domingo, 15 de julho de 2012

Enchente no Capão do Leão em 1971

Cabe esclarecer que esta é a "foto da foto" original, encontrada no periódico "Revista Semanário Gaúcho", edição 23, de julho de 1972. A paisagem visualizada corresponde a parte baixa da Estrada do Cerro das Almas, antes de atingir a bifurcação que leva ou ao próprio Cerro das Almas ou ao Passo do Descanso. Segundo o relato, ali seria uma área de plantação de milho totalmente tomada por uma enchente forte que se deu no inverno daquele ano. Não compreendi o que pode ser a construção ao fundo, se uma cerca ou ponte. Em primeiro plano, acredito que sejam duas marrecas-do-banhado, espécime típica da região.

domingo, 1 de julho de 2012

Bloco do Urso em 1968


Carro alegórico do Bloco Carnavalesco Urso da Bica Municipal em 1968, no final do carnaval daquele ano, próximo ao antigo Armazém Moreira, na Avenida Narciso Silva. Na foto, observa-se um urso branco no centro do carro.
Cortesia: Sr. Santos Sidnei Vieira (acervo pessoal)

Pedra da Bandeira em 1969


Cortesia: Sr. Santos Sidnei Vieira (acervo pessoal)

sábado, 30 de junho de 2012

Acidente de Trem no Capão do Leão em 1968

No ano de 1968, na altura da linha férrea próximo à rua Manoel dos Santos Victória (rua da antiga telefônica/rua da SBS Engenharia), ocorreu violento acidente entre dois trens - um proveniente de Pedro Osório com vagões de carga, o outro de passageiros, que vinha na direção contrária. Estas são fotos que retratam os danos do acidente. Na foto de baixo, é possível observar um soldado da BM: o Sr. Gildo, hoje aposentado, morador à rua Teófilo Torres, conhecido popularmente como "Gildão".
Cortesia: Sr. Santos Sidnei Vieira (acervo pessoal)

Capa do Programa do 23o. Aniversário de Capão do Leão






Capa do Programa de 21o. Aniversário de Capão do Leão


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Seara da Memória: uma mesa de doces


Trecho extraído de: SOARES, Fernando Manuel. Seara da Memória. Porto Alegre: tiragem independente, 1998.

“Vovó Maria Laura – era assim que gostava de ser chamada. Eu e o Laércio, mais broncos e desleixados vez ou outra esquecíamos o ‘vovó’ e emendávamos o regional ‘vó’ sem nenhum constrangimento. Ela não gostava, mas no seu amor de avó, tolerava com um sorriso no rosto. Mas houve uma vez em que o pronome de tratamento ‘Vovó’ foi exigido quase que de forma militar. O tio Fernando fez mil e uma recomendações. Toda a família nos passou uma longa oratória moralista sobre nossos deveres e a necessidade de sermos bem-educados. É que haveria a visita de uma amiga esnobe de nossa família, mulherzinha sem sal vinda do Rio de Janeiro – a capital federal. Naquela época, ‘capital federal’ ou ser da ‘capital federal’ equivaleria hoje, em paralelo aproximado, dizer que vem dos Estados Unidos e mora em Nova Iorque. Aquele sotaque conferia status a quem tinha e fatalmente era símbolo de certo ar de afetação. Não quero ser preconceituoso com os cariocas, pois tenho vários amigos de lá, amizades verdadeiras construídas em meus anos na companhia. Mas em minha mente infantil, Porto Alegre já parecia a Indochina, Rio de Janeiro era outro planeta.
Mas vamos ao que interessa. Era primavera e receberíamos a elegante senhorinha Lorena na chácara da família em Capão do Leão. A preparação à recepção já tinha tomado tempo dos moradores do sítio duas ou três semanas antes. Os adultos estavam eufóricos. A vó e os tios fizeram uma espécie de lista seleta de conhecidos que deveriam ser convidados (e poderiam estar) na recepção. Compromissos foram desmarcados e nós, eu, o Laércio e a Beatriz, como disse, preparados exaustivamente para o encontro, com advertências de toda ordem. A Beatriz era uma moçoila na ocasião e muito apegada à vó, conhecia aquelas frescuras. Eu e o Laércio, ao contrário, autênticos moleques, mas não mal-criados, achávamos tudo tedioso e sem sentido. O epíteto senhorinha soava em nossos ouvidos como um gracejo ridículo. Apesar de tudo, o bendito domingo da visita da senhorinha Lorena havia chegado. A vó tinha arrumado tudo, supervisionando atentamente o trabalho das empregadas. Havia uma belíssima mesa de doces e salgados especialmente enfeitada. As porcelanas da cristaleira foram colocadas com todo o fru-fru. Lencinhos, cortinas brancas novas, piso encerado – tudinho para receber aquela saracura de óculos!
Por volta das dez da manhã, os tios Fernando e Alberto já haviam trazido a perua, após o desembarque na estação. Ela adentrou na sala do sítio, a princípio muito simpática e sorridente, cumprimentando a todos. O Laércio com cara de bobo, todo empertigado, ficou envergonhado e esqueceu-se de cumprimentá-la. Coitado! O tio Alberto metia-lhes uns beliscões por trás da blusa bege, repreendendo-o. O blá-blá-blá seguiu-se até o almoço. A vó e os tios levaram a perua para conhecer o pomar da chácara. Lá foram eles percorrendo o laranjal. A perua só falava das viagens, das jóias, das férias na França, do filho recém-formado médico. No almoço não foi diferente. Assim seguiu-se até à tarde.
Aquelas recepções a pessoas de renome, digamos assim, eram comuns entre os mais remediados – aliás, para ser sincero, o que seria hoje classe média naquele tempo era ser considerado um magnata. Na chácara eu cresci assistindo e participando de muitas dessas reuniões. O que valia para mim é que, em termos alimentares, os dias assim sempre valiam a pena. Aquela mesa de doces, com uns nomes esquisitos, mas com sabores deliciosos, encantavam os olhos e o paladar. A vó era craque nisso! Lembro-me de um pavê (acho que era pavê) que ela fez com um licorado – é, não era licor, parecia com um e tinha o mesmo gosto – que me deixou tontinho e alegre. Os salgados também faziam sucesso. Vez ou outra havia aqueles patês importados, nem imagino de onde, mas que davam um tom de classe à mesa.
O quindim era um doce clássico e obrigatório, mas a vó chamava-o com outro nome. Havia pastas das mais diferentes – goiabada, marmelada, figada, pessegada – bem como doces em calda e a tradicional ambrosia. Bolos decorados do jeito da vó Maria Laura com calda ou uma espécie de mistura que deixava o mesmo com uma textura escura. Ela não gostava de merengue, por sinal. Para a criançada, ela gostava de nos entupir com rapaduras e cocadas. Era maravilhoso!” (p.31-35)
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