Cabe esclarecer que esta é a "foto da foto" original, encontrada no periódico "Revista Semanário Gaúcho", edição 23, de julho de 1972. A paisagem visualizada corresponde a parte baixa da Estrada do Cerro das Almas, antes de atingir a bifurcação que leva ou ao próprio Cerro das Almas ou ao Passo do Descanso. Segundo o relato, ali seria uma área de plantação de milho totalmente tomada por uma enchente forte que se deu no inverno daquele ano. Não compreendi o que pode ser a construção ao fundo, se uma cerca ou ponte. Em primeiro plano, acredito que sejam duas marrecas-do-banhado, espécime típica da região.
História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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domingo, 15 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
Bloco do Urso em 1968
Carro alegórico do Bloco Carnavalesco Urso da Bica Municipal em 1968, no final do carnaval daquele ano, próximo ao antigo Armazém Moreira, na Avenida Narciso Silva. Na foto, observa-se um urso branco no centro do carro.
Cortesia: Sr. Santos Sidnei Vieira (acervo pessoal)
sábado, 30 de junho de 2012
Acidente de Trem no Capão do Leão em 1968
No ano de 1968, na altura da linha férrea próximo à rua Manoel dos Santos Victória (rua da antiga telefônica/rua da SBS Engenharia), ocorreu violento acidente entre dois trens - um proveniente de Pedro Osório com vagões de carga, o outro de passageiros, que vinha na direção contrária. Estas são fotos que retratam os danos do acidente. Na foto de baixo, é possível observar um soldado da BM: o Sr. Gildo, hoje aposentado, morador à rua Teófilo Torres, conhecido popularmente como "Gildão".
Cortesia: Sr. Santos Sidnei Vieira (acervo pessoal)
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Seara da Memória: uma mesa de doces
Trecho extraído de: SOARES,
Fernando Manuel. Seara da Memória. Porto
Alegre: tiragem independente, 1998.
“Vovó Maria Laura – era assim
que gostava de ser chamada. Eu e o Laércio, mais broncos e desleixados vez ou
outra esquecíamos o ‘vovó’ e emendávamos o regional ‘vó’ sem nenhum
constrangimento. Ela não gostava, mas no seu amor de avó, tolerava com um
sorriso no rosto. Mas houve uma vez em que o pronome de tratamento ‘Vovó’ foi
exigido quase que de forma militar. O tio Fernando fez mil e uma recomendações.
Toda a família nos passou uma longa oratória moralista sobre nossos deveres e a
necessidade de sermos bem-educados. É que haveria a visita de uma amiga esnobe
de nossa família, mulherzinha sem sal vinda do Rio de Janeiro – a capital
federal. Naquela época, ‘capital federal’ ou ser da ‘capital federal’
equivaleria hoje, em paralelo aproximado, dizer que vem dos Estados Unidos e
mora em Nova Iorque. Aquele sotaque conferia status a quem tinha e fatalmente
era símbolo de certo ar de afetação. Não quero ser preconceituoso com os
cariocas, pois tenho vários amigos de lá, amizades verdadeiras construídas em
meus anos na companhia. Mas em minha mente infantil, Porto Alegre já parecia a
Indochina, Rio de Janeiro era outro planeta.
Mas vamos ao que interessa.
Era primavera e receberíamos a elegante senhorinha
Lorena na chácara da família em Capão do Leão. A preparação à recepção já
tinha tomado tempo dos moradores do sítio duas ou três semanas antes. Os
adultos estavam eufóricos. A vó e os tios fizeram uma espécie de lista seleta
de conhecidos que deveriam ser convidados (e poderiam estar) na recepção.
Compromissos foram desmarcados e nós, eu, o Laércio e a Beatriz, como disse,
preparados exaustivamente para o encontro, com advertências de toda ordem. A
Beatriz era uma moçoila na ocasião e muito apegada à vó, conhecia aquelas
frescuras. Eu e o Laércio, ao contrário, autênticos moleques, mas não mal-criados,
achávamos tudo tedioso e sem sentido. O epíteto senhorinha soava em nossos ouvidos como um gracejo ridículo. Apesar
de tudo, o bendito domingo da visita da senhorinha
Lorena havia chegado. A vó tinha arrumado tudo, supervisionando atentamente
o trabalho das empregadas. Havia uma belíssima mesa de doces e salgados
especialmente enfeitada. As porcelanas da cristaleira foram colocadas com todo
o fru-fru. Lencinhos, cortinas brancas novas, piso encerado – tudinho para
receber aquela saracura de óculos!
Por volta das dez da manhã, os
tios Fernando e Alberto já haviam trazido a perua, após o desembarque na
estação. Ela adentrou na sala do sítio, a princípio muito simpática e
sorridente, cumprimentando a todos. O Laércio com cara de bobo, todo
empertigado, ficou envergonhado e esqueceu-se de cumprimentá-la. Coitado! O tio
Alberto metia-lhes uns beliscões por trás da blusa bege, repreendendo-o. O
blá-blá-blá seguiu-se até o almoço. A vó e os tios levaram a perua para
conhecer o pomar da chácara. Lá foram eles percorrendo o laranjal. A perua só
falava das viagens, das jóias, das férias na França, do filho recém-formado
médico. No almoço não foi diferente. Assim seguiu-se até à tarde.
Aquelas recepções a pessoas de
renome, digamos assim, eram comuns entre os mais remediados – aliás, para ser
sincero, o que seria hoje classe média naquele tempo era ser considerado um
magnata. Na chácara eu cresci assistindo e participando de muitas dessas
reuniões. O que valia para mim é que, em termos alimentares, os dias assim
sempre valiam a pena. Aquela mesa de doces, com uns nomes esquisitos, mas com
sabores deliciosos, encantavam os olhos e o paladar. A vó era craque nisso!
Lembro-me de um pavê (acho que era pavê) que ela fez com um licorado – é, não era licor, parecia com
um e tinha o mesmo gosto – que me deixou tontinho e alegre. Os salgados também
faziam sucesso. Vez ou outra havia aqueles patês importados, nem imagino de
onde, mas que davam um tom de classe à mesa.
O quindim era um doce clássico
e obrigatório, mas a vó chamava-o com outro nome. Havia pastas das mais
diferentes – goiabada, marmelada, figada, pessegada – bem como doces em calda e
a tradicional ambrosia. Bolos decorados do jeito da vó Maria Laura com calda ou
uma espécie de mistura que deixava o mesmo com uma textura escura. Ela não
gostava de merengue, por sinal. Para a criançada, ela gostava de nos entupir
com rapaduras e cocadas. Era maravilhoso!” (p.31-35)
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