sexta-feira, 3 de abril de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 15

 



141. Huanca, Guanca - do quéchua. Elegia, canção ritual para falecidos. No aimará, pode significar pedra muito grande.

142. Huanco - do quéchua. Uma espécie de roedor do sul-americano do gênero Microcavia, provavelmente a espécie Microcavia australis.

143. Huanuco, Guanuco - de Wánuku, o nome de uma cidade ameríndia na região de Chinchasuyo, no norte do Império incaico. No quéchua, significa pó, poeira. No aimará, significa dessecado.

144. Huarachi, Guarachi - é um tradição quéchua. Era um conjunto de provas rituais que os rapazes com 16 anos eram submetidos como rito de passagem à vida adulta.

145. Huari, Wari, Guari - reino vassalo do Império incaico, localizado no sul do atual Peru.

146. Huarita - no quéchua, designa uma espécie de purê de batatas não muito espesso. No aimará, é o vocábulo que designa a vicunha (Vicugna vicugna).

147. Huaranca - do quéchua waranka que significa mil.

148. Huarina - na tradição quéchua, um canto e dança de caráter religioso celebrada no solstício de inverno.

149. Huaylla - do quéchua. O mesmo que pasto, pradaria, planície coberta de campos.

150. Humacata - do quéchua. Algo como cabeça, cume, pico gelado, frio.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Ciganos no Brasil

 



OS CIGANOS NO BRASIL

O mais antigo documento conhecido, no Brasil, em que figura um cigano é um alvará de D. Sebastião, de 1574, que comuta em degredo a pena de galés de João de Torres.

Acredita-se que os ciganos começaram a vir para o Brasil nos séculos XVI, XVII e XVIII. Os primeiros eram degredados. Bahia e Minas Gerais (Congonhas do Campo) forma os primeiros centros de concentração ao tempo da colônia. Em 1726 e 1760, bandos de ciganos foram assinalados em São Paulo e, por decisão do senado da Câmara, expulsos da cidade.

O viajante inglês Henry Koster se refere a eles ("Travels in Brazil", 1816); Saint Hilaire também encontrou um grupo numeroso, radicado em Mogi-Guaçu, São Paulo ("Viagem às província de São Paulo e Santa Catarina", 1819).

Nos meados do século XIX já estavam incorporados à população e aceitos pela classe alta. Tomaram parte, a convite, nos festejos comemorativos do casamento do príncipe Dom Pedro com Dona Leopoldina, e receberam presentes das mãos de Dom João VI: patentes militares para os homens e jóias para as mulheres.

Alguns ciganos eram ricos, a esse tempo. Muitos eram até proprietários. Outros se tinham tornado oficiais de justiça (meirinhos). Em 1886 estavam reduzidos a 500 indivíduos no Rio de Janeiro, mas são hoje ainda numerosos em todo o País e distribuem-se segundo sua origem: os da Iugoslávia habitam de preferência o Rio Grande do Sul, Bahia, Pará e Pernambuco; os da Romênia, São Paulo; os da Grécia, o Rio de Janeiro.

Fonte: JORNAL DO COMÉRCIO (Manaus/AM), 07 de agosto de 1976, pág. 7

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 14

 



131. Guanactolay, Guanastolay, Guanctolay - do quéchua. Guanaco (Lama guanicoe) dos arbustos; lugar de arbustos e guanacos.

132. Guananja - do quéchua. Tenaz, rebelde, obstinado.

133. Guantay - no quéchua significa rapaz, moço jovem. No yuyo, denomina uma espécie de junco.

134. Guaquipa - comum ao quéchua e ao aimará. Significado metafórico: aquele que participa/pertence ao divino/sagrado.

135. Guaymas, Guaimas - do quéchua. Pretérito, antigo, velho, ancião.

136. Guelpa - do quéchua. Literalmente: lábios. Usado para pessoa que tem lábios pronunciados ou caídos.

137. Guitian - do atacamenho. Duvidoso. Ou ainda, para uma étimo relacionado ao verbo amputar. Por isso, amputador, cirurgião, curandeiro.

138. Hacha - se relacionado ao quéchua tem o sentido de comerciante. Se relacionado ao aimará tem o significado de forte, difícil, duro.

139. Haullpa - do quéchua. Criador, fazedor, inventor.

140. Huampaso, Huampazo - do aimará. Embarcação, barco.

terça-feira, 31 de março de 2026

Disco voador em Foz do Iguaçu



Mágico uruguaio viu disco voador na Fóz

O mágico Zaim Rodrigues de Almeida, de uma emissora de televisão uruguaia, afirmou ter visto um disco voador (OVNI) entre os municípios de Santa Helena e Fóz do Iguaçu, neste Estado.

Disse que estacionou seu automóvel na estrada e adentrou à margem da mesma, indo descançar a sombra de uma árvore. Foi quando avistou o Objeto Voador Não Identificado, pousando silenciosamente. De seu interior saltaram três seres, vestindo roupas de côr cinzenta semelhante ao alumínio. Era de estatura média e cada um dêles trazia na mão um aparelho semelhante a um pequeno rádio portátil com diversas antenas, produzindo sinais intercalados, enquanto o objeto estranho mantinha acêso um pisca-pisca de côr vermelha. Os seres não se afastaram do disco mais do que cinco metros, permanecendo poucos minutos no local. Em seguida o aparelho subiu, sem ruído, em alta velocidade. Afirma o mágico, que se encontra em nosso país fazendo uma turné, que sua visão fora clara e o fato consciente, não admitindo ilusão de ótica ou outra coisa semelhante.

Fonte: DIÁRIO DA TARDE (Curitiba/PR), 06 de março de 1969, pág. 01

segunda-feira, 30 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 13

 



121. Chunpitay - do quéchua. Um arbusto de cor castanha, marrom.

122. Chuquina, Churquina, Yurquina - do quéchua. Carregador de lanças.

123. Chuquisaca - o antigo nome da cidade de Sucre, na Bolívia. Significa serra em forma de lança.

124. Galián, Galean - do diaguita. Instrumento usado para aspergir água.

125. Gareca - do quéchua. O mesmo que desarrumado, esfarrapado, andrajoso.

126. Guaita, Guayta, Huaita - do quéchua. Uma espécie de penacho de plumas de certas aves.

127. Guaytima, Huaytima - do quéchua. O antigo nome da localidade de Tinogasta, Catamarca, Argentina.

128. Guaitina - pode se relacionar com Guaita. Todavia, pode derivar do termo quéchua guaschín que corresponde a quiscataco - uma árvore fábacea (Prosopia elata).

129. Gualampa, Gualampe, Guayampe, Hualampa - do quéchua. Algo como "curandeiro do pasto".

130. Gualchi - do aimará. Rodeado, cercado.

domingo, 29 de março de 2026

Amália Aveiro



Amália Aveiro
(...) - Renomada atriz gaúcha. Nasceu na cidade de Pelotas-RS, em 1896. Casou-se aos 16 anos com o ator Adolfo Aveiro, iniciando carreira artística. Sempre atuou com o marido e criou o tipo de casal matuto
Jeca Tatu e Zefa, tendo ficado conhecida nacionalmente e nas Repúblicas do Prata. Também, sendo artista de estirpe versátil, atuou no drama, na revista e na comédia; foi cantora. Faleceu no dia 18 de janeiro de 1945, em plena atividade artística. (...)

Fonte: ROSA, Ângela Fontes (org.). Logradouros públicos em Porto Alegre: presença feminina na denominação. Porto Alegre: Gráfica da UFRGS, 2007, pág. 12. 

sábado, 28 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 12

 



111. Cholque, Cholqui - do quéchua. De pele ou textura flácida; ou ainda, uma espécie de vestido de dobras largas.

112. Choque - três possibilidades etimológicas. No quéchua significa lança. No aimará o mesmo que ouro, coisa valiosa, coisa estimada. No kunza, uma espécie de farinha tostada.

113. Choquehuanca - comum aos idiomas quéchua e aimará. Significa pedra grande de ouro.

114. Choquevilca - do quéchua. Significa ouro sagrado, ou ainda, coisa estimada e sagrada.

115. Chorolque, Chorolqui - do idioma kunza. Significa pequena ema (Rhea americana).

116. Chosco, Chosgo, Chusgo - do quéchua. Uma forma genérica para designar qualquer tipo de coruja sul-americana. 

117. Chuichuy, Chuychuy - do quéchua. O ato de beber com ruído ou beber grandes tragos (seja de que líquido for). Pode ainda significa tiritar de frio.

118. Chumacero - do quéchua. Aquele que seleciona a palha de fibras vegetais para ser usada em tetos, coberturas. O profissional que se ocupa dessa função.

119. Chumpitaz, Chumbicha - do quéchua. De cor castanho, marrom, castanho escuro.

120. Chungara - do quéchua. Sugado, exaurido, exausto.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 11

 



101. Chapana, Zapana - do quéchua. Significado "aquele que reparte, aquele que entra em acordo com outro para repartir algo".

102. Charca, Charcas - povoado ameríndio no altiplano boliviano atual, de etnia distinta dos aimarás e dos quéchuas, que foi incorporado ao Vice-Reino do Peru em 1561.

103. Chauque, Chauqui - três possibilidades etimológicas. No kunza, pode derivar de uma palavra para orelha; no quéchua, o mesmo que embusteiro, enganador; no aimará, aquele que mora no meio, no centro.

104. Chilligay, Chiligay - do quéchua. Algo de espaço limitado, área confinada.

105. Chincilla - palavra comum aos idiomas quéchua e aimará. Um roedor andino (Chincilla laniger).

106. Chincolla - do quéchua. O passarinho tico-tico (Zonotrichia capensis).

107. Chiri - do quéchua. Frio, fresco, apático, indolente.

108. Chócala - do aimará. Uma gramínea forrageira da América do Sul: a cevadilha (Bromus catharticus).

109. Chocobar, Chocovar, Chocoba - do kunza. Pato andino (Oxyura ferruginea).

110. Cholele - do quéchua. O mesmo que só, sozinho, único.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 10

 



91. Cupare - de etimologia dupla. No quéchua, significa lugar do condor ou local que o condor se abriga. No kunza, o mesmo que nó, coisa enrolada, coisa emaranhada.

92. Cusco - no kunza indica uma espécie de coruja andina. No quéchua significa algo como aquele que procura, curioso. Os ameríndios do norte da Argentina usavam esse termo para denominar o cão pequeno ou de pernas curtas.

93. Cusi, Cussi - do quéchua. Alegria, contentamento.

94. Chacana - um arbusto andino, o palo piojo (Caesalpinia pumila). Vem do quéchua.

95. Chachagua - do quéchua. Montanha que possui poucos recursos, colina desértica ou inóspita.

96. Chaile, Chayle - do kunza. O mesmo que lagarto.

97. Chalco - do quéchua. Desleal.

98. Chambi - tem origem atacamenha. Uma espécie de liga metálica de cobre, bronze e ouro, usada primitivamente como matéria-prima de adornos.

99. Chanampa - da língua cacán. Rio do combate, rio que ocorreu uma batalha, ou ainda, rio difícil de encontrar-se uma vau de passagem.

100. Chañi, Chañe, Chani - do quéchua. O mesmo que valioso.

terça-feira, 24 de março de 2026

Disco voador em Cruz Alta


Avistado Um Disco Voador

CRUZ ALTA, 16 (V.A.) - Centenas de pessoas tiveram a oportunidade de ver desenhado no céu límpido desta cidade um disco prateado, girando na direção sudeste, para oeste, onde desapareceu. O acontecimento verificou-se precisamente às 13,55 horas, e 10 minutos depois desaparecia inteiramente.

A reportagem do vespertino "Diário Serrano" ouviu, a respeito, numerosas pessoas de reconhecida idoneidade, todas depondo afirmativamente, tais como a sra. Reni Caporal, esposa do sr. Antônio Caporal, funcionário público, Mario Sergio, músico residente nesta cidade, senhorinha Julinha Nunes, filha do deputado Alcibio Borges Nunes, a menina Maria Sandra, senhorinhas Nancy Press, Bruninda Geschwind e outras pessoas.

Todas as testemunhas viram um disco prateado calculando alguns que o mesmo estivesse a uma altura de 6 mil metros. Quanto à direção parece ponto pacífico que vinha de sudeste para oeste, o que é corroborado pelas diversas testemunhas que localizaram com precisão a rota do estranho aparelho e sua trajetória pelos céus de Cruz Alta. O acontecimento está sendo vivamente comentado em todas as rodas da cidade, existindo pessoas que descrêem da realidade dos discos voadores, malgrado tivesse sido divisado nos céus desta cidade um aparelho de forma circular, ficando velozmente, de côr prateada, que se tornou visível durante 10 minutos.

Fonte: O ESTADO DE FLORIANÓPOLIS (Florianópolis/SC),  17 de dezembro de 1952, pág. 01

segunda-feira, 23 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 09

 



81. Cóndor, Condorí, Condorin - do quéchua kuntur e do aimará conturi, ambas as palavras designando a mesma ave, o condor (Vultur gryphus).

82. Conti, Conte - pode ter tanto etimologia kunza quanto quéchua. No kunza significa gente; no quéchua corresponde a oeste, poente, ocidente.

83. Copa - também caso de dupla etimologia. No kunza, significa copa-copa (Artemisia copa; planta medicinal); no quéchua, significa geada.

84. Copal - de origem atacamenha. Significa girino (de sapo).

85. Corante - do quéchua. Uma espécie de perdiz que habita escarpas montanhosas.

86. Corimayo - do quéchua. Significa rio de ouro, rio com ouro, rio onde se garimpa ouro.

87. Coro - do kunza. O mesmo que puma (Puma concolor).

88. Cosimayo - do quéchua. Rio da alegria, Rio de contentamento. Por extensão, um rio que favorece uma pesca abundante.

89. Culcuy, Curcuy - de origem quéchua. Uma espécie de pomba dos Andes (Metropelia sp.).

90. Culuy - do quéchua. O mesmo que bola, esfera.

domingo, 22 de março de 2026

Crimes passionais no Rio Grande do Sul dos séculos XVIII e XIX



 As lutas pela posse de território entre as Coroas portuguesa e espanhola, incluindo os índios, bem como a ocupação do campo com a atividade pastoril, caracterizaram a região sulina como “um mundo de homens”, com pequena presença feminina. Por isso eram constantes e acirradas as disputas por mulheres. Os dados comprovam que 91% dos escravos-réus viviam sozinhos.

Poucos foram os crimes premeditados cometidos pelos escravos ou forros. Prevaleceram os delitos ocorridos em circunstâncias de total espontaneidade, em momentos de explosão de raiva e cólera. Levantamento efetivado nos processos, até 1860, constata um só caso que alude a crime relacionado à prática homossexual masculina:

A rigor, tratava-se de um caso de pedofilia. Um soldado da Guarda Nacional, acusado de estuprar um menino, um bebê, teve sua defesa apoiada na assertiva de que as deformações na mucosa anal identificada na criança foram provocadas por um acidente: o menino caíra da cama, ferindo-se em um pedaço de madeira.

O historiador Solimar Oliveira Lima, em Triste Pampa, realizou um levantamento dos crimes praticados na Região Sul da Colônia entre os anos 1818 e 1833. Referiu-se a casos de relacionamento e assédio sexual de cativas por homens livres pobres que não resistiam aos encantos das negras, bem como por clérigos e senhores abastados.

Esse foi o caso de Tereza Maria Pereira. Depois de alguns anos casado com o estancieiro José Gomes, ela se recusava, por repulsa e nojo, a manter relações sexuais com o marido. Mas não se conformava e tampouco se abstinha sexualmente. Para saciar seus desejos, mantinha como amante o escravo João, sendo que toda a Santo Antônio da Patrulha tinha conhecimento do romance. O casal vivia sempre brigando e o referido escravo de Tereza já aplicara no marido “várias pancadas com um pau”. O motivo era atribuído ao fato de essa mulher “não querer nunca fazer a vida” com o esposo.

No dia 11 de novembro de 1779, o escravo João, a pedido de Tereza, enforcou o estancieiro Gomes enquanto dormia, com a ajuda da amada e de um preto forro, de nome João Rodrigues. Detido pelo crime, em 23 de abril de 1780, o escravo João foi enviado à cadeia da Vila de Rio Grande, seguindo, depois, para o Rio de Janeiro. Não há referência aos demais réus, que, como ele, foram presos.

Existiram também as “virtuosas senhoras” que, com suas rendas e perfumes, atraíam para a cama negros adolescentes e os iniciavam nos encantos do amor. Exigiam deles prazer, discrição, fidelidade e subserviência. Entre muitas, a mais ousada foi Brígida Joaquina Lopes, de São Sebastião do Caí; manteria um verdadeiro “harém de negros”, em torno de si. Casada com o estancieiro José Cordeiro, tinha como amantes os irmãos Salesiano, de 16 anos, e Justiniano, de 18, o liberto Balduíno, bom como o capataz da estância, o preto forro João; demitido pelo estancieiro.

Brígida, “por não viver bem” no casamento, tramou a morte do marido. Para tal, recorreu aos serviços da negrada apaixonada. Entretanto, nem tudo era amor: apesar dos favores sexuais, os amantes necessitaram de um incentivo a mais, ou seja, a promessa de uma boa recompensa em dinheiro. O homicídio foi praticado em 28 de dezembro de 1820, quando José Cordeiro voltava para casa, ao final da tarde. Os negros o atacaram sobre o cavalo, provocando a queda. Deram-lhe oito facadas e esmagaram sua cabeça com pedras. Presos, foram julgado em 30 de abril de 1822.

Os irmãos castigados a açoites tiveram de assistir à execução pela forca do liberto Balduíno e depois foram enviados ao degredo definitivo para as galés. Brígida foi condenada, entre outras penas, a assistir à execução do amante e ao degredo de dez anos para a colônia de Angola, depois comutado para o Ceará.

As relações de cativos com libertos também podiam ser tumultuadas. Homens livres, libertos e escravos disputavam alguns prazeres nos leitos das forras ou a conquista de seus corações. Foi o caso, ocorrido em Rio Pardo, do escravo chamado Paulo e do forro Manoel, que competiam pelo amor da negra Rita. Paulo não admitia a amizade da negra com Manoel: “não queria que ela falasse com outro preto”. Portanto, começou a “ralhar” com ela, e o liberto Manoel, alegando que a negra não era propriedade de Paulo, prontificou-se a resolver a disputa pela força. Tudo indica que, após maus-tratos, Paulo teria desistido da amante, mas não do dinheiro que lhe entregara e não recebera de volta. Por volta de abril de 1821, ao procurar Rita, “ele ficou com raiva e cego e, com seu facão, lhe fez alguns ferimentos dos quais veio a morrer”. Paulo foi preso pelo filho de seu senhor, capitão do mato, e sentenciado a mil açoites e posterior degredo para as galés.

Severino, cativo do padre Paulo Xavier, disputava a afeição da negra Maria Francisca, em Pelotas. Na noite de sábado de 1820, quando Severino bebia na venda do português Julião, estava entre os fregueses Maria Francisca, “que com ele tinha tratos”. Ela, muito alegre e solícita, distribuía simpatia, sobretudo para Julião. Imediatamente, Severino desabafou: “Eu não tratei vir ficar com você? ”. Irritada, a negra teria replicado que era “capaz de comprar” Severino. A lembrança, por parte de uma liberta, da situação humilhante do cativo fez com que Severino, já “incitado com as desfeitas”, lhe desse “uma facada”. Maria caiu morta.

Ainda no Sul, na casa do vigário Antônio Pacheco de Miranda Santos, de General Câmara, ocorreu um curioso romance. Amigados, os envolvidos tinham o consentimento do religioso. Parecia ainda que o pároco utilizava a bela mulata para obter, em torno de si, gratuitamente, os serviços de dois vigorosos crioulos. A escrava doméstica do vigário, chamada Maria, tinha “tratos” com José Joaquim, escravo de outro padre, e com Miguel, cativo do capitão Evaristo Pinto Bandeira. Na cozinha, os negros iam “bolinar” o corpo de Maria, enquanto ela preparava a alimentação do vigário. No dia 16 de maio de 1809, a mulata estava na cozinha quando chegou José para as habituais “brincadeiras”. Entre afagos e risos, iniciou-se uma discussão, e o ciúme levou José a espancar a amada. Ao ouvir os gritos, Miguel acudiu, entrando afoito na cozinha. O prestativo defensor foi surpreendido com uma “facada na barriga” que o levou à morte. José foi preso. Na documentação, nada consta sobre o julgamento, apenas que, logo após o crime, Maria foi vendida à província de São Paulo.

Fonte: CARMO, Paulo Sérgio do. Prazeres e pecados do sexo na história do Brasil. São Paulo: Edições SESC São Paulo, 2019, pág. 77-80.

sábado, 21 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 08



 71. Cerpa, Zerpa - pode ser uma hispanização do sobrenome português Serpa. Porém, no contexto ameríndio é uma palavra para traição.

72. Ciares - de origem kunza. Significa chuva.

73. Coca - de origem quéchua. A planta coca (Erythroxylon coca) na maioria dos casos. Porém, significa também descolorido, ou ainda, uma parte do tear típico andino.

74. Cocha - do quéchua. Lago, laguna, charco.

75. Coliqueo - do quéchua. Receoso, cauteloso. Ou ainda, uma espécie de ave tinamiforme - a quiúla-andina (Tinamotis pentlandii).

76. Colla, Coya - de origem kunza, significando perdiz. Pode ainda ser catamarquenho (de Catamarca) e querer dizer "habitante de terras altas".

77. Collata - do quéchua. Significado: quase maduro, pré-maduro.

78. Colque, Colqui - do quéchua. Prata.

79. Colpari - do quéchua. Salitre.

80. Colquehuanca - do quéchua. Penhasco, ou mais especificamente, penhasco argentífero.


sexta-feira, 20 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 07

 



61. Canche, Canchi - do quéchua. Risonho, alegre, feliz.

62. Candeloro - do kunza. Corresponde a "aquele que fere o ventre".

63. Cañari - do quéchua. Significado: aquele que nasceu na província de Káñar (território atualmente no Equador), que fazia parte do Império inca.

64. Caquis - do aimará. Significa pequena barba, barbicha, ponta da barba de quem usa cavanhaque.

65. Carhuavilca - de difícil interpretação. Tem etimologia quéchua. Pode significar "lagosta do angico vermelho"(?) (Anadenanthera macrocarpa). Ou se relacionar a uma palavra para sagrado.

66. Cari - claramente provém do kunza. Pode ter três significados: verde; novo; ou varonil, valoroso. Na língua kunza as três acepções são convergentes.

67. Catacata - do kunza. Difícil interpretação. Pode se referir a um tipo de planta medicinal, um lugar muito frio ou um lugar de muitos deslizamentos de terra.

68. Catari - do quéchua e do aimará. Designação genérica para qualquer tipo de serpente não venenosa.

69. Caucota - do idioma kunza. Algo assado, o ofício de assar, levar ao fogo algo.

70. Cayo, Caya - do aimará. Pé, perna, pisada, rastro. Também uma a oca (Oxalis tuberosa) quando desidratada para consumo.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 06



 51. Calapeña, Calepeña, Calapiña, Calapena - do quéchua e do aimará. Significa cativo, prisioneiro.

52. Calisaya, Calizaya - do quéchua. Uma espécie de médico curandeiro de ervas da região andina central.

53. Caliva, Caliba - do quéchua. Golondrina ou andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica).

54. Callahuara, Calliguari - do quéchua. Herbolário, curandeiro, feiticeiro, xamã. Refere-se a um tipo humano encontrado nas partes orientais do antigo Império incaico.

55. Callata - do quéchua. Bonito, enfeitado, adornado.

56. Calpanchai, Calpanchay - do quéchua. Muito esforçado, fortalecido, vigoroso.

57. Camacho - do quéchua. Espécie de chefe tribal. Não confundir com seu homônimo em espanhol que possui etimologia distinta.

58. Camai - do atacamenho. Significa neto.

59. Canari, Cañari - da língua kunza. Significa gordura, barriga, ou ainda, gula. Significa condor gordo ou condor robusto.

60. Canavire, Canabires, Canaviri, Canavides - do quéchua. Espécie de cinto largo selado por meio de processo de queima.


quarta-feira, 18 de março de 2026

Disco voador em Tubarão



Viajante assustado diz que viu "disco voador" perto de Tubarão

Tubarão (Sucursal) - Casimiro vinha de Itajaí em seu Opala, acompanhado de seus filhos: Sandra, de 14 anos e Sérgio, de 18 anos, quando repentinamente viu um clarão no céu parecendo um relâmpago. Em princípio pensou se tratar de um temporal, já que naquela oportunidade chovia bastante e dava indícios de que a situação pioraria de acordo com a aproximação da cidade de Tubarão, já que estavam a apenas 10 quilômetros.

Assim começa a contar assombrado e confuso. Agenor Casimiro, tubaronense, de 43 anos de idade, sobre um objeto não identificado que estava quase pousando no asfalto próximo à igreja da localidade de Estiva.

"O clarão foi persistente e até em dado momento chegou a ofuscar, então chamei meu filho que dormia no banco dianteiro. Pedi que ele observasse o que estava acontecendo. Ainda sonolento ele olhou para o céu e também viu o clarão, mas disse que devia ser certamente de fogos de artifício de alguma festa junina".

Bastante amedrontados prosseguiram a viagem, segundo explicou Casimiro dizendo que "sem saber se fui forçado ou não, parei repentinamente o veículo no acostamento e vi um espetáculo deslumbrante, quando um facho de luz surgiu e uma bola branca no formato de um coração começou a se movimentar indo em direção ao asfalto como se quisesse nos cercar, ficando na altura de um metro e meio balançando como uma borboleta gigante. Não consegui definir a cor da luz, mas era muito forte e até ofuscava um pouco a vista. Apavorado acionei o carro e abandonamos a nave estranha".

Mas Casimiro resolveu voltar ao local no outro dia, pela madrugada. "Já por volta das 5 horas nós três voltamos ao local e encontramos um homem de mais de dois metros de altura que apontava um foco de luz contra outro, que sob a mira da arma ficava estático. Sem sair do carro, procurei chamar a atenção dos dois, fazendo sinais com as mãos para chamá-los. Imediatamente, a pessoa que estava paralisada veio ao meu encontro e se identificou como Rui Souza".

"O espantoso é que ao trocar idéias, ele (Rui Souza), me disse que apenas via no local um carro preto sem placas e marca indefinida, com uma moça no volante, que estava lá parado há algum tempo. Eu e minha filha olhamos para trás e vimos o mesmo carro, mas estranhamos o fato de Rui dizer que a moça estava dentro do carro, pois a enxergávamos do lado de fora como se estivesse a nos escutar. Quando fomos tentar comprovar se ela estava ou não dentro do carro, fomos surpreendidos com o seu desaparecimento e do carro. Apavorados, também fomos embora".

Para confirmar a história de Casimiro, Antonio Pinheiro, residente na localidade da Guarda em Tubarão, chegou no mesmo dia contando para sua mãe que havia visto uma bola vermelha no céu parecendo um disco voador e que acendia e apagava como um relâmpago. Mas Antonio dize que não quis contar antes, porque ficou com medo de pensarem que "estava meio maluco ou era inventor de estórias para me promover". Ao relator, o que tinha visto os detalhes coincidiram com o que Casimiro conta hoje para todo mundo.

Fonte: O ESTADO DE FLORIANÓPOLIS (Florianópolis/SC), 19 de agosto de 1978, pág. 06

terça-feira, 17 de março de 2026

Histórias Curiosas LXXVIII

 


O MELHOR POETA

Em certa época, Mario Quintana e Athos Damasceno Ferreira moravam na Rua do Rosário - a atual Vigário José Inácio. E um provocava o outro, se dizendo "o melhor poeta da rua". Até o dia em que Quintana chegou para Athos e concedeu: - Olha, cheguei à conclusão de que tu és o melhor poeta da Rua do Rosário.

Athos ficou sério, e em seguida elogiou a honestidade e a humildade do poeta rival.

- Não é nada disso - debochou Quintana - é que acabo de me mudar para a Riachuelo...

Fonte: FONSECA, Juarez. Ora bolas: o humor de Mario Quintana: 130 historinhas; compiladas e adaptadas por Juarez Fonseca. Porto Alegre, L & PM, 2011, pág. 13.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 05

 



41. Cabuy - da língua kunza. Significa cerro, colina, no sentido de lugar elevado num relevo.

42. Cachagua - do quéchua. Aba entre montanhas, o mesmo que desfiladeiro, lugar de passagem num relevo íngreme.

43. Cachambe, Cachambi - tem origem etimológica quéchua e designa uma dança típica incaica ainda encontrada em populações indígenas remanescentes.

44. Cachi - da língua kunza. Significa penhasco, penedo.

45. Cachillán - do quéchua. Lugar muito salgado, mina de sal, salar. 

46. Cachullán, Cachullani - pode ser uma variante do termo anterior. Porém, pode ainda derivar do aimará kachurara e corresponder a "homem de má sorte".

47. Cachizumba - do kunza, mas de difícil interpretação. Pode se referir à "dança boa", "dança agradável", ou ainda ponte segura, ponte resistente. Ainda pode ter raízes com o idioma aimará.

48. Caiguara, Caihuara - espécie de tanga masculina usada por certas populações ameríndias. Tem raiz quéchua.

49. Cala - tem origem tanto quéchua, quanto aimará, quanto kunza. Significa perdiz.

50. Calamar - origem diversa como a palavra anterior. Significa lugar de perdizes.

domingo, 15 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 04

 



31. Arequipa - designa uma cidade no Peru. Vem do quéchua arkkhépa e significa lugar de convulsões. A região é afetada pela existência de vulcões nas circunzinhanças.

32. Astete, Asteti - do aimará. Tijolo de barro secado ao sol.

33. Aucapiña - do quéchua. Significa cativeiro do inimigo.

34. Ayavire - do quéchua. Significa mortalha.

35. Baca - tem etimologia basca, por isso é um homônimo. O vocábulo com raízes ameríndias provém do kunza back-cka e significa litoral, planície costeira.

36. Bamba - do quéchua pánpa  e denomina a planície sem árvores.

37. Barconte - de origem kunza. Significa pessoa ou gente escorregadia, por extensão, que mora num lugar úmido, pântano, alagadiço.

38. Biltara - tanto quéchua quanto atacamenho. Significa ninho da águia, morada da águia, lugar da águia.

39. Cabana, Cavana - do quéchua kkhawána e significa vista, mirante, lugar em que se avista de forma ampla um relevo. Tem sentido metafórico para pessoa importante, digna, nobre, de posição elevada.

40. Cabi - pode ter duas origens: atacamenha ou quéchua. No atacamenho, significa surdo. No quéchua, designa a seringueira (Hevea brasiliensis).


sábado, 14 de março de 2026

Disco voador em Igreja Nova


ALAGOAS

DISCO VOADOR EM IGREJA NOVA

MACEIÓ (Meridional) - Um "disco-voador" esteve durante cinco minutos sobre Igreja Nova, no interior dêste Estado. Entre os que viram o estranho objeto centenas de populares destacamos o comerciante Manoel Francisco, que garante ter visto o "disco-voador" com grande nitidez, invocando testemunho de autoridades e personalidades.

O "disco" foi observado também em Alagoinhas, e seu aparecimento é o assunto dominante.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE (Brasília/DF), 08 de dezembro de 1960, pág. 03 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Os macacos de Gibraltar



Provocam debates na Camara dos Comuns os macacos de Gibraltar

Se deixarem os rochedos, a Inglaterra perderá a fortaleza...

LONDRES, 22 (UP) - Até Winston Churchill interveio nos debates sobre os macacos que vivem há dois séculos no rochedo de Gibraltar. Durante os debates na Camara dos Comuns o secretario das colonias foi interpelado pelo deputado conservador Caman sobre se aqueles 30 macacos estavam bem alimentados, pois em sua ultima visita os achara um tanto abatidos. O secretario Griffiths respondeu que 30 pences por dia bastavam para alimentar cada macaco. Neste momento Churchill interveio para perguntar se havia um numero excessivo de machos, mas a isso o secretario não respondeu.

Segundo a lenda, no dia em que os macacos abandonarem Gibraltar, a Inglaterra perderá a importante fortaleza. Daí a preocupação dos céticos ingleses.

Fonte: PACOTILHA: O GLOBO (São Luís/MA), 22 de fevereiro de 1951, pág. 01

quinta-feira, 12 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 03

 



21. Anagua - do quéchua añawaya que corresponde a uma planta lenhosa, espinhosa e forrageira, do gênero Adesmia, da família das Fabáceas.

22. Anaquin - do quéchua. Duro, difícil, consistente.

23. Ancasi, Ancase - do quéchua. Sal de cobalto encontrado na região dos Andes, usado para tingimento na cor azul.

24. Antacle - do quéchua. A liga metálica formada de prata e cobre.

25. Anze - do quéchua. Glutão, esfomeado.

26. Añasgo, Anasgo - do quéchua. O mesmo que jaritataca (Conepatus semistriatus).

27. Apaza - do quéchua. Espécie de aranha grande. Tem sentido totêmico.

28. Apumaita - de origem aimará. Escultura de um chefe tribal eminente, nobre, ancestral.

29. Aramayo - do quéchua. Uma espécie de batata silvestre.

30. Areco - de origem mapuche. Significa água quente, portanto, água termal, manancial de águas termais.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 02

 



11. Aizama, Aisama, Aiza - do quéchua aysaná que significa escala panorâmica, ou por extensão, pessoa equilibrada. Pode ainda ter relação com a língua kunza e corresponder a bom guanaco (Lama guanicoe).

12. Ajalla, Ajaña - proveniente do quéchua áhlla ou ajlla que significa escolhida, seleta.

13. Ajhuacho - da aglutinação dos vocábulos quéchuas áka (=excremento) e wáchu (=fila, fileira). Designa uma espécie de bebida fermentada a base de milho e pimenta.

14. Alabar, Alavar - pode ter tanto etimologia quéchua quanto etimologia aimará. Quer dizer friorento, aquele que padece de frio. Todavia, tem correspondência no idioma kunza e teria o significado aproximado de "lugar escavado e escorregadio".

15. Alancay, Alancai - do quéchua para friorento, pasmado de frio, ou ainda, "aquele que vive num lugar muito frio". No idioma kunza, tende a significar desagradável.

16. Alanoca - do quéchua para "nó que saca, iça (algo)", "pegar algo", "colher". No aimará, pode ter o sentido de comprar, negociar, mercadejar.

17. Alemán - apesar de ser um homônimo espanhol para um substantivo de nacionalidade, no norte da Argentina, pode ter uma etimologia diferente proveniente do aimará e significa tranquilo, quieto. 

18. Allayme - do quéchua. Significa "meu dono", "meu senhor".

19. Amaya - do aimará. Homem fraco, débil, preguiçoso.

20. Anachuri - do quéchua. Corresponde a "filho varão", no sentido de elogio de sua primogenitura ou masculinidade.

terça-feira, 10 de março de 2026

Disco voador em Passo Fundo


PASSO FUNDO

Disco voador sôbre a cidade

PASSO FUNDO (J.D.) - Ultimamente, através do mundo, vem sendo noticiado, com certa freqüência, o aparecimento de discos voadores, que passam nos ares, a grande alturas, inacessíveis aos meios técnicos de que os homens dispõem.

 Até agora, o fenômeno dos discos voadores ainda não teve explicações exatas, apesar das muitas explicações que sempre aparecem.

Depois desta rápida digressão necessária, temos uma notícia sensacional para os nossos leitores: um disco voador evolucionou, ontem, às 11 horas da manhã, sôbre esta cidade!

O estranho acontecimento foi testemunhado por diversos cidadãos de evidência social que empregam suas atividades como funcionários ou advogados no Fóro local, onde se achavam àquela hora, e de onde do disco voador, que era visto a grande altura e era de forma circular, evolucionando ora para a esquerda ora para a direita, para tráz e para a frente, além de subir ou descer centenas de metros, durante muitos minutos, desaparecendo, depois, para o lado nordeste. É possível que muitas outras pessoas tenham observado também, ontem, o disco voador, além das que vieram nos trazer esta notícia.

Entre as pessoas que observaram o fenômeno, podemos citar os srs. João Azevedo Lopes, escrivão do fóro local; Dr. Frederico Daudt, advogado aqui residente, e os ajudantes de Cartório, srta. Yara Lopes, srta. Agnés Bastos e Paulo Grassi, e outros.

Fonte: JORNAL DO DIA (Porto Alegre/RS), 20 de outubro de 1954, pág. 9

segunda-feira, 9 de março de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 01

 



1. Aballay - da aglutinação dos termos da língua cacán ach (=grande) e huall (=círculo). Significado: coisa que rodeia, círculo grande, grande círculo (pode se referir a pessoas ou coletividade). Pode ainda relacionar a um termo quéchua para tecelão.

2. Abán - do quéchua awána que significa tecer, portanto, tecelão. Pode ainda se relacionar ao aimará apan que significa levar.

3. Abracaite - do atacamenho (ou língua kunza) que significa casa de pedra ou rocha da morada. Variantes: Abracayte, Abracaiti.

4. Acho, Achu, Acha - de origem aimará. Significa fruto.

5. Achura, Acchura - do quéchua. Significa ração, dose de comida diária. Também é um termo utilizado para se referir às vísceras de animais de rebanho como bovinos, ovinos e caprinos.

6. Ackacayo - do aimará. Da aglutinação dos termos akha (=aqui) e kayu (=pé, perna, pisada, rastro). Tem significado próximo na língua kunza ou atacamenha e quer dizer bem calçado, de bons pés.

7. Aguaisol - do quéchua. Significa tecelão de uma espécie de junco sul-americano. 

8. Aguayo - do quéchua. Espécie de manta tecida.

9. Ailán - do kunza; moça, mulher núbil.

10. Aima, Aimo, Aimi - do aimará. Pode significar tanto procissão, caravana, ou ainda servo, aquele que serve.

domingo, 8 de março de 2026

Sobrenome Izquierdo

 



Há uma versão lendária que remete a origem deste sobrenome ao antiquíssimo reino de Roma, na figura de um jovem chamado Mucius, no período do rei Sexto Tarquínio. Daí a linhagem, séculos mais tarde, teria passado à Península Ibérica, estabelecendo-se em regiões onde hoje é Aragão e a Cantábria.

O fato é que sua etimologia é basca e significa diretamente o que quer dizer: canhoto, pessoa canhota.

As principais casas solares com este sobrenome de origem mais antiga são registradas durante o século XII, a seguir: em Portugal (uma das ramais se estabeleceu posteriormente em Valdajos, nas cercanias de Sedano); em Alcolea de Cinca e Cariñena, ambas localidades em Aragão; em Rozas, no vale de Soba, Cantábria; em La Rioja. As ramais se multiplicaram até o século XVI e destas inúmeras surgiram linhagens hispano-americanas importantes no Chile e México.

Solares posteriores foram estabelecidos em Riopar, em Albacete. Treviño, em Burgos, Castromocho e Frechilla, ambos em Palência, Cobrejas del Pinar e Verguizas, ambos em Soria, Añover del Tajo, em Toledo, Tamariz de Campos e Tudela de Duero, em Valladolid, Oviedo, nas Astúrias, Elciego, Laguardia e Oyón, os três na província de Álava e, finalmente, Granada e Huelva, na quente Andaluzia.

Fonte: BLASÓNS DE ESPAÑA.

sábado, 7 de março de 2026

Lenda da origem do homem branco

 



As tribo Timbira (Jê), que habitam o sul do Maranhão, explicam a origem dos homens brancos com a seguinte lenda. Uma índia ficou grávida. Toda vez que ela ia tomar banho no rio, seu filho, que ainda não havia nascido, saía do seu ventre e brincava de se transformar em animais. Quando nasceu, o menino Aukê tornou-se temido pelos habitantes da aldeia, pois ainda novinho era capaz de se transformar em rapaz, em homem adulto e em velho. Com medo dos poderes sobrenaturais de Aukê, os indígenas resolveram matá-lo. Tentaram várias vezes, sem conseguir. Até que, um dia, fizeram uma grande fogueira e jogaram o menino dentro. Dias depois, quando voltaram ao local para recolher suas cinzas, encontraram uma casa grande de fazenda, com bois e outros animais domésticos. Aukê não havia morrido; tinha se transformado no primeiro homem civilizado.

Nas suas lendas e relatos, os indígenas revelam uma história de medo e de dominação, em relação aos europeus. Ao verem e ouviram, os homens brancos dispararem suas armas de fogo, muitos índios pensaram que eles fossem deuses enraivecidos.

Fonte: O LIBERAL (Belém/PA), 02 de abril de 1989, terceiro caderno, pág. 04

sexta-feira, 6 de março de 2026

Sobrenome Huyarramendi

 



Linhagem com origem na província de Guipúscoa, mais especificamente na cidade de Tolosa. É uma variação dialetal.

Fonte: BLASÓNS DE ESPAÑA.

quinta-feira, 5 de março de 2026

A Cobra Careta da Lagoa do Abaeté



E a Lagoa do Abaeté tem sua cobra

SALVADOR, (M-JC) - Uma cobra enorme, que muitos, disseram ser a maior de tôdas as sucurís que até hoje apareceu na Bahia, é "dona" das profundezas da Lagoa do Abaeté

As lendas que já vão surgindo são muitas e variadas. Contadas e recontadas pelas lavadeiras, figuras tradicionais que passam dias inteiros na beira da lagoa.

Para a maioria a cobra imensa aparece sempre lá no meio da Abaeté. Geme muito alto. Como se quizesse dizer alguma coisa. Depois volta para "seu reino".

Outras, porém, dizem que algumas vezes a cobra parece chorar...

PRETA E LISTRADA

D. Luiza Portela Costa Lóia, de 54 anos, e 41 de vida ali na Abaeté, já viu o "monstro" algumas vezes. Foi também a primeira a ver. E garante:

Ela é preta e tem listras brancas. Quando a põe a cabeça enorme de fora solta gemidos. Gemidos muito altos. Parece uma sucurí. É uma sucurí...

Olha para a lagoa, com reverência, e diz, sentenciosa, que "a cobra é a protetora das lavadeiras".

- Por que?

- Embora assuste um pouco a gente, ela serve para afugentar os hippies, que vinham para a Abaeté, sem respeitar nada, nem a Mãe D'Água nem as famílias.

"CARETA"

O "monstro" de Abaeté já até nome. Os Bombeiros deram. É "Carêta".

O Corpo de Bombeiros, por ordem da Prefeitura de Salvador, montou um serviço especial de salvamento na lagoa. Em um mês morreram quase vinte pessoas afogadas. E lenda ou não - porque diziam que eram os eleitos da Mãe D'Água - as providências foram tomadas. Ninguém pode mais brincar livremente como até agora nas águas escuras do Abaeté.

- E a cobra?

Os Bombeiros esclareceram que estão de vigília permanente. Alguns já viram. É enorme mesmo. Se sair da lagoa êles matam. Mas ir lá no meio, caçar... não!

As lavadeiras ajudam os Bombeiros, que vivem de espingarda sempre armada. Mas o soldado Magno Pereira, que já viu a cobra várias vezes, disse que só mesmo se ela sair abatida. Ela aparece rápidamente, olha para todos os lados, solta gemidos... e some nas águas escuras, misteriosas, cheias de lendas, da Abaeté.

Fonte: JORNAL DO COMÉRCIO (Manaus/AM), 21 de abril de 1971, pág. 06 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Sobrenome Guzmán

 



Sobrenome muito antigo, remontando seguramente aos séculos IX e X, cuja origem ancestral nunca foi suficiente apontada pela comunidade acadêmica internacional, provavelmente porque trate-se de um nome que gerou um patronímico que veio ainda com os visigodos na Península Ibérica.

Prudencio de Sandoval acredita que o solar ancestral ficava no castelo de Abiados, nos arredores de León. Querendo ou não, o primeiro registro nobiliárquico dos Guzmán remete ao ano de 990, no reinado de Bermudo II de Léon, que outorgou a membros dessa família um senhorio na localidade de Toral de la Vega.

Outra vertente importante, e também muito antiga, surgiu no castelo de Guzmán, nas vizinhanças de Aranda de Duero e Roa, na província de Burgos.

Outros genealogistas vinculam à origem dos Guzmán a uma primitiva vila denominada Gundemari, ainda no tempo do reinado asturiano. Ainda há estudos que apontam que os Guzmán das Astúrias seriam na verdade originários da Bretanha.

Seja como for as linhagens de Guzmán são múltiplas em toda a Península Ibérica, havendo casas solares e troncos nobiliárquicos com esta alcunha em praticamente todas as regiões, desde a Catalunha até Portugal. Há ao menos 23 famílias nobres diferentes com este sobrenome em toda a história

Fonte: BLASÓNS DE ESPAÑA.

terça-feira, 3 de março de 2026

Bastidores do filme "Negrinho do Pastoreio" na Estância da Gruta, Pavão, Capão do Leão

Os atores Breno Melo e Carla Goulart

Elenco de apoio da produção



O ator Carlos Castilho


Detalhe de uma das cenas


O ator Grande Otelo (acima e abaixo)





Rejane Vieira, que tinha sido recentemente Miss Brasil 1972

As gravações do filme "Negrinho do Pastoreio" (1973) aconteceram em diferentes locais do Rio Grande do Sul, mas principalmente no recinto da sede da Estância da Gruta, Pavão, Capão do Leão (que naquela época ainda era distrito de Pelotas). As filmagens na estância aconteceram principalmente entre os fins de outubro e o durante o mês de novembro de 1972.

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

O PRN - Partido da Reconstrução Nacional

 



O Partido da Reconstrução Nacional (PRN) foi a legenda que serviu de plataforma à vitoriosa candidatura presidencial do ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello. Constituído originalmente em 1985 sob a denominação de Partido da Juventude (PJ), a sigla adotou a sua denominação definitiva em 1989, exatamente quando da filiação do futuro presidente. Na eleição presidencial em que concorreu, Fernando Collor obteve 30,5% dos votos em primeiro turno e, posteriormente, 53,0% das preferências eleitorais no segundo. Após a interrupção do seu mandato presidencial por impeachment em 1992, Collor foi substituído pelo vice-presidente Itamar Franco, que não tinha filiação partidária. O PRN, por sua vez, desapareceria quase tão depressa quanto surgiu: em 1994 ainda lançaria um obscuro candidato à presidência, que não passou de 0,6% dos votos, e teve o seu registro cancelado pelo TSE em 1999.

Fonte: SCHMITT, Rogério. Partidos Políticos no Brasil (1945-2000). Rio de Janeiro: Zahar, 2000, pág. 44.

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