sábado, 2 de setembro de 2006

Vila Teodósio

Trecho extraído do jornal Diário Popular, de 30 de julho de 1941 (página 8):
"Há cerca de quarenta anos, num pitoresco rincão dêste município, á margem da via-férrea Rio Grande-Bagé, distante mais ou menos, quinze quilômetros desta cidade, começaram a ser construídas as primeiras casas de uma povoação que, dentro em pouco, estava transformada num aprazível ponto de veraneio.
Para que, entretanto, a povoação nascente se desenvolvesse com a rapidez desejada, indispensável se tornava estabelecer um meio rápido e cômodo de comunicações com a cidade, o que se tornaria possível com a construção de uma estação no local.
Isso, após as necessárias demarches, foi conseguido da direção da hoje Viação Férrea do Rio Grande do Sul.
Obtido o favor, foi doado o terreno por um dos proprietários* dali, e, entre os demais, foram angariados fundos para auxiliar as obras da estação que, pouco tempo depois, erguia-se elegante em suas linhas e sólida em sua estrutura, como um marco de progresso no cenário bucólico da povoação que nascia.
Depois disso foram aparecendo por todos os lados novas edificações, quasi todas destinadas a veraneio e quasi todas, também, elegantes e confortáveis, cercadas de belos jardins e bem cuidadas hortas e pomares.
Eis em rápidos traços descrita, a fundação da Estação Teodósio, o lindo centro de veraneio que todos conhecem e admiram.
Como era natural, a grande afluência anual de veranistas, não só desta cidade, como de Rio Grande, deu em resultado ir adquirindo a localidade certa vida própria, com a instalação de algumas casas comerciais e exploração da fruticultura para a qual, as terras se prestam magnificamente.
E assim, no lapso de quarenta anos, a Estação Teodósio tem vivido, prosperando de acôrdo com suas possibilidades.
Já teve, como estação de veraneio, seus períodos aúreos, sob o ponto de vista social, pois realizavam-se ali, em verões sucessivos, festas memoráveis, elegantes e encantadoras.
Tornou-se, por isso, além do mais, a Estação Teodósio, uma encantadora tradição social."
Este pequeno histórico foi produzido por um jornalista da época e constitui precioso documento sobre a Vila Teodósio e a Estação daquela localidade. Convém destacar que, por seu relato, a Estação e a Vila surgiram por volta de 1900 - conclui-se.
*O proprietário do terreno que foi doado para construção da estação foi o Sr. Teodósio Fernandes da Rocha, daí a razão do nome da estação ser este, primeiramente, e, conseqüentemente estender-se à vila.


sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Dia da República de 1956

Creio que o sentimento cívico em Capão do Leão seja alguma coisa notável. Sobretudo, se imaginarmos os monumentos existentes, aqueles que foram destruídos (A Bandeira do Brasil que existia no antigo posto da Brigada Militar) e as manifestações solenes, entre outros. A tradição dos desfiles escolares e a cerimônia do juramento à Bandeira, são outros exemplos bastante claros desse fenômeno. Não refiro-me a um patriotismo ufano, nem arroubos de orgulho ingênuo, pois o País não tem esta cultura e mesmo a suposta "identidade nacional" é colocada, muitas vezes, em questão. Mas a tradição de culto ao civismo também permaneça enquanto exemplo de busca de uma identidade própria - regional, auto-reflexiva, única.
Refiro-me a este assunto, pois encontrei uma notícia de jornal algo que inusitada e, que, percebendo o fato, pude constatar que ele é exclusivo. Comemorações do Sete de Setembro e do Vinte de Setembro são costumeiras, consagradas pelos respectivos feriados. E o dia 15 de novembro, data da Proclamação da República, o que se faz de solene? Antigamente era data das eleições, hoje um feriado que passa desapercebido.
Pois, em 1956 comemorou-se o Quinze de Novembro em Capão do Leão com uma esplêndida festa. Na ocasião, nem o centro urbano em Pelotas ou outras cidades da região fizeram o mesmo.
Curioso e interessante. A transcrição a seguir foi retirada do jornal Diário Popular, de 17 de novembro de 1956 (contracapa):
Comemorações do dia 15 de Novembro no Capão do Leão
Os festejos tiveram um transcurso dos mais brilhantes - Ponto alto do desfile militar - Coquetel às autoridades presentes - Detalhes.
As comemorações do dia 15 de Novembro, na Vila do Capão do Leão, caracterizaram-se por seu alto cunho cívico, sendo condignamente festejada a efeméride histórica.
Grande foi a afluência de pessoas à praça João Gomes, em cujo largo estava armado o palanque oficial e defronte o qual, ás 8,45 horas, foi deflagrada uma salva de tiros em homenagem ao Exército Nacional.
Autoridades
Entre outras encontravam-se presentes as seguintes autoridades, Sr. Adolfo Fetter, prefeito municipal; dr. Alvacyr Faria Collares, vice-prefeito; tenete-coronel Candido Vilasboas, representando os comandos do 9o. R.I. e do Q.G. da ID-3; capitão Túlio Azevedo, titular da Capitania do Porto; d. Maria Silveira Schild, titular da Diretoria de Educação; d. Silvia Mello, delegada regional de ensino; sub-prefeitos Arthur Hammeister, Alberto Reichow e Leopoldo Martins da Luz, e vereadores Carlos Sica, representando o presidente da Câmara, Carlos Augusto Piquet Coelho, Elberto Madruga e Darcy Adam.
Hasteamento da Bandeira
Às 9 horas, sob os acordes do Hino Nacional, executado pela banda do 9o. R.I., foi hasteado o Pavilhão Brasileiro pelo sr. Adolfo Fetter. A seguir, falando em nome dos poderes Executivos e Legislativos, o vereador Carlos Augusto Piquet Coelho, em inspirado improviso, teceu considerações sôbre o 15 de Novembro. Logo depois, os alunos dos grupos escolares "Farias Santos" da Pedreira, "Dario da Silva Tavares", do Capão do Leão, e "Arroio Grande", de Teodósio, foi entoado o Hino à Bandeira.
Ocupou a tribuna, em seguida, o sr. José Cândido Ribeiro, orador oficial da solenidade e representando a Comissão Organizadora dos festejos. S.s., após brilhante dissertação sôbre a efeméride, agradeceu a todos quanto haviam colaborado para o maior brilhantismo da festa, salientando, entre outros, os comandos das guardas militares e o sr. Adolfo Fetter.
Todos os alunos presentes, a seguir, entoaram o Hino Nacional.
O Desfile
Constitui-se ponto alto do programa o grande desfile militar realizado a seguir. Desfilaram, pela ordem, a Companhia de Petrechos do 1o. Batalhão do 9o. R.I., sob o comando do capitão Mauro Abud, as representações do Santa Tecla F.C., Independente F.C., pelotão de ciclistas sob o comando do sr. Edmundo Teixeira da Silva e, por fim, um grande esquadrão de cavalarianos, sob as ordens do sr. Luiz Carlos Muniz Medeiros.
Coquetel
Às 11 horas, no salão do sr. Manoel Selmo, na vila do Capão do Leão, foi oferecido pela Comissão um coquetel às autoridades presentes e outros convidados usando da palavra, na oportunidade o vereador Elberto Madruga. Ainda discursaram, o dr. Alvacyr Farias Collares, vereador Carlos Sica e tenente-coronel Candido Vilasboas.
Paralelo ao coquetel foi oferecido um churrasco à gauchada que havia tomado parte no desfile.
Festejos Populares
Durante a tarde, ainda nos salões do sr. Manoel Selmo, teve lugar uma movimentada quermesse, em benefício do Grupo Escolar "Dario da Silva Tavares", sendo a festa animada pelo Jazz do 9. R.I.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Desfile Escolar

Desfile escolar (Avenida Narciso Silva)
Escola Barão de Arroio Grande
07 de setembro de 1969

Banda de Tamboreiros





Banda de Tamboreiros do Ginásio Estadual do Capão do Leão (atual Escola Presidente Castelo Branco), desfile do dia 07 de setembro de 1968

Inauguração do Monumento à Paz

Na postagem do dia 02 de junho deste ano, publiquei artigo alusivo aos monumentos da I e II guerras mundiais existentes em Capão do Leão. A foto acima mostra o monumento à vitória aliada na I Guerra Mundial, que encontra-se na área da Empem. Abaixo transcrevo algumas informações contidas num trecho do jornal A Opinião Pública, de 01 de setembro de 1919 (página 2, coluna 6), que fala-nos sobre a inauguração deste importante patrimônio de nosso município:
Monumento aos alliados
No Capão do Leão
Perante avultado numero de pessoas, autoridades e representantes dos paizes alliados, realizou-se, hontem, no Capão do Leão, a inauguração do marco commemorativo á Paz, em homenagem aos alliados.
O local estava vistosamente ornamentado, assim como o monumento, envolto em bandeiras de diversos paizes, tendo sido, ao decerrar as bandeiras, dadas salvas de dynamite.
O sr. Domaso Nobre offereceu ao tenente José Vieira Mendes uma coroa de louros para ser depositada no marco commemorativo, tendo nesta ocasião usado da palavra o tenente Mendes agradecendo o comparecimento das pessoas presentes e fazendo um discurso allusivo ao acto, o qual foi muito apreciado, e entre bellas imagens relembrou a entrada do Brasil na grande conflagração.
Ao terminar a patriotica festa, as gentis creanças Cecilia e Carlos Nobre e Jurema e Telmo Kluger entoaram o hymno nacional.
O sr. tenente Mendes offereceu aos presentes um copo d'água, tocando-se, por occasião, varios brindes ao Brasil e aos alliados.
O marco ostenta a seguinte inscrição: GLÓRIA AOS ALIADOS, HONRA AO BRASIL; e data de 29 de agosto de 1919. Embora a I Guerra Mundial tenha acabado no campo de batalha em 1918 (Armísticio de Compiègne), somente em 1919, com o Tratado de Versalhes, é que o conflito vai ser declarado oficialmente encerrado. Daí o porquê o marco leonense ter sido inaugurado nesta data.

Vila Operária

Este conjunto de casas à rua Professor Agostinho (rua do C.T.G. Tropeiros do Sul) constitui a prova de que Capão do Leão possuía uma vila operária. Segundo dados do Prof. Paulo Mattos, entre 1920 e 1924, ter-se-ia construído uma vila para trabalhadores no distrito de Capão do Leão, por ordem do Prefeitura Municipal de Pelotas. Lógico, que estas casas, atualmente, estão bastante diferentes do que eram, são outras as pessoas que ali moram e houveram uma série de modificações com o tempo. Através de entrevistas, sei que nos anos 50, os trabalhadores da fábrica de café ainda moravam ali.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Carnaval de 1954



São dois trechos extraídos de jornais que separei e percebi o alcance do fato. O Carnaval leonense de 1954 possui uma importância ímpar: foi o primeiro que teve à disposição iluminação pública permanente até a madrugada. Nota-se que havia uma participação muito ativa da comunidade na organização da festa, igualmente. Abaixo a reportagem do "Diário Popular" de 13 de fevereiro de 1954:
Carnaval no Capão do Leão
No amplo salão do sr. Manoel Selmo, na Vila do Capão do Leão, será realizado, hoje, à noite, grande festa carnavalesca, em homenagem ao Fluminense F.C., das Pedreiras do Estado. As danças serão ritmadas pelo "Jazz Royal", não sendo permitido o uso de máscaras, podendo os rapazes tomarem parte com camisetas esportes. De Pelotas haverá ônibus, às 21 horas, saindo do Abrigo Municipal, fila do Capão do Leão.
Este seria o "baile oficial" da vila. Mais adiante, observar-se-á as comemorações ao ar livre na terça-feira de Carnaval (Diário Popular, 18 de fevereiro de 1954):
Carnaval no Capão do Leão
Também promete revestir-se de muita alegria o carnaval na populosa Vila do Capão do Leão, sempre entusiamada com os festejos do Momo. Para isso, a Comissão Carnavalesca daquela localidade pretende ornamentar a Praça João Gomes, por onde desfilarão os blocos e cordões burlescos, os quais participarão de um concurso, conforme tem acontecido anualmente.
A propósito recebemos o seguinte ofício da Comissão de Carnaval do Capão do Leão: " Capão do Leão, 15 de fevereiro de 1954. Ilmo. Sr. Redator do 'Diário Popular', Pelotas. Presado Senhor. - Temos o prazer de levar ao conhecimento de de V.S. de que esta sociedade consoante ao que vem realizando nos anos anteriores organizou a seguinte programação para este período carnavalesco."
1) - Ornamentação da Praça João Gomes, nos dias de carnaval.
2) - Realização do concurso entre os blocos e conjuntos locais, com prêmios aos primeiros colocados.
Neste ano o carnaval do Capão do Leão promete um movimento e animação inusitada, contribuindo em muito para isso a iluminação provisoria que já será feita pelos motores da Prefeitura Municipal.
Os blocos que saíram á rua no ano passado, inclusive o "Urso da Bica Municipal", vencedor do concurso de 1953, vêm se reunindo regularmente, tendo sido realizados diversos bailes como fonte de recursos para maior brilhantismo do carnaval leonense.
O vencedor do concurso, além de fina taça, terá conduções á disposição para participar do desfile promovido pela Comissão de Carnaval.
Sem outro motivo de momento aproveitamos o grato ensêjo para reiterar a V.S. os protestos de elevada estima e distinta consideração, com que nos subscrevemos, atenciosamente - Maximo Aquini Begeres, presidente.
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