domingo, 20 de dezembro de 2020

Catharina Pabst


"Fallecimento

O nosso co-religionario Augusto Pabst, empregado fundador das officinas typographicas d'esta folha, soffreu hontem irreparavel perda com o fallecimento de sua extremosa mãi a exma. sra. d. Catharina Pabst.

Quem, como nós, apreciou a intensidade do affecto que o desolado filho consagrava á sua progenitora, póde avaliar o quanto lhe punge a alma o facto lamentavel que assignalamos e pelo qual damos pezames á familia da morta."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Abril de 1891, pág. 01, col. 04

sábado, 19 de dezembro de 2020

Imigração Libanesa no Brasil

 


Os anos de 1880 a 1940 presenciaram a saída de centenas de milhares de libaneses em direção às terras da América, da África, do Oriente Médio e da Austrália. O movimento iniciou-se com os conflitos comunais de 1850-60, ganhando intensidade a partir dos anos 1880 até atingir seu pico nos anos 1910, para então recuar e manter-se num volume constante e significativo até o início da Segunda Guerra Mundial. Tal período, por sua vez, pode ser dividido em duas fases de características distintas quanto aos motivos e sujeitos da emigração, tendo como marco divisor o ano de 1920 – significativo por marcar a mudança do domínio turco-otomano para o domínio francês. 

Dados estatísticos dispersos recolhidos por Charles Issawi indicam que em 1858, 5.000 camponeses deixaram as aldeias maronitas em decorrência dos conflitos comunais – o que deve ter continuado a ocorrer nos anos seguintes devido à intensidade dos combates entre drusos e maronitas. Em 1900, 120.000 pessoas deixaram a grande Síria – principalmente o Líbano – em direção aos Estados Unidos, Brasil e outros países latino-americanos; em 1914, registrava-se no Monte Líbano a emigração de 15.000 a 20.000 pessoas por ano, e estima-se que ¼ de toda a população libanesa tenha deixado o país entre os anos de 1900 e 1914. 

Do ponto de vista da imigração para o Brasil, segundo dados apresentados por Oswaldo Truzzi, o movimento iniciou-se pouco a pouco nos anos 1880, tomou fôlego em 1895, crescendo continuamente de 1903 a 1913. Neste ano, houve a entrada de 11.101 imigrantes sírio-libaneses pelo Porto de Santos. Nos anos 1920, a taxa manteve-se na média de 5.000 entradas por ano, diminuindo ao longo dos anos 30 com a implantação de medidas restritivas por parte do governo central. De 1908 a 1941, os sírio-libaneses representaram a sexta nacionalidade com o maior número de entradas em São Paulo. 

(...) 

A questão inicial que se coloca é: por que este grande grupo imigratório dirigiu-se para o Brasil, sendo que outras opções se ofereciam? – como os países produtores de petróleo do Golfo Pérsico, os países de população islâmica da África, os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália e outros países latino-americanos como a Argentina, a Venezuela e o México, que ao longo do século XX também foram fonte de atração de imigrantes em menor ou maior grau. O Brasil, porém, superou todas as expectativas que poderiam ter os libaneses descontentes quanto a ser um bom país de recepção, e hoje cálculos realizados pelas entidades internacionais de imigrantes libaneses indicam o Brasil como o país com o maior número de imigrantes e descendentes de libaneses em todo o mundo. 

Entre os fatores especificamente brasileiros para a atração de imigrantes entre os anos 1880 e 1930 e a partir de 1945, discutirei neste capítulo: 

·         A requisição de mão-de-obra imigrante para a substituição do braço escravo no trabalho agrícola, nas duas últimas décadas do século XIX e três primeiras décadas do século XX, especialmente na província/estado de São Paulo;

·         A requisição de mão-de-obra especializada para suprir as necessidades da industrialização e urbanização iniciadas nos anos 1930 e acentuadas nos anos 1950;

·         A política imigratória liberal do país – apesar de alguns poucos momentos de restrição e de discursos anti-imigratórios – acompanhada por uma política ampla de concessão de nacionalidade;

·         A possibilidade dos imigrantes obterem ascensão econômica devido à crescente urbanização e desenvolvimento do país (no caso dos libaneses, através do ciclo mascate-lojista-industrial);

·         A liberdade de culto e multiplicidade étnica, que permitiu aos imigrantes não-europeus e não-cristãos serem aceitos na sociedade (especialmente os menos diferentes e após a ascensão econômica). 

Fonte: GATTAZ, André. Do Líbano ao Brasil: história oral de imigrantes. Salvador/BA: Editora Pontocom, 2ª. Ed., 2012, pág. 24-26; 79-80.

 

Antonio Dias dos Aydos


"Registro mortuario

(...)

Em Portugal finou-se a virtuosa mãi do cidadão Fernando Pimentel, redactor do Artista do Rio Grande.

Os nossos pezames ao collega.

✤✤✤✤✤

Succumbiu hoje o honrado negociante d'esta praça nosso co-religionario Antonio Dias dos Aydos.

O triste successo tem sido muito lamentando na sociedade porto-alegrense, onde o finado era acatado pela lhaneza de seu caracter.

Á sua familia, de quem fazem parte dedicados co-religionarios nossos, enviamos pesames.

- Amanhã, ás 10 1/2 horas, na Cathedral, effectuam-se as cerimonias da encommendação, saindo o feretro, meia hora antes, da casa mortuaria á rua 7 de Setembro n. 151.

✤✤✤✤✤

A 10 do passado falleceu na Encruzilhada o respeitavel cidadão Antonio Pereira da Luz.

- Na mesma localidade finou-se tambem, a 21 do citado mez, a exma. sra. d. Carolina Silveira, casada com o cidadão Jacintho Claro da Silveira."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 08 de Setembro de 1892, pág. 02, col. 02

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Weihnachtskäfer - O Besouro de Natal Teuto-Brasileiro


"BESOURO DE NATAL

'WEIHNACHTSKÄFER'

A cigarra que canta durante o verão é figura central de lenda infantil. - Quando os preparativos natalinos tomam vulto ponderável, as mães valem-se do estrídulo do hemíptero e fazem a lenda. A finalidade é conseguir disciplina dos seus peraltas. É criação autêntica do teuto-brasileiro, pois na Alemanha durante o Natal não existe besouros e muito menos a nossa cigarra que é dos trópicos e de terras da Europa meridional. Em besouros na Alemanha o notório chama-se 'MAIKÄFER' ao pé da letra: besouro-de-maio, que é um grande inimigo das plantações.

'Weihnachtskäfer' é vocábulo do folclore do teuto-brasileiro, perfeitamente ajustado numa lenda bonita e curta, porém, com significação profunda. Sua tradução ao pé da letra é: Besouro-de-Natal porém assim nunca é chamado. 'Weihnachtskäfer' ou Cigarra. O estrídulo melódico silvestre empresta colorido à presença dêste auxiliar de Papai-Noel. Como acham no misticismo bem do gôsto germânico: a cigarra lembra a proximidade do Natal, e para a petizada traquina ela trabalha para Papai-Noel ou seja São Nicolau que, entre nós é comumente 'NICOLAU' e 'WEIHNACHTSMANN', nas áreas urbanas tem o primeiro nome e nas rurais, mais fechadas aos contatos sociais com outros meios, é, conhecido com o segundo. O trabalho da cigarra é anotar peraltices e dá-las para o Papai-Noel, que, por sua vez, pune os traquinas não dando presentes-de-Natal.

O solene momento quando a árvore-de-Natal é acesa o Papai-Noel entra com seu saco de estopa, suas roupas usadas, sua barba tradicionalizada e voz falseada. Se Papai-Noel não pode chegar até a casa que tem uma árvore acesa as clássicas velhinhas coloridas já deixou os presentes em seus lugares. O momento de acender do pinheiro-de-Natal, que é a árvore popularmente usada, reveste-se de misticismo emotivo e feliz. Mesmo os que passaram dos trinta são empolgados pelo sentimento da consagração da natividade e vão também verem o que foi deixado pelo Papai-Noel ou receberem de mão própria. Do ancião ao traquinas ainda fóra da idade escolar o momento prende. Chama a hora de receber o que está sôb às luzes da árvore-de-Natal num só vocábulo: 'WEIHNACHTSBESCHERUNG'.

Como dizíamos, anteriormente, a Cigarra conta a Papai-Noel as diabruras dos meninos traquinas. Como elas os traquinas sabem que correm o risco de não receberem o que encomendaram, na época das cigarras fiscais do velho que é dono de tôdas as fábricas de brinquedos do Universo, portam-se como meninos que não põem milho em anzol para pescar pintos. Se o peralta açula seu cachorro para fazer os gansos voarem ou corta os bigodes do gato, a mãe lembra-lhe que a cigarra irá contar ao Papai-Noel. Assim conseguem tréguas durantes os mêses e dias antecedentes do Natal, as mães teuto-brasileiras.

Não é difícil ouvir-se antes do Natal de uma mãe para o seu traquinas: 'WEIHNACHTSKÄFER' vai contar para 'NICOLAU'... e êle não te traz presente... O peralta sai bisonho observando donde vem o estrídulo da cigarra e por minutos suspende as traquinagens. Assim o estrídulo das cigarras que no verão infestam as árvores, entram na organização das comemorações do Natal na sociedade teuto-brasileira.

Nas localidades mais isoladas , o processo aculturativo mais lento permite a presença dos vocábulos: 'WEIHNACHTSBAUN' que vem a ser Árvore-de-Natal; 'WEIHNACHTEN' mesmo que Natal, e nestas Papai-Noel ou 'São Nicolau' tem o cartão de visita no original 'WEIHNACHTSMANN'.

Senhora residente na área urbana, certa vez ralhou com seu peralta de alta categoria, peralta titulado, perguntador, curioso, levado; ralhou ameaçando de mandar a cigarra contar para Papai-Noel as peraltices do dia. No momento uma cigarra rompeu seu estrídulo. O traquinas que sabia do papel da cigarra no trabalho de informação ao Papai-Noel ficou imóvel, visivelmente, arrependido aquietou-se de modo tal que sua mãe apiedada do susto procurou reanimá-lo e mandou que êle fôsse enxotar os passarinhos da figueira. Não custou muito e o peralta voltou com autêntica ('Weihnachtskäfer') cigarra esborrachada por uma pedrada... Alegando que o besouro também furava figos.

E não sabia que era um dos muitos informadores de Papai-Noel que ele havia apedrejado... nem lhe disseram.

O mais belo nesta lenda é que mesmo quando a criança consegue identificar 'Weihnachtskäfer' como a simples cigarra e seu papel na ilusão infantil de Papai-Noel, não renega nem o esquece como o Besouro-de-Natal. Fica a história como lembrança os preparativos da festa natalina; fica com saudades dos primeiros presentes, dos primeiros sustos sob os olhos e barbas do Papai-Noel: fica nestes restos de misticismo como pano de fundo para o pinheiro iluminando de velinhas multicores, com frutas, sinos e animais coloridos. Até ficam mais lendárias por viverem a estridular, ficam ligadas a dias de sol, árvores mais verdes, flamboyant florido, chorões cariciosos, uma das grandes festas da cultura germânica e às esperanças com o ano novo. Preferem chamá-la 'Weihnachtskäfer' pelo sabor lendário, como de terras distantes e de séculos remotos. Embora seja da imaginação do teuto-brasileiro no espontâneo da organização do seu folclore."

Fonte: JAMUNDÁ, T.C. Cigarra, cachimbo, cigarro-de-palha e cerveja na sociedade teuto-brasileira. IN: COMISSÃO CATARINENSE DE FOLCLORE. Boletim Trimestral, n. 12. Florianópolis/SC: Imprensa Oficial de Santa Catarina, 1952, pág. 26-28.

Placa em homenagem a Enedino Silva

 





Placa em homenagem ao emancipacionista e vereador leonense Enedino Silva,
 na praça João Gomes, em Capão do Leão/RS

Utensílios de cozinha do século XVI


Pelo fato de as técnicas culinárias no século XVI não se mostrarem excessivamente complexas (assar, cozer, fritar, estufar ou afogar eram as principais técnicas empregadas), poucas variedades de utensílios se tornavam necessárias: para levar os ingredientes ao fogo usavam-se tigelas, panelas, tachos, púcaras ou púcaros; o peixe era frito em frigideiras e sertãs; bacias e bacios serviam para lavar os alimentos, misturá-los e os levar ao lume; as panelas eram cobertas com tapadeiras, testos, telhadores ou sapadeiras; colheres, garfos e facas, geralmente de ferro, assim como escumadeiras, jueiras, graais, rolos, furadores, machadinhas, carretilhas auxiliavam os cozinheiros. À mesa, levava-se alimentos em pratos, escudelas, tachos, etc. Desde a Idade Média que se usavam nas mesas toalhas e guardanapos. Nesse período, a faca era instrumento por excelência, desconhecendo-se garfos e utilizando-se com pouca frequência a colher. Para beber usavam-se copos um pouco maiores dos que os atuais. Embora se recorresse às escudelas para sopas e outros alimentos líquidos, comia-se inicialmente carne e peixe em cima de grandes rodelas de pão, substituídas mais tarde pelo talhador de madeira e, depois, por escudelas que serviam para duas pessoas. 

Fonte: ABBADE, Celina Márcia de Souza. Utensílios de cozinha: Portugal séc. XVI/Brasil séc. XX. Revista de Filologia, número 16. Disponível em: http://www.filologia.org.br/revista/16/index.html. Acesso em: 08 set. 2020.


José Manoel Salcedo


"No Rio Grande morreu, repentinamente, o sr. José Manoel Salcedo, hespanhol, contando 70 annos de idade, e antigo morador d'aquella cidade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Fevereiro de 1892, pág. 02, col. 03
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