era filho legítimo de Paul Brouchier e D. Maria Brouchier, ambos falecidos. 46 anos de idade. Casado com D. Virgília Boudidon - Natural de laval de Waroca (?). Departamento de Retz, França - Veio para o Brasil em 1853, e como colono foi estabelecer-se no Maratá. Onde tem vivido de agricultura, sendo hoje proprietários de uma colônia e estabelecimento de agricultura. Declaração de 20 de abril de 186'1 (pág. 68) - Na página 68 e 68v registrou sua carta de naturalização assinada pelo Presidente da Província de São Pedro do RS, Conselheiro Jerônimo Antão Fernandes Leão, em 19 de julho de 1861.

A localidade hoje conhecida como Pinheiro Machado que liga Brochier a cidade de Poço das Antas - emancipada em 1888 de Montenegro era conhecida como linha dos franceses, ou como era dito pelos alemães da região frechreich ou terra francesa. E é justamente nessa linha onde se localiza os distritos de Paris Alto e Paris Baixo. Nessa localidade teve-se o convívio de vários povos de oriundos de locais diferentes.

Durante 20 anos viveram em harmonia com os bugres da região, passando a vender suas terras aos colonos alemães em 1856, sendo que a maioria era proveniente de colonias antigas aos arredores. Os irmãos foram responsáveis pela derrubada da mata virgem e a transformação da mesma em produtivas plantações."

Fonte: KLEIN, Caroline Rippe de Mello. A imigração francesa no Rio Grande do Sul (século XIX). In: Revista Historiador, v.7, n.7, jan. 2015, p. 22-28.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A origem social dos imigrantes alemães no Brasil


"Há uma polêmica em torno da origem social dos imigrantes. Teriam eles, em sua maioria, vindo das cidades alemãs, teriam eles, em sua maioria, uma origem camponesa, seriam eles, em sua maioria, colonos pobres e sem recursos?

Alguns autores afirmam que a maior parte dos emigrantes alemães que vieram para o Brasil eram habitantes das cidades (WILLENS, 1980, BREPHOL DE MAGALHÃES, 1993). No entanto, uma pesquisa feita em Santa Catarina (SEYFERTH, 1974) mostra que a maioria desses imigrantes eram camponeses que, tendo deixado o campo, se dirigiram para as cidades, onde foram engrossar o proletariado que a fome, o fracasso das revoluções e as guerras sucessivas acabaram forçando à emigração. Confirmando a tese de SEYFERTH, tem-se a pesquisa realizada para Curitiba que aponta pelo menos até a década de 1890, a origem camponesa de grande parte dos imigrantes alemães. (NADALIN, 1988). Isso significaria que grande parte dos alemães era de origem rural, com uma passagem pelas cidades alemãs. Penso que essa polêmica ainda não está resolvida.

Sabe-se que houve, oficialmente, um incentivo, principalmente para os trabalhadores agrícolas, mas, na realidade, a emigração para o Brasil contou com muitos artesãos dos mais diversos ofícios, técnicos industriais e comerciante com iniciativa própria, assim como com alguns profissionais liberais, como farmacêuticos, médicos, professores e pastores.

A colonização baseada no regime da pequena propriedade agrícola não teve somente alcance demográfico, mas, principalmente, econômico, cultural, social e, em certo grau, político. Não teve objetivos meramente agrícolas, acompanhando a fundação de vilas e cidades em suas manifestações mais expressivas, principalmente nas três províncias sulinas e no Espírito Santo."

Fonte: RANZI, Serlei Maria Fischer. Alemães católicos: um estudo comparativo de famílias em Curitiba (1850-1919). Tese de Doutorado apresentada ao Curso de Pós-Graduação em História, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1996, p. 55-56.


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A Lebre Branca e o Galo Preto

"Havia um homem muito selvagem que tinha uma devoção de rezar todos os dias um Pai Nosso a S. Francisco. Quando esse homem estava para morrer apareceu-lhe um anjo e disse-lhe: 'Se deres três esmolas avultadas, ainda te salvarás'. Passado algum tempo entrou um velhinho na quinta e os cães não lhe fizeram mal. O guarda quando viu o velhinho dirigiu-se até ele e disse-lhe:

- Como é que entrou aqui sem os cães lhe fazerem nada?

O velho respondeu:

- Eles são mansinhos, fiz-lhe umas festas e eles não me fizeram mal.

O velhinho foi visitar o homem que estava para morrer e pediu-lhe uma esmola, o homem vira-se para o criado e diz-lhe:

- Dá-lhe cinquenta alqueires de milho.

- Mas ele não trás saco - diz o criado para o patrão.

- Dá-lhe um saco dos melhores para levar o milho.

- Também não te como transportá-lo - diz o criado.

- Então põe o milho na carroça e vai levá-lo a casa.

O criado assim fez tudo e lá mais o velhinho. Quando já iam a caminho ouviram o sino da igreja tocar. O homem que tinha dado as esmolas ao velhinho já tinha falecido. Nisto passou-lhes por perto uma lebre branca a fugir de um galo preto. O velhinho vira-se para o criado e diz-lhe:

'O teu patrão já morreu, e a lebre branca, que passou, significa que ele se salvou, o galo preto era o inimigo que vinha a correr atrás dele, mas não o apanhou. Aquele que fizer o bem já neste mundo se salvará e tu meu amigo podes levar o milho que eu não preciso' - e dito isto desaparece.

O velhinho, a quem o homem deu a esmola e com quem o criado falou era o Santo a quem o homem rezava todos os dias um Pai Nosso.

Recolha efectuada em Caféde - Concelho de Castelo Branco."

Fonte: MOURA, José Carlos Duarte. Contos, mitos e lendas da Beira. Coimbra/Portugal: A Ar Arte/Associação Cultural Outrem, 1996, p. 10.
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