segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Sobrenome Feigenbaum



FEIGENBAUM, FIEGENBAUM, FIEGEBAUM - sobrenome que significa figueira (Ficus carica). É um sobrenome com duas origens distintas: a primeira de uma família de comerciante judaicos da Baixa Saxônia, estabelecida por volta do século XVI, que teve ramificações posteriores na Francônia e em Amsterdam, e mais tarde na região de Berlim; a segunda de uma família de cavaleiros cristãos (cuja origem da alcunha é diversa da primeira) citada nas listas nobiliárquicas do Grão-Ducado do Hesse no século XVIII.

Depende de uma pesquisa genealógica para estabelecer de qual origem procede. Porém, historicamente, a vertente judaica foi mais prolífica. 

Missões Jesuíticas no Brasil

 



O dia em uma missão jesuítica começava com o toque do sino. Cada morador fazia sua oração individualmente. Por volta das 7h, já estavam todos participando da missa, com as crianças cantando hinos. Minutos antes, o sino do campanário da igreja convocava a cidade a se dirigir à praça central, local onde aconteciam os jogos, os julgamentos, as reuniões políticas, as apresentações de teatro e as procissões religiosas. O café da manhã era distribuído. Se havia mortos para enterrar e doentes para visitar, essas atividades ocupavam a faixa das 8h.

Na sequência começavam os expedientes para os adultos e as aulas para as crianças. Os trabalhadores andavam em procissão, que atravessava o vilarejo e deixava os indígenas em cada um de seus postos, até que o padre e os cantores voltavam sozinhos. Ao meio-dia, o Angelus e uma refeição eram seguidos por uma sesta de uma hora, depois da qual o trabalho era retomado até as 16h. Chegava então o momento da ceia, da oração do rosário e do sono. Antes mesmo das 20h, todos já estavam recolhidos e as luzes, apagadas.

O expediente de trabalho na área comum, chamada tupamba'e, durava seis horas, dois dias por semana. Nos demais dias, o indígena podia plantar na porção de terra de sua própria família, a avamba'e. Não havia dinheiro nas missões: a moeda de troca podia ser milho, mel ou fumo, dependendo da região e da época do ano. As missões exportavam esculturas, violinos, tecidos, frutas e couro. Compravam ferramentas, sal, livros e papel. Quanto a população era insuficiente para produzir alimentos, as aldeias contavam com fazendas paralelas, mantidas com escravos negros.

Nos séculos XVII e XVIII, ao sul da América Latina, o conceito de aldeia indígena seria aplicado com tamanha radicalidade que passaria a ganhar um nome específico: reducciones, em espanhol, ou missões, em português. Organizadas como cidades de coabitação entre religiosos e indígenas, chegariam ao ponto de organizar exércitos para impedir a invasão de colonos em busca de escravos entre os moradores.

As missões formariam uma das experiências mais interessantes de tudo o que se viu em termos de colonização nos últimos séculos. Importantes cidades gaúchas são resultado desse experimento, realizado na faixa de terra que engloba partes dos atuais Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai e os estados brasileiros de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Era espantoso: grupos de brancos, com motivações religiosas, reuniam habitantes locais para formar cidades ao estilo ocidental, mas com gestão delegada para os próprios indígenas. Os padres não abriam mão do controle sobre as missões, é claro. E, como de costume, exigiam que os nativos abandonassem antigos hábitos envolvendo bebidas, poligamia e consulta a xamãs. Mas a administração do dia a dia era delegada a um conselho de notáveis, formado por indígenas cristãos, trabalhadores, vestidos e alfabetizados. No auge, ao fim do século XVII e somando todas as mais de quarenta missões, mais de 150 mil pessoas participariam simultaneamente desse modelo de gestão, a maioria da etnia guarani.

Vindos da Amazônia 2 mil anos antes, os guaranis eram um povo seminômade, que passava no máximo sete anos num determinado lote de terra até exauri-la com a agricultura. Raramente usavam roupas, sobretudo os homens, e seguiam a divisão de tarefas tradicional, com homens cuidando de caça e pesca e as mulheres de todo o resto. Produziam cerâmica e armas com pedra e lascas de arenitos.

No contato com os missionários, eles reagiram bem. De maneira geral, aceitaram adaptar seu estilo de vida e se mostraram interessados na proteção que os jesuítas ajudariam a proporcionar. Os religiosos, por sua vez, seguiam a estratégia de aceitação extremamente respeitosa de alguns costumes locais.

O conselho de líderes era eleito todos os anos. Formado por índios gestores e representantes dos diferentes bairros da missão era comandado pelo parokaitara, cargo normalmente ocupado pelo cacique - dentro da burocracia dos espanhóis, era uma espécie de prefeito que respondia ao governador da província, este, sim, um espanhol, sobre o andamento dos trabalhos. O parokaitara tinha dois assessores diretos, os ivírayucu. Durante as missas e as celebrações, os três tinham o direito de sentar em lugares de destaque na igreja.

Os jesuítas costumavam assumir o controle sobre o poder judiciário, mas não tomavam decisões sobre as punições sem consultar o juiz eleito para mandatos atuais, um índio conhecido como alguacil. O exílio era a pena máxima, ainda que raramente aplicada. O mais comum era a determinação de castigos leves, geralmente punições físicas, executada por índios selecionados para a tarefa.

O serviço de saúde era eficiente: enfermeiras índias, ensinadas pelos padres, tinham o conhecimento básico para identificar sintomas e prestar atendimento de emergência. Em casos mais graves, em especial durante as epidemias, as profissionais de saúde procuravam os religiosos para que ninguém morresse sem receber a extrema-unção. Os milagres ajudavam, pois muitos índios relatavam sonhos com Santo Inácio, nos quais ele reclamava dos hábitos alimentares da pessoa e dava broncas do gênero: "Vocês comem tudo o que encontram pela frente! Por isso estão enfermos!".

Sobre quem falecia, os jesuítas diziam que, haviam encontrado Yvy Marã-ey, a terra sem mal, lugar que, segundo os guaranis, era o país sem tristeza, sem calor exagerado nem frio insuportável, onde tudo era ameno e tranquilo e as famílias admiravam ancestrais de passado supostamente glorioso. Em sonhos, os índios relatavam ver exatamente isto, o paraíso em forma de floresta sem ameaças. Ou, pelo contrário, diziam-se perseguidos por um inferno ocupado por serpentes e onças.

A educação era importantíssima, e os jesuítas treinavam professores entre os índios. Como geralmente viviam nas missões em duplas, com visitação ocasionais de colegas e superiores da ordem, os religiosos só davam conta de lecionar religião. As aulas eram ministradas no idioma local, em geral a língua guarani, e raras vezes em espanhol. Meninos e meninas eram separados em salas diferentes.

As missões seguiam um traçado urbanístico padrão: uma praça central reunia o cemitério, a escola, a igreja, e o hospital, as janelas sempre voltadas para a praça, onde se encontravam uma cruz e uma estátua do santo padroeiro da cidadezinha em questão. As casas, normalmente construídas de madeira, mas às vezes também de pedra, ficavam distribuídas em torno da praça, com quartos agrupados ao redor de varandas comunitárias.

Nos limites das cidades, que geralmente eram muradas, criava-se gado e plantavam-se pomares, cana-de-açúcar, tabaco, algodão e erva-mate, boa parte desses produtos para exportação. Havia índios treinados para serem tecelões e ferreiros, produzindo armas, arados de ferro e roupas. As missões maiores contavam ainda com silvícolas treinados para fabricar chapéus ou barcos, músicos, pintores e especializados na produção e cópia de livros manuscritos. Para clarear as edificações, uma argila esbranquiçada era usada como cobertura das paredes externas.

Havia pontes, canais e fontes de água em quantidades incomuns até mesmo em cidades europeias de porte semelhante. E também silos, depósitos e casas construídas para abrigar as viúvas. Os órfãos eram encaminhados para novas famílias, que se organizavam segundo os moldes de pai, mãe e filhos, não mais na vasta reunião de parentes e esposas em ocas únicas de grandes proporções.

As igrejas eram decoradas seguindo um estilo barroco, com esculturas feitas de madeiras de diferentes cores e texturas, reunidas na mesma imagem, e com pinturas a óleo em tela. Os relevos em arenito reproduziam cenas da Bíblia ou animais importantes para as tradições dos silvícolas.

Fonte: CORDEIRO, Tiago. A grande aventura dos jesuítas no Brasil. São Paulo: Planeta, 2016, pág. 158-164.

domingo, 13 de novembro de 2022

Dois pilotos brasileiros ao lado do Eixo

 



A saga do brasileiros nos céus da Europa inclui outros casos pouco conhecidos.

Ninguém poderia acreditar que um brasileiro se tornou um ás da Luftwaffe, mas esse foi o caso de Egon Albrecht-Lemke. Curitibano descendente de alemães, Albrecht-Lemke foi um exemplo da mobilização que os nazistas empreenderam ao redor do mundo, convocando cidadãos do Reich para que atendessem os apelos de Hitler.

Muitos homens e mulheres alemães, ou seus descendentes, rumaram para a Alemanha e se juntaram aos esforços para servir à "pátria-mãe". Como o partido nazista no Brasil era o maior fora da Alemanha, não foi de estranhar que Albrecht-Lemke viajasse para lá nos anos 1930 para se juntar à juventude hitlerista. Mais tarde, tornou-se piloto de caça e participou das ações da Luftwaffe na Europa, já com seus vinte e poucos anos, em 1940.

Ele participou das grandes invasões nazistas aos Países Baixos, à França e da Batalha da Inglaterra. Depois, foi transferido para a frente russa, onde abateu 15 aviões. Recebeu várias decorações, foi promovido a capitão e chefe de esquadrilha. Voltou à França no final de 1943. Em seguida, seria encaminhado para a defesa da Áustria, no início de 1944, alvo das esquadrilhas de bombardeiros Aliadas que partiam da Itália. Por pouco os dois brasileiros antagonistas não se cruzaram sobre o céu italiano.

Pelas suas qualidades, foi condecorado com a diferenciada Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. Com o grande número de baixas em combate e as dificuldades surgidas na reposição dos pilotos da Luftwaffe, muitos eram forçados a voar em inúmeras missões, quando abatiam aviões Aliados em grande quantidade, razão pela qual receberam várias medalhas. Albrecht-Lemke entrou para o grupo restrito de aviadores que receberam a alta condecoração alemã, depois de abater 25 aviões inimigos.

Servindo de modelo para a propaganda nazista, apareceu em fotos ao lado de grandes ases alemães, como Adolf Galand e Walter Krupinski. Seguindo a elevada estatística de baixas que acompanhava os pilotos alemães, também morreu em ação em 25 de agosto de 1944, o mesmo dia em que Paris foi libertada. Em sua última missão, realizada a leste de Paris, seu avião apresentou uma pane. Quando tentava regressar à base, foi atacado por aviões Aliados. Saltou de paraquedas, mas não sobreviveu. Maiores detalhes da vida desse personagem são nebulosos. Talvez o valente aviador sequer fosse considerado brasileiros pelos seus camaradas, já que havia escolhido deixar o Brasil e lutar pelo III Reich, ou nem mesmo se considerasse mais brasileiro.

Para mostrar como o destino parece brincar com as linhas da vida, houve outro aviador alemão que saiu do Brasil. Wolfgang Ortmann, nascido em São Bento do Sul, em Santa Catarina, foi parar nas esquadrilhas da Luftwaffe, e pilotou o mesmo tipo de avião - o bimotor Messerschmitt Bf-110 - no mesmo grupo e na mesma época em que Egon Albrecht-Lemke voou no front russo. Não existe nenhuma evidência de que se conheciam. Os registros da época o definiram como exímio piloto, mas, em fevereiro de 1942, Wolfgang foi vítima de um choque com outro Bf-110 de sua esquadrilha, segundo os boletins do esquadrão. Entretanto, também existem registros de um piloto russo que alegou ter abatido os dois aviões alemães em questão, na mesma data.

Fonte: BARONE, João. 1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013, pág. 183-184.

sábado, 12 de novembro de 2022

Sobrenome Spahn



SPAHN - está relacionado ao termo do alto alemão medieval "späs" que significa "lascas de madeira, felpas, retalhos de madeira". Designa o marceneiro. Também pode ser usado figurativamente para denominar "pessoa muito magra". A forma SPAN como sobrenome aparece em 1332 e a forma SPAHN é registrada desde 1598. Neste link tem a distribuição do sobrenome na Alemanha atual: http://wiki-de.genealogy.net/Spahn_(Familienname) 

Sobrenome Zickhur



ZICKHUR - é a forma prussiana para o primeiro nome masculino escandinavo Sigurd (a forma alemã correspondente é Siegfried ou Siegwart), cuja tradução mais próxima seria "destino vitorioso". Zickhur portanto é um sobrenome patronímico.


Fonte: BIBIOGRAFIA BALTISTICA, V.I, XL, 2, 1983, p.151. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Sobrenome Stipp



STIPP - o termo isoladamente em alemão quer dizer "cisco". Porém, pode ser uma variação ortográfica do vocábulo "stippe" que significa tanto "caule" ou "lábio" quanto uma espécie de refeição rala comum entre os pobres da Idade Média germânica que pode ser traduzida como "molho de carne" ou "coisa mergulhada no molho". Pode ainda ter relação com o verbo "stippen" que significa "mergulhar".


Interpretação onomástica do sobrenome: tanto no alemão quanto no holandês o termo "stip" é usado para descrever uma pessoa que possui uma marca de nascença bem visível no corpo, esta seria a interpretação. Porém, na área do baixo-alemão, existe a forma "Stippe" como um hipocorístico do nome Stephen.

Fonte das informações sobre o significado do sobrenome:

Dictionary of American Family Names. Oxford University Press, 2013.

Illustriertes Lexikon der deutschen Umgangssprache. Band 1, Klett-Verlag, 1984.

O sobrenome é mais comum no sul da Alemanha, mas ocorre também com regularidade em outras áreas e também era achado na antiga Prússia. 

Sobrenome Fresse



FRESSE, FRESE - é uma variação do vocábulo padrão "friesen", encontrado tantos nos dialetos do Hesse e Turíngia para frísio, procedente da Frísia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fr%C3%ADsia 

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