História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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sábado, 6 de novembro de 2021
Cachoeira do Camboatá, Arroio do Padre/RS
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
Uruguaios na cidade de Pelotas
É o quarto grupo mais representativo de imigrantes na história de Pelotas, atrás de portugueses, alemães e italianos. A proximidade com o país vizinho e a importância do núcleo charqueador pelotense no século XIX sempre foi um atrativo para esses migrantes.
As três principais cidades da metade
sul do Rio Grande do Sul (Rio Grande, Pelotas, Bagé) na época receberam enormes
contingentes de uruguaios sobretudo após o final da Revolução Farroupilha. Isso
se deve ao fato de o país vizinho ter enfrentado uma turbulenta guerra civil
entre 1838 e 1851. Boa parte dessas pessoas encontrava muitas oportunidades de
trabalho em solo gaúcho, dado terem experiência em sua terra natal com vários
ofícios ligados à pecuária e à indústria saladeiril. Mesmo durante o século
XIX, esse movimento não cessou, pois Pelotas era visto como uma espécie de Meca
econômica para os uruguaios. Isso persiste durante a primeira metade do
século XX e toma novo fôlego a partir de 1973, quando o Uruguay entra num
período ditatorial. Mesmo até a década de 1990, Pelotas sempre atraiu essa
nacionalidade, igualmente estimulada pela presença das universidades e
institutos de educação técnica e superior.
Vale lembrar também que os ditos uruguaios
que se estabeleceram no Rio Grande do Sul não constituem um grupo homogêneo,
pois existem os uruguaios criollos e os uruguaios que são migrantes de
outras nacionalidades que viveram pouco tempo no país vizinho e por alguma
razão perceberam melhores oportunidades de ascensão social no Brasil. Fazemos esta
observação, porque um dos grupos que mais se fez presente no país vizinho e
passou ao Brasil para empregar-se principalmente na atividade pecuária foram os
bascos (tanto franceses quanto espanhóis). A presença desse elemento humano no
meio rural gaúcho se faz perceber pela grande quantidade de sobrenomes bascos
no Rio Grande do Sul e a introdução do uso da boina na indumentária gaúcha.
Do ponto de vista cultural, a
presença uruguaia confunde-se com os próprios elementos de identidade da
cidade. A culinária da carne é muito similar à do país vizinho, bem como várias
palavras e expressões compartilhadas com o espanhol falado por aquelas bandas,
assim também a notável influência musical platina sempre presente nos ritmos
tradicionalistas.
Atualmente em Pelotas o único
consulado estrangeiro existente é o da República do Uruguay, situado à Avenida
Ferreira Vianna, evidenciando assim a forte presença dessa comunidade por aqui.
Fontes:
BECKER, Klaus. A
imigração no Sul do Estado do Rio Grande do Sul. In: BECKER, Klaus (org.). Imigração.
Canoas/RS: Editora Regional, 1958.
FAGÚNDEZ, Ariel
Salvador Roja. Ni de Acá, Ni de Allá: memória e identidade de filhos de
imigrantes uruguaios residentes em Pelotas. In: Anais do XXVI Simpósio
Nacional de História, ANPUH, São Paulo, jul. 2011.
GILL, Lorena
Almeida. A luta de Olga por seus direitos: imigração, saúde e trabalho de
mulheres em Pelotas, RS (década de 1940). São Paulo, Universidade Estadual
Paulista Julio de Mesquita Filho, vol. 38, 2019. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/2210/221065057003/html/. Acesso em: 14 de
julho de 2021.
SILVA, Marianela
Tafernaberry da. Bascos no Uruguay: considerações sobre imigração e
identidade. Monografia, Lic. Plena em História, Instituto de Ciências
Humanas/UFPel, 1995.
VARGAS, Jonas
Moreira. “Entre Jaguarão e Tacuarembó”: os charqueadores de Pelotas (RS) e os
seus interesses políticos e econômicos na região da campanha rio-grandense e no
norte do Uruguai (c. 1840 – c. 1870). In: Estudios Historicos, CDHRPyB,
Ano V, Montevidéu, n. 11, dez. 2013.
quinta-feira, 4 de novembro de 2021
Judeus na cidade de Pelotas
Os judeus em Pelotas estabeleceram-se principalmente a partir dos primeiros anos do século XX, empregando-se principalmente na atividade comercial envolvendo venda de roupas, joias e móveis. A comunidade urbana embora não muito expressiva, sempre foi unida em torno de sua etnia e religião. Em 1933, os judeus pelotenses se reuniram pela primeira vez para organizar a fundação de um cemitério judaico (existente hoje no bairro Fragata), o que também ocasionou a criação de uma cooperativa de crédito que foi embrião da atual Sociedade Israelita de Pelotas situada à Rua Santos Dumont. A sociedade além de ter um perfil associativo e cultural, também funciona como sinagoga.
Os imigrantes judeus que chegaram a
Pelotas têm origem diversa: alguns vieram da Rússia, mas viveram anteriormente
na Argentina; ou
Fontes:
BLAJBERG, Israel.
Uma Pelotas judaica. 11 de fevereiro de 2017. Disponível em: < https://glorinhacohen.com.br/?p=34742>. Acesso em:
14 de julho de 2021.
GILL, Lorena
Almeida. “Clienteltchiks”: os judeus da prestação em Pelotas (RS), 1920-1945.
In: História em Revista, UFPel, v. 05, 1999.
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
Italianos na cidade de Pelotas
Na década de 1840, houve a primeira leva de imigrantes italianos para Pelotas devido às oportunidades de trabalho proporcionadas pelas charqueadas. Eram principalmente profissionais liberais e alguns estabeleceram-se com pequenos comércios. Vinham principalmente de Gênova, Toscana, Sicília, Sardenha e do Ducado de Savóia.
No decorrer do século XIX, mais
italianos chegaram à cidade para estabeleceram-se com joalherias, fábricas de
massas, fábricas de mosaicos, oficinas de fotografia, fábrica de beneficiamento
de fumos, hotelaria (com destaque!), lojas de utensílios, escolas e também como
músicos, maestros, escultores, pintores, professores de piano e canto lírico,
além de se envolverem ativamente em espetáculos teatrais e artísticos.
Houve diversas sociedades italianas
em Pelotas no final do século XIX e início do século XX com destacada atuação
no ambiente cultural da cidade, dentre elas: o Círculo Garibaldi, a Sociedade
Vinte de Setembro, Sociedade União e Filantropia, Sociedade Cristóvão Colombo,
Sociedade Coral Italiana, Sociedade Coral Savóia e Sociedade União e
Benevolência.
Dentre as notáveis personalidades
dessa efervescência italiana na cultura de Pelotas podemos citar o pintor
Leopoldo Gotuzzo, o escultor Antônio Caringi e a soprano Emília Marchiari. A
tradição religiosa católica da cidade também tem forte influência italiana,
sendo o padroeiro da cidade um santo peninsular: São Francisco de Paula.
Além dos italianos que se
estabeleceram na zona urbana até mais ou menos
Na zona central também se encontra a
Associação Cultural Italiana Pelotense, reativada em 12 de novembro de 1992.
Fontes:
ANJOS, Marcos
Hallal dos. Estrangeiros e Modernização: a cidade de Pelotas no último
quartel do século XIX. Porto Alegre/RS: PUC-RS, Instituto de Filosofia e
Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História do Brasil, Dissertação
de Mestrado, 1996.
ANJOS, Marcos
Hallal dos. Italianos e modernização em Pelotas. In: História em Revista, Pelotas,
v. 05, n. 01, 1999.
BECKER, Klaus. A
imigração no Sul do Estado do Rio Grande do Sul. In: BECKER, Klaus (org.). Imigração.
Canoas/RS: Editora Regional, 1958.
CASARIN, Margarete
Cristina. Imigração Italiana no município de Pelotas: uma análise sobre
a Colônia Maciel – Distrito do Rincão da Cruz – Pelotas – RS. Monografia,
Licenciatura Plena em Geografia, Instituto de Ciências Humanas/UFPel, março de
2003.
POMATTI, Angela
Beatriz. A questão da colonização e da imigração em Pelotas: italianos na
Colônia Maciel. In: X Encontro Estadual de História, Santa Maria/RS,
UFSM, jul. 2010, comunicação.
terça-feira, 2 de novembro de 2021
Santo Amor, Morro Redondo/RS
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
Pomeranos na cidade de Pelotas
A Pomerânia é uma antiga região histórica europeia situada às margens dos mares do Norte e Báltico que corresponde atualmente ao estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia e às voivodias (províncias) polonesas da Pomerânia, Pomerânia Ocidental e Cujávia-Pomerânia. Durante a Idade Média e parte da Idade Moderna, a Pomerânia foi um ducado ora independente, ora subordinado a um outro reino. Até 1870, a Pomerânia fazia parte da antiga Prússia e, posteriormente, com a unificação passou fazer parte do Império Alemão. No final da 1ª. Guerra Mundial, a região foi dividida entre Polônia e Alemanha.
Os pomeranos em Pelotas e região
vieram especificamente para serem assentados em colônias agrícolas juntamente
com os demais povos alemães. Em 1858, dos 180 colonos estabelecidos na colônia
de São Lourenço, por exemplo, 115 eram pomeranos.
A língua pomerana ainda persiste
entre os descendentes residentes na cidade. Tanto que há projetos da
Universidade Federal de Pelotas para a sua preservação. Uma antiga tradição que
veio da Europa tipicamente pomerana é a cerimônia de casamento. Foi um costume
que persistiu entre os imigrantes até o início do século XX. O matrimônio tem
como característica o vestido inteiramente preto da noiva e a figura do convidador
que serve de mediador entre as famílias dos nubentes. O convidador tem um
chapéu decorado com fitas coloridas dadas pelas famílias que aceitam o
casamento.
Também se destacam na culinária:
vários tipos de doces, marmeladas, bolachas decoradas, biscoitos, cucas, linguiças,
embutidos, salame cozido, alface com açúcar, bolinho de carne, bolinho de
batata, entre outros.
Muitos descendentes de pomeranos
ainda residem na zona rural de Pelotas, bem como em diversos lugares da cidade.
São famosos por seus cafés coloniais.
Fontes:
PITANO, Sandro de
Castro & ROMIG, Karen Laiz Krause. A influência da cultura pomerana na
transformação do espaço geográfico no extremo sul do Rio Grande do Sul. In: Revista
Formação, edição online, v. 25, n. 46, set.-dez. 2018, pág. 109-128.
SALAMONI,
Giancarla. A Imigração Alemã no Rio Grande do Sul – o caso da comunidade
pomerana de Pelotas. In: História em Revista, Pelotas/RS, v. 07, dez.
2001, pág. 25-42.
SALAMONI,
Giancarla; WASKIEVICZ, Carmen Aparecida. Serra dos Tapes: espaço, sociedade e
natureza. Tessituras, Pelotas/RS, v.01, n. 01, jul.-dez.2013, pág,
73-100.
SILVA, Danilo
Kuhn. Ik dáu dót bláuma futéla: apontamentos sobre a memória e a identidade
pomerana através da música. In: DAPesquisa, v. 11, n.17, pág. 62-63.
domingo, 31 de outubro de 2021
Alemães na cidade de Pelotas
Os alemães constituíram uma nação independente somente em 1870, porém migrantes oriundos da Europa de língua germânica já são percebidos em Pelotas desde a década de 1820. Na ocasião da Guerra da Cisplatina (1825-1828), o Império do Brasil contratou muitos soldados mercenários estrangeiros para combater no conflito e houve vários militares da antiga Prússia que foram utilizados. Parte deles tinha como quartel-general a cidade de Pelotas, sendo que alguns não retornaram à Europa no fim dos combates, estabelecendo-se na cidade.
Também ocasionado pelo fenômeno
atrativo das charqueadas, muitos alemães foram migrando para a cidade no
decorrer do século XIX de forma independente, empregando-se nas mais diversas
atividades, passando pela indústria, educação, ramo farmacêutico e artesanal.
Pelotas teve consulados oficiais do Grão-Ducado de Oldemburgo e da Cidade Livre
de Hamburgo antes de 1870, evidenciando assim a forte presença germânica no
cotidiano da cidade. Os alemães tiveram nesta época um papel importantíssimo na
evolução da Imprensa da cidade. Mais para o fim do século XIX, os alemães
ocuparam-se com fábrica de velas, curtumes, processamento de fumo, cervejarias,
chapelarias, fábrica de sabonetes e perfumes, fábricas de alimentos, ferragens,
padarias, grandes armazéns, bazares, lojas de confecções e roupas e até
olarias.
A mais representativa sociedade
alemã da cidade é a Sociedade Recreativa Quinze de Julho, situada à Avenida
Fernando Osório, fundada em 15 de Julho de 1951. Antes, porém, houve na cidade
diversas entidades que agrupavam os membros da comunidade alemã, dentre elas: a
Sociedade de Beneficência Alemã (1858), Clube de Tiro Alemão (1876), Sociedade
Germânia (1880), Clube Alemão de Gymnastica (1888), Clube de Regatas Alemão
(1898), Sociedade Concórdia (final do século XIX), Sociedade de Assistência à
Saúde Alemã (final do século XIX) e Jardim Ritter (final do século XIX).
A presença marcante das igrejas
Evangélica Luterana do Brasil e Evangélica de Confissão Luterana do Brasil na
cidade evidencia a forte presença germânica no percentual da população.
Basicamente em todos os principais bairros e comunidades do interior os
luteranos são presentes e ativos com diversos templos religiosos. A organização
da comunidade luterana pelotense remonta ao ano de 1884.
Os alemães de Pelotas são
procedentes principalmente de regiões que hoje correspondem aos estados alemães
da Baixa Saxônia, Schleswig-Holstein, Saxônia-Anhalt, Hamburgo, Saxônia,
Renânia do Norte-Vestfália e da região histórica da Pomerânia (que trataremos a
seguir). Isso não significa que não houve migrantes de outras regiões, como é o
caso do patrono de nossa escola, Jacob Brod, que era originário da
aldeia de Liesenfeld, município de Coblença, Renânia-Palatinado, Alemanha.
O bairro mais identificado com a
comunidade alemã em Pelotas é o bairro Três Vendas, onde se encontram inúmeros
empreendimentos administrados por descendentes de alemães.
Fontes:
ANJOS, Marcos
Hallal dos. Estrangeiros e Modernização: a cidade de Pelotas no último
quartel do século XIX. Porto Alegre/RS: PUC-RS, Instituto de Filosofia e
Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História do Brasil, Dissertação
de Mestrado, 1996.
BECKER, Klaus. A
imigração no Sul do Estado do Rio Grande do Sul. In: BECKER, Klaus (org.). Imigração.
Canoas/RS: Editora Regional, 1958.
FONSECA, Maria
Angela Peter da. Presença alemã em Pelotas-RS, século XIX: estratégias de
resistência à assimilação cultural. In: X ANPED SUL, Florianópolis, out.
2014, pág. 05-11.
ULRICH, Carl Otto.
As colônias alemãs no sul do Rio Grande do Sul. In: Ensaios FEE, Porto
Alegre, n.05, v.02, 1984, pág. 57-74.




