segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Os facínoras do Rio Purus


"OS FACCINOROSOS DO RIO PURÚS

O Amazonas diz o seguinte sobre os criminosos que desciam, a bordo de uma esquadrilha de vapores, em demanda de Manáos, devendo a maior parte seguir para Belém e Fortaleza:

<<Emquanto a canhoneira Affonso Celso vai subindo o rio Purús, os vapores Japurá, Caquetá, Conde d'Eu, Acará, D. Pedro II, Augusto, Paumary e outros vem descendo, conduzindo entre os passageiros, diversas féras humanas para esta capital, Belém e Fortaleza.

<<Assim é que no Caquetá veio o assassino de José Puerte e passou para o Pará.

<<Não ha quem no Alto Acre não saiba os pormenores d'aquelle crime, pois o homicida, não satisfeito com o sangue da sua victima, apoderou-se da sua esposa, ainda afflicta e dolorosa, prendeu-lhe os pulsos com pesada corrente, ameaçou matal-a como fizera ao marido, e, amedrontada, conseguio trazel-a escravisada muito tempo.

<<Para avaliar-se a quanto sóbe a perversidade d'essa faccinora, basta relatar mais o seguinte facto:

<<Tinha, como escravo seu, a um pobre indio, e, querendo mostrar que nas suas veias gira sangue dos Cortezes, amarrou-o e n'esse estado lhe cortou os pés com uma navalha e com um tiro de rifle o matou!!

<<No Japurá veio o afamado Leonel, caçador de indios, e desceu para o Pará, lugar de seu nascimento.

<<Esse tigre das florestas do Purús tem por companheiros das suas carnificinas o assassino de Puerte e mais um outro individuo do Ceruiny.

<<No Apurinã veio tambem outra féra, com passagem para o Pará.

<<Esse individuo fez parte da comitiva que atacou no Acre, a tiros de rifles, a lancha a vapor de Getulio Orlando de Paiva.

<<N'esse affluente do Purús tem commettido esse monstro diversos assassinatos.

<<No Acará passou para o Pará outro assassino.

<<No Purús deu-se o facto de sahir uma comitiva, da qual fez elle parte, com o fim de tomar de João Cassiano dois indios, e n'essa occasião foi morto um da comitiva. A autoridade policial, tendo conhecimento do facto, procedeu a corpo de delicto e reconheceu os verdadeiros criminosos, mas tudo ficou no archivo da policia!

<<Assim como estes, têm vindo outros assassinos, que aqui visitaram todas as autoridades e até andaram de braços dados com a policia pelas ruas e praças da cidade!

<<Quando remettidos para a cadêa, não lhe faltam aqui advogados, para pôl-os salvos, limpos e puros de pena e culpa, com ordem de habeas corpus!

<<Tal é presentemente o castigo dos máos.>>

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 25 de Fevereiro de 1885, pág. 02, col. 03

domingo, 17 de novembro de 2019

Almas do outro mundo...


"Almas do outro mundo

Começam de novo os jornaes do Rio a noticiar o reapparecimento ali das engraçadas almas do outro mundo, que agora, parece, estão fazendo do cemiterio de S. Francisco de Paula o seu quartel general.

O Diario de Noticias assim refere-se ao facto:

'Ás 2 horas da madrugada de hontem, o sr. tenente Maceió, com praças da 13a. estação policial, marchou para os lados da rua do Itapirú, de onde se ouviam continuados apitos de soccorro.

Perto do cemiterio de S. Francisco de Paula verificou o official que os apitos partiram d'esse lugar, respondendo de continuo aos que de fóra soavam.

Por mais que se investigasse, nada se pôde colher do extranho apitar. Cercado o cemiterio, viram as praças, como por encanto, ás 3 horas da manhã, cair perto do portão central um grande embrulho, contendo uma vela de cera, de um metro de comprimento, um gallo-capão vivo, envolvido em roupas de criança, um chifre de veado, uma oração de S. Marcos e um esqueleto de gato.

A subdelegacia da freguezia do Espirito Santo abriu inquerito sobre o caso extranho.

- Nada tem podido colher, ácerca do extranho acontecimento do cemiterio de S. Francisco de Paula, o subdelegado da freguezia do Espirito Santo.

A despeito de toda a sua actividade, dos muitos interrogatorios já feitos, cousa alguma pôde adiantar ao que foi dito.

Procurámos o sr. José João da Costa, ex-empregado do cemiterio e actualmente estabelecido com armazem de seccos e molhados na rua do Engenho de Dentro, o qual nos relatou o seguinte:

'Que esteve durante muitos annos empregado n'aquella casa mortuaria, e que, apesar de incredulo em cousas de almas de outro mundo, foi forçado a acreditar que estas aproveitam a noite para andar pelas estreitas ruas do cemiterio e até acredita que d'ahi saem, voltando antes de amanhecer o dia.

Quando a alguns jornaes de ante-hontem, nos disse elle, não me espantou terem havido apitos no interior do cemiterio; mais de uma vez os escutei, tendo até certa noite podido certificar-me do lugar de onde saiam os sons.

Marcou bem; era proximo a um mausoléo de um barão; pelo menos na pedra mar norte tinha uma corôa.

Eram 2 horas da madrugada; achando-me deitado, levantei-me sobresaltado com pancadas na janella do aposento a mim destinado e a outros companheiros, do outro lado da casa do administrador.

Abri a janella levemente e vi duas praças, que rondavam as immediações, dizendo que, si não abrissem, mettiam a janella dentro.

Com a consciencia tranquilla, de quem não commette crime algum, perguntei-lhes o que desejavam, e antes que tivessem acabado de perguntar me a causa dos gritos e apitos no cemiterio, ouviram-se dois gritos mais, um após outro, como que saídos da garganta de uma mulher afflicta, e logo em seguida alguns apitos.

Corria a bater na porta do alojamento do administrador e, como este não abrisse, franqueei a entrada ás praças, que se mostravam soffregas de saber o motivo dos gritos e apitos e dispostas a bater o cemiterio. 

Lancei mão de um lampeão e, com os soldados, que haviam desembainhado as espadas, puzemo-nos a caminho.

Já estavamos desanimados das nossas investigações, quando do lugar da sepultura da corôa ouvimos um grito abafado e como que um vulto; corremos então ao ponto designado e nada vimos, parecendo-me comtudo ouvir um baruho, semelhante ao pousar de uma lage.

Olhei estupefacto para todos os lados e depois, perguntando ás praças si nada tinham percebido, responderam-me negativamente.

Fiquei indeciso si seria allucinação minha e por isso procurei esquecer o original movimento.

Nada mais nos cumpria fazer, deixando me as praças já quasi de madrugada.'

Outros successos não menos excentricos e curiosos nos contou o sr. Costa, que reservamos para depois."


Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Julho de 1892, pág. 02, col. 03

sábado, 16 de novembro de 2019

História do Teatro em Pelotas


"7 de Abril de 1831 foi a data em que o Imperador Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro, ocorrência que para alguns pensadores constituiu o último e decisivo acontecimento que, começando pelo Dia do Fico (9 de janeiro de 1822), passando pelo chamado Grito do Ipiranga, pela capitulação dos portugueses na Bahia (2 de julho de 1823) e pelo reconhecimento da Independência, por parte de Portugal em 1825, tornou finalmente efetiva a nossa separação de Portugal. Pois bem. Desse histórico 7 de Abril restam hoje apenas dois testemunhos 'vivos': o Hino Nacional Brasileiro e o nome do Teatro Sete de Abril, de Pelotas, cidade que se orgulha de possuir a mais antiga casa de espetáculos do Brasil em funcionamento ininterrupto.

O projeto do prédio foi da lavra do engenheiro alemão Eduardo von Kretschmar; e a construção, de José Vieira Viana. A revista O Ostensor, da Corte, classificou sua arquitetura exterior de 'elegante e regular', esclarecendo entre outras descrições que a planta interior continha três ordens de camarotes, em número de sessenta, e trinta bancadas na platéia.

A inauguração desse teatro, a 2 de dezembro de 1833, não foi, todavia, o ponto inicial das atividades cênicas na Princesa do Sul.

Segundo Paulo Duval, antes dessa data já se faziam representações em recinto fechado naquela freguesia de aproximadamente três mil habitantes, pelo menos desde 1832. Com efeito, cita ele palavras de Domingos José de Almeida, relativa às festas lá realizadas a 15 de outubro de 1822, festejando a Independência política do Brasil: 'Outra alguma festividade celebrada de então a hoje, em dita cidade, a excedeu em pompa e concorrência, à exceção da de 7 de Abril que a ela se aproximava e na qual também me coube parte especial pela cessão de um armazém em poucos dias convertido em um Teatro e precursor do que hoje existe, por eu não assentir que suas portas fossem fechadas a alguém (...). Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, 1928. 1o. e 2o. trimestres'. Esse prédio adaptado era então chamado de Teatro Pelotense.

Em Pelotas, cidade que rapidamente prosperou por força de suas opulentas charqueadas, já se praticava o teatro ao iniciar-se a Regência (1831), ainda que a localidade não dispusesse de prédio específico. O atual Teatro Sete de Abril foi inaugurado a 2 de dezembro de 1833. Antes dele, porém, funcionou um Teatro Sete de Setembro, fundado a 12 de abril de 1832, cujas atividades talvez tenham-se desenvolvido em sala adaptada. O Noticiador, da vizinha cidade do Rio Grande, em edição de 19 de setembro de 1833, registrou que essa entidade apresentara, no dia 7 daquele mês, um programa que incluía o drama Patriotismo; e no dia seguinte, a peça Beneméritos da pátria e o entremez Astúcias do gafanhoto.

Nessa mesma noite, noutro local, a Sociedade Sete de Abril oferecia um espetáculo com o drama A escrava de Mariamburgo (sic) e o entremez Corcunda por amor. E na noite de 9 de setembro, no colégio dirigido por João Pedro Ladislau de Figueiredo, os estudantes agrupados na Sociedade Patriótica dos Jovens Brasileiros levaram à ribalta do teatrinho do colégio o drama O patriotismo e a farsa  O casamento por gazeta (O Noticiador, 16 de setembro de 1833).

Outra promoção da Sociedade do Teatro Sete de Abril consistiu na apresentação, a 7 de abril de 1832, em local não especificado, do drama Patriotismo e gratidão, seguido do entremez Irmão sagaz. Festeja-se então o primeiro aniversário da abdicação de Dom Pedro I.

Inaugurado o seu prédio, tal Sociedade passou a monopolizar as atividades cênicas da próspera comuna, de modo que o Teatro Sete de Setembro deixou de funcionar já em 1835. No ano anterior, o viajante francês Arsène Isabelle (1807-1888) expressou seu parecer de que em Pelotas 'há um teatro muito bonito, realmente elegante e cômodo'. E em 1869 o visitante A. Augusto de Pinho assim o descrevia: 'Teatro Sete de Abril, único do lugar, mas edifício vistoso, ornado de colunas no revestimento exterior; a sala dos espectadores é espaçosa e ornada com três ordens de camarotes; o palco está bem colocado e disposto; a pintura, tanto interna como externa, está, porém, muito estragada e a iluminação nas noites de espetáculo é insuportável'.

Guilherme Echenique compulsando e analisando os documentos que lhe chegaram aos olhos, já em nosso século, revela que o nome exato da associação que exigiu o vistoso prédio era Sociedade Cênica do Teatro Sete de Abril; que seus estatutos eram prolixos em suas 22 páginas manuscritas em papel almaço, seus 21 títulos e nada menos de 216 artigos; e deduz que a fundação da Sociedade precedeu a construção do teatro, cujo órgão executor foi uma Junta Fundadora do Teatro. Eram 210 os proprietários dos camarotes e/ou camarotes e/ou cadeiras, tendo 63 deles assinado os estatutos.

A Revolução Farroupilha paralisou, em certo momento, as funções no elegante prédio, o qual passou a servir de abrigo para os soldados do Império, conforme admite o historiador local Paulo Duval.

Já em 1854 foi João Caetano que com seu elenco se demorou por mais de um mês na Princesa do Sul (de 10 de Setembro a 14 de Outubro), oferecendo nove espetáculos com êxito absoluto. A estréia, a 13 daquele mês, se deu com A dama de Saint-Tropez, de Anicet Bourgeios e A. D'Ennery, não sem antes se trocarem derramadas amabilidades verbais: do artista fluminense ao Rio Grande do Sul, uma poesia de cerca de cem versos de Antônio José Domingues e um soneto, do Dr. Trigo de Loureiro, ao glorioso visitante. E ao final da estréia, as atrizes Gabriela da Cunha Vecchy e Josefina Miró viram-se quase mergulhadas num mar de flores naturais. Era primavera no Sul.

Nos dias seguintes eram gerais os encômios ao desempenho dos artistas da Corte. O periódico mais antigo da cidade, O Pelotense, conservou-nos a nominata de outros dramas montados nessa temporada: A gargalhada, de Jacques Arago; Dom César de BazánI, de Philipe Dumanoir e Adolphe D'Ennery; e A câmara da minha mulher. O empresário dessa tournée de João Caetano foi o infatigável dramaturgo rio-grandino Manuel José da Silva Bastos (1825-1861).

Em 1856, segundo O Noticiador, do Rio Grande (edição de 27 de agosto), a Companhia Dramática Provincial, de Porto Alegre, encenou, no mesmo Teatro, o drama O cigano e a comédia Os irmãos das almas, de Martins Pena. Em 1858, segundo a mesma fonte, a Companhia Dramática do Sul submeteu às luzes da ribalta o drama Nani, do brummer Carlos von Koseritz (Dessau, 1830 - Porto Alegre, 1890), e cuja ação se passa na remota antilha de São Domingos; bem como a comédia de Martins Pena, O diletante.

As notícias sobre as funções realizadas nos primeiros decênios da tradicional casa de espetáculos são muito raras, não só pela inexistência de uma imprensa local (até 7 de novembro de 1851, data em que surgiu O Pelotense), como ainda pelo lamentável extravio - tão generalizado em nosso país - dos livros de atas da associação proprietária e mantenedora do Teatro Sete de Abril, relativas aos anos de 1835 a 1868, conforme indica Guilherme Echenique.

A 'Princesa do Sul', uma vez inaugurado o seu fort joli théâtre (Arsène Isabelle) em 1833, entregou-se a uma estirada lua-de-mel, com arte dramática, música e outras manifestações de cultura, que iriam ultrapassar o século. Recursos financeiros não lhe faltavam, propiciados pela indústria saladeiril em apogeu que em certa época abatia anualmente quatrocentos mil bovinos em suas 35 charqueadas. Assim a aristocrática sociedade pelotense se permitia embelezar o noivo - o Teatro Sete de Abril - com reformas ou novos adereços; verbi gratia o novo pano de boca, pintado pelo desenhista e cenógrafo italiano Bernardo Grasseli em 1861; os belos lustres, os azulejos em relevo no salão de entrada, o piso de mármore preto e branco, os espelhos esculturados, o salão superior 'magnificamente alfaiado' que acolheram o Augusto Imperador e a Imperatriz Teresa Cristina em 1864. Cinco anos depois, reformas estatutárias determinaram a mudança do nome 'Sociedade Cênica Sete de Abril' para 'Associação Teatro Sete de Abril', além de trabalhos de remodelação, sob a direção de Pedro Peiruq, concluídos em 1872 e incluindo grades e colunas de ferro, pintura total e bancos para camarotes e platéias.

O livro de atas mais antigo que Guilherme Echenique conseguiu compulsar, arrancava de 1o. de agosto de 1869. Na primeira delas se lê o texto do novo Estatuto (o 2o.) e se registra o número de proprietários de camarotes (61) num total de 168 associados, entre os quais figurava dois barões, dez mulheres e duas firmas comerciais. Previam-se funções anuais em benefício da Santa Casa de Misericórdia, do Asilo de Órfãs Desvalidas e da Sociedade Portuguesa de Beneficência, além de espetáculos em favor da libertação de escravos. Essa Associação foi a principal promotora da constante atividade no Teatro Sete de Abril até o final da Monarquia e além dela. Nem mesmo a Guerra do Paraguai o paralisou, como afirma o Conde D'Eu o qual efetuou uma viagem militar ao Rio Grande do Sul em 1865: 'O teatro de Pelotas é o único na Província que se acha aberto, apesar da guerra'. No ano seguinte o Augusto Imperador aí assistiu à representação do drama O pai, por um grupo de amadores locais.

Alguns dos eventos mais notáveis vistos no Sete de Abril foram: em 1858, apresentação do drama Agiota, de Furtado Coelho, diretor e primeiro ator da companhia chamada Ginásio Dramático Rio-Grandense, da qual era empresário João Ferreira Bastos e que encenou a peça; em 1861, a organização pelo ator Antônio José Areias (Lisboa, 1819 - Rio de Janeiro, 1892) de uma companhia dramática especialmente para trabalhar naquela casa, com um elenco de treze atores ou atrizes, entre elas Rosina Augusta Ribeiro, donde o nome da empres 'Areias & Rosina'; em 1862, em temporada de Furtado Coelho, a presença da atriz Eugênia Câmara, ainda não noiva de Castro Alves; em 1871, as dezessete récitas da Companhia Dramática Simões com a estrela Lucinda Simões (e outras tantas em 1881); nesse último ano os catorze espetáculos proporcionados pela companhia italiana Cuniberti e Millone; em 1883 as apresentações da menina-prodígio Julieta dos Santos, êmula da anterior e ao lado de quem por vezes representou; em 1884 a presença da Companhia Braga Júnior, primeira companhia de operetas em português que excursionava ao Sul; em 1887 as exitosas representações do drama O louco do Ceará, do dramaturgo Manuel José da Silva Bastos. Destaque tiveram também as presenças de Germano de Oliveira, em 1860 e em 1884, quando lá adoeceu gravemente, sendo amplamente auxiliado pela Sociedade Dramática Melpômene; de Florindo Joaquim da Silva que em 1866 lá encenou o drama abolicionista O escravo fiel, de Carlos Antônio Cordeiro; e da Companhia Narizano em 1877 que levou as óperas Fausto, O guarani, La favorita, Ernani, O trovador e Aída. Em 1881 montou-se a comédia do autor local Paulo Marques de Oliveira Filho, Por causa de um chapéu de sol, com grande êxito, como registrou a imprensa da época, e alguma polêmica; e em 1899 a Grande Companhia Dramática Dias Braga apresentou a 20 de setembro um 'grande festival para comemorar o glorioso aniversário do início da Revolução Rio-Grandense de 35, dedicado à União Gaúcha', conforme anúncio no Correio Mercantil.

Nos últimos anos do Império, Pelotas chorou a morte de dois autores conterrâneos: Colimério Leite de Faria Pinto, 1887, autor de cinco dramas e cinco comédias, além de traduções de peças de Alfred de Musset e de outros autores franceses; e no ano seguinte, a de Francisco Lobo da Costa, que compôs um dos dramas mais representados no Rio Grande do Sul de antanho, O filho das ondas.

A partir de 1880 estiveram em ação algumas sociedades cênicas locais, entre elas a Filhos de Talia, a Melpômene e a Recreio Pelotense. A primeira encenou do escritor João Simões Lopes Neto a revista O boato (parceria com José Gomes Mendes), em 1893, e a comédia-opereta Os bacharéis em 1896, já em anos republicanos.

As sucessivas gerações de pelotenses sempre tiveram especial carinho para com o seu Teatro Sete de Abril, o que explica as periódicas reformas que recebeu. Com o estatuto reformado em 1869 e que vigoraria até 1915, operaram-se de 1870 a 1872 importantes obras de reforma. Em 1916 outra remodelação se fez sob a orientação do arquiteto José Torrieri; em 1927 foi construído um prédio de dois andares, aproveitando um terreno corredor vizinho; em 1930 houve uma pintura geral; e mais recentemente, em 1979, o Teatro foi desapropriado pela Prefeitura Municipal, passando então por novas reformas, externas e internas, sob a orientação do renomado cenógrafo Pernambuco de Oliveira, do iluminador João Acir e do cenotécnico Jardel.

Outra importante casa de espetáculos em Pelotas é o Teatro Guarani, inaugurado em 1921 com a Companhia Lírica Italiana Marranti, apresentado a ópera O guarani, de Carlos Gomes. Foi ele fundado por Rosauro Zambrano, Francisco Santos e Francisco Xavier. Com três ordens de camarotes, platéia e geral, a sala comporta três mil espectadores. Por seu palco passaram grandes companhias dramáticas, nacionais e estrangeiras, bem como se fizeram ouvir grandes nomes da música, seja coral, individual ou instrumental. Da restauração que experimentou, em 1970, sob a orientação do artista conterrâneo Adail Bento Costa, nos dá notícia o Correio do Povo, da capital, de 12 de abril daquele ano.

Atividades cênicas se desenvolveram em Pelotas em mais alguns pontos; no Cine-Teatro Coliseu e no Cine-Teatro Politeama, inaugurados em 1910, de propriedade dos Irmãos Petrelli e de Fernandes Silveira, respectivamente; no Teatro Dante Allighieri que passou a chamar-se Teatro da Liga Operária e, em 1914, Teatro 1o. de Maio; no anexo do Colégio São Luís, com capacidade para novecentos espectadores; e no Teatro Talia, no arrabalde do Areal, em prédio do século passado. Já o chamado Teatro Apolo (1925-1076) dedicou-se mais a atividades cinematográficas.

Sobre as incontáveis atividades desenvolvidas principalmente no Teatro Sete de Abril debruçaram-se, entre outros: o escritor Guilherme Echenique em sua monografia Histórico do Teatro Sete de Abril, de Pelotas, no mais abrangente estudo sobre o assunto; o médico Paulo Duval em artigos no Correio do Povo, de Porto Alegre, e no Diário Popular, de Pelotas; e a professora Heloísa Assunção Nascimento, nesse último jornal. Aldo Obino publicou breve síntese seletiva no Correio do Povo de 1o. de setembro de 1950, na seção 'Notas de Arte'. Merece especial menção, por sua cor provincial, a montagem do drama, em quatro atos, de costumes gauchescos, O legado do farrapo, da lavra do ator Dantés e dedicado à sociedade União Gaúcha (V. Diário Popular de 20 e 22 de agosto de 1905).

Enfim, a matéria de Luís Lancetta no Correio do Povo de 8 de junho de 1975, sob o título 'Movimento para reviver o Teatro de Pelotas', alude a diversas iniciativas e instituições como: o Teatro Escola, criado em 1890; a Sociedade de Teatro de Pelotas (STEP), surgida cerca de 1962; o Teatro dos Gatos Pelados, criado em 1963; o Grupo de Teatro da Escola Técnica Federal de Pelotas (ETFP); o Teatro da Universidade Católica de Pelotas; o Teatro dos Bancários, o Teatro Universitário e outros. O Teatro Escola foi fundado como Grupo Cênico do Apostolado dos Homens, da Catedral, e teve seu auge nas décadas de 1930 e 1950, quando apresentava seis a sete peças por ano.

Como se observa, a sociedade pelotense sempre devotou especial apreço às artes cênicas."

Fonte: HESSEL, Lothar. Teatro no Rio Grande do Sul. Porto Alegre/RS: Editora da Universidade/UFRGS, 1999, pág. 50-60.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Histórico do Município de Campestre da Serra/RS


"O Município de Campestre da Serra começou sua existência como 3o. distrito de Vacaria, sendo considerado inicialmente como zona de Campos, embora a ele pertencesse toda uma zona de mata que se estendia nas encostas Norte do Rio das Antas seguindo entre o Rio Vieira ao Sudoeste e o Rio Refugiado ao Nordeste até alcançar os altiplanos dos campos e pastagens naturais em cima da Serra.

Como estas matas eram de difícil acesso foram consideradas de pouco valor e cedidas como partes de propriedade aos fazendeiros dos campos limítrofes.

A falta de estradas impossibilitava qualquer pretensão de cultura nestas terras. Mas em fins do século passado, a necessidade de levar o gado de Vacaria aos centros consumidores obrigou a abertura da célebre estrada 'Rio Branco" ligando a Vila Criúva de Caxias do Sul, cruzando o Nordeste do distrito.

A influência do político Cel. Paim fez ainda com que a primeira ponte metálica vinda da Europa para ser instalada no Passo do Zeferino entre Flores da Cunha e Antônio Prado na estrada Júlio de Castilhos, fosse transferida para o Passo das Antas da estrada Rio Branco, ligando assim o Município de Vacaria, no 3o distrito com Caxias - Via distrito de Criúva. Este fato ocorreu em 15/02/1907.

Com a segurança de passagem das tropas pela Estrada Rio Branco, garantida pela nova ponte, surgiu interesse de outros comércios ao longo da mesma. Foi assim que nasceu o primeiro povoado chamado VILA KORFF, pelo sobrenome do primeiro morador.

Situada à margem direita do Rio das Antas Vila Korff cresceu rapidamente, chegando a ter três fortes casas comerciais, um moinho cilindro, que fornecia luz elétrica ao povoado, uma Cooperativa Agricola 'Maurício Cardoso' e oito serrarias para serrar a mata que ninguém queria.

Vista a fertilidade descoberta nesta região da mata que se estendia ao norte do Rio das Antas, entre o Rio Vieira, ao oeste e o Rio Refugiado, ao nordeste, até a borda ddos campos, acorreram logo colonos especialmente de origem italiana vindos de Caxias do Sul, de Flores da Cunha, São Marcos, Antônio Prado, à procura das novas terras - 'terras fortes' como diziam.

Em breve toda a encosta norte do Rio das Antas, entre o rio Vieira e Refugiado, até a borda dos campos estava ocupada pelos colonos italianos.

Esta área colonial do município de Campestre da Serra ocupa aproximadamente 1/3 (um terço) da superfície do município e abriga cerca de 85% de sua população.

Outra estrada que atravessou o distrito foi a estrada Júlio de Castilhos que liga Antônio Prado a Ipê a Vacaria. Esta estrada contudo não teve para o distrito muita influência por passar totalmente no campo, fora da concentração populacional da colônia.

O nome Campestre da Serra originou-se de um Campestre existente no local, isto é, um pequeno campo cercado de mato.

Criado o Município em março de 1992 e com administração própria a partir de 10 de janeiro de 1993 o Município de Campestre da Serra entrou em nova fase de desenvolvimento.

Agora nasceu novo entusiasmo, nova vida, porque nasceu nova esperança com novas perspectivas."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 21 de Dezembro de 1998, pág. 05

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Mostra de Trabalhos Escolares de Cultura Afro & Indígena/Feira de Culturas 2019


Está acontecendo na Sala Frederico Trebbi (hall da Prefeitura Municipal de Pelotas) a Mostra de Trabalhos Escolares da Cultura Afro & Indígena e também a Feira das Culturas. No local é possível conhecer os diversos trabalhos pedagógicos desenvolvidos sobre a cultura africana e sobre a cultura indígena nas escolas de educação infantil e de ensino fundamental da rede municipal de ensino. A entrada é franca e o evento vai até 18 de Novembro.

























Hotel Atlântico, Cassino, Rio Grande em 1957



Banhistas na Praia do Cassino, Rio Grande em 1957




Floriza Magalhães - Miss Cassino 1957

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