quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Tipos de antropônimos


Prenome –
antropônimo que distingue o indivíduo dentro dos grupos sociais de maior intimidade. Antecede o sobrenome e pode ser simples, composto ou justaposto. 

Sobrenome – antropônimo que identifica o pertencimento do indivíduo a uma família. Geralmente provêm dos genitores e sucede o prenome. 

Agnome – antropônimo que indica uma relação de parentesco com outro indivíduo, via de regra, por via patrilinear. 

Apelido (ou alcunha, ou cognome) – antropônimo que se atribui a um indivíduo geralmente por outra pessoa e que costuma aludir a uma característica física ou intelectual ou ainda a um fato ou comportamento social. 

Hipocorístico – antropônimo formado a partir de uma alteração morfológica (abreviação, diminutivo, aumentativo, etc.) de outro antropônimo. Geralmente criado em ambientes de maior intimidade. 

Pseudônimo – antropônimo empregado por um indivíduo em lugar do seu nome civil e escolhido pelo próprio portador do nome próprio. 

Codinome – antropônimo empregado para ocultar a identidade de um indivíduo. Pode ser escolhido pelo próprio portador ou por outrem e frequentemente possui traço negativo. 

Heterônimo – antropônimo atribuído a um indivíduo fictício, criado pelo portador de outro antropônimo. 

Nome artístico (e nome de palco) – antropônimo empregado por um indivíduo em lugar do seu nome civil e pelo qual se faz conhecido em sua atividade profissional, especialmente em áreas como música, cinema, teatro, televisão e afins. 

Nome de guerra – antropônimo empregado como substituto do nome civil em ambientes restritos, especialmente no meio militar, na maçonaria, na prostituição e no crime organizado.

Nome religioso – antropônimo empregado por membros de comunidades religiosas em lugar do nome civil. 

Nome social – antropônimo pelo qual a pessoa, especialmente transexual e travesti, se identifica e é reconhecida socialmente. 

Nome de urna – antropônimo escolhido pelo candidato às eleições proporcionais para registrar-se na Justiça Eleitoral. 

Nome parlamentar – antropônimo escolhido pelo indivíduo eleito a cargo legislativo para ser usado em documentos oficiais da casa legislativa. 

Fonte: AMARAL, Eduardo Tadeu Roque & SEIDE, Márcia Sipavicius. Nomes próprios de pessoa: introdução à antroponímia brasileira. São Paulo: Blucher, 2020, pág. 100. 

Salustiano Coutinho


"Registro mortuario

Em Bagé falleceram o cidadão Salustiano Coutinho e d. Maria Tozzani, casada com o sr. Caetano Tozzani."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Fevereiro de 1892, pág. 01, col. 03

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

A primeira instituição de saúde mental do Brasil

A vinda da família real em 1808 e a Independência em 1822, bem como a decadência da velha lavoura, estimularam o aumento progressivo da importância das cidades; embora no decorrer do século XIX a população urbana continuasse muito menor que a rural e a economia permanecesse essencialmente agroexportadora e baseada no latifúndio, o centro de poder deslocar-se-ia para os espaços urbanos. 

Desde então, principalmente nas capitais, cada vez mais reclamos chegariam ao poder público para que tomasse providências enérgicas e retirasse de circulação os desocupados ou desordeiros. Na época, a prisão era o destino comum dos criminosos, arruaceiros, vadios e loucos; e, nos casos mais evidentes de desarranjo mental, estes eram levados às enfermarias dos hospitais da Irmandade de Misericórdia – conhecida associação filantrópica leiga católica – o que não significava tratamento médico algum. 

Na verdade, no que se refere às enfermarias de alienados da Santa Casa imperial, parece que não havia vantagens com relação à Cadeia Pública. Em sua tese de doutoramento (graduação em medicina) Considerações gerais sobre a alienação mental (1837), Antonio Luiz da Silva Peixoto descreveu o local como sem “regimen, limpeza, polícia e caridade”, considerando “calabouço” um nome mais apropriado ao lugar. 

Além da Santa Casa da Corte, desde o início do século XIX, outros hospitais de caridade das principais cidades brasileiras mantiveram, de forma inconstante e sob as mesmas condições miseráveis, divisões destinadas aos insanos, que precederam a criação de hospícios exclusivos para alienados. Vale ressaltar que, nos documentos daquele século, os termos “asilo”, “hospício” ou “hospital” eram usados indistintamente como sinônimos, no sentido de hospedagem destinada àqueles que dependessem da caridade pública, como os órfãos, os expostos (recém-nascidos abandonados), os mendigos, os lázaros, etc. 

Tais hospitais poderiam contar com uma assistência médica precária e eventual, mas sua principal intenção era caritativa: dar aos necessitados abrigo, alimento e cuidados religiosos. O mesmo se deu com relação aos estabelecimentos destinados ao recolhimento de alienados pobres, que surgiram bem antes da psiquiatria nacional constituir-se como uma disciplina médica delimitada, quase sempre fundados a partir de estruturas asilares das Santas Casas de Misericórdia – conforme se pode concluir da análise de documentos oficiais, como os relatórios dos presidentes de várias províncias brasileiras (Maranhão, 1841-1887; Pará, 1848-1889; Pernambuco, 1846-1888; Rio Grande do Sul, 1852-1885; São Paulo, 1848-1889). 

Como se sabe, o primeiro destes hospícios exclusivos foi fundado pelo imperador Pedro II que, como ato filantrópico comemorativo ao dia de sua sagração, resolvera “criar um hospital destinado privativamente para tratamento de alienados”, anexo ao Hospital da Santa Casa de Misericórdia da Corte (Decreto no. 82, de 18 de julho de 1841). 


O Hospício Pedro II levou cerca de dez anos para ser construído, e o suntuoso edifício da Praia Vermelha foi inaugurado em 1852. Tanto as articulações políticas que levaram ao decreto da fundação, quanto a mobilização social em torno da construção do hospício foram conduzidas por José Clemente Pereira (1787-1854), magistrado português de destacada atividade política no Primeiro e Segundo Reinados. Na dupla condição de ministro do Império e de provedor da Santa Casa, Clemente Pereira conseguiu levantar o hospício com dotações públicas e ainda com o dinheiro de loterias e da concessão de títulos nobiliários em troca de doações para a obra. Dinheiro este que, segundo a implacável pena de Machado de Assis, o próprio ministro chamaria de “imposto sobre a vaidade”. 

Durante o Segundo Reinado (1841-1889), foram ainda criados hospícios exclusivos para alienados em São Paulo, Pernambuco, Pará, Bahia, Rio Grande do Sul e Ceará. Entretanto, apesar da criação desses asilos específicos, somente perto da proclamação da República os alienistas ocupariam tais espaços de forma significativa, deslocando as poderosas administrações leigas das Santas Casas e as ordens religiosas que prestavam serviços nesses locais. Ainda assim, os médicos demorariam até o início do século XX para tomar efetivamente a direção dos hospícios de alienados, que passaram então por um processo de secularização. 

Fonte: ODA, Ana Maria Galdini Raimundo & DALGARRONDO, Paulo. O início da assistência aos alienados no Brasil ou importância e necessidade de estudar a história da psiquiatria. In: Revista Latino-americana de Psicopatologia Fundamental, ano VII, n.1, mar. 2004, pág. 129-131.

  

Passo da Micaela, Pelotas/RS


 Localidade do Passo da Micaela
Interior do município de Pelotas, Rio Grande do Sul

A Imprensa no mundo em 1891


"A imprensa na Europa

Um collega deu publicidade a estas notas estatisticas relativas á imprensa européa:

A Allemanha tem 5.500 jornaes, dos quaes 89 diarios.

A Inglaterra tem 3.000 jornaes, sendo diarios 800.

A França possue 2.819 jornaes, dos quaes são diarios 700.

Na Italia publicam-se 1.400 jornaes, dos quaes apenas 70 são diarios.

A Austria possue 1.200 jornaes, mas diarios só 150.

A Hespanha publica 850, sendo diarios 283.

A Russia tem 809 e a Suissa 450.

Portugal 650, sendo diarios 210.

Faz um total de 20.350 jornaes que se imprimem na Europa.

A Asia conta 3.099 e a Africa publica 200.

Os Estados-Unidos publicam diariamente 12.500 jornaes.

No Canadá 700 e na Australia tambem se publicam 700."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Abril de 1891, pág. 02, col. 02

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

A primeira epidemia de febre amarela no Brasil

 


Quando os conquistadores chegaram às Antilhas, entraram em contato, conforme acabamos de relatar, com uma doença nova para eles: a febre amarela. 

Todavia o mesmo não aconteceu com os colonizadores que vieram para o Brasil. Nas crônicas da época, não se encontram referências a qualquer doença que nos permita identificar como sendo o mal amarílico. É preciso ressaltar ainda, que a moléstia, com sua dramática sintomatologia, dificilmente teria passado despercebida aos historiadores se ela acometesse os indígenas ou os primeiros colonizadores portugueses. 

M. Kinlay, citado na Cronologia de Béranger-Féraud, referiu-se, em 1852, à ocorrência de febre-amarela no Brasil em 1640. Entretanto relatou Kinlay apenas que, de acordo com os documentos consulares de Pernambuco, podia-se admitir que a febre-amarela reinava no Recife naquele ano. 

Esta referência e outras, também igualmente vagas, não passam de meras suspeitas, sem qualquer fundamento que nos permita confirma-las ou que nos autorize a considerar aquelas supostas ocorrências como os primeiros casos observados no País. 

Aliás, Ferreira da Rosa nos deixou uma observação, pela qual podemos deduzir da improcedência daquelas informações, quando, em 1691, declarou: “Em Pernambuco, há sete anos assiste-se uma grave doença, a qual nunca jamais nele se viu”. 

Assim, devemos admitir que a primeira epidemia de febre-amarela conhecida no Brasil, foi a que irrompeu no Recife, no ano de 1685. 

O nome e a procedência do barco que trouxe a febre-amarela para o Recife não ficaram esclarecidos. A versão de que foi a nau francesa “Oriflamme” procedente do Golfo de Sião (Ásia) não é exata, pois nesta viagem somente chegou ao Recife em 1690, isto é, cinco anos após a eclosão da epidemia, dali zarpando para Martinica. Provém desta versão o nome de “mal do Sião”, com que durante muito tempo a doença foi conhecida, embora esta febre fosse desconhecida no Sião. 

Nessa viagem para as Antilhas, segundo o padre Jean Baptiste Labat, o “Oriflamme” transportou a febre-amarela do Recife para aquela ilha. 

Henry Carter admitiu a possibilidade de a febre-amarela haver sido trazida das ilhas de Cabo Verde (África) pela frota de Gomes Freire de Andrade. Esta frota, que na sua rota para o Brasil perdeu muitos homens, chegou ao Maranhão em 1685, seguindo mais tarde para o Recife. Todavia Eustáquio Duarte, em estudo que fez baseando-se nos depoimentos existentes, em vista do baixo percentual de mortalidade e da duração do morbo, relativamente longa, concluiu que estes fatos por si só afastam qualquer hipótese de identificação da doença com a febre-amarela. 

Outra suposição é que a infecção amarílica tenha sido trazida para o Recife por um barco vindo da África. 

Tão convencidos estavam todos da sua procedência africana que o Governador de Pernambuco, Marquês de Montebelo, quando recomendou todas as cautelas com as pessoas acometidas dos males em terra ou a bordo, o fez, sobretudo, para que esta doença não se perpetuasse entre nós, “e não se constituíssem as povoações do Recife e Olinda um São Tomé”. A procedência africana da infecção também não merece ser aceita por falta de fundamentos. O francês Barbot, que esteve na ilha de São Tomé entre 1684 e 1686, escreveu a respeito das doenças que grassavam naquela ilha, porém não se referiu a nenhuma que se parecesse com a febre-amarela. A hipótese mais plausível é a de que o barco tenha vindo de São Tomé (África) com escala em São Domingos, nas Antilhas, onde grassava a enfermidade, e de onde foi trazida para o Brasil. 

Ao contrário do que geralmente sucede, não existem referências sobre a doença em algum barco antes da eclosão da epidemia, ou que tenham desembarcado no porto tripulantes ou passageiros doentes. Quando a encontramos já estava na zona portuária, fazendo a sua primeira vítima na pessoa de um empregado que conferia a mercadoria importada. De fato, contam as crônicas da época que, a 28 de novembro de 1685, no Recife, um tanoeiro ao abrir uma das barricas de carne, já podre, procedentes de São Tomé, adoeceu subitamente, passando a doença a quatro ou cinco pessoas que moravam na mesma casa, na rua da Praia. 

Podemos deduzir da violência da epidemia, quando Miguel Dias Pimenta nos relata que, de 25 de dezembro até 10 de janeiro, foram enterrados “no Arrecife e em Santo Antônio perto de seiscentas pessoas todos homens brancos, uma dezena de mulatos, mui poucas mulheres, poucos negros e menos meninos”. Em seguida, diz ele, o surto amainou, atingindo preferentemente as pessoas que de fora chegavam à cidade. Chamavam-no de males, porque parecia incluir em si todos os males. 

Morava então em Lisboa o médico João Ferreira da Rosa (nascido em Gafete, Beira-Baixa) e formado em 1684 pela Universidade de Coimbra. Tendo conhecimento da epidemia que grassava no Brasil, fez uma petição ao rei de Portugal, D. Pedro II, em 19 de março de 1687, para que o autorizasse a servir na sua profissão, na Capitania de Pernambuco. 

O único médico que clinicava no Recife havia falecido nos primeiros dias da epidemia, vitimado por ela. 

O pedido de Ferreira da Rosa foi deferido e ele recebeu a comenda de Santiago, uma pensão de vinte mil réis e uma ajuda de custo de cinquenta mil réis, tudo sob a condição de servir por seis anos. 

Chegando ao Brasil foi morar em Olinda, dedicando-se ao combate à febre-amarela e ao tratamento dos enfermos. 

A situação era de tal gravidade que, conforme ele registrou, quando alguém chamava o cirurgião, logo este perguntava se o enfermo botava ferrugem pela boca, e se lhe dissesse que sim, se escusava de visita-lo, e mandava preparar seu enterro por não lhe considerar esperança de vida. 

O Marquês de Montebelo, que chegara ao Recife a 1 de junho de 1690, adoeceu dez dias após seu desembarque, quando de um dos recrudescimentos que de ordinário se seguiam à chegada da frota. A princípio esteve sob os cuidados do médico Domingos Pereira da Gama que viera com ele de Portugal. Porém o doente piorava e, no terceiro ou quarto dia da moléstia, o prognóstico era tremendo: tinha vômitos negros e oligúria. Se os sintomas persistissem por mais vinte e quatro horas o Marquês morreria. Talvez porque faltasse ao médico recém chegado o tirocínio da “doença da terra”, lembraram-se de chamar Ferreira da Rosa que há uns três anos lidava com os males. 

Dessa forma ocorreu a aproximação entre o Governador e o médico. 

Não guardou segredo a respeito do seu cliente. Contou que já haviam aplicado no Marquês muitos remédios de sangrias, purgas, cordiais, clisteres. A sede era tanta que desejava ter mais perto a Serra da Estrêla (vinho tinto português) para mitigar a sua secura. Tinha vômitos e não só lançava os alimentos, mas os cordiais e todo o gênero de alexifármacos de qualquer modo recebidos; vomitava humores atrabiliários. Urinava com dificuldade, “com ardor das águas que por pingas destilava”. E “soluçando e arrotando sempre, se achava tão inquieto como se pode conjeturar de um doente assistido de tantos sintomas e tão graves”. 

Deu tratos à mente e concluiu que o humor do estômago de seu nobre paciente estava frio e cru. O remédio teria de ser de calor intenso contra a falta de calor natural, para que melhor se pudesse “cozer e regular” a natureza do humor. E por isso receitou “água de escorcioneira com quanta quentura pudesse sofrer-se, desfazendo-se nela confeição de alquermes”. 

Apesar dos protestos do Marquês que preferia água de neve, o medicamento lhe foi ministrado, inclusive à noite, e no dia seguinte ele apresentou melhoras tomando o Santíssimo já sem nenhum receio de vômito. 

O Marquês sarou apesar do tratamento. Nos encontros havidos posteriormente entre o Governador e o médico ficou assentado, em 1690, que este apresentaria a relação das providências a tomar para a prevenção da doença. Daí resultou, no ano seguinte, a primeira campanha sanitária posta em prática, oficialmente, no Novo Continente. 

Fonte: FRANCO, Odair. História da febre-amarela no Brasil. Rio de Janeiro/GB: Ministério da Saúde/Departamento Nacional de Endemias Rurais, 1968, pág. 08-11.

Gabriel Martins Fay


"Registro mortuario

No Livramento falleceu d. Maria Angelica da Silveira, esposa do cidadão Fidencio Silveira Goulart.

✤✤✤✤✤

Victima de molestia do coração succumbiu ante-hontem, á noite, o cidadão Gabriel Martins Fay, socio da importante firma commercial d'esta praça Ernesto Fontoura & Irmão.

Apresentamos os nossos pesames á sua exma. familia.

(...)"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 12 de Setembro de 1892, pág. 02, col. 03
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